sábado, 5 de abril de 2014

Utilidade da História e sua história – Parte I

O papel da História como ciência no mundo teve algumas dificuldades para se fazer como o é hoje. Atualmente em todas as escolas brasileiras há professores em sala de aula lecionando sobre o passado, entretanto há muitos na sociedade de hoje que não reconhecem o papel crucial da História dentro do presente e até mesmo do futuro e isto não é algo recente, uma vez que dentro dos séculos passados também enfrentou-se muitos questionamentos e desconfianças quanto ao valor da missão do historiador.
Antes dos gregos e romanos o passado era explicado através de mitos, no qual a explicação da criação da Terra e da própria existência do ser humano dava-se através da influência dos deuses, sendo essas histórias situadas em um tempo tão remoto que seria impossível pôr-se dentro da narração a ponto de imaginar de fato e compreender os porquês de tudo, não havendo na realidade interesse por este questionamento. Este modelo de contar o passado está presente nas sociedades mesopotâmicas, egípcia e até mesmo dentro da grega, não sendo abandonado totalmente com o advento da filosofia.
Com os gregos e romanos a perpetuação do passado foi assumida de maneira diferente das que até então se havia sendo realizado, percebendo esse fato através da escrita das guerras e batalhas para a posterioridade, podendo notar-se também a cronologia e a presença de fatores humanos, aspectos até então renegados em prol da atemporalidade e do monopólio aos deuses dos porquês dos acontecimentos do mundo, sendo expoentes dessa escrita, homens como Heródoto, considerado pai da História por utilizar o termo pela primeira vez no sentido de pesquisa e/ou busca pela verdade, o que até então com os mitos não era o objetivo, e Tucídides responsável por cobrir toda a história da Guerra do Peloponeso, disputa entre Atenas e Esparta. A partir deste momento os relatos do cotidiano tornam-se importantes e seus registros valorizados principalmente por questões políticas-sociais e sendo a História vista como mestra da vida.
Durante a Idade Média a História ganha novo impulso com o domínio da religião, principalmente cristã, trazendo consigo uma nova demarcação de tempo, o nascimento de Cristo. Entretanto o relato histórico abandona a feição que trazia dos greco-romanos com sua escrita minuciosa até mesmo sobre guerras e heróis, passando a ser uma completa hagiografia, ou seja, relato da vida dos santos, uma vez que a ciência estava basicamente dominada pela Igreja Católica e a mesma a utilizando em seu próprio proveito.
Esse retrato hagiográfico só se encerra com as revoluções pelas quais o mundo passou findando com a Idade Média e com a chegada da Idade Moderna. Com essa mudança surgiram novas Escolas Históricas como a dos positivistas, idealistas e materialistas, mas também surgiram críticas ainda mais ferrenhas de quem defendia a completa inutilidade da história como algo que já passou e, deste modo, não interferindo em mais nada no presente, dando a esta linha de pensamento os a designação de presentistas e há também os relativistas que propunham a ideia de que tudo é relativo, logo não tendo valor os questionamentos levantados sobre o passado para a compreensão do presente.

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