Mas, no meio de tanta discussão, nos perguntamos se o Brasil
é capaz de ter uma educação organizada nesse modelo e, se o mesmo, seria bom
para as estruturas sociais do nosso país. Um modelo como esse é pautado na
liberdade e na flexibilidade até mesmo dos conteúdos a serem apresentados aos
alunos, o que não temos experimentado até então. Como o foco é a uma educação
útil aos educandos todo o conteúdo deve ser empregado em atividades diárias,
propiciando assim a oportunidade dos alunos comtemplarem, sem muita
dificuldade, a utilidade dos ensinamentos e, deste modo, saber utilizá-los em
seu cotidiano dentro da sociedade. Outro aspecto que visa mudança profunda é o
afastamento do academicismo que temos visto desde o início da educação
nacional, ou seja, o educar não para a vida e para a sociedade e sim para que o
jovem possa adentrar a Universidade, como consequência dessa inclinação, temos
uma sociedade que não sabe se respeitar e graduados que não sabem ler as
questões, por mais simples que sejam, que o cercam no seu dia-a-dia.
Mas para que uma inovação realmente de certo o primeiro
passo está na formação dos profissionais que trabalharão na educação, do
contrário o projeto se torna inviável, uma vez que as aulas devem ser
diferenciadas e totalmente linkadas
com fatores do cotidiano do aluno e do mundo que o cerca. Temos visto tantos
professores que não são capazes de fazer a leitura do mundo e trazê-lo para
dentro de suas aulas dando sentido e aplicabilidade dos conteúdos programáticos
aos alunos. Se esse processo não ocorrer é impossível que os próprios alunos
consigam enxergar a importância de se estar na escola, gerando assim
desinteresse e evasão escolar, como temos assistidos há muito no sistema
educacional nacional.
Mas há quem possa defender que os professores não tem tempo,
mas vejo nisso uma inverdade, pelo menos para os professores do Estado paranaense.
Aqui no Paraná, este ano o governo assinou uma lei, que passará a valer em sua
totalidade em 2015, que cumpri com a lei federal 11.738/08 que prevê 1/3 das
aulas sem contato com os alunos, as chamadas aulas-atividade, ou seja, o
professor receberá para poder se planejar com eficiência. Mas então por que
continuamos a ouvir queixas e impropérios quanto ao tempo? Temos o problema que
a maioria dos profissionais da educação não é comprometida e não faz bom uso
desse tempo que tem disponível para elaborar suas aulas e fazer suas pesquisas
para levar aos nossos estudantes uma educação de qualidade que o ensinem a
viver adequadamente em sociedade.
Para que haja uma mudança educacional é preciso haver
comprometimento efetivo dos profissionais que escolheram o magistério como
profissão, além de amplo envolvimento da comunidade a quem as escolas servem e
apoio governamental, do contrário tudo permanecerá igual, inapropriado e
ineficaz como está.

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