sábado, 5 de abril de 2014

BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte II

Durante a primeira década do século XX houve manifestações militares em alguns lugares do país, prova dessa efervescência foi o fechamento da escola de oficiais da Praia Vermelha, que, por via principalmente de Benjamin Constant, lecionava sob a influência positivista, e a criação de uma nova instituição no Realengo com um currículo mais apolítico visando formar soldados profissionais que se distanciem ao máximo das questões sócio-políticas que circundam a vida cotidiana em que estão inseridos.
Nos anos de 1920 ocorreu o início do movimento tenentista, sendo este precipitado pela insatisfação militar com o antimilitarista e candidato vencedor à presidência da República Artur Bernardes. O ponto inicial deste movimento, denominado assim devido a maior parte de seus integrantes serem tenentes seguidos de capitães, foi a tomada do Forte de Copacabana em 5 de julho de 1922, objetivando por meio deste limpar a honra do Exército. Após o primeiro dia de tomada a maioria do contingente revoltoso se entrega, restando apenas 18 dentro do forte, os quais em troca de tiros 16 morrem e 2, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, são feridos. Este episódio lançou de vez a imagem do tenentismo, dando força a outros movimentos que viriam a seguir.
Em São Paulo no ano de 1924 a 5 de Julho, data para homenagear a revolta de 1922, visando a derrubada do presidente em exercício os militares tomam a cidade durante 22 dias, saindo pelo interior depois destes em marcha como a “Coluna Paulistas” com objetivo de chegar ao oeste paranaense aonde houve mais enfrentamento entre os revoltosos e os legalistas enquanto os paulistas esperavam a chegada de uma outra coluna advinda do Rio Grande do Sul, a qual se levantou com apoio dos políticos do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em outubro de 1924 e após várias batalhas rumaram a encontrar-se com os revoltosos da coluna paulista.
Em 1925 ambas as tropas se encontram e a maioria de seu contingente decidiu por exilar-se, entretanto boa parte permanece firme aos ideais e saem pelo Brasil, em uma marcha que dura cerca de dois anos e demonstra grande habilidade militar, formando assim a conhecida Coluna Prestes, nome do famoso líder Luís Carlos Prestes, objetivando divulgar os pensamentos tenentistas pelo território nacional e buscando que outros quartéis se levantem, entretanto não foi bem sucedida, mas estes militares marcaram a história pela bravura e por não terem sido pegos pelo governo, uma vez que a coluna começou e terminou por iniciativa própria.
Os movimentos tenentistas deram força a tomada de poder de Getúlio Vargas e boa parte dos revoltosos recebeu o cargo de interventor nos estados da federação, sendo até apelidados de Vice-reis, entretanto o objetivo destes de limpar as regiões das antigas oligarquias não pode ser alcançado e acabaram por se entenderem com as mesmas.
O movimento tenentistas marcou toda a história do Brasil no século XX, a geração desses tenentes participaram como oficiais importantes na FEB e também é a mesma que da o golpe em 1964, mostrando a importância desses levantes e revoltas que varreram todo o ano de 1920.


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