quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O QUE SERIA O NATAL?

Todos os anos o mês de dezembro é regado com as ofertas variadas das lojas e as músicas que embalam todo um sentimento dito natalino. A cidade inteira fica iluminada, em algumas é feito até mesmo concurso de qual casa está mais ornamentada para a chegada da data tão esperada: o Natal.
A palavra natal refere-se a nascimento, entretanto o que se tem nascido nesse período tão fértil no coração e na mente das pessoas? Ponho-me a pensar e refletir sobre os significados que as ações da sociedade têm apropriado a datas como esta que estamos prestes a comemorar. É uma data de cunho religioso. Mas, incrível, como o nascimento de Jesus Cristo fica renegado a pequenos presépios pouco interessantes e foca-se em duendes e Papai Noel, figuras controversas ao real sentido natalino. Por quê?
Caminhando pelas lojas e ruas, percebo um forte apelo comercial que cerceia o espírito de renascença do Natal. Do dia 24 para o dia 25 as pessoas se abraçam, trocam presentes, sorriem, embebedam-se, comemoram, entretanto com o findar do festejo suas vidas ainda se encontram vazias e repletas de angústias e animosidade, muitas vezes pelas próprias pessoas que estavam ao seu lado na festa. Natal é falsidade então? Parece-me que tem se tomado assim. O que tem nascido, ou melhor, renascido a cada ano dentro da sociedade em que vivemos é o egoísmo e a frenética luta em ser melhor que o outro, se possível afundando o próximo.
Não quero ser injusto deixando de lado as falas belas e amáveis que também regam esse período tão idolatrado, mensagens de amor, paz, esperança, alegria, que trazem a sensação de que é possível viver de maneira diferente. Que é possível viver com justiça e felicidade, que a vida pode ser embalada por cantigas e jingles doces e que nos fazem sorrir ao ressoar da sua simples melodia, que sim, o espírito natalino pode ser como nos filmes hollywoodianos em que na manhã de Natal tudo é diferente, as pessoas passam por uma transformação.
Me desculpe o leitor se minha visão tem sido aqui um pouco, até mesmo, pessimista, e distante da maioria das mensagens e textos sobre natal, mas me vejo na obrigação de externar a minha não compreensão do porquê ser tão fugaz esse espírito. Natal é sim tempo de renascença, mas é preciso que, primeiramente, nasça na sociedade atual esse carinho e amor, tão cristão, ao próximo, esse companheirismo e dedicação que se vê nas mensagens de natal. É preciso que se deixe de lado futilidades comerciais como duendes, o bom velhinho e as variadas promoções, que trazem ao natal todo apelo comercial e tiram dessa data seu foco.
Como 21 de Abril é de Tiradentes, 20 de Novembro de Zumbi e 7 de Setembro de D. Pedro I, tomando aqui simplesmente o senso comum e a versão oficial desses fatos históricos, não aprofundando nas discussões necessárias as respectivas datas, dia 25 de Dezembro deve ser dado ao nascimento de Jesus Cristo e a reflexão sobre seus ensinamentos deixados através dos milênios, que vão muito além dos cristãos, muitos além das igrejas, uma vez que o cerne de sua pregação é altamente explorado até os diais atuais, sem nem mesmo citar seu nome, por políticos, ONGs, intelectuais e tantos outros que buscam transformação social na tão corrompida e egoísta sociedade que vivemos.
Natal é tempo de repensar e de refletir, de volver ao passado e perceber os erros e não mais tomá-los como caminho a ser seguido, é momento de querer ser melhor e querer, também, o melhor para o próximo, para a sociedade. Espero que um dia esses apelos comerciais, típicos dos gritos capitalistas, sejam colocados em seus respectivos lugares, ou seja, em segundo plano, deixando o protagonismo para a verdadeira reflexão que deve ser feita. Que o cristianismo, não simplesmente a religião, mas os ensinamentos e mensagens possam ter espaço nessa festa e, assim, haver metanóia em cada ser, do contrário, o que seria o Natal?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Avaliação Sem Nota Na Escola?!



Ao acordar num dos dias dessa semana e ler as notícias me deparei com uma que anunciava uma mudança na educação francesa, consistindo na abdicação do sistema de notas e na substituição desta por uma espécie de avaliação através de conceitos que levam em consideração o desenvolvimento dos estudantes e também suas posturas cidadãs, domínio da língua mãe, olhar do mundo, dentre outros fatores. É possível encontrar em países desenvolvidos esse modelo já, sendo o maior expoente dessa vertente educacional a famosa Escola da Ponte, em Portugal, e, aqui no Brasil, temos o exemplo das escolas do Projeto Âncora.
Mas, no meio de tanta discussão, nos perguntamos se o Brasil é capaz de ter uma educação organizada nesse modelo e, se o mesmo, seria bom para as estruturas sociais do nosso país. Um modelo como esse é pautado na liberdade e na flexibilidade até mesmo dos conteúdos a serem apresentados aos alunos, o que não temos experimentado até então. Como o foco é a uma educação útil aos educandos todo o conteúdo deve ser empregado em atividades diárias, propiciando assim a oportunidade dos alunos comtemplarem, sem muita dificuldade, a utilidade dos ensinamentos e, deste modo, saber utilizá-los em seu cotidiano dentro da sociedade. Outro aspecto que visa mudança profunda é o afastamento do academicismo que temos visto desde o início da educação nacional, ou seja, o educar não para a vida e para a sociedade e sim para que o jovem possa adentrar a Universidade, como consequência dessa inclinação, temos uma sociedade que não sabe se respeitar e graduados que não sabem ler as questões, por mais simples que sejam, que o cercam no seu dia-a-dia.
Mas para que uma inovação realmente de certo o primeiro passo está na formação dos profissionais que trabalharão na educação, do contrário o projeto se torna inviável, uma vez que as aulas devem ser diferenciadas e totalmente linkadas com fatores do cotidiano do aluno e do mundo que o cerca. Temos visto tantos professores que não são capazes de fazer a leitura do mundo e trazê-lo para dentro de suas aulas dando sentido e aplicabilidade dos conteúdos programáticos aos alunos. Se esse processo não ocorrer é impossível que os próprios alunos consigam enxergar a importância de se estar na escola, gerando assim desinteresse e evasão escolar, como temos assistidos há muito no sistema educacional nacional.
Mas há quem possa defender que os professores não tem tempo, mas vejo nisso uma inverdade, pelo menos para os professores do Estado paranaense. Aqui no Paraná, este ano o governo assinou uma lei, que passará a valer em sua totalidade em 2015, que cumpri com a lei federal 11.738/08 que prevê 1/3 das aulas sem contato com os alunos, as chamadas aulas-atividade, ou seja, o professor receberá para poder se planejar com eficiência. Mas então por que continuamos a ouvir queixas e impropérios quanto ao tempo? Temos o problema que a maioria dos profissionais da educação não é comprometida e não faz bom uso desse tempo que tem disponível para elaborar suas aulas e fazer suas pesquisas para levar aos nossos estudantes uma educação de qualidade que o ensinem a viver adequadamente em sociedade.

Para que haja uma mudança educacional é preciso haver comprometimento efetivo dos profissionais que escolheram o magistério como profissão, além de amplo envolvimento da comunidade a quem as escolas servem e apoio governamental, do contrário tudo permanecerá igual, inapropriado e ineficaz como está. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ONTEM POPULAR, HOJE CENTRALISTA?


