sábado, 5 de abril de 2014

Regime Civil-Militar de 1964 – Resumo


Durante os governos que se sucederam após a Revolução de 1964 houve uma dinâmica diferenciada das que muitos têm em mente. O corpo militar não se portou em uníssono, havendo dentro da instituição efervescência e divisões políticas durante todo o período de governo militar, prova disto são os movimentos que envolviam os Coroneis das IPMs (Inquérito Policial Militar), o movimento denominado “primeira linha dura”, sob liderança de Boaventura, e também, entre outros, da organização Lider (Liga Democrática Radical).

Houve também participação dos civis dentro dos governos liderado pelos militares, sendo estas participações importantes, uma vez que a maior parte dos ministérios estava, a princípio, nas mãos de tecnocratas. Com a subida ao poder de Costa e Silva, substituindo Castelo Branco, havia a esperança de desmilitarizar-se o poder, entretanto o que ocorreu foi uma mais forte tomada de espaço pelas Forças Armadas, isto era visto que aconteceria já que Costa e Silva assume sobre a base eleitoral dada pela “linha dura”, a qual, com seus requerimentos, força Castelo Branco a promulgar o AI-2 (decreta o bipartidarismo e o aumento do poder do Executivo) e dentro de seu governo decreta o AI-5 (considerado a revolução dentro da revolução, ato este que aplicou a censura e a caça aos oposicionistas do regime).

Principalmente durante os anos de chumbo a extrema esquerda viveu na ilegalidade, criou-se movimentos urbanos e rurais em forma de guerrilha, movimentos estes que marcaram com ações contra a repressão do Estado. Alguns desses movimentos foram o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Guerrilha do Araguaia (esta rural). Foi prática contínua desses grupos as desapropriações (assaltos a banco) dos grupos dominantes e também o sequestro de embaixadores e figuras públicas importantes para serem trocados por presos políticos, estratégia esta que nasce com o MR-8 em 1969 com o sequestro do embaixador estadunidense com a exigência da libertação direto para o exílio de 15 presos políticos e a leitura de uma carta em todos os canais televisivos da época.

É a partir do AI-5 que a prática da tortura se instala de vez no regime, fato este que até hoje tem grande repercussão na imprensa e em qualquer conversa sobre o período militar. Os militantes políticos eram considerados terroristas que queriam subverter a ordem da sociedade, sua hierarquia e os bons costumes, além de quererem instalar o comunismo no Brasil. Após serem presos sofriam tortura e a grande maioria era morta e seus corpos nunca mais seriam achados, uma vez que, com os estudos da atualidade é possível saber, eram esquartejados e jogados ao mar ou em rios para que não houvesse provas do crime ocorrido. Outro aspecto sobre a tortura que é causa de grande indignação dentro da sociedade é o apoio da Igreja Católica a estes atos repugnantes, usando para justificar o seu discurso a ideia de que estes terroristas estavam tentando destruir as instituições familiares e a sua maioria serem ateus, desvirtuando assim a sociedade.

O Regime Civil-Militar se dá a partir do Golpe de 1964 e termina, segundo alguns autores, em 1985 com a posse de Sarney e, segundo outros, com as eleições diretas de 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Dentro do processo de reabertura política o presidente que encabeçou foi o General Geisel, inclusive derrubando o AI-5.  Essa faixa de tempo também é conhecida como Ditadura Militar, foi também com os Generais-Presidentes que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol em 1970 com uma seleção histórica e também apareceu de vez para o mundo como uma economia crescente, graças ao Milagre Econômico, com o qual o PIB permaneceu em escalada, e também a maior industrialização do Brasil com projetos como o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Os tempos militares causam repugnância em muitos, entretanto saudosismo também, foram tempos de lutas e mortes, mas também de desfiles e grande propagandas, na qual a ideologia foi parte operante da Guerra Revolucionária contra o comunismo e a favor dos governantes.

Golpe Civil-Militar de 1964

Durante o início dos anos de 1960 a efervescência da Guerra Fria estava em seu ápice, a dicotomia entre comunismo soviético e capitalismo estadunidense era clara e a necessidade, imposta por esses países, de que todas as nações do globo se posicionassem cresceu no decorrer de toda essa questão geopolítica. Com o Brasil não foi diferente, João Goulart buscava manter-se nos blocos dos Não Alinhados, países que não assumiam compromisso nem com a economia soviética e nem com a estadunidense, fazendo negócios e visitas a China, Cuba e também mantendo contato com os EUA, entretanto não foi possível manter-se assim, uma vez que a influência norte-americana era forte causando pressão contra essa maneira de política dentro do próprio país.

