quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Movimento Comunista



O século XIX foi de revoluções, surgiram movimentos e ideias novas que modificaram a estrutura do mundo que atualmente contemplamos e vivemos. Com certeza uma das mentes mais influentes na atualidade é a de Karl Marx. O comunismo, que o mesmo tanto defendeu, criou esperanças, discórdias, guerras e debates. Semana passada comemorou-se os 150 anos da Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional, sediada em Londres e aberta no dia 28 de setembro de 1864, movimento este que sagrou Marx como líder comunista em nível mundial.
A Internacional tinha como objetivo organizar os trabalhadores, denominados proletários, principalmente os fabris, para discussões e elaborações de planos de ação que pudessem, a nível internacional, obrigar o patronato a ceder as reivindicações trabalhistas em prol de melhorias estruturais e maior valorização do mesmo. Com a sequência dos debates foi colocado em pauta às várias linhas de pensamentos da época que propunham métodos para alcançar uma sociedade igualitária. Destacando-se o socialismo científico (doutrina defendida por Marx), socialismo utópico, dentro de suas várias ramificações, e o anarquismo.
A I Internacional lançou Bakunin, defendendo o anarquismo, e Marx, defendendo o comunismo, como grandes líderes, sendo assim dividindo o público que participava do movimento. Movimento este que prezava pela busca de uma sociedade mais justa, descentralizada e igualitária, entretanto foi claramente exclusiva e antidemocrática quando da expulsão de Bakunin e seus seguidores anárquicos, já que a liderança do movimento centralizou-se em Marx, assim bem como anos à frente centralizar-se-ia nas mãos de Lênin.
O comunismo como Marx pregava nunca foi posto em prática, a utopia da igualdade e da sociedade sem exploração nunca foi alcançada, o Estado não deixou de existir, nem a classe trabalhadora alcançou o poder. Por quê? A reflexão, tendo como base a I Internacional, é importante, pois demostra bem aquilo que foi e é o movimento comunista espalhado por todo o mundo, um movimento centralizador e intolerante às ideias contrárias. Prova disto são os países que se tornaram pseudocomunistas e espalharam o horror e a violência entre a sua população.
Embora o Comunismo tenha ganho essa face ditatorial e cruel em muitos países, principalmente durante a Guerra Fria, a teoria é válida para reflexões sobre a sociedade atual e até mesmo a utopia de ter-se uma sociedade de iguais. A crítica ao modelo capitalista precisa ser feita, uma vez que, do contrário, ele continuará a massacrar as classes proletárias, nas palavras de Marx, e permanecerá engordando os bolsos dos mais ricos em detrimento do pobre.
A I Internacional marcou o século XIX, mas chega até hoje como exemplo de um movimento organizado de debates e direções para ações contra a covardia patronal e a favor de uma sociedade mais justa em nível mundial. No cotidiano atual, tem-se perdido esse poder de organização e reflexão, gerando, deste modo, uma sociedade incapaz de refletir sobre seus problemas e organizar-se para buscar soluções. 

Matheus M. Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC – Campus Mafra

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