Se olharmos para a história recente do Brasil veremos tantos nomes, há época jovens, hoje senhores e senhoras que estão ativos na nossa política. Mas gostaria de chamar atenção às declarações quanto à democracia que pudemos acompanhar na semana passada.
Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) falaram que as manifestações no congresso atacaram a democracia. O que nos é estranho é que cidadãos e políticos profissionais como Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Lindberg Farias (PT-RJ), que sempre apoiaram esse tipo de manifestação, agora estão dizendo exatamente o que tanto combatiam. Como explicar essa mudança de opinião? A Democracia mudou? É complicado de compreender o que realmente está por trás dessa mudança de ideias, mas é essencial que essa reflexão seja feita.
Dentro da história do Brasil PT e PCdoB estiveram juntos por muitos anos e com a redemocratização pós-ditadura esse vínculo estreitou-se. Ambos os partidos são marcados pelas lutas sociais e a constante busca, pelo menos no discurso, pela maior participação das camadas populares da sociedade nas decisões políticas do Estado. O PCdoB organizou a maior guerrilha rural durante a época da ditadura civil-militar no Brasil, a Guerrilha do Araguaia. Lula foi o principal sindicalista que, perto do fim do período ditatorial, opôs-se as políticas econômicas marcadas pelas decisões tomadas de cima para baixo e foi em cima da figura dele que o Partido dos Trabalhadores foi criado.
A defesa de movimentos sociais organizados e a luta dos ideais democráticos, a inconformidade com as decisões marcadamente hierárquicas e tantos outros conceitos que sempre foram estandartes, das instituições aqui tratadas, mostram-se hoje justamente o antagonismo que defendem. O poder tende a corromper. É isso que tem acontecido com os antigos partidos marxistas ou apenas temos visto sua real faceta além da máscara? É praticamente impossível responder a tal questionamento.
PT sempre se demonstrou marxista, PCdoB rompeu com os mesmos, mas permaneceu com resquícios de suas raízes. Se pensarmos por esse viés poderemos perceber que quando a presidente Dilma, durante a campanha eleitoral, afirmou que a sua palavra bastava, fala claramente com traços ditatoriais, segue os seus líderes históricos, Marx e Lênin, ambos tendentes à centralização do poder, podendo ver na Internacional Comunista e na Rússia Comunista, respectivamente, a prova dessa afirmação. Logo, quando nos deparamos com posições, como a dos parlamentares supracitados, não devemos ficar boquiabertos, pois é da natureza dessa esquerda autoritária atitudes centralizadoras e antidemocráticas e isso desde as suas raízes no século XIX lá na Europa.
Essa compra de votos através do decreto 8.367/2014 mostra tamanha inclinação a falta de diálogo que há no atual governo e na sua incapacidade de escutar setores da sociedade, tendo diálogo efetivo somente com aqueles que consentem na mesma opinião. Talvez, o pilar essencial da democracia seja a liberdade de expressão e a oportunidade de diálogo aberto entre o Estado e facções organizadas da nação, mas esses não têm sido respeitados. Rousseau defenderá no livro Do Contrato Social que a organização democrática não funciona dentro de Estados luxuosos e grandes em extensão territorial, ou seja, a democracia nacional, segundo o filósofo Rousseau, está fadada ao fracasso, uma vez que a luxúria vai gerar a corrupção e a luta descompromissada com a sociedade pelo poder, que, afinal, é o que temos visto atualmente, e a grande extensão territorial que causaria desmando e impossibilitaria o atendimento por igual de todos os cidadãos.
Política é necessário, mas o que há hoje no Brasil é luta pelo poder, simplesmente pelo poder. Se considerarmos o Estado como mal necessário deveríamos fazer com que o mesmo nos sirva e não o inverso, se somos democráticos que façamos a voz da população sobressair a tentativa dos Poderes de abafá-la.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Movimentos, Ideias e Doutrinas I - Liberalismo



O século XIX foi regado por uma enxurrada de ideias que desaguaram no século XX em forma de paixões ardentes e geraram conflitos multifacetados. As teorias ditas de esquerda são as que mais arrebataram corações e incendiaram mentes intelectuais, e/ou não, a buscar um mundo diferente do que estava se apresentando em seu presente. Embora tais ideias tenham transformado o mundo atual a maioria das pessoas ignora suas reais intenções e linhas teóricas, mas longe ainda está o saber da realidade comparativa entre teorias e as práticas que foram exercidas no mundo e saber ler as mesmas nos movimentos atuais da nossa sociedade.
A teoria que rege o mundo atual é o Neoliberalismo. As ideias que trazem a gênese desse modelo estão expostas no livro “A Riqueza das Nações” do pensador Adam Smith. Essa linha de pensamento trazia ao homem o desvincular da terra, saindo assim do setor agrário para o comercial e, mais tarde, o industrial.
Para que se possa entender e compreender a mudança econômica é preciso ter noção do que havia no mundo antes da mesma. O mundo, a Europa ocidental, vinha do período feudal, no qual a terra era o bem mais precioso. Com o Renascimento do Comércio no século XII começa a surgir uma nova classe chamada de burguesia que galga uma caminhada gradual até que no século XVIII faz a sua revolução, Revolução Francesa, e assume de vez o poder da sociedade. É essa mudança de liderança socioeconômica que dá força ao liberalismo e ao livre comércio.
As ideias burguesas, liberais, previam a ausência do Estado na economia, julgando que a lei da oferta e da procura seria o suficiente para a autorregulação da mesma. Com esse enfoque era pregado a liberdade de comércio e também o anti-escravismo, já que para haver circulação de capital é necessário ter mão de obra remunerada. Era necessário também ter igualdade civil para que todos pudessem ter acesso aos produtos e consumir.
O ápice do liberalismo foi no pós-guerra I Guerra, entretanto em 1929, com a grande quebra da bolsa de Nova Iorque, esse modelo caiu em descrédito, pois se viu a necessidade do Estado está presente também na economia, nem que seja o mínimo, mas sua presença é indispensável como regulador.
Com o fim da II Guerra e a o contexto Bipolar, o mundo dividido entre o bloco comunista liderado pela URSS e o bloco capitalista liderado pelos EUA, o liberalismo voltou à cena, agora como Neoliberalismo. Doutrina político-econômica que revisava o antigo modelo liberal e traz em seu cerne as mesmas questões, defende-se a reforma tributária e o Estado mínimo para que a iniciativa privada tenha liberdade de comercializar e investir. Grandes nomes desse modelo sócio-econômico foi a líder inglesa Margareth Thatcher e o líder estadunidense Ronald Reagan. Findando o período bipolar passamos a viver, e estamos nele, um momento multipolar aonde o neoliberalismo por meio, principalmente, do discurso sobre globalização impera.



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Democracia e sua Falibilidade



Essa semana, passamos pelo ápice do sistema democrático de governo, participamos da eleição. Este momento nos propicia o poder de alienar a outrem o direito de defender nossas ideias e posturas políticas. As eleições desse ano, principalmente as presidenciáveis, tiveram algo de muito interessante: a extrema briga entre os dois candidatos, especialmente no segundo turno, e entre seus respectivos eleitores.
Com a reeleição da presidente Dilma uma corrente na internet se dissemina sobre o separatismo do sul/sudeste/centro-oeste quanto ao nordeste e norte do país, uma vez que as duas regiões citadas por último votaram em sua maioria no atual governo. Embora toda essa dinâmica nas redes sociais esteja repleta de preconceitos e ofensas contra nordestinos, preconceitos estes que vem se permeando há tempos na sociedade do sul e sudeste sem praticamente nenhuma objeção, há um aspecto que pretendo ressaltar nesse texto: a falibilidade da democracia.
Desde o ano passado a frase “Ele não me representa” se fez comum dentro das conversas, debates e manifestações políticas. Mas quem representa quem? A sociedade parece que tem prazer em retroceder nos modelos, sejam eles educacionais, econômicos, políticos, etc. O grande filósofo Rousseau há séculos atrás já defendia que democracia real nunca existiu e que este modelo era para sociedades mais simples e pequenas, do contrário é impossível haver representatividade. Outro fator que o pensador, citado acima, destaca é que o luxo não é compatível com a democracia, uma vez que é a simplicidade que sustenta tal modelo, sendo evidente que isto é algo longe da nossa política atual.
A autogestão é a perfeição que parece cada dia está mais distante, não é preciso que ninguém represente ninguém. Cada cidadão tem direito de defender seus ideais, não terceirizando o seu poder de opinar, tendo a liberdade de debater os rumos da sociedade que o mesmo faz parte. Infelizmente a democracia é uma ditadura, ditadura da maioria, maioria esta que, comumente, não se põe dentro da vida política, não compreendem os conceitos e nem o sistema político em que vive o Brasil e, por isso, não sabe votar, levando assim todo um país a ser refém de maus políticos. Sendo isso um fato não apenas pela reeleição da presidente Dilma e as acusações preconceituosas contra o povo nordestino.

Comumente ouvimos a defesa da democracia como se fosse o modelo mais justo de governo que existe, entretanto está muito longe de ser, já que perdemos voz e não a ganhamos como é propagado nos meios midiáticos e em nossas escolas. É preciso uma REVOLUÇÃO política e não simplesmente uma reforma, como está sendo proposto, sendo essa última apenas um paliativo. Enquanto estivermos reféns desse estilo de governo a maioria que em nada se envolve com as questões nacionais e não estuda constantemente a dinâmica geral da nação, quanto, também, a mundial, não consegue aprender a realidade em que está incluso o Brasil continuará comandando o país e continuaremos sem voz, longe da liberdade, longe do governo que deve ser exercido por nós mesmos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Movimento Comunista