Jango, como era conhecido João Goulart, entrou na política no segundo governo de Vargas e manteve seu modelo populista ao assumir o poder em 1961, entretanto esse modelo não era bem visto por boa parte da população, principalmente a de melhores condições financeiras, uma vez que as reformas de base e a busca por trazer a classe trabalhadora para si como pilar do poder fazia diminuir a força e a lucratividade da primeira em cima da segunda. Outro setor que não se agradava deste modelo era o militar, já que com essas medidas e aproximação dos graduados e soldados, segundo os oficiais, causava sublevação da ordem e hierarquia, destruindo assim o corpo militar. Também era altamente criticado pela igreja que temia, junto a grande parcela da sociedade, uma revolução comunista no Brasil no rumo tomado pela da Rússia em 1917 e uma República de Sindicatos, já que o presidente estava tão próximo da classe trabalhadora.

Do dia 31 de Março para o 1 de Abril deu-se a intervenção amplamente apoiada pela sociedade civil e pelo corpo militar, entretanto as promessas eram de que ela seria rápida e cirúrgica, logo que possível tornando aos civis o comando da nação e das questão político-econômicas. O período curto em que o braço militar deveria está no poder era apenas para que houvesse uma limpeza desses ideais comunistas tão incômodos aos golpistas e uma estruturalização para que voltasse a democracia e o rumo normal da dinâmica política no Brasil.

O fechamento e as cassações de nomes importantes foram feitas, entretanto o governo militar perdurou no poder, criando os Atos Institucionais (AI) para governarem o país, criando uma nova dinâmica que os favorecessem, a qual acabou por militarizar o Estado, principalmente a partir da presidência de Costa e Silva, causando indignação em nomes notáveis do meio civil como Lacerda (Governador da Guanabara à época), causando o sentimento de traição na ala não-militar do Golpe, entretanto todas as ações foram feitas sempre buscando a legitimação do poder defendendo que a massa do povo brasileiro os estavam apoiando.

BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL - Parte III

Durante todo o século XX a efervescência no corpo militar foi visível através de grandes movimentos como o tenentista e revoltas como a do forte de Copacabana. Com a subida ao poder de Getúlio Vargas ainda permaneceu dentro da corporação a ânsia política e o questionar ao governo continuou sendo algo frequente, sendo perceptível a atividade política dentro do exército até o fim do governo varguista.

A Era Vargas apresenta ao Brasil a ditadura e o poder concentrado na mão de um só homem, também traz para o Estado responsabilidades e gestões que estavam totalmente dispersas, prova disto foi a criação do ministério de Educação e Saúde e as mudanças ocorridas dentro dos corpos sindicais com os pelegos no comando, gerando com essas modificações uma alta hierarquização estatal e centralização das decisões, modelos estes que foram também postos em prática, dada algumas diferenciações, pelos militares a partir de 1964.

Dentro do período varguista se vê nomes militares importantes e influentes que vão ser essenciais para o golpe em 64 e para a instalação do novo governo, são oficiais que lutaram em posição de prestígio na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial e receberam altas condecorações e honrarias pelo seu desenvolvimento no conflito, mesmo a entrada na luta contra as potências do eixo sendo em desacordo com os homens de altos cargos militares no governo getulista, como Dutra e Góis Monteiro, até porque a relação Brasil-Alemanha era bastante intensa econômica e militarmente, uma vez que até armamento era importado da nação nazista.

Mesmo boa parte dos militares tendo lutado ao lado de Getúlio pela maior nacionalização e industrialização do país e o apoiarem no poder, a entrada na guerra e o estilo de governo populista aplicado por Vargas acabaram por afastar os mesmos do político gaúcho, principalmente após sua saída e, por ocasião da sua volta por vias democráticas, a não continuidade do programa pelo Presidente Dutra, um militar.
Através deste governo populista, aparece no segundo governo de Vargas João Goulart, que se torna ministro do trabalho, e a partir daí a antipatia militar ganha força de vez, já que os homens de fardas viam no discurso desses homens a porta de entrada para a subversão, o comunismo e a sublevação dos graduados militares, causando assim enfraquecimento em um dos pilares da corporação, a hierarquia.

