Durante a primeira década do século XX houve manifestações
militares em alguns lugares do país, prova dessa efervescência foi o fechamento
da escola de oficiais da Praia Vermelha, que, por via principalmente de
Benjamin Constant, lecionava sob a influência positivista, e a criação de uma
nova instituição no Realengo com um currículo mais apolítico visando formar
soldados profissionais que se distanciem ao máximo das questões sócio-políticas
que circundam a vida cotidiana em que estão inseridos.
Nos anos de 1920 ocorreu o início do movimento tenentista,
sendo este precipitado pela insatisfação militar com o antimilitarista e
candidato vencedor à presidência da República Artur Bernardes. O ponto inicial
deste movimento, denominado assim devido a maior parte de seus integrantes
serem tenentes seguidos de capitães, foi a tomada do Forte de Copacabana em 5
de julho de 1922, objetivando por meio deste limpar a honra do Exército. Após o
primeiro dia de tomada a maioria do contingente revoltoso se entrega, restando
apenas 18 dentro do forte, os quais em troca de tiros 16 morrem e 2, Siqueira
Campos e Eduardo Gomes, são feridos. Este episódio lançou de vez a imagem do
tenentismo, dando força a outros movimentos que viriam a seguir.
Em São Paulo no ano de 1924 a 5 de Julho, data para
homenagear a revolta de 1922, visando a derrubada do presidente em exercício os
militares tomam a cidade durante 22 dias, saindo pelo interior depois destes em
marcha como a “Coluna Paulistas” com objetivo de chegar ao oeste paranaense
aonde houve mais enfrentamento entre os revoltosos e os legalistas enquanto os
paulistas esperavam a chegada de uma outra coluna advinda do Rio Grande do Sul,
a qual se levantou com apoio dos políticos do Partido Republicano Rio-Grandense
(PRR) em outubro de 1924 e após várias batalhas rumaram a encontrar-se com os
revoltosos da coluna paulista.
Em 1925 ambas as tropas se encontram e a maioria de seu
contingente decidiu por exilar-se, entretanto boa parte permanece firme aos
ideais e saem pelo Brasil, em uma marcha que dura cerca de dois anos e
demonstra grande habilidade militar, formando assim a conhecida Coluna Prestes,
nome do famoso líder Luís Carlos Prestes, objetivando divulgar os pensamentos
tenentistas pelo território nacional e buscando que outros quartéis se levantem,
entretanto não foi bem sucedida, mas estes militares marcaram a história pela
bravura e por não terem sido pegos pelo governo, uma vez que a coluna começou e
terminou por iniciativa própria.
Os movimentos tenentistas deram força a tomada de poder de
Getúlio Vargas e boa parte dos revoltosos recebeu o cargo de interventor nos
estados da federação, sendo até apelidados de Vice-reis, entretanto o objetivo
destes de limpar as regiões das antigas oligarquias não pode ser alcançado e
acabaram por se entenderem com as mesmas.
O movimento tenentistas marcou toda a história do Brasil no
século XX, a geração desses tenentes participaram como oficiais importantes na
FEB e também é a mesma que da o golpe em 1964, mostrando a importância desses
levantes e revoltas que varreram todo o ano de 1920.
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