A sociedade atual é composta por um conjunto que abrange
variados tipos de sistemas, sendo eles econômicos, políticos, sociais e assim
por diante. O engodo nela posto atrai as mais diversas camadas do conjunto
social, do contrário não haveria coesão e seu funcionamento seria completamente
fútil. A organização que se há no domínio humano pelo homem é complexo e tende
a chegar perto da perfeição, trabalham-se conceitos e luta-se por eles, sendo
que os mesmo são a própria ilusão e a prisão em que se encontra a população,
até mesmo os personagens que fazem a máquina ideológica girar.
Conceitos como o de liberdade muito atraem todas as pessoas
e vive-se, morre-se, luta-se por ele sem nem mesmo perceber que é uma utopia
descabida de razão, afinal personagens que entregam seus dias na busca desse
ideal tornam-se escravas do próprio, perdendo alguns resquícios na busca
incessante de um todo inatingível. O amarrado sistemático que engloba cada
lugar sombrio deste mundo não permite que nenhum homem se quer consiga se ver
livre, podendo ser perceptível, sem uma reflexão mais apurada, tamanho é o
condicionamento em que cada ser se encontra atado.
Há quem queira mudar o sistema, seja ele qual for, de
maneira abrupta, entretanto não vislumbra que apenas de dentro é que ele pode
ser modificado. Muitos defendem o “bater de frente” com as forças que os lideram,
sem notar que a força e as armas de coerção ideológica estão completamente nas
mãos daqueles que detêm o poderio maior da organização, prova disto é o sistema
político atual do Brasil, percebe-se que, ainda hoje, vive-se uma república
oligárquica e que pode até mudar o presidente e o partido, mas quem detêm o
poder sempre são os mesmos, os seja aqueles que concentram determinada renda em
suas mãos.
A quebra de qualquer organização complexa, como os são os
sistemas que subtraem e subjugam a população comum, deve ser feita de maneira
gradual e consciente, uma vez que qualquer movimento brusco causa nódoa
irreparável, impossibilitando que mais a frente haja possibilidades de reparos
consideráveis a ponto de haver outra oportunidade de mudança sistemática. A
fraqueza por vezes deve ser tida como a fortaleza e é sempre importante saber
que até mesmo os conceitos pelos quais os próprios intelectuais discutem são
gerados no seio daqueles a quem os mesmo denigrem e buscam derrubar, a vida em
sociedade nada mais é do que um grande teatro, aonde não há originalidade,
apenas cópias, falsificações, ideologias, conceitos fúteis e utópicos,
imbróglios mil capazes de transformar tudo em apenas sonhos e enganos, sem que
nem mesmo o sujeito perceba que não há sujeito, apenas sujeitados.
Matheus M. Cruz
Acadêmico de História – UnC Mafra

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