Haviam planos já de tomada de poder pelos militares em 1954, entretanto com o suicídio de Getúlio o cenário nacional muda, uma vez que o populismo de Vargas era bastante forte, fazendo com que se o golpe fosse aplicado naquele momento não haveria apoio da população e, consequentemente, não teria suporte para o governo.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte II

Durante a primeira década do século XX houve manifestações militares em alguns lugares do país, prova dessa efervescência foi o fechamento da escola de oficiais da Praia Vermelha, que, por via principalmente de Benjamin Constant, lecionava sob a influência positivista, e a criação de uma nova instituição no Realengo com um currículo mais apolítico visando formar soldados profissionais que se distanciem ao máximo das questões sócio-políticas que circundam a vida cotidiana em que estão inseridos.
Nos anos de 1920 ocorreu o início do movimento tenentista, sendo este precipitado pela insatisfação militar com o antimilitarista e candidato vencedor à presidência da República Artur Bernardes. O ponto inicial deste movimento, denominado assim devido a maior parte de seus integrantes serem tenentes seguidos de capitães, foi a tomada do Forte de Copacabana em 5 de julho de 1922, objetivando por meio deste limpar a honra do Exército. Após o primeiro dia de tomada a maioria do contingente revoltoso se entrega, restando apenas 18 dentro do forte, os quais em troca de tiros 16 morrem e 2, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, são feridos. Este episódio lançou de vez a imagem do tenentismo, dando força a outros movimentos que viriam a seguir.
Em São Paulo no ano de 1924 a 5 de Julho, data para homenagear a revolta de 1922, visando a derrubada do presidente em exercício os militares tomam a cidade durante 22 dias, saindo pelo interior depois destes em marcha como a “Coluna Paulistas” com objetivo de chegar ao oeste paranaense aonde houve mais enfrentamento entre os revoltosos e os legalistas enquanto os paulistas esperavam a chegada de uma outra coluna advinda do Rio Grande do Sul, a qual se levantou com apoio dos políticos do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em outubro de 1924 e após várias batalhas rumaram a encontrar-se com os revoltosos da coluna paulista.
Em 1925 ambas as tropas se encontram e a maioria de seu contingente decidiu por exilar-se, entretanto boa parte permanece firme aos ideais e saem pelo Brasil, em uma marcha que dura cerca de dois anos e demonstra grande habilidade militar, formando assim a conhecida Coluna Prestes, nome do famoso líder Luís Carlos Prestes, objetivando divulgar os pensamentos tenentistas pelo território nacional e buscando que outros quartéis se levantem, entretanto não foi bem sucedida, mas estes militares marcaram a história pela bravura e por não terem sido pegos pelo governo, uma vez que a coluna começou e terminou por iniciativa própria.
Os movimentos tenentistas deram força a tomada de poder de Getúlio Vargas e boa parte dos revoltosos recebeu o cargo de interventor nos estados da federação, sendo até apelidados de Vice-reis, entretanto o objetivo destes de limpar as regiões das antigas oligarquias não pode ser alcançado e acabaram por se entenderem com as mesmas.
O movimento tenentistas marcou toda a história do Brasil no século XX, a geração desses tenentes participaram como oficiais importantes na FEB e também é a mesma que da o golpe em 1964, mostrando a importância desses levantes e revoltas que varreram todo o ano de 1920.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte I


Durante boa parte da História nacional houve participação efetiva dos militares no curso político, social e econômico do Brasil, sendo possível notar este fato através da Proclamação da República (feita por um militar), os movimentos dos anos de 1910 e 1920, a influência e a posse de altos cargos no governo Vargas, a passagem do estado Novo para nova experiência democrática e enfim o Golpe de 64.
A formação do ideário militar, mas efetivamente das forças terrestres, no Brasil tem seu início com o decorrer da Guerra do Paraguai (1864-1870), até mesmo porque antes disso não existia real corpo e nem o espírito deste no meio militar, não sendo ao menos obrigatório a prestação de serviço ao braço armado do Estado, sendo utilizados apenas mercenários em momentos de crise. Com a vitória e o decorrer da guerra que se colocou em estima o Exército Nacional, que até então era totalmente sucateado, com baixos salários e visto como parte da escória do Brasil, uma vez que no período regencial criou-se a Guarda Nacional servindo aos interesses dos, que passaram a ser, coronéis, ou seja, da oligarquia e  também havia a Marinha, ambas instituições dotadas de prestígio frente a sociedade imperial.
Após a guerra muitas petições dos militares foram aceitas, até frente a salários, e o prestígio que o Exército ganhou foi crescente, tanto é que para a Proclamação da República o escolhido para o ato e como primeiro presidente da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca e para vice Marechal Floriano Peixoto, visando assim ter a força armada ao lado da mudança para que a mesma pudesse ser implantada.
Com a estima militar em alta foi criada a escola militar para formação de oficiais que se situou na então capital nacional, mais especificamente na Praia Vermelha. A importância desta instituição foi ímpar, uma vez que foi dela que surgiram revoltas importantes geradas pelo positivismo que ali era ensinado, principalmente por Benjamin Constant. O conteúdo que ali era lecionado tinha muito de política, formando deste modo soldados-cidadãos, gerando militares críticos sociais e que faziam questão de participar da vida política da nação.
Em 1904 a Escola Militar da Praia Vermelha foi definitivamente fechada e criou-se no Realengo, também no Rio de Janeiro, entretanto afastado do centro da cidade, outra escola, desta feita visando a formação de soldados-profissionais, que em nada teriam contato com a política, não recaindo nos mesmos embaraços já vividos anteriormente com os jovens oficiais, entretanto os resultados não foram os esperados havendo grandes movimentos organizados pelos oficiais que dali saíram, sendo esta geração, nascida em torno de 1900, que em 1964 passou a governar o Estado brasileiro.


Governo Tecnocrata e Educação

A questão educacional é de extrema importância para a sociedade desde há muito tempo, uma vez que ela se torna tanto a cadeia quanto a chave de liberdade da mente do ser humano. Durante o governo instalado pós-64 não foi diferente e as escolas estiveram incessantemente em foco dos militares, parte deste sistema sendo instalado segundo o modelo proposto por Getúlio Vargas.
Durante o período ditatorial o Brasil passou a ser governado por Tecnocratas, pessoas que não eram políticos profissionais e sim tinham a profissão afim do cargo que exerciam. Com esse aspectos ímpar na história brasílica muito foi questionado os governos militares, mas para o objetivo que este estilo de governo foi proposto ele funcionou muito bem, uma vez que durante esta época o que interessava para o Brasil que se cumprisse a propaganda ufanista como por exemplo os slogans “Brasil Grande Potência” e “Brasil: Ame-o ou Deixe-o”.
A nação viveu o Milagre Econômico, que foi um período de arroxo salarial, repressões, entretanto o espaço de tempo em que o Brasil mais cresceu economicamente, até mesmo no âmbito mundial, tendo a inflação controlada e o PIB crescendo mais a cada ano, as empresas lucravam e havia uma maior possibilidade de mercado interno uma vez que passou-se a investir na integração do país, algo que não havia ainda sido atendido pelo governo.
Com o crescimento da indústria passou a necessitar-se de mão de obra qualificada para tal e não de mentes realmente pensantes, através dessa necessidade foi criado uma grade curricular e um modelo estudantil para que os alunos que dali saíssem soubessem apenas o básico, estando habilitados assim a servir a nação com o trabalho braçal, fazendo a economia nacional crescer. Ainda hoje a educação, principalmente a pública, forma cidadãos capachos dos patrões, pessoas feitas para apenas servirem, serem mandadas e nunca pensar por si próprias.
Outro fator importante que destaca bem esse sistema educacional foram as disciplinas acrescidas e outras retiradas da grade curricular. Demonstrando a falta de interesse do Estado em criar um pensamento crítico é que disciplinas como História, Filosofia e Sociologia somem das salas de aulas, sendo colocados até mesmo soldados dentro das salas para que pudessem cuidar daquilo que era passado para os estudantes, isso abrangendo até mesmo o ensino superior, e surgem outras voltadas para a moral e bons costumes e para o militarismo.
Havia também um batalhão de trabalho infantil no qual as crianças e adolescente que não tinha acesso a escola poderiam trabalhar sem sequer receber salário, em troca somente de comida. Todas essas situações provam que o interesse de “Ordem e Progresso” durante o período militar fez-se com os sulcos das costas dos de classe mais baixa em prol do engrandecimento do grande capital. Os tecnocratas no poder fizeram o Brasil Econômico crescer, infelizmente o Brasil Social decaiu e ainda hoje cole-se os frutos dessa organização educacional para o trabalho braçal, modelo para criar operários.

