Durante boa parte da História nacional houve participação
efetiva dos militares no curso político, social e econômico do Brasil, sendo possível
notar este fato através da Proclamação da República (feita por um militar), os
movimentos dos anos de 1910 e 1920, a influência e a posse de altos cargos no
governo Vargas, a passagem do estado Novo para nova experiência democrática e
enfim o Golpe de 64.
A formação do ideário militar, mas efetivamente das forças
terrestres, no Brasil tem seu início com o decorrer da Guerra do Paraguai
(1864-1870), até mesmo porque antes disso não existia real corpo e nem o
espírito deste no meio militar, não sendo ao menos obrigatório a prestação de
serviço ao braço armado do Estado, sendo utilizados apenas mercenários em
momentos de crise. Com a vitória e o decorrer da guerra que se colocou em
estima o Exército Nacional, que até então era totalmente sucateado, com baixos
salários e visto como parte da escória do Brasil, uma vez que no período
regencial criou-se a Guarda Nacional servindo aos interesses dos, que passaram
a ser, coronéis, ou seja, da oligarquia e
também havia a Marinha, ambas instituições dotadas de prestígio frente a
sociedade imperial.
Após a guerra muitas petições dos militares foram aceitas,
até frente a salários, e o prestígio que o Exército ganhou foi crescente, tanto
é que para a Proclamação da República o escolhido para o ato e como primeiro
presidente da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca e para vice Marechal
Floriano Peixoto, visando assim ter a força armada ao lado da mudança para que
a mesma pudesse ser implantada.
Com a estima militar em alta foi criada a escola militar
para formação de oficiais que se situou na então capital nacional, mais
especificamente na Praia Vermelha. A importância desta instituição foi ímpar,
uma vez que foi dela que surgiram revoltas importantes geradas pelo positivismo
que ali era ensinado, principalmente por Benjamin Constant. O conteúdo que ali
era lecionado tinha muito de política, formando deste modo soldados-cidadãos,
gerando militares críticos sociais e que faziam questão de participar da vida
política da nação.
Em 1904 a Escola Militar da Praia Vermelha foi
definitivamente fechada e criou-se no Realengo, também no Rio de Janeiro,
entretanto afastado do centro da cidade, outra escola, desta feita visando a
formação de soldados-profissionais, que em nada teriam contato com a política,
não recaindo nos mesmos embaraços já vividos anteriormente com os jovens
oficiais, entretanto os resultados não foram os esperados havendo grandes
movimentos organizados pelos oficiais que dali saíram, sendo esta geração,
nascida em torno de 1900, que em 1964 passou a governar o Estado brasileiro.
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