sábado, 5 de abril de 2014

Regime Civil-Militar de 1964 – Resumo


Durante os governos que se sucederam após a Revolução de 1964 houve uma dinâmica diferenciada das que muitos têm em mente. O corpo militar não se portou em uníssono, havendo dentro da instituição efervescência e divisões políticas durante todo o período de governo militar, prova disto são os movimentos que envolviam os Coroneis das IPMs (Inquérito Policial Militar), o movimento denominado “primeira linha dura”, sob liderança de Boaventura, e também, entre outros, da organização Lider (Liga Democrática Radical).

Houve também participação dos civis dentro dos governos liderado pelos militares, sendo estas participações importantes, uma vez que a maior parte dos ministérios estava, a princípio, nas mãos de tecnocratas. Com a subida ao poder de Costa e Silva, substituindo Castelo Branco, havia a esperança de desmilitarizar-se o poder, entretanto o que ocorreu foi uma mais forte tomada de espaço pelas Forças Armadas, isto era visto que aconteceria já que Costa e Silva assume sobre a base eleitoral dada pela “linha dura”, a qual, com seus requerimentos, força Castelo Branco a promulgar o AI-2 (decreta o bipartidarismo e o aumento do poder do Executivo) e dentro de seu governo decreta o AI-5 (considerado a revolução dentro da revolução, ato este que aplicou a censura e a caça aos oposicionistas do regime).

Principalmente durante os anos de chumbo a extrema esquerda viveu na ilegalidade, criou-se movimentos urbanos e rurais em forma de guerrilha, movimentos estes que marcaram com ações contra a repressão do Estado. Alguns desses movimentos foram o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Guerrilha do Araguaia (esta rural). Foi prática contínua desses grupos as desapropriações (assaltos a banco) dos grupos dominantes e também o sequestro de embaixadores e figuras públicas importantes para serem trocados por presos políticos, estratégia esta que nasce com o MR-8 em 1969 com o sequestro do embaixador estadunidense com a exigência da libertação direto para o exílio de 15 presos políticos e a leitura de uma carta em todos os canais televisivos da época.

É a partir do AI-5 que a prática da tortura se instala de vez no regime, fato este que até hoje tem grande repercussão na imprensa e em qualquer conversa sobre o período militar. Os militantes políticos eram considerados terroristas que queriam subverter a ordem da sociedade, sua hierarquia e os bons costumes, além de quererem instalar o comunismo no Brasil. Após serem presos sofriam tortura e a grande maioria era morta e seus corpos nunca mais seriam achados, uma vez que, com os estudos da atualidade é possível saber, eram esquartejados e jogados ao mar ou em rios para que não houvesse provas do crime ocorrido. Outro aspecto sobre a tortura que é causa de grande indignação dentro da sociedade é o apoio da Igreja Católica a estes atos repugnantes, usando para justificar o seu discurso a ideia de que estes terroristas estavam tentando destruir as instituições familiares e a sua maioria serem ateus, desvirtuando assim a sociedade.

O Regime Civil-Militar se dá a partir do Golpe de 1964 e termina, segundo alguns autores, em 1985 com a posse de Sarney e, segundo outros, com as eleições diretas de 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Dentro do processo de reabertura política o presidente que encabeçou foi o General Geisel, inclusive derrubando o AI-5.  Essa faixa de tempo também é conhecida como Ditadura Militar, foi também com os Generais-Presidentes que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol em 1970 com uma seleção histórica e também apareceu de vez para o mundo como uma economia crescente, graças ao Milagre Econômico, com o qual o PIB permaneceu em escalada, e também a maior industrialização do Brasil com projetos como o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Os tempos militares causam repugnância em muitos, entretanto saudosismo também, foram tempos de lutas e mortes, mas também de desfiles e grande propagandas, na qual a ideologia foi parte operante da Guerra Revolucionária contra o comunismo e a favor dos governantes.

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