quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Educação: Cadeia e Liberdade


O Estado aplica toda a sua força como Instituição Social em prol de seu próprio benefício, tornando a população não como parte de si (Estado Hegeliano), mas sendo repressor da mesma, como defenderia Marx. Importante observar que é ideal, porém surreal a interpretação de Hegel quanto ao Estado como sendo o conjunto da população. Frente a todo esse processo de dominação a escola tem papel importante, uma vez que gera a ideologia aprisionadora ou a libertação na mente dos indivíduos.
Atualmente a educação tem sido arma de alienação utilizada para que a sociedade mantenha-se dócil, gerando bons cidadãos prontos a servirem no trabalho. Entretanto há quem defenda que essa padronização é viável e gera a própria liberdade, sendo este último conceito complexo e relativo.
Dentro de uma proposta marxista a educação se vê como um conjunto de trabalho prático e também teórico, sendo valorizado dessa maneira o cotidiano, o interesse, a aptidão e a relevância dos conteúdos frente ao educando. Essa proposta é mais claramente posta em prática no MST, sendo a matriz curricular decidida pela comunidade e o dia-a-dia do aluno é o meio de ensino dos conteúdos.
A educação deve ser vista como libertadora e não opressora, fazendo com que o educando torne-se crítico e seja desalienado. A pedagogia comunitária, já citada acima, tem como objetivo fazer nascer um novo homem, um cidadão consciente de seus direitos e deveres e que tem como a práxis o seu ensinamento, sendo gerado com criticismo através da reflexão e diálogo, aprendendo com o cotidiano, seres que sejam sujeitos dos processos que os envolvem e não apenas sujeitados. 
A questão educacional transpõe as barreiras da formalidade, podendo ser classificada como formal (organizada e inflexível) e informal (organizada, porém flexível – igrejas, família, etc.). Em todos os níveis a educação é a prisão e a liberdade, basta escolher como utilizá-la. A sua força é utilizada como arma ideológica do sistema político vigente, mas é possível haver uma desvinculação através da autarquia, da participação comunitária e da significância do conhecimento, do contrário a sociedade permanecerá totalmente alienada e a escola nada mais será do que um ambiente propício para a criação de mentes acríticas e totalmente mecanizadas, gerando desta maneira uma sociedade dócil e bestializada, ou seja, presa fácil da elite que se perpetua no controle do poder.

Matheus M. Cruz

Acadêmico do curso de História - UnC

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