Neocolonialismo Atualmente - Caso Criméia

Durante todo o percurso da história da humanidade os conflitos armados, sejam os mais modernos ou os mais rudimentares, fizeram parte da formação social e econômica, ainda mesmo quando tais conceitos não tinham sentido algum, das comunidades, diretas ou indiretamente, envolvidas. Muitas dessas guerras se fizeram por intervenções militares em países terceiros, uma vez que não havia nenhum tipo de ligação direta, mas sim luta por áreas de influência, sendo justificados esses intrometimentos através de discursos ideológicos buscando defender a liberdade dos povos considerados mais fracos, entretanto não levando em consideração a vontade popular e a cultura do lugar.
Principalmente durante o século XIX houve a grande exploração da África pelos países europeus, de início com grande força a Inglaterra. Interessante observar nesse fato histórico que o discurso aplicado para a justificação da ação colonizadora era primeiramente salvar o continente negro, África Subsaariana, da escuridão em que viviam religiosamente, procurando mudar assim a cultura do lugar e seus costumes básicos como os alimentares e vestimentas. Após esse período simplesmente religioso acrescenta-se o fator comercial à exploração africana e a intervenção sendo feita através da força e do próprio apoio às guerras intracontinentais enfraquecendo assim todo continente.
O Neoimperialismo trouxe ao mundo a exploração ainda mais cruel, uma vez que, o que seria a antiga metrópole, mantém os países mais fracos em sua órbita e sem nem mesmo ter investimento na extração dos lucros, mantendo-os como reféns econômicos e sob ameaças de diversas naturezas. Esse modelo de aproveitamento posto em prática pelas potências capitalistas ganhou amplo destaque durante a Guerra Fria, aonde EUA e URSS disputavam o controle do mundo, lutando por áreas de influências e incentivando até mesmo guerras civis para que seus impérios pudessem se manter e se utilizando do discurso das ideologias, comunismo versus capitalismo, e do melhor para os povos vitimados por esse modelo.
Atualmente podem-se notar ainda resquícios claros desse modelo exploratório vigorando no mundo e mais em foco nos dias de hoje está a questão da Criméia, região de maioria étnica russa, mas que pertence a Ucrânia. Depois de amplas discussões foi feito o referendo que, por ampla maioria, demonstrou a vontade popular de fazer parte da Rússia, entretanto EUA e União Europeia ameaçam o país de Putin a sanções para o bem da unidade territorial ucraína. Deve destacar-se aqui a importância estratégica da região em questão, fazendo com que toda a disputa vá mais além do que simplesmente a consistência territorial, sendo interesse de Rússia, EUA e EU tê-lo como área de influência em sua órbita, provando assim que a demagogia em discursos mundiais permanece viva e justificando a alteração do rumo de nações por outras nações, gerando conflitos diplomáticos e até mesmo militares na geopolítica mundial.


Guerra Fria ainda não Acabou!!!

A efervescência das ideias vinha numa crescente desde a época do Renascimento, século XVI, desaguando no Iluminismo, século XVIII, e por fim gerando grande movimento ideário no século XIX, principalmente quanto a assuntos antes não tão tratados como os modelos socioeconômicos. Toda essa carga acaba por cair sobre o século XX e daí, deste contexto, deriva-se as duas Guerras Mundiais, Guerra Civil na Espanha, Imperialismo na África, Ditaduras na América Latina, Guerra nas Coreias, Guerras do Golfo, entre tantos outros conflitos que rechearam todo o século passado e respingaram no atual.
Durante o século XX o mundo passou por várias transformações e revoltas sociais, conflitos que varreram populações inteiras do mapa, estabelecimentos e reafirmamento de Estados com modelos socioeconômicos diversos e guiados por ideologias amplamente discutidas e difundidas durante o século XIX por pensadores como Karl Marx, Proudhon, Bakunin e defensores da teoria de Adam Smith causando, todo esse apanhado de fatos, uma divisão política conhecida como Guerra Fria ou Mundo Bipolar.
Ao findar da II Grande Guerra o mundo passou a assistir, com medo de outro conflito com proporções do que acabara a pouco, ou até maiores, o desenrolar do mundo bipolar, este dividido entre EUA e URSS, respectivamente representando Capitalismo e Socialismo. No decorrer desses anos, até o desmantelamento em 1991 da URSS, a influência dessas duas nações por todo o globo foi clara, levando assim a conflitos por áreas importantes para o neocolonialismo, nessas onde podiam se encontrar matéria prima para as indústrias e pontos estratégicos para essas superpotências.
EUA saiu dessa disputa como grande vencedor e deu-se por acabado a Guerra Fria, entretanto fatos ultimamente trazem a lembrança, mesmo que de maneira sorrateira, os anos que o mundo viveu o pós-guerra. Os últimos acontecimentos são as questões ocorridas na Ucrânia para a derrocada do então presidente e também a divisão, ainda, das Coreias. A questão de Kiev se dá pelo não engajamento da Ucrânia na União Europeia, pelo contrário ocorrendo uma aproximação maior da Rússia, tendo até mesmo, esta última, emprestado dinheiro para que a não inclusão ucraína ocorresse e sim permanecesse na órbita russa. Liderando as discussões sobre sanções feitas pelos países europeus e a maneira de agir quanto às manifestações está claramente Barack Obama, presidente estadunidense.
Há pouco tempo também o mundo pode presenciar as discussões e brigas sobre a Síria, no qual estes dois países também financiavam e estavam brigando por zonas de influência nesse país. Cabe então a pergunta: A Guerra Fria acabou? Por vezes ainda pode-se notar que essas duas nações disputam vários lugares do mundo e encabeceiam sempre negociações importantes, principalmente no Oriente Médio, ultimamente. Entre Putin e Obama ressurge a velha guerra entre Stálin e Truman e o mundo ainda divide-se entre as grandes políticas de Rússia e EUA.

