O século XIX foi de revoluções, surgiram movimentos e ideias
novas que modificaram a estrutura do mundo que atualmente contemplamos e
vivemos. Com certeza uma das mentes mais influentes na atualidade é a de Karl Marx.
O comunismo, que o mesmo tanto defendeu, criou esperanças, discórdias, guerras
e debates. Semana passada comemorou-se os 150 anos da Associação Internacional
dos Trabalhadores ou Primeira Internacional, sediada em Londres e aberta no dia
28 de setembro de 1864, movimento este que sagrou Marx como líder comunista em
nível mundial.
A Internacional tinha como objetivo organizar os
trabalhadores, denominados proletários, principalmente os fabris, para
discussões e elaborações de planos de ação que pudessem, a nível internacional,
obrigar o patronato a ceder as reivindicações trabalhistas em prol de melhorias
estruturais e maior valorização do mesmo. Com a sequência dos debates foi
colocado em pauta às várias linhas de pensamentos da época que propunham métodos
para alcançar uma sociedade igualitária. Destacando-se o socialismo científico
(doutrina defendida por Marx), socialismo utópico, dentro de suas várias
ramificações, e o anarquismo.
A I Internacional lançou Bakunin, defendendo o anarquismo, e
Marx, defendendo o comunismo, como grandes líderes, sendo assim dividindo o
público que participava do movimento. Movimento este que prezava pela busca de
uma sociedade mais justa, descentralizada e igualitária, entretanto foi
claramente exclusiva e antidemocrática quando da expulsão de Bakunin e seus
seguidores anárquicos, já que a liderança do movimento centralizou-se em Marx,
assim bem como anos à frente centralizar-se-ia nas mãos de Lênin.
O comunismo como Marx pregava nunca foi posto em prática, a
utopia da igualdade e da sociedade sem exploração nunca foi alcançada, o Estado
não deixou de existir, nem a classe trabalhadora alcançou o poder. Por quê? A
reflexão, tendo como base a I Internacional, é importante, pois demostra bem
aquilo que foi e é o movimento comunista espalhado por todo o mundo, um
movimento centralizador e intolerante às ideias contrárias. Prova disto são os
países que se tornaram pseudocomunistas
e espalharam o horror e a violência entre a sua população.
Embora o Comunismo tenha ganho essa face ditatorial e
cruel em muitos países,
principalmente durante a Guerra Fria, a teoria é válida para reflexões sobre a
sociedade atual e até mesmo a utopia de ter-se uma sociedade de iguais. A
crítica ao modelo capitalista precisa ser feita, uma vez que, do contrário, ele
continuará a massacrar as classes proletárias, nas palavras de Marx, e
permanecerá engordando os bolsos dos mais ricos em detrimento do pobre.
A I Internacional marcou o século XIX, mas chega até hoje
como exemplo de um movimento organizado de debates e direções para ações contra
a covardia patronal e a favor de uma sociedade mais justa em nível mundial. No
cotidiano atual, tem-se perdido esse poder de organização e reflexão, gerando,
deste modo, uma sociedade incapaz de refletir sobre seus problemas e
organizar-se para buscar soluções.
Matheus M. Cruz
Acadêmico de Licenciatura em História – UnC – Campus Mafra

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