O cotidiano trabalhista
mudou bastante desde a supremacia indígena no Brasil graças a alterações e
reviravoltas que podem ser contempladas no modo de produção e no imaginário do
trabalhador. As transformações ocorridas têm ligação com a política externa e
interna, com as variações econômicas e também com as mudanças sociais dentro do
novo modelo socioeconômico que vinha surgindo.
Durante praticamente todo
século XIX a pressão inglesa quanto ao tráfico e a própria escravatura foi
crescente ao governo brasílico, como resultado dessa luta diplomática, sendo a
mesma nascente desde a vinda da Família Real para o Brasil, e de interesses,
uma vez que a Inglaterra não mais tinha vantagens com o tráfico negreiro devido
à Revolução Industrial, surgiram conflitos que fizeram da relação, sempre
amistosa, entre as duas nações se rompesse por poucos anos.
Com toda essa pressão
comentada acima e mais as mudanças que vinham ocorrendo dentro do âmbito
interno do Império, o ano de 1850 trouxe duas leis que mudaram de vez a figura
trabalhista no Brasil, são elas: Lei de Terras e a Lei de Eusébio de Queiroz. A
primeira distanciava o acesso à terra aos mais pobres, uma vez que regulariza
por valores exorbitantes a compra da terra e burocratiza ao máximo não havendo
conhecimento suficiente entre os trabalhadores menores para lidar com tanta documentação, e a segunda proibia
definitivamente o tráfico de escravos africanos para o Brasil.
Vinculado a todas essas
questões o próprio governo imperial investiu e incentivou a imigração dos
países europeus para que pudesse haver mão de obra nas lavouras e na nascente
indústria nacional, esta sendo impulsionada pela medida protecionista do Estado
desde 1844 com a Tarifa Alves Branco. A questão dos trabalhadores livres vindos
do velho continente é atrelada a mudança que vinha ocorrendo aos poucos da
forma de mercado, migrando do modelo Mercantilista, este estatal, para o modelo
ainda embrionário do Capitalismo, onde a iniciativa privada mantém o capital
girando, logo não mais caberia mão de obra escrava, pois não tem capital de
giro e assim não se enquadra no sistema financeiro, consequentemente
sociocultural também, este modelo de mão de obra.
O investimento em
trabalhadores estrangeiros se dá devido a estarem já acostumados com o trabalho
em fábricas e por já terem em seu costume o consumo dos produtos
industrializados, fazendo com que assim os últimos pudessem ser comercializados
com mais facilidade e aceitabilidade no Brasil, o qual desde 1808 já era
depósito dos manufaturados ingleses fruto da falta de mercado consumidor na
Europa.
Desde então se começou a
acelerar o processo que culminou com a Abolição da Escravatura em 13 de Maio de
1888 gerando em definitivo o esqueleto do sistema trabalhista que ainda hoje
vigora dentro do Brasil. Nessas raízes é possível perceber que não foram
modificações humanitárias e sim com interesses bem concretos, servindo de
exemplo para que na atualidade o trabalhador possa perceber o que realmente
está por trás de cada ato do patrão e do próprio Estado que o mantém inerte
através da ideologia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário