Se olharmos para a história recente do Brasil veremos tantos
nomes, há época jovens, hoje senhores e senhoras que estão ativos na nossa
política. Mas gostaria de chamar atenção às declarações quanto à democracia que
pudemos acompanhar na semana passada.
Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido
Comunista do Brasil (PCdoB) falaram que as manifestações no congresso atacaram
a democracia. O que nos é estranho é que cidadãos e políticos profissionais como
Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Lindberg Farias (PT-RJ), que sempre apoiaram esse
tipo de manifestação, agora estão dizendo exatamente o que tanto combatiam.
Como explicar essa mudança de opinião? A Democracia mudou? É complicado de
compreender o que realmente está por trás dessa mudança de ideias, mas é
essencial que essa reflexão seja feita.
Dentro da história do Brasil PT e PCdoB estiveram juntos por
muitos anos e com a redemocratização pós-ditadura esse vínculo estreitou-se.
Ambos os partidos são marcados pelas lutas sociais e a constante busca, pelo
menos no discurso, pela maior participação das camadas populares da sociedade
nas decisões políticas do Estado. O PCdoB organizou a maior guerrilha rural
durante a época da ditadura civil-militar no Brasil, a Guerrilha do Araguaia.
Lula foi o principal sindicalista que, perto do fim do período ditatorial,
opôs-se as políticas econômicas marcadas pelas decisões tomadas de cima para
baixo e foi em cima da figura dele que o Partido dos Trabalhadores foi criado.
A defesa de movimentos sociais organizados e a luta dos
ideais democráticos, a inconformidade com as decisões marcadamente hierárquicas
e tantos outros conceitos que sempre foram estandartes, das instituições aqui
tratadas, mostram-se hoje justamente o antagonismo que defendem. O poder tende
a corromper. É isso que tem acontecido com os antigos partidos marxistas ou
apenas temos visto sua real faceta além da máscara? É praticamente impossível
responder a tal questionamento.
PT sempre se demonstrou marxista, PCdoB rompeu com os
mesmos, mas permaneceu com resquícios de suas raízes. Se pensarmos por esse
viés poderemos perceber que quando a presidente Dilma, durante a campanha
eleitoral, afirmou que a sua palavra bastava, fala claramente com traços
ditatoriais, segue os seus líderes históricos, Marx e Lênin, ambos tendentes à
centralização do poder, podendo ver na Internacional Comunista e na Rússia
Comunista, respectivamente, a prova dessa afirmação. Logo, quando nos deparamos
com posições, como a dos parlamentares supracitados, não devemos ficar
boquiabertos, pois é da natureza dessa esquerda autoritária atitudes
centralizadoras e antidemocráticas e isso desde as suas raízes no século XIX lá
na Europa.
Essa compra de votos através do decreto 8.367/2014 mostra
tamanha inclinação a falta de diálogo que há no atual governo e na sua
incapacidade de escutar setores da sociedade, tendo diálogo efetivo somente com aqueles que consentem na mesma opinião.
Talvez, o pilar essencial da democracia seja a liberdade de expressão e a
oportunidade de diálogo aberto entre o Estado e facções organizadas da nação,
mas esses não têm sido respeitados. Rousseau defenderá no livro Do Contrato Social que a organização
democrática não funciona dentro de Estados luxuosos e grandes em extensão
territorial, ou seja, a democracia nacional, segundo o filósofo Rousseau, está
fadada ao fracasso, uma vez que a luxúria vai gerar a corrupção e a luta descompromissada
com a sociedade pelo poder, que, afinal, é o que temos visto atualmente, e a
grande extensão territorial que causaria desmando e impossibilitaria o
atendimento por igual de todos os cidadãos.
Política é necessário, mas o que há hoje no Brasil é luta
pelo poder, simplesmente pelo poder. Se considerarmos o Estado como mal
necessário deveríamos fazer com que o mesmo nos sirva e não o inverso, se somos
democráticos que façamos a voz da população sobressair a tentativa dos Poderes
de abafá-la.

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