terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Trabalhadores, evolução nas condições trabalhistas no Brasil?


Desde 1888 a escravidão foi abolida no Brasil pela Lei Áurea, sendo a mesma consequência de anos de lutas contra o modelo de trabalho empregado, entretanto após 125 anos não se vê tanta diferença na vivência do trabalhador e do seu relacionamento com o patrão. A vida trabalhista brasílica passou por várias modificações a cada constituição, sendo as mais louvadas pelo imaginário popular as ocorridas durante a Era Vargas, mas nenhuma efetivamente melhorou e/ou evoluiu no ponto de vista do trabalhador.
Getúlio Vargas é louvado até os dias atuais pela mente popular como quem auxiliou e alavancou a vida trabalhista, entretanto as pessoas não percebem toda a manobra ideológica por trás desses atos totalmente populistas, manobras estas que até mesmo “consagraram” o Brasil como o país do futebol, desviando assim, até os dias atuais, toda a atenção do povo da política para celebrações desportivas.
Durante o período colonial e imperial os escravos não tinham privilégio algum e ainda podendo ser vendidos para outras fazendas, o que não mudava muita coisa da sua estrutura básica trabalhista, nem no seu relacionamento com o senhor. Atualmente esse cenário não é muito diferente, embora oficialmente não se tenha mais escravos, mesmo que o trabalhador mude de empresa o seu relacionamento com o patrão não modificará o quanto deveria, uma vez que as mutações ideais para os trabalhadores, que deveriam ser feitas pelos sindicatos, estão amarradas ao aparelho estatal, e este está ligado ao patronato.
As primeiras décadas do século XX no Brasil foi a época de maiores lutas sindicais, inclusive com greves gerais, dando destaque a de 1917 liderada pelos sindicalistas ácratas. Nesse período houve grande imigração para suprir a necessidade de mão-de-obra nas indústrias nascentes e com esses trabalhadores vieram ideias libertárias, entretanto com o fortalecimento do PCB (Partido Comunista do Brasil), que adota uma estrutura burocratizada e de alta hierarquização, sendo até mesmo um tanto despótica, e com a chegada ao poder de Vargas a força trabalhista se enfraqueceu, uma vez que o então presidente atrelou os sindicatos ao Estado e estabeleceu o unissindicalismo, fazendo com que a luta por melhoras trabalhistas estivesse inteiramente sob a tutela dos próprios patrões, sendo um dos meios utilizados para tal assumir a liderança trabalhadora apenas quem tivesse permissão vinda do Ministério do Trabalho, órgão que com sua organização matou a luta operária.

A necessidade de mudanças se faz presente há tempos, entretanto a força ideológica imposta pelo Estado e pelos patrões impede que as mesmas sejam realizadas, uma vez que a população não percebe que não é uma massa, nem tampouco está presa e subserviente aos que a subjugam através da prisão coercitiva da mente. Transformações só poderão ocorrer efetivamente quando não houver mais representatividade e sim um envolvimento direto e o respeito à individualidade do cidadão e de suas ideias, sendo as decisões tomadas sempre em discussões onde cada um, dentro de seu grupo, dê as diretrizes a serem tomadas. 

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