O século XIX foi de revoluções, surgiram movimentos e ideias novas que modificaram a estrutura do mundo que atualmente contemplamos e vivemos. Com certeza uma das mentes mais influentes na atualidade é a de Karl Marx. O comunismo, que o mesmo tanto defendeu, criou esperanças, discórdias, guerras e debates. Semana passada comemorou-se os 150 anos da Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional, sediada em Londres e aberta no dia 28 de setembro de 1864, movimento este que sagrou Marx como líder comunista em nível mundial.
A Internacional tinha como objetivo organizar os trabalhadores, denominados proletários, principalmente os fabris, para discussões e elaborações de planos de ação que pudessem, a nível internacional, obrigar o patronato a ceder as reivindicações trabalhistas em prol de melhorias estruturais e maior valorização do mesmo. Com a sequência dos debates foi colocado em pauta às várias linhas de pensamentos da época que propunham métodos para alcançar uma sociedade igualitária. Destacando-se o socialismo científico (doutrina defendida por Marx), socialismo utópico, dentro de suas várias ramificações, e o anarquismo.
A I Internacional lançou Bakunin, defendendo o anarquismo, e Marx, defendendo o comunismo, como grandes líderes, sendo assim dividindo o público que participava do movimento. Movimento este que prezava pela busca de uma sociedade mais justa, descentralizada e igualitária, entretanto foi claramente exclusiva e antidemocrática quando da expulsão de Bakunin e seus seguidores anárquicos, já que a liderança do movimento centralizou-se em Marx, assim bem como anos à frente centralizar-se-ia nas mãos de Lênin.
O comunismo como Marx pregava nunca foi posto em prática, a utopia da igualdade e da sociedade sem exploração nunca foi alcançada, o Estado não deixou de existir, nem a classe trabalhadora alcançou o poder. Por quê? A reflexão, tendo como base a I Internacional, é importante, pois demostra bem aquilo que foi e é o movimento comunista espalhado por todo o mundo, um movimento centralizador e intolerante às ideias contrárias. Prova disto são os países que se tornaram pseudocomunistas e espalharam o horror e a violência entre a sua população.
Embora o Comunismo tenha ganho essa face ditatorial e cruel em muitos países, principalmente durante a Guerra Fria, a teoria é válida para reflexões sobre a sociedade atual e até mesmo a utopia de ter-se uma sociedade de iguais. A crítica ao modelo capitalista precisa ser feita, uma vez que, do contrário, ele continuará a massacrar as classes proletárias, nas palavras de Marx, e permanecerá engordando os bolsos dos mais ricos em detrimento do pobre.
A I Internacional marcou o século XIX, mas chega até hoje como exemplo de um movimento organizado de debates e direções para ações contra a covardia patronal e a favor de uma sociedade mais justa em nível mundial. No cotidiano atual, tem-se perdido esse poder de organização e reflexão, gerando, deste modo, uma sociedade incapaz de refletir sobre seus problemas e organizar-se para buscar soluções. 

Matheus M. Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC – Campus Mafra

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

07 de Setembro – Retrato da Formação do Brasileiro


Essa semana comemorou-se o dia da Independência do Brasil. A História dos nossos livros didáticos, repleta de ideologia, nos pinta, como o quadro de Pedro Américo, um imponente momento, um D. Pedro viril e libertador, um herói de verdade. Perpassaram-se durante anos, continuando ainda hoje, em muitas mentes o sentimento patriótico regado de um endeusamento de personagens tidos como principais por aqueles que contam a história da nação.
Existem fatores dentro do processo de independência que não são levados em consideração e o senso comum desconhece, não tendo uma ideia mais ampla sobre aquilo que foi a realidade do Brasil durante os anos, principalmente, entre 1808 e 1822. Sendo assim, não percebem que o dia 7 de setembro foi apenas o ápice de toda uma trama que vinha sendo desenhada há anos, mais em voga com a chegada da família real no Brasil (1808),
Dentro de todo esse processo é importante que seja ressaltado o aspecto popular, ou a falta do mesmo. O Brasil fora colônia portuguesa desde 1494, com o Tratado de Tordesilhas, sendo tomada posse da nova terra em 1500 e o começo da sua efetiva colonização em 1530. Essa colonização foi totalmente de exploração, fazendo com que os colonos, em sua maioria, vissem no Brasil o El Dourado, apenas uma fonte de riquezas para que pudessem solidificar melhor sua vida na Europa, sem contar os que pra cá vieram como forma de punição por crimes, ou seja, a sociedade brasílica foi formada por uma população que em nada se comprometia com a formação do novo país. Com essa formação social básica seria difícil que a história tivesse outro destino que não fosse a submissão do povo às vontades de uma elite ligada aos interesses portugueses e comerciais.
O processo que culminou no dia 7 de setembro teve justamente essa marca, foi dirigido apenas pelos interesses da elite que comandava o Brasil. Esta que estava crescendo economicamente com as relações com os ingleses e nada tinha a ganhar com a volta da submissão extrema a Portugal. Por sua vez a coroa portuguesa tinha consciência de que o processo de metropolização do Brasil em 1808 seria irreversível, por isso D. João deixa o seu filho, D. Pedro para que as mudanças políticas que estavam por vir fossem feitas sob sua tutela e, desse modo, não se afastando dos interesses portugueses.
A sociedade brasileira ao ver as descrições feitas em quadros e a que comumente é feita sobre essa parte importante da história do país renega esses detalhes que são de importância ímpar, uma vez que demonstram a maneira que o Brasil foi criado, sem brasileiros lutando pelo mesmo. A diferença entre o processo de independência da América portuguesa para a espanhola é gritante, uma vez que as ex-colônias da Espanha criaram seus respectivos países com o sentimento de pertencimento ao local, as terras brasílicas ganharam a independência sem ter, de fato, brasileiros.
Atualmente ouvem-se queixas constantes sobre a postura do povo brasileiro sobre vários aspectos, um deles é o político. Nessa semana que se denomina Semana da Pátria deveria haver uma profunda reflexão de como esse fato, processo de independência, foi e ainda é o retrato da formação do povo brasílico. Formação esta que o torna descompromissado e não o permite sentir-se parte de um todo, sentir-se o próprio Brasil.

Matheus M. Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC, Campus Mafra. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Robotização da Sociedade


A sociedade atual vive uma aceleração da tecnologia robótica. Atualmente há máquinas para quase todas as funções que anteriormente seriam executadas pelos seres humanos, essa modificação na estrutura da mão de obra existente no mundo gera reflexos econômicos e, consequentemente, na própria estrutura social. Existem discussões, há algum tempo, sobre a complexidade que essa maquinização traz e as suas consequências, deixando o homem em segundo plano, entretanto esquecem-se da parte principal que diferencia o ser humano da máquina: consciência.
A preocupação das máquinas tomarem conta do mercado de trabalho, gerando, desta forma, o desemprego é factual, uma vez que a sociedade atual empurra o próprio ser humano para uma robotização. Isso é muito límpido na área educacional, quando nota-se um sistema, como o próprio vestibular, de provas dentro da maioria das escolas nacionais que fazem com que o aluno decore o conteúdo pelo próprio conteúdo, sem que o mesmo seja capaz de fazer a transposição para a realidade daquilo que estuda como teoria científica dentro da escola.
Uma máquina é incapaz de fazer arte, seja ela do tipo que for, ela pode executar uma música, mas nunca interpretá-la, pode jogar tinta num quadro, mas é impossível que o utilize como expressão e assim é com a área educacional, também. Uma máquina pode calcular com maior exatidão que o homem e até mesmo bem mais rápido, mas não é capaz de interpretar um problema, não é capaz de trazer para o campo prático, não tem consciência e não reflete, logo não consegue fazer a valorização das datas e nomes históricos para os dias atuais, e assim por diante. Infelizmente vive-se atualmente uma robotização extrema da sociedade, onde tudo aquilo que há de mais humanos não tem sido valorizado, infelizmente. Desse modo, sim, deve-se temer a competição com as máquinas, já que o que nos faz superiores tem sido renegado ao descaso e a inutilidade.
As propostas educacionais contidas nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) são claras quanto ao que se deve ser ensinado na escola: a compreensão do mundo que cerca os estudantes e, também, prepara-lo para o mercado de trabalho. Todas as ciências devem estar preparadas para que levem ao sujeito a visão de sociedade que ele precisa ter para saber viver em comunidade, para que o mesmo seja capaz de fortalecer o meio que vive como cidadão e não que simplesmente decore teoria por teoria sem utilizar isso em nada, já que não consegue tornar aquele saber prático porque nunca foi levado a refletir sobre isso.
O mundo passa por essa maquinização há tempo, mas o que se deve ter em mente é que o homem não compete com a máquina, não deveria ao menos, porque o ser humano tem consciência e sentimentos o que o torna ímpar, insubstituível frente a tudo que precisa de tomada de decisão, reflexão e tudo que envolve capacidade de escolha. As máquinas são produzidas para servirem ao homem e se o mundo mantiver essa mentalidade de que devemos nos igualar as mesmas, fatalmente os papéis se inverterão.


Matheus Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC

sexta-feira, 18 de abril de 2014

CADEIA DE SISTEMA


A sociedade atual é composta por um conjunto que abrange variados tipos de sistemas, sendo eles econômicos, políticos, sociais e assim por diante. O engodo nela posto atrai as mais diversas camadas do conjunto social, do contrário não haveria coesão e seu funcionamento seria completamente fútil. A organização que se há no domínio humano pelo homem é complexo e tende a chegar perto da perfeição, trabalham-se conceitos e luta-se por eles, sendo que os mesmo são a própria ilusão e a prisão em que se encontra a população, até mesmo os personagens que fazem a máquina ideológica girar.
Conceitos como o de liberdade muito atraem todas as pessoas e vive-se, morre-se, luta-se por ele sem nem mesmo perceber que é uma utopia descabida de razão, afinal personagens que entregam seus dias na busca desse ideal tornam-se escravas do próprio, perdendo alguns resquícios na busca incessante de um todo inatingível. O amarrado sistemático que engloba cada lugar sombrio deste mundo não permite que nenhum homem se quer consiga se ver livre, podendo ser perceptível, sem uma reflexão mais apurada, tamanho é o condicionamento em que cada ser se encontra atado.
Há quem queira mudar o sistema, seja ele qual for, de maneira abrupta, entretanto não vislumbra que apenas de dentro é que ele pode ser modificado. Muitos defendem o “bater de frente” com as forças que os lideram, sem notar que a força e as armas de coerção ideológica estão completamente nas mãos daqueles que detêm o poderio maior da organização, prova disto é o sistema político atual do Brasil, percebe-se que, ainda hoje, vive-se uma república oligárquica e que pode até mudar o presidente e o partido, mas quem detêm o poder sempre são os mesmos, os seja aqueles que concentram determinada renda em suas mãos.
A quebra de qualquer organização complexa, como os são os sistemas que subtraem e subjugam a população comum, deve ser feita de maneira gradual e consciente, uma vez que qualquer movimento brusco causa nódoa irreparável, impossibilitando que mais a frente haja possibilidades de reparos consideráveis a ponto de haver outra oportunidade de mudança sistemática. A fraqueza por vezes deve ser tida como a fortaleza e é sempre importante saber que até mesmo os conceitos pelos quais os próprios intelectuais discutem são gerados no seio daqueles a quem os mesmo denigrem e buscam derrubar, a vida em sociedade nada mais é do que um grande teatro, aonde não há originalidade, apenas cópias, falsificações, ideologias, conceitos fúteis e utópicos, imbróglios mil capazes de transformar tudo em apenas sonhos e enganos, sem que nem mesmo o sujeito perceba que não há sujeito, apenas sujeitados.

Matheus M. Cruz

Acadêmico de História – UnC Mafra

sábado, 5 de abril de 2014

Regime Civil-Militar de 1964 – Resumo


Durante os governos que se sucederam após a Revolução de 1964 houve uma dinâmica diferenciada das que muitos têm em mente. O corpo militar não se portou em uníssono, havendo dentro da instituição efervescência e divisões políticas durante todo o período de governo militar, prova disto são os movimentos que envolviam os Coroneis das IPMs (Inquérito Policial Militar), o movimento denominado “primeira linha dura”, sob liderança de Boaventura, e também, entre outros, da organização Lider (Liga Democrática Radical).

Houve também participação dos civis dentro dos governos liderado pelos militares, sendo estas participações importantes, uma vez que a maior parte dos ministérios estava, a princípio, nas mãos de tecnocratas. Com a subida ao poder de Costa e Silva, substituindo Castelo Branco, havia a esperança de desmilitarizar-se o poder, entretanto o que ocorreu foi uma mais forte tomada de espaço pelas Forças Armadas, isto era visto que aconteceria já que Costa e Silva assume sobre a base eleitoral dada pela “linha dura”, a qual, com seus requerimentos, força Castelo Branco a promulgar o AI-2 (decreta o bipartidarismo e o aumento do poder do Executivo) e dentro de seu governo decreta o AI-5 (considerado a revolução dentro da revolução, ato este que aplicou a censura e a caça aos oposicionistas do regime).

Principalmente durante os anos de chumbo a extrema esquerda viveu na ilegalidade, criou-se movimentos urbanos e rurais em forma de guerrilha, movimentos estes que marcaram com ações contra a repressão do Estado. Alguns desses movimentos foram o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Guerrilha do Araguaia (esta rural). Foi prática contínua desses grupos as desapropriações (assaltos a banco) dos grupos dominantes e também o sequestro de embaixadores e figuras públicas importantes para serem trocados por presos políticos, estratégia esta que nasce com o MR-8 em 1969 com o sequestro do embaixador estadunidense com a exigência da libertação direto para o exílio de 15 presos políticos e a leitura de uma carta em todos os canais televisivos da época.

É a partir do AI-5 que a prática da tortura se instala de vez no regime, fato este que até hoje tem grande repercussão na imprensa e em qualquer conversa sobre o período militar. Os militantes políticos eram considerados terroristas que queriam subverter a ordem da sociedade, sua hierarquia e os bons costumes, além de quererem instalar o comunismo no Brasil. Após serem presos sofriam tortura e a grande maioria era morta e seus corpos nunca mais seriam achados, uma vez que, com os estudos da atualidade é possível saber, eram esquartejados e jogados ao mar ou em rios para que não houvesse provas do crime ocorrido. Outro aspecto sobre a tortura que é causa de grande indignação dentro da sociedade é o apoio da Igreja Católica a estes atos repugnantes, usando para justificar o seu discurso a ideia de que estes terroristas estavam tentando destruir as instituições familiares e a sua maioria serem ateus, desvirtuando assim a sociedade.

O Regime Civil-Militar se dá a partir do Golpe de 1964 e termina, segundo alguns autores, em 1985 com a posse de Sarney e, segundo outros, com as eleições diretas de 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Dentro do processo de reabertura política o presidente que encabeçou foi o General Geisel, inclusive derrubando o AI-5.  Essa faixa de tempo também é conhecida como Ditadura Militar, foi também com os Generais-Presidentes que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol em 1970 com uma seleção histórica e também apareceu de vez para o mundo como uma economia crescente, graças ao Milagre Econômico, com o qual o PIB permaneceu em escalada, e também a maior industrialização do Brasil com projetos como o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Os tempos militares causam repugnância em muitos, entretanto saudosismo também, foram tempos de lutas e mortes, mas também de desfiles e grande propagandas, na qual a ideologia foi parte operante da Guerra Revolucionária contra o comunismo e a favor dos governantes.

Golpe Civil-Militar de 1964

Durante o início dos anos de 1960 a efervescência da Guerra Fria estava em seu ápice, a dicotomia entre comunismo soviético e capitalismo estadunidense era clara e a necessidade, imposta por esses países, de que todas as nações do globo se posicionassem cresceu no decorrer de toda essa questão geopolítica. Com o Brasil não foi diferente, João Goulart buscava manter-se nos blocos dos Não Alinhados, países que não assumiam compromisso nem com a economia soviética e nem com a estadunidense, fazendo negócios e visitas a China, Cuba e também mantendo contato com os EUA, entretanto não foi possível manter-se assim, uma vez que a influência norte-americana era forte causando pressão contra essa maneira de política dentro do próprio país.

Jango, como era conhecido João Goulart, entrou na política no segundo governo de Vargas e manteve seu modelo populista ao assumir o poder em 1961, entretanto esse modelo não era bem visto por boa parte da população, principalmente a de melhores condições financeiras, uma vez que as reformas de base e a busca por trazer a classe trabalhadora para si como pilar do poder fazia diminuir a força e a lucratividade da primeira em cima da segunda. Outro setor que não se agradava deste modelo era o militar, já que com essas medidas e aproximação dos graduados e soldados, segundo os oficiais, causava sublevação da ordem e hierarquia, destruindo assim o corpo militar. Também era altamente criticado pela igreja que temia, junto a grande parcela da sociedade, uma revolução comunista no Brasil no rumo tomado pela da Rússia em 1917 e uma República de Sindicatos, já que o presidente estava tão próximo da classe trabalhadora.

Do dia 31 de Março para o 1 de Abril deu-se a intervenção amplamente apoiada pela sociedade civil e pelo corpo militar, entretanto as promessas eram de que ela seria rápida e cirúrgica, logo que possível tornando aos civis o comando da nação e das questão político-econômicas. O período curto em que o braço militar deveria está no poder era apenas para que houvesse uma limpeza desses ideais comunistas tão incômodos aos golpistas e uma estruturalização para que voltasse a democracia e o rumo normal da dinâmica política no Brasil.

O fechamento e as cassações de nomes importantes foram feitas, entretanto o governo militar perdurou no poder, criando os Atos Institucionais (AI) para governarem o país, criando uma nova dinâmica que os favorecessem, a qual acabou por militarizar o Estado, principalmente a partir da presidência de Costa e Silva, causando indignação em nomes notáveis do meio civil como Lacerda (Governador da Guanabara à época), causando o sentimento de traição na ala não-militar do Golpe, entretanto todas as ações foram feitas sempre buscando a legitimação do poder defendendo que a massa do povo brasileiro os estavam apoiando.

BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL - Parte III

Durante todo o século XX a efervescência no corpo militar foi visível através de grandes movimentos como o tenentista e revoltas como a do forte de Copacabana. Com a subida ao poder de Getúlio Vargas ainda permaneceu dentro da corporação a ânsia política e o questionar ao governo continuou sendo algo frequente, sendo perceptível a atividade política dentro do exército até o fim do governo varguista.

A Era Vargas apresenta ao Brasil a ditadura e o poder concentrado na mão de um só homem, também traz para o Estado responsabilidades e gestões que estavam totalmente dispersas, prova disto foi a criação do ministério de Educação e Saúde e as mudanças ocorridas dentro dos corpos sindicais com os pelegos no comando, gerando com essas modificações uma alta hierarquização estatal e centralização das decisões, modelos estes que foram também postos em prática, dada algumas diferenciações, pelos militares a partir de 1964.

