Durante os
governos que se sucederam após a Revolução
de 1964 houve uma dinâmica diferenciada das que muitos têm em mente. O
corpo militar não se portou em uníssono, havendo dentro da instituição
efervescência e divisões políticas durante todo o período de governo militar,
prova disto são os movimentos que envolviam os Coroneis das IPMs (Inquérito Policial Militar), o movimento
denominado “primeira linha dura”, sob liderança de Boaventura, e também, entre
outros, da organização Lider (Liga Democrática Radical).
Houve também
participação dos civis dentro dos governos liderado pelos militares, sendo
estas participações importantes, uma vez que a maior parte dos ministérios
estava, a princípio, nas mãos de tecnocratas. Com a subida ao poder de Costa e
Silva, substituindo Castelo Branco, havia a esperança de desmilitarizar-se o
poder, entretanto o que ocorreu foi uma mais forte tomada de espaço pelas
Forças Armadas, isto era visto que aconteceria já que Costa e Silva assume
sobre a base eleitoral dada pela “linha dura”, a qual, com seus requerimentos,
força Castelo Branco a promulgar o AI-2 (decreta o bipartidarismo e o aumento do
poder do Executivo) e dentro de seu governo decreta o AI-5 (considerado a
revolução dentro da revolução, ato este que aplicou a censura e a caça aos oposicionistas do regime).
Principalmente
durante os anos de chumbo a extrema esquerda viveu na ilegalidade, criou-se
movimentos urbanos e rurais em forma de guerrilha, movimentos estes que marcaram
com ações contra a repressão do Estado. Alguns desses movimentos foram o
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Aliança Libertadora Nacional
(ALN) e a Guerrilha do Araguaia (esta rural). Foi prática contínua desses
grupos as desapropriações (assaltos a banco) dos grupos dominantes e também o
sequestro de embaixadores e figuras públicas importantes para serem trocados
por presos políticos, estratégia esta que nasce com o MR-8 em 1969 com o
sequestro do embaixador estadunidense com a exigência da libertação direto para
o exílio de 15 presos políticos e a leitura de uma carta em todos os canais
televisivos da época.
É a partir
do AI-5 que a prática da tortura se instala de vez no regime, fato este que até
hoje tem grande repercussão na imprensa e em qualquer conversa sobre o período
militar. Os militantes políticos eram considerados terroristas que queriam
subverter a ordem da sociedade, sua hierarquia e os bons costumes, além de
quererem instalar o comunismo no Brasil. Após serem presos sofriam tortura e a
grande maioria era morta e seus corpos nunca mais seriam achados, uma vez que,
com os estudos da atualidade é possível saber, eram esquartejados e jogados ao
mar ou em rios para que não houvesse provas do crime ocorrido. Outro aspecto
sobre a tortura que é causa de grande indignação dentro da sociedade é o apoio
da Igreja Católica a estes atos repugnantes, usando para justificar o seu
discurso a ideia de que estes terroristas
estavam tentando destruir as instituições familiares e a sua maioria serem ateus,
desvirtuando assim a sociedade.
O Regime
Civil-Militar se dá a partir do Golpe de 1964 e termina, segundo alguns
autores, em 1985 com a posse de Sarney e, segundo outros, com as eleições
diretas de 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Dentro do processo
de reabertura política o presidente que encabeçou foi o General Geisel,
inclusive derrubando o AI-5. Essa faixa
de tempo também é conhecida como Ditadura Militar, foi também com os
Generais-Presidentes que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol em 1970 com
uma seleção histórica e também apareceu de vez para o mundo como uma economia
crescente, graças ao Milagre Econômico, com o qual o PIB permaneceu em
escalada, e também a maior industrialização do Brasil com projetos como o PND
(Plano Nacional de Desenvolvimento). Os tempos militares causam repugnância em
muitos, entretanto saudosismo também, foram tempos de lutas e mortes, mas
também de desfiles e grande propagandas, na qual a ideologia foi parte operante
da Guerra Revolucionária contra o comunismo e a favor dos governantes.
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