Transição do Trabalho Escravo ao Livre no Brasil

O cotidiano trabalhista mudou bastante desde a supremacia indígena no Brasil graças a alterações e reviravoltas que podem ser contempladas no modo de produção e no imaginário do trabalhador. As transformações ocorridas têm ligação com a política externa e interna, com as variações econômicas e também com as mudanças sociais dentro do novo modelo socioeconômico que vinha surgindo.
Durante praticamente todo século XIX a pressão inglesa quanto ao tráfico e a própria escravatura foi crescente ao governo brasílico, como resultado dessa luta diplomática, sendo a mesma nascente desde a vinda da Família Real para o Brasil, e de interesses, uma vez que a Inglaterra não mais tinha vantagens com o tráfico negreiro devido à Revolução Industrial, surgiram conflitos que fizeram da relação, sempre amistosa, entre as duas nações se rompesse por poucos anos.
Com toda essa pressão comentada acima e mais as mudanças que vinham ocorrendo dentro do âmbito interno do Império, o ano de 1850 trouxe duas leis que mudaram de vez a figura trabalhista no Brasil, são elas: Lei de Terras e a Lei de Eusébio de Queiroz. A primeira distanciava o acesso à terra aos mais pobres, uma vez que regulariza por valores exorbitantes a compra da terra e burocratiza ao máximo não havendo conhecimento suficiente entre os trabalhadores menores para lidar com tanta documentação, e a segunda proibia definitivamente o tráfico de escravos africanos para o Brasil.
Vinculado a todas essas questões o próprio governo imperial investiu e incentivou a imigração dos países europeus para que pudesse haver mão de obra nas lavouras e na nascente indústria nacional, esta sendo impulsionada pela medida protecionista do Estado desde 1844 com a Tarifa Alves Branco. A questão dos trabalhadores livres vindos do velho continente é atrelada a mudança que vinha ocorrendo aos poucos da forma de mercado, migrando do modelo Mercantilista, este estatal, para o modelo ainda embrionário do Capitalismo, onde a iniciativa privada mantém o capital girando, logo não mais caberia mão de obra escrava, pois não tem capital de giro e assim não se enquadra no sistema financeiro, consequentemente sociocultural também, este modelo de mão de obra.
O investimento em trabalhadores estrangeiros se dá devido a estarem já acostumados com o trabalho em fábricas e por já terem em seu costume o consumo dos produtos industrializados, fazendo com que assim os últimos pudessem ser comercializados com mais facilidade e aceitabilidade no Brasil, o qual desde 1808 já era depósito dos manufaturados ingleses fruto da falta de mercado consumidor na Europa.
Desde então se começou a acelerar o processo que culminou com a Abolição da Escravatura em 13 de Maio de 1888 gerando em definitivo o esqueleto do sistema trabalhista que ainda hoje vigora dentro do Brasil. Nessas raízes é possível perceber que não foram modificações humanitárias e sim com interesses bem concretos, servindo de exemplo para que na atualidade o trabalhador possa perceber o que realmente está por trás de cada ato do patrão e do próprio Estado que o mantém inerte através da ideologia.

Utilidade da História e sua História - Parte II

Com o advento do Renascimento, ou seja, período da história em que se buscou, na Europa, reavivar os ideais científicos e artísticos da sociedade greco-romana, uma vez que estes haviam sido renegados durante a Idade Média, período em que a Igreja dominou as ciências e artes e entrou-se no período denominado de Hagiografia. Com essa mudança ideológica pode-se dar continuidade ao avanço que a História vinha fazendo na Idade Antiga mais voltada para as questões político-sociais.
Havia a necessidade de métodos para que algo pudesse ser considerado ciência, ou seja, era preciso que fosse universal os resultados obtidos nas experiências, mas como o objeto de estudo da área das humanas não pode ser testado em laboratório, criou-se complicações para sua aceitação como tal no meio científico da época. A partir daí surgiu o Positivismo, que buscava trazer o cientificismo à História, este sendo buscado e proposto pela Escola Científica Alemã principalmente na pessoa de Leopold Von Ranke. O positivismo histórico se presta ao papel puramente de levantar os fatos como ocorreram, não dispensando interpretação alguma quanto aos mesmos, baseando-se em documentos e exaltando os atos de heróis, grandes batalhas, acertos diplomáticos, etc.
É da Alemanha também que surge outra visão histórica, sendo esta idealizada por Hegel, levando o nome de Idealismo. Esta corrente defende o movimento dialético do mundo, ou seja, para toda tese (afirmação) existe uma antítese (negação desta afirmação) gerando deste conflito uma síntese (junção das duas anteriores num resumo) e porta esse nome uma vez que define que é esse movimento das ideias que fazem a história acontecer.
Discípulo das ideias hegelianas foi o também alemão Karl Marx junto a Engels, entretanto modificou a teoria dialética original, dando a importância antes reservada ao campo das ideias ao campo do material, sendo assim denominado materialismo dialético. A essa teoria deu-se espaço privilegiado nas universidades, disputando o papel de mais importante com a positivista. O braço histórico da mesma é denominado Materialismo Histórico, que defende que a História é feita pela luta entre classes, escrita pelos modos de produção empregados na sobrevivência de determinadas sociedades.
Atualmente os estudos históricos estão divididos principalmente entre a interpretação materialista e os levantamentos positivistas. A importância da História é inegável para que se possa conhecer e compreender os porquês da sociedade atual, uma vez que mostra a sua raiz e os seus caminhos. Um povo que não conhece sua própria história está fadado a cair nos mesmos erros de gerações passadas e não conseguir os mesmos êxitos, pois é o passado e sua interpretação que fazem o avanço da sociedade acontecer com o mínimo de sacrifícios possíveis.

Utilidade da História e sua história – Parte I

O papel da História como ciência no mundo teve algumas dificuldades para se fazer como o é hoje. Atualmente em todas as escolas brasileiras há professores em sala de aula lecionando sobre o passado, entretanto há muitos na sociedade de hoje que não reconhecem o papel crucial da História dentro do presente e até mesmo do futuro e isto não é algo recente, uma vez que dentro dos séculos passados também enfrentou-se muitos questionamentos e desconfianças quanto ao valor da missão do historiador.
Antes dos gregos e romanos o passado era explicado através de mitos, no qual a explicação da criação da Terra e da própria existência do ser humano dava-se através da influência dos deuses, sendo essas histórias situadas em um tempo tão remoto que seria impossível pôr-se dentro da narração a ponto de imaginar de fato e compreender os porquês de tudo, não havendo na realidade interesse por este questionamento. Este modelo de contar o passado está presente nas sociedades mesopotâmicas, egípcia e até mesmo dentro da grega, não sendo abandonado totalmente com o advento da filosofia.
Com os gregos e romanos a perpetuação do passado foi assumida de maneira diferente das que até então se havia sendo realizado, percebendo esse fato através da escrita das guerras e batalhas para a posterioridade, podendo notar-se também a cronologia e a presença de fatores humanos, aspectos até então renegados em prol da atemporalidade e do monopólio aos deuses dos porquês dos acontecimentos do mundo, sendo expoentes dessa escrita, homens como Heródoto, considerado pai da História por utilizar o termo pela primeira vez no sentido de pesquisa e/ou busca pela verdade, o que até então com os mitos não era o objetivo, e Tucídides responsável por cobrir toda a história da Guerra do Peloponeso, disputa entre Atenas e Esparta. A partir deste momento os relatos do cotidiano tornam-se importantes e seus registros valorizados principalmente por questões políticas-sociais e sendo a História vista como mestra da vida.
Durante a Idade Média a História ganha novo impulso com o domínio da religião, principalmente cristã, trazendo consigo uma nova demarcação de tempo, o nascimento de Cristo. Entretanto o relato histórico abandona a feição que trazia dos greco-romanos com sua escrita minuciosa até mesmo sobre guerras e heróis, passando a ser uma completa hagiografia, ou seja, relato da vida dos santos, uma vez que a ciência estava basicamente dominada pela Igreja Católica e a mesma a utilizando em seu próprio proveito.
Esse retrato hagiográfico só se encerra com as revoluções pelas quais o mundo passou findando com a Idade Média e com a chegada da Idade Moderna. Com essa mudança surgiram novas Escolas Históricas como a dos positivistas, idealistas e materialistas, mas também surgiram críticas ainda mais ferrenhas de quem defendia a completa inutilidade da história como algo que já passou e, deste modo, não interferindo em mais nada no presente, dando a esta linha de pensamento os a designação de presentistas e há também os relativistas que propunham a ideia de que tudo é relativo, logo não tendo valor os questionamentos levantados sobre o passado para a compreensão do presente.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Educação: Cadeia e Liberdade


O Estado aplica toda a sua força como Instituição Social em prol de seu próprio benefício, tornando a população não como parte de si (Estado Hegeliano), mas sendo repressor da mesma, como defenderia Marx. Importante observar que é ideal, porém surreal a interpretação de Hegel quanto ao Estado como sendo o conjunto da população. Frente a todo esse processo de dominação a escola tem papel importante, uma vez que gera a ideologia aprisionadora ou a libertação na mente dos indivíduos.
Atualmente a educação tem sido arma de alienação utilizada para que a sociedade mantenha-se dócil, gerando bons cidadãos prontos a servirem no trabalho. Entretanto há quem defenda que essa padronização é viável e gera a própria liberdade, sendo este último conceito complexo e relativo.
Dentro de uma proposta marxista a educação se vê como um conjunto de trabalho prático e também teórico, sendo valorizado dessa maneira o cotidiano, o interesse, a aptidão e a relevância dos conteúdos frente ao educando. Essa proposta é mais claramente posta em prática no MST, sendo a matriz curricular decidida pela comunidade e o dia-a-dia do aluno é o meio de ensino dos conteúdos.
A educação deve ser vista como libertadora e não opressora, fazendo com que o educando torne-se crítico e seja desalienado. A pedagogia comunitária, já citada acima, tem como objetivo fazer nascer um novo homem, um cidadão consciente de seus direitos e deveres e que tem como a práxis o seu ensinamento, sendo gerado com criticismo através da reflexão e diálogo, aprendendo com o cotidiano, seres que sejam sujeitos dos processos que os envolvem e não apenas sujeitados. 
A questão educacional transpõe as barreiras da formalidade, podendo ser classificada como formal (organizada e inflexível) e informal (organizada, porém flexível – igrejas, família, etc.). Em todos os níveis a educação é a prisão e a liberdade, basta escolher como utilizá-la. A sua força é utilizada como arma ideológica do sistema político vigente, mas é possível haver uma desvinculação através da autarquia, da participação comunitária e da significância do conhecimento, do contrário a sociedade permanecerá totalmente alienada e a escola nada mais será do que um ambiente propício para a criação de mentes acríticas e totalmente mecanizadas, gerando desta maneira uma sociedade dócil e bestializada, ou seja, presa fácil da elite que se perpetua no controle do poder.

Matheus M. Cruz

Acadêmico do curso de História - UnC

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Trabalhadores, evolução nas condições trabalhistas no Brasil?


Desde 1888 a escravidão foi abolida no Brasil pela Lei Áurea, sendo a mesma consequência de anos de lutas contra o modelo de trabalho empregado, entretanto após 125 anos não se vê tanta diferença na vivência do trabalhador e do seu relacionamento com o patrão. A vida trabalhista brasílica passou por várias modificações a cada constituição, sendo as mais louvadas pelo imaginário popular as ocorridas durante a Era Vargas, mas nenhuma efetivamente melhorou e/ou evoluiu no ponto de vista do trabalhador.
Getúlio Vargas é louvado até os dias atuais pela mente popular como quem auxiliou e alavancou a vida trabalhista, entretanto as pessoas não percebem toda a manobra ideológica por trás desses atos totalmente populistas, manobras estas que até mesmo “consagraram” o Brasil como o país do futebol, desviando assim, até os dias atuais, toda a atenção do povo da política para celebrações desportivas.
Durante o período colonial e imperial os escravos não tinham privilégio algum e ainda podendo ser vendidos para outras fazendas, o que não mudava muita coisa da sua estrutura básica trabalhista, nem no seu relacionamento com o senhor. Atualmente esse cenário não é muito diferente, embora oficialmente não se tenha mais escravos, mesmo que o trabalhador mude de empresa o seu relacionamento com o patrão não modificará o quanto deveria, uma vez que as mutações ideais para os trabalhadores, que deveriam ser feitas pelos sindicatos, estão amarradas ao aparelho estatal, e este está ligado ao patronato.
As primeiras décadas do século XX no Brasil foi a época de maiores lutas sindicais, inclusive com greves gerais, dando destaque a de 1917 liderada pelos sindicalistas ácratas. Nesse período houve grande imigração para suprir a necessidade de mão-de-obra nas indústrias nascentes e com esses trabalhadores vieram ideias libertárias, entretanto com o fortalecimento do PCB (Partido Comunista do Brasil), que adota uma estrutura burocratizada e de alta hierarquização, sendo até mesmo um tanto despótica, e com a chegada ao poder de Vargas a força trabalhista se enfraqueceu, uma vez que o então presidente atrelou os sindicatos ao Estado e estabeleceu o unissindicalismo, fazendo com que a luta por melhoras trabalhistas estivesse inteiramente sob a tutela dos próprios patrões, sendo um dos meios utilizados para tal assumir a liderança trabalhadora apenas quem tivesse permissão vinda do Ministério do Trabalho, órgão que com sua organização matou a luta operária.

A necessidade de mudanças se faz presente há tempos, entretanto a força ideológica imposta pelo Estado e pelos patrões impede que as mesmas sejam realizadas, uma vez que a população não percebe que não é uma massa, nem tampouco está presa e subserviente aos que a subjugam através da prisão coercitiva da mente. Transformações