Dentro do período varguista se vê nomes militares importantes e influentes que vão ser essenciais para o golpe em 64 e para a instalação do novo governo, são oficiais que lutaram em posição de prestígio na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial e receberam altas condecorações e honrarias pelo seu desenvolvimento no conflito, mesmo a entrada na luta contra as potências do eixo sendo em desacordo com os homens de altos cargos militares no governo getulista, como Dutra e Góis Monteiro, até porque a relação Brasil-Alemanha era bastante intensa econômica e militarmente, uma vez que até armamento era importado da nação nazista.

Mesmo boa parte dos militares tendo lutado ao lado de Getúlio pela maior nacionalização e industrialização do país e o apoiarem no poder, a entrada na guerra e o estilo de governo populista aplicado por Vargas acabaram por afastar os mesmos do político gaúcho, principalmente após sua saída e, por ocasião da sua volta por vias democráticas, a não continuidade do programa pelo Presidente Dutra, um militar.
Através deste governo populista, aparece no segundo governo de Vargas João Goulart, que se torna ministro do trabalho, e a partir daí a antipatia militar ganha força de vez, já que os homens de fardas viam no discurso desses homens a porta de entrada para a subversão, o comunismo e a sublevação dos graduados militares, causando assim enfraquecimento em um dos pilares da corporação, a hierarquia.

Haviam planos já de tomada de poder pelos militares em 1954, entretanto com o suicídio de Getúlio o cenário nacional muda, uma vez que o populismo de Vargas era bastante forte, fazendo com que se o golpe fosse aplicado naquele momento não haveria apoio da população e, consequentemente, não teria suporte para o governo.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte II

Durante a primeira década do século XX houve manifestações militares em alguns lugares do país, prova dessa efervescência foi o fechamento da escola de oficiais da Praia Vermelha, que, por via principalmente de Benjamin Constant, lecionava sob a influência positivista, e a criação de uma nova instituição no Realengo com um currículo mais apolítico visando formar soldados profissionais que se distanciem ao máximo das questões sócio-políticas que circundam a vida cotidiana em que estão inseridos.
Nos anos de 1920 ocorreu o início do movimento tenentista, sendo este precipitado pela insatisfação militar com o antimilitarista e candidato vencedor à presidência da República Artur Bernardes. O ponto inicial deste movimento, denominado assim devido a maior parte de seus integrantes serem tenentes seguidos de capitães, foi a tomada do Forte de Copacabana em 5 de julho de 1922, objetivando por meio deste limpar a honra do Exército. Após o primeiro dia de tomada a maioria do contingente revoltoso se entrega, restando apenas 18 dentro do forte, os quais em troca de tiros 16 morrem e 2, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, são feridos. Este episódio lançou de vez a imagem do tenentismo, dando força a outros movimentos que viriam a seguir.
Em São Paulo no ano de 1924 a 5 de Julho, data para homenagear a revolta de 1922, visando a derrubada do presidente em exercício os militares tomam a cidade durante 22 dias, saindo pelo interior depois destes em marcha como a “Coluna Paulistas” com objetivo de chegar ao oeste paranaense aonde houve mais enfrentamento entre os revoltosos e os legalistas enquanto os paulistas esperavam a chegada de uma outra coluna advinda do Rio Grande do Sul, a qual se levantou com apoio dos políticos do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em outubro de 1924 e após várias batalhas rumaram a encontrar-se com os revoltosos da coluna paulista.
Em 1925 ambas as tropas se encontram e a maioria de seu contingente decidiu por exilar-se, entretanto boa parte permanece firme aos ideais e saem pelo Brasil, em uma marcha que dura cerca de dois anos e demonstra grande habilidade militar, formando assim a conhecida Coluna Prestes, nome do famoso líder Luís Carlos Prestes, objetivando divulgar os pensamentos tenentistas pelo território nacional e buscando que outros quartéis se levantem, entretanto não foi bem sucedida, mas estes militares marcaram a história pela bravura e por não terem sido pegos pelo governo, uma vez que a coluna começou e terminou por iniciativa própria.
Os movimentos tenentistas deram força a tomada de poder de Getúlio Vargas e boa parte dos revoltosos recebeu o cargo de interventor nos estados da federação, sendo até apelidados de Vice-reis, entretanto o objetivo destes de limpar as regiões das antigas oligarquias não pode ser alcançado e acabaram por se entenderem com as mesmas.
O movimento tenentistas marcou toda a história do Brasil no século XX, a geração desses tenentes participaram como oficiais importantes na FEB e também é a mesma que da o golpe em 1964, mostrando a importância desses levantes e revoltas que varreram todo o ano de 1920.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte I


Durante boa parte da História nacional houve participação efetiva dos militares no curso político, social e econômico do Brasil, sendo possível notar este fato através da Proclamação da República (feita por um militar), os movimentos dos anos de 1910 e 1920, a influência e a posse de altos cargos no governo Vargas, a passagem do estado Novo para nova experiência democrática e enfim o Golpe de 64.
A formação do ideário militar, mas efetivamente das forças terrestres, no Brasil tem seu início com o decorrer da Guerra do Paraguai (1864-1870), até mesmo porque antes disso não existia real corpo e nem o espírito deste no meio militar, não sendo ao menos obrigatório a prestação de serviço ao braço armado do Estado, sendo utilizados apenas mercenários em momentos de crise. Com a vitória e o decorrer da guerra que se colocou em estima o Exército Nacional, que até então era totalmente sucateado, com baixos salários e visto como parte da escória do Brasil, uma vez que no período regencial criou-se a Guarda Nacional servindo aos interesses dos, que passaram a ser, coronéis, ou seja, da oligarquia e  também havia a Marinha, ambas instituições dotadas de prestígio frente a sociedade imperial.
Após a guerra muitas petições dos militares foram aceitas, até frente a salários, e o prestígio que o Exército ganhou foi crescente, tanto é que para a Proclamação da República o escolhido para o ato e como primeiro presidente da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca e para vice Marechal Floriano Peixoto, visando assim ter a força armada ao lado da mudança para que a mesma pudesse ser implantada.
Com a estima militar em alta foi criada a escola militar para formação de oficiais que se situou na então capital nacional, mais especificamente na Praia Vermelha. A importância desta instituição foi ímpar, uma vez que foi dela que surgiram revoltas importantes geradas pelo positivismo que ali era ensinado, principalmente por Benjamin Constant. O conteúdo que ali era lecionado tinha muito de política, formando deste modo soldados-cidadãos, gerando militares críticos sociais e que faziam questão de participar da vida política da nação.
Em 1904 a Escola Militar da Praia Vermelha foi definitivamente fechada e criou-se no Realengo, também no Rio de Janeiro, entretanto afastado do centro da cidade, outra escola, desta feita visando a formação de soldados-profissionais, que em nada teriam contato com a política, não recaindo nos mesmos embaraços já vividos anteriormente com os jovens oficiais, entretanto os resultados não foram os esperados havendo grandes movimentos organizados pelos oficiais que dali saíram, sendo esta geração, nascida em torno de 1900, que em 1964 passou a governar o Estado brasileiro.


Governo Tecnocrata e Educação

A questão educacional é de extrema importância para a sociedade desde há muito tempo, uma vez que ela se torna tanto a cadeia quanto a chave de liberdade da mente do ser humano. Durante o governo instalado pós-64 não foi diferente e as escolas estiveram incessantemente em foco dos militares, parte deste sistema sendo instalado segundo o modelo proposto por Getúlio Vargas.
Durante o período ditatorial o Brasil passou a ser governado por Tecnocratas, pessoas que não eram políticos profissionais e sim tinham a profissão afim do cargo que exerciam. Com esse aspectos ímpar na história brasílica muito foi questionado os governos militares, mas para o objetivo que este estilo de governo foi proposto ele funcionou muito bem, uma vez que durante esta época o que interessava para o Brasil que se cumprisse a propaganda ufanista como por exemplo os slogans “Brasil Grande Potência” e “Brasil: Ame-o ou Deixe-o”.
A nação viveu o Milagre Econômico, que foi um período de arroxo salarial, repressões, entretanto o espaço de tempo em que o Brasil mais cresceu economicamente, até mesmo no âmbito mundial, tendo a inflação controlada e o PIB crescendo mais a cada ano, as empresas lucravam e havia uma maior possibilidade de mercado interno uma vez que passou-se a investir na integração do país, algo que não havia ainda sido atendido pelo governo.
Com o crescimento da indústria passou a necessitar-se de mão de obra qualificada para tal e não de mentes realmente pensantes, através dessa necessidade foi criado uma grade curricular e um modelo estudantil para que os alunos que dali saíssem soubessem apenas o básico, estando habilitados assim a servir a nação com o trabalho braçal, fazendo a economia nacional crescer. Ainda hoje a educação, principalmente a pública, forma cidadãos capachos dos patrões, pessoas feitas para apenas servirem, serem mandadas e nunca pensar por si próprias.
Outro fator importante que destaca bem esse sistema educacional foram as disciplinas acrescidas e outras retiradas da grade curricular. Demonstrando a falta de interesse do Estado em criar um pensamento crítico é que disciplinas como História, Filosofia e Sociologia somem das salas de aulas, sendo colocados até mesmo soldados dentro das salas para que pudessem cuidar daquilo que era passado para os estudantes, isso abrangendo até mesmo o ensino superior, e surgem outras voltadas para a moral e bons costumes e para o militarismo.
Havia também um batalhão de trabalho infantil no qual as crianças e adolescente que não tinha acesso a escola poderiam trabalhar sem sequer receber salário, em troca somente de comida. Todas essas situações provam que o interesse de “Ordem e Progresso” durante o período militar fez-se com os sulcos das costas dos de classe mais baixa em prol do engrandecimento do grande capital. Os tecnocratas no poder fizeram o Brasil Econômico crescer, infelizmente o Brasil Social decaiu e ainda hoje cole-se os frutos dessa organização educacional para o trabalho braçal, modelo para criar operários.

