Desde 1888 a escravidão foi abolida no Brasil pela Lei
Áurea, sendo a mesma consequência de anos de lutas contra o modelo de trabalho
empregado, entretanto após 125 anos não se vê tanta diferença na vivência do
trabalhador e do seu relacionamento com o patrão. A vida trabalhista brasílica
passou por várias modificações a cada constituição, sendo as mais louvadas pelo
imaginário popular as ocorridas durante a Era Vargas, mas nenhuma efetivamente
melhorou e/ou evoluiu no ponto de vista do trabalhador.
Getúlio Vargas é louvado até os dias atuais pela mente
popular como quem auxiliou e alavancou a vida trabalhista, entretanto as
pessoas não percebem toda a manobra ideológica por trás desses atos totalmente
populistas, manobras estas que até mesmo “consagraram” o Brasil como o país do
futebol, desviando assim, até os dias atuais, toda a atenção do povo da política
para celebrações desportivas.
Durante o período colonial e imperial os escravos não tinham
privilégio algum e ainda podendo ser vendidos para outras fazendas, o que não
mudava muita coisa da sua estrutura básica trabalhista, nem no seu
relacionamento com o senhor. Atualmente esse cenário não é muito diferente,
embora oficialmente não se tenha mais escravos, mesmo que o trabalhador mude de
empresa o seu relacionamento com o patrão não modificará o quanto deveria, uma
vez que as mutações ideais para os trabalhadores, que deveriam ser feitas pelos
sindicatos, estão amarradas ao aparelho estatal, e este está ligado ao
patronato.
As primeiras décadas do século XX no Brasil foi a época de
maiores lutas sindicais, inclusive com greves gerais, dando destaque a de 1917
liderada pelos sindicalistas ácratas. Nesse período houve grande imigração para
suprir a necessidade de mão-de-obra nas indústrias nascentes e com esses
trabalhadores vieram ideias libertárias, entretanto com o fortalecimento do PCB
(Partido Comunista do Brasil), que adota uma estrutura burocratizada e de alta
hierarquização, sendo até mesmo um tanto despótica, e com a chegada ao poder de
Vargas a força trabalhista se enfraqueceu, uma vez que o então presidente
atrelou os sindicatos ao Estado e estabeleceu o unissindicalismo, fazendo com
que a luta por melhoras trabalhistas estivesse inteiramente sob a tutela dos
próprios patrões, sendo um dos meios utilizados para tal assumir a liderança
trabalhadora apenas quem tivesse permissão vinda do Ministério do Trabalho,
órgão que com sua organização matou a
luta operária.
A necessidade de mudanças se faz presente há tempos,
entretanto a força ideológica imposta pelo Estado e pelos patrões impede que as
mesmas sejam realizadas, uma vez que a população não percebe que não é uma
massa, nem tampouco está presa e subserviente aos que a subjugam através da
prisão coercitiva da mente. Transformações só poderão ocorrer efetivamente
quando não houver mais representatividade
e sim um envolvimento direto e o respeito à individualidade do cidadão e de
suas ideias, sendo as decisões tomadas sempre em discussões onde cada um,
dentro de seu grupo, dê as diretrizes a serem tomadas.
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