Neocolonialismo Atualmente - Caso Criméia

Durante todo o percurso da história da humanidade os conflitos armados, sejam os mais modernos ou os mais rudimentares, fizeram parte da formação social e econômica, ainda mesmo quando tais conceitos não tinham sentido algum, das comunidades, diretas ou indiretamente, envolvidas. Muitas dessas guerras se fizeram por intervenções militares em países terceiros, uma vez que não havia nenhum tipo de ligação direta, mas sim luta por áreas de influência, sendo justificados esses intrometimentos através de discursos ideológicos buscando defender a liberdade dos povos considerados mais fracos, entretanto não levando em consideração a vontade popular e a cultura do lugar.
Principalmente durante o século XIX houve a grande exploração da África pelos países europeus, de início com grande força a Inglaterra. Interessante observar nesse fato histórico que o discurso aplicado para a justificação da ação colonizadora era primeiramente salvar o continente negro, África Subsaariana, da escuridão em que viviam religiosamente, procurando mudar assim a cultura do lugar e seus costumes básicos como os alimentares e vestimentas. Após esse período simplesmente religioso acrescenta-se o fator comercial à exploração africana e a intervenção sendo feita através da força e do próprio apoio às guerras intracontinentais enfraquecendo assim todo continente.
O Neoimperialismo trouxe ao mundo a exploração ainda mais cruel, uma vez que, o que seria a antiga metrópole, mantém os países mais fracos em sua órbita e sem nem mesmo ter investimento na extração dos lucros, mantendo-os como reféns econômicos e sob ameaças de diversas naturezas. Esse modelo de aproveitamento posto em prática pelas potências capitalistas ganhou amplo destaque durante a Guerra Fria, aonde EUA e URSS disputavam o controle do mundo, lutando por áreas de influências e incentivando até mesmo guerras civis para que seus impérios pudessem se manter e se utilizando do discurso das ideologias, comunismo versus capitalismo, e do melhor para os povos vitimados por esse modelo.
Atualmente podem-se notar ainda resquícios claros desse modelo exploratório vigorando no mundo e mais em foco nos dias de hoje está a questão da Criméia, região de maioria étnica russa, mas que pertence a Ucrânia. Depois de amplas discussões foi feito o referendo que, por ampla maioria, demonstrou a vontade popular de fazer parte da Rússia, entretanto EUA e União Europeia ameaçam o país de Putin a sanções para o bem da unidade territorial ucraína. Deve destacar-se aqui a importância estratégica da região em questão, fazendo com que toda a disputa vá mais além do que simplesmente a consistência territorial, sendo interesse de Rússia, EUA e EU tê-lo como área de influência em sua órbita, provando assim que a demagogia em discursos mundiais permanece viva e justificando a alteração do rumo de nações por outras nações, gerando conflitos diplomáticos e até mesmo militares na geopolítica mundial.


Guerra Fria ainda não Acabou!!!

A efervescência das ideias vinha numa crescente desde a época do Renascimento, século XVI, desaguando no Iluminismo, século XVIII, e por fim gerando grande movimento ideário no século XIX, principalmente quanto a assuntos antes não tão tratados como os modelos socioeconômicos. Toda essa carga acaba por cair sobre o século XX e daí, deste contexto, deriva-se as duas Guerras Mundiais, Guerra Civil na Espanha, Imperialismo na África, Ditaduras na América Latina, Guerra nas Coreias, Guerras do Golfo, entre tantos outros conflitos que rechearam todo o século passado e respingaram no atual.
Durante o século XX o mundo passou por várias transformações e revoltas sociais, conflitos que varreram populações inteiras do mapa, estabelecimentos e reafirmamento de Estados com modelos socioeconômicos diversos e guiados por ideologias amplamente discutidas e difundidas durante o século XIX por pensadores como Karl Marx, Proudhon, Bakunin e defensores da teoria de Adam Smith causando, todo esse apanhado de fatos, uma divisão política conhecida como Guerra Fria ou Mundo Bipolar.
Ao findar da II Grande Guerra o mundo passou a assistir, com medo de outro conflito com proporções do que acabara a pouco, ou até maiores, o desenrolar do mundo bipolar, este dividido entre EUA e URSS, respectivamente representando Capitalismo e Socialismo. No decorrer desses anos, até o desmantelamento em 1991 da URSS, a influência dessas duas nações por todo o globo foi clara, levando assim a conflitos por áreas importantes para o neocolonialismo, nessas onde podiam se encontrar matéria prima para as indústrias e pontos estratégicos para essas superpotências.
EUA saiu dessa disputa como grande vencedor e deu-se por acabado a Guerra Fria, entretanto fatos ultimamente trazem a lembrança, mesmo que de maneira sorrateira, os anos que o mundo viveu o pós-guerra. Os últimos acontecimentos são as questões ocorridas na Ucrânia para a derrocada do então presidente e também a divisão, ainda, das Coreias. A questão de Kiev se dá pelo não engajamento da Ucrânia na União Europeia, pelo contrário ocorrendo uma aproximação maior da Rússia, tendo até mesmo, esta última, emprestado dinheiro para que a não inclusão ucraína ocorresse e sim permanecesse na órbita russa. Liderando as discussões sobre sanções feitas pelos países europeus e a maneira de agir quanto às manifestações está claramente Barack Obama, presidente estadunidense.
Há pouco tempo também o mundo pode presenciar as discussões e brigas sobre a Síria, no qual estes dois países também financiavam e estavam brigando por zonas de influência nesse país. Cabe então a pergunta: A Guerra Fria acabou? Por vezes ainda pode-se notar que essas duas nações disputam vários lugares do mundo e encabeceiam sempre negociações importantes, principalmente no Oriente Médio, ultimamente. Entre Putin e Obama ressurge a velha guerra entre Stálin e Truman e o mundo ainda divide-se entre as grandes políticas de Rússia e EUA.

Transição do Trabalho Escravo ao Livre no Brasil

O cotidiano trabalhista mudou bastante desde a supremacia indígena no Brasil graças a alterações e reviravoltas que podem ser contempladas no modo de produção e no imaginário do trabalhador. As transformações ocorridas têm ligação com a política externa e interna, com as variações econômicas e também com as mudanças sociais dentro do novo modelo socioeconômico que vinha surgindo.
Durante praticamente todo século XIX a pressão inglesa quanto ao tráfico e a própria escravatura foi crescente ao governo brasílico, como resultado dessa luta diplomática, sendo a mesma nascente desde a vinda da Família Real para o Brasil, e de interesses, uma vez que a Inglaterra não mais tinha vantagens com o tráfico negreiro devido à Revolução Industrial, surgiram conflitos que fizeram da relação, sempre amistosa, entre as duas nações se rompesse por poucos anos.
Com toda essa pressão comentada acima e mais as mudanças que vinham ocorrendo dentro do âmbito interno do Império, o ano de 1850 trouxe duas leis que mudaram de vez a figura trabalhista no Brasil, são elas: Lei de Terras e a Lei de Eusébio de Queiroz. A primeira distanciava o acesso à terra aos mais pobres, uma vez que regulariza por valores exorbitantes a compra da terra e burocratiza ao máximo não havendo conhecimento suficiente entre os trabalhadores menores para lidar com tanta documentação, e a segunda proibia definitivamente o tráfico de escravos africanos para o Brasil.
Vinculado a todas essas questões o próprio governo imperial investiu e incentivou a imigração dos países europeus para que pudesse haver mão de obra nas lavouras e na nascente indústria nacional, esta sendo impulsionada pela medida protecionista do Estado desde 1844 com a Tarifa Alves Branco. A questão dos trabalhadores livres vindos do velho continente é atrelada a mudança que vinha ocorrendo aos poucos da forma de mercado, migrando do modelo Mercantilista, este estatal, para o modelo ainda embrionário do Capitalismo, onde a iniciativa privada mantém o capital girando, logo não mais caberia mão de obra escrava, pois não tem capital de giro e assim não se enquadra no sistema financeiro, consequentemente sociocultural também, este modelo de mão de obra.
O investimento em trabalhadores estrangeiros se dá devido a estarem já acostumados com o trabalho em fábricas e por já terem em seu costume o consumo dos produtos industrializados, fazendo com que assim os últimos pudessem ser comercializados com mais facilidade e aceitabilidade no Brasil, o qual desde 1808 já era depósito dos manufaturados ingleses fruto da falta de mercado consumidor na Europa.
Desde então se começou a acelerar o processo que culminou com a Abolição da Escravatura em 13 de Maio de 1888 gerando em definitivo o esqueleto do sistema trabalhista que ainda hoje vigora dentro do Brasil. Nessas raízes é possível perceber que não foram modificações humanitárias e sim com interesses bem concretos, servindo de exemplo para que na atualidade o trabalhador possa perceber o que realmente está por trás de cada ato do patrão e do próprio Estado que o mantém inerte através da ideologia.

Utilidade da História e sua História - Parte II

Com o advento do Renascimento, ou seja, período da história em que se buscou, na Europa, reavivar os ideais científicos e artísticos da sociedade greco-romana, uma vez que estes haviam sido renegados durante a Idade Média, período em que a Igreja dominou as ciências e artes e entrou-se no período denominado de Hagiografia. Com essa mudança ideológica pode-se dar continuidade ao avanço que a História vinha fazendo na Idade Antiga mais voltada para as questões político-sociais.
Havia a necessidade de métodos para que algo pudesse ser considerado ciência, ou seja, era preciso que fosse universal os resultados obtidos nas experiências, mas como o objeto de estudo da área das humanas não pode ser testado em laboratório, criou-se complicações para sua aceitação como tal no meio científico da época. A partir daí surgiu o Positivismo, que buscava trazer o cientificismo à História, este sendo buscado e proposto pela Escola Científica Alemã principalmente na pessoa de Leopold Von Ranke. O positivismo histórico se presta ao papel puramente de levantar os fatos como ocorreram, não dispensando interpretação alguma quanto aos mesmos, baseando-se em documentos e exaltando os atos de heróis, grandes batalhas, acertos diplomáticos, etc.
É da Alemanha também que surge outra visão histórica, sendo esta idealizada por Hegel, levando o nome de Idealismo. Esta corrente defende o movimento dialético do mundo, ou seja, para toda tese (afirmação) existe uma antítese (negação desta afirmação) gerando deste conflito uma síntese (junção das duas anteriores num resumo) e porta esse nome uma vez que define que é esse movimento das ideias que fazem a história acontecer.
Discípulo das ideias hegelianas foi o também alemão Karl Marx junto a Engels, entretanto modificou a teoria dialética original, dando a importância antes reservada ao campo das ideias ao campo do material, sendo assim denominado materialismo dialético. A essa teoria deu-se espaço privilegiado nas universidades, disputando o papel de mais importante com a positivista. O braço histórico da mesma é denominado Materialismo Histórico, que defende que a História é feita pela luta entre classes, escrita pelos modos de produção empregados na sobrevivência de determinadas sociedades.
Atualmente os estudos históricos estão divididos principalmente entre a interpretação materialista e os levantamentos positivistas. A importância da História é inegável para que se possa conhecer e compreender os porquês da sociedade atual, uma vez que mostra a sua raiz e os seus caminhos. Um povo que não conhece sua própria história está fadado a cair nos mesmos erros de gerações passadas e não conseguir os mesmos êxitos, pois é o passado e sua interpretação que fazem o avanço da sociedade acontecer com o mínimo de sacrifícios possíveis.

Utilidade da História e sua história – Parte I

O papel da História como ciência no mundo teve algumas dificuldades para se fazer como o é hoje. Atualmente em todas as escolas brasileiras há professores em sala de aula lecionando sobre o passado, entretanto há muitos na sociedade de hoje que não reconhecem o papel crucial da História dentro do presente e até mesmo do futuro e isto não é algo recente, uma vez que dentro dos séculos passados também enfrentou-se muitos questionamentos e desconfianças quanto ao valor da missão do historiador.
Antes dos gregos e romanos o passado era explicado através de mitos, no qual a explicação da criação da Terra e da própria existência do ser humano dava-se através da influência dos deuses, sendo essas histórias situadas em um tempo tão remoto que seria impossível pôr-se dentro da narração a ponto de imaginar de fato e compreender os porquês de tudo, não havendo na realidade interesse por este questionamento. Este modelo de contar o passado está presente nas sociedades mesopotâmicas, egípcia e até mesmo dentro da grega, não sendo abandonado totalmente com o advento da filosofia.
Com os gregos e romanos a perpetuação do passado foi assumida de maneira diferente das que até então se havia sendo realizado, percebendo esse fato através da escrita das guerras e batalhas para a posterioridade, podendo notar-se também a cronologia e a presença de fatores humanos, aspectos até então renegados em prol da atemporalidade e do monopólio aos deuses dos porquês dos acontecimentos do mundo, sendo expoentes dessa escrita, homens como Heródoto, considerado pai da História por utilizar o termo pela primeira vez no sentido de pesquisa e/ou busca pela verdade, o que até então com os mitos não era o objetivo, e Tucídides responsável por cobrir toda a história da Guerra do Peloponeso, disputa entre Atenas e Esparta. A partir deste momento os relatos do cotidiano tornam-se importantes e seus registros valorizados principalmente por questões políticas-sociais e sendo a História vista como mestra da vida.
Durante a Idade Média a História ganha novo impulso com o domínio da religião, principalmente cristã, trazendo consigo uma nova demarcação de tempo, o nascimento de Cristo. Entretanto o relato histórico abandona a feição que trazia dos greco-romanos com sua escrita minuciosa até mesmo sobre guerras e heróis, passando a ser uma completa hagiografia, ou seja, relato da vida dos santos, uma vez que a ciência estava basicamente dominada pela Igreja Católica e a mesma a utilizando em seu próprio proveito.
Esse retrato hagiográfico só se encerra com as revoluções pelas quais o mundo passou findando com a Idade Média e com a chegada da Idade Moderna. Com essa mudança surgiram novas Escolas Históricas como a dos positivistas, idealistas e materialistas, mas também surgiram críticas ainda mais ferrenhas de quem defendia a completa inutilidade da história como algo que já passou e, deste modo, não interferindo em mais nada no presente, dando a esta linha de pensamento os a designação de presentistas e há também os relativistas que propunham a ideia de que tudo é relativo, logo não tendo valor os questionamentos levantados sobre o passado para a compreensão do presente.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Educação: Cadeia e Liberdade


O Estado aplica toda a sua força como Instituição Social em prol de seu próprio benefício, tornando a população não como parte de si (Estado Hegeliano), mas sendo repressor da mesma, como defenderia Marx. Importante observar que é ideal, porém surreal a interpretação de Hegel quanto ao Estado como sendo o conjunto da população. Frente a todo esse processo de dominação a escola tem papel importante, uma vez que gera a ideologia aprisionadora ou a libertação na mente dos indivíduos.
Atualmente a educação tem sido arma de alienação utilizada para que a sociedade mantenha-se dócil, gerando bons cidadãos prontos a servirem no trabalho. Entretanto há quem defenda que essa padronização é viável e gera a própria liberdade, sendo este último conceito complexo e relativo.
Dentro de uma proposta marxista a educação se vê como um conjunto de trabalho prático e também teórico, sendo valorizado dessa maneira o cotidiano, o interesse, a aptidão e a relevância dos conteúdos frente ao educando. Essa proposta é mais claramente posta em prática no MST, sendo a matriz curricular decidida pela comunidade e o dia-a-dia do aluno é o meio de ensino dos conteúdos.
A educação deve ser vista como libertadora e não opressora, fazendo com que o educando torne-se crítico e seja desalienado. A pedagogia comunitária, já citada acima, tem como objetivo fazer nascer um novo homem, um cidadão consciente de seus direitos e deveres e que tem como a práxis o seu ensinamento, sendo gerado com criticismo através da reflexão e diálogo, aprendendo com o cotidiano, seres que sejam sujeitos dos processos que os envolvem e não apenas sujeitados. 
A questão educacional transpõe as barreiras da formalidade, podendo ser classificada como formal (organizada e inflexível) e informal (organizada, porém flexível – igrejas, família, etc.). Em todos os níveis a educação é a prisão e a liberdade, basta escolher como utilizá-la. A sua força é utilizada como arma ideológica do sistema político vigente, mas é possível haver uma desvinculação através da autarquia, da participação comunitária e da significância do conhecimento, do contrário a sociedade permanecerá totalmente alienada e a escola nada mais será do que um ambiente propício para a criação de mentes acríticas e totalmente mecanizadas, gerando desta maneira uma sociedade dócil e bestializada, ou seja, presa fácil da elite que se perpetua no controle do poder.

Matheus M. Cruz

Acadêmico do curso de História - UnC

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Trabalhadores, evolução nas condições trabalhistas no Brasil?


Desde 1888 a escravidão foi abolida no Brasil pela Lei Áurea, sendo a mesma consequência de anos de lutas contra o modelo de trabalho empregado, entretanto após 125 anos não se vê tanta diferença na vivência do trabalhador e do seu relacionamento com o patrão. A vida trabalhista brasílica passou por várias modificações a cada constituição, sendo as mais louvadas pelo imaginário popular as ocorridas durante a Era Vargas, mas nenhuma efetivamente melhorou e/ou evoluiu no ponto de vista do trabalhador.
Getúlio Vargas é louvado até os dias atuais pela mente popular como quem auxiliou e alavancou a vida trabalhista, entretanto as pessoas não percebem toda a manobra ideológica por trás desses atos totalmente populistas, manobras estas que até mesmo “consagraram” o Brasil como o país do futebol, desviando assim, até os dias atuais, toda a atenção do povo da política para celebrações desportivas.
Durante o período colonial e imperial os escravos não tinham privilégio algum e ainda podendo ser vendidos para outras fazendas, o que não mudava muita coisa da sua estrutura básica trabalhista, nem no seu relacionamento com o senhor. Atualmente esse cenário não é muito diferente, embora oficialmente não se tenha mais escravos, mesmo que o trabalhador mude de empresa o seu relacionamento com o patrão não modificará o quanto deveria, uma vez que as mutações ideais para os trabalhadores, que deveriam ser feitas pelos sindicatos, estão amarradas ao aparelho estatal, e este está ligado ao patronato.
As primeiras décadas do século XX no Brasil foi a época de maiores lutas sindicais, inclusive com greves gerais, dando destaque a de 1917 liderada pelos sindicalistas ácratas. Nesse período houve grande imigração para suprir a necessidade de mão-de-obra nas indústrias nascentes e com esses trabalhadores vieram ideias libertárias, entretanto com o fortalecimento do PCB (Partido Comunista do Brasil), que adota uma estrutura burocratizada e de alta hierarquização, sendo até mesmo um tanto despótica, e com a chegada ao poder de Vargas a força trabalhista se enfraqueceu, uma vez que o então presidente atrelou os sindicatos ao Estado e estabeleceu o unissindicalismo, fazendo com que a luta por melhoras trabalhistas estivesse inteiramente sob a tutela dos próprios patrões, sendo um dos meios utilizados para tal assumir a liderança trabalhadora apenas quem tivesse permissão vinda do Ministério do Trabalho, órgão que com sua organização matou a luta operária.

A necessidade de mudanças se faz presente há tempos, entretanto a força ideológica imposta pelo Estado e pelos patrões impede que as mesmas sejam realizadas, uma vez que a população não percebe que não é uma massa, nem tampouco está presa e subserviente aos que a subjugam através da prisão coercitiva da mente. Transformações só poderão ocorrer efetivamente quando não houver mais representatividade e sim um envolvimento direto e o respeito à individualidade do cidadão e de suas ideias, sendo as decisões tomadas sempre em discussões onde cada um, dentro de seu grupo, dê as diretrizes a serem tomadas. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Velha República


Durante a história brasílica é possível notar várias revoltas e tentativas de mudanças sócio-políticas.  Os anais relatam momentos de glória como o 7 de Setembro, data da Independência do Brasil, e o 15 de Novembro, Proclamação da República. Datas e personagens são importantes para que se dê brasilidade ao povo, pois o mesmo precisa de heróis como a história fez de D. Pedro e Marechal Deodoro da Fonseca para criar um sentiment de nacionalismo.
Quando do segundo reinado a nação passou por algumas modificações em sua sociedade, pois não mais a decadente oligarquia canavieira dava as diretrizes, uma vez que surgia a força dos barões do café e também, com a extinção do tráfico negreiro e a imigração, da nascente indústria brasileira. Mudou-se as ideias que regiam a política nacional, sendo as novas pensamentos burgueses que estavam de acordo com os industriais e os coronéis, sem contar com a alavancada do urbanismo.
A Proclamação da República é um fato que exemplifica perfeitamente os moldes da construção do Estado brasileiro e mostra que desde o tempo de colônia a estrutura político-social continua a mesma. Durante as mudanças de oligarquia sentiu-se o poder imperial se desestabilizar, uma vez que a aristocracia canavieira era quem o tinha consolidado e dava a sua base, perdendo de vez esse suporte com a abolição da escravatura no ano de 1888.
Inimigos também da monarquia era a crescente classe urbana que se favorecia do setor nascente industrial e buscava mais espaço para dilatar-se tanto política como economicamente, sendo este espaço negado pelos senhores de engenho que há tempo comandavam o Brasil, e também os barões do café que, para seus pedidos serem atendidos, precisavam da derrocada no poder dos canavieiros. Todas essas questões moveram o centro político de vez para o sudeste, deixando o decadente nordeste da cultura da cana-de-açúcar.
O 15 de Novembro de 1888 aconteceu por uma série de fatores que não tem ligação alguma com o necessário para a população, pelo contrário é uma mudança rasa para uma melhor adequação do poder político na mão de uma nova oligarquia, mantendo os habitantes comuns longe do poder e do acesso a conquistas de fato, mantendo-os alienados, isto se torna claro através do estudo dos partidos políticos da época, já que os mesmos não defendiam ideologia alguma, mas sim brigavam pela influência no governo.
São eleitos heróis nacionais sujeitos que não lutarão pelos ideais realmente brasileiros, ao invés disso, através da ideologia, fizeram das suas aspirações ao poder e totalmente descomprometidas com a nação brasílica a imagem do querer do Brasil e infelizmente, ainda hoje, tem-se no cenário nacional devoção por indivíduos que buscam apenas suas vontades sem considerar o bem comum e dificilmente são louvados os que realmente procuram o melhor para o povo. Seja bem vinda Nova República Velha

sábado, 4 de janeiro de 2014

Partidarismo e Falta de Ideologia


A palavra evolução significa progresso, transformação e por vezes é possível ouvir e/ou ler essa expressão sendo utilizada para representar a consequência de processos políticos, sendo os mesmo, como defendido em muitos meios e grupos, a causa do melhoramento do que há no Brasil. Interessante que se vive hoje um regime totalmente partidarista, mas esse, partidos, não nascem com o advento da República, sendo existentes e ativos desde a época do Império.
Durante o governo de D. Pedro II o Brasil dividia-se, principalmente, em dois partidos, os Liberais e os Conservadores, vigorando o sistema Parlamentarista, entretanto avesso aos moldes comuns e por isso denominado “Parlamentarismo às Avessas”. Para compor o ministério e a câmara os partidos políticos brigavam entre si, mas apenas para ter a posse do poder e não por questões ideológicas e de convicções, exemplo de que isto é verídico foi o período de Conciliação (1853-1858), aonde se instalou o unipartidarismo, uma vez que as facções eram semelhantes entre si.
Mesmo com o fim do período de unipartidarismo e com o advento do Partido Republicano não se mudou a situação da política nacional sendo possível ainda notar-se a falta de bandeiras ideológicas, sendo sempre almejado o poder para benefício próprio ou de uma elite excluindo deste modo a massa populacional, que é a força motriz da nação.
A história brasílica retrata algumas mudanças quanto às questões partidárias como a proibição de alguns partidos durante a Era Vargas, o período de Conciliação acima relatado, o bipartidarismo durante a ditadura civil-militar instaurada em 64, sendo este último o de maior defesa ideológica entre todos, já que opunha duas correntes de ideias, pró e contra o governo, e os respectivos partidos, ARENA e MDB, defendiam seus baluartes.
Atualmente vê-se a mesma configuração do período do Segundo Reinado e também que a história brasileira retrata: a falta de ideais dos partidos. É impossível perceber-se a diferença de ideologias e correntes de pensamentos entre os grupos políticos nacionais. Têm-se hoje no poder uma facção que sempre lutou contra o modo que a mesma está a governar, sem cumprir com as propostas e bandeiras que a elegeu, sendo irreconhecível aos olhos da população e dos militantes que permaneceram fieis as bases.
As discussões políticas em nada diferem em discursos, simplificou-se em troca de provocações e acusações, até mesmo o que deveria ser a extrema esquerda nacional está totalmente fragmentada, demostrando assim a falta de união ideológica, objetivando somente o poder. O maior expoente dessa busca apenas pelo poder são as coligações,    que reúnem partidos diferentes como se fosse um só para ter maior possibilidade de assumir o poder.

A República brasileira não é do povo e sim partidária e, infelizmente, essas facções não se mostram em sintonia com aqueles que deveriam representar. Passaram-se anos e até mesmo séculos, entretanto a evolução na estrutura política nacional em nada se modificou, mantendo-se totalmente oligárquica, descompromissada com o povo e corruptível. Enquanto o Brasil conviver pacificamente com essa organização o país estará fadado a ser refém de personagens desprovidos de comprometimento com o que realmente é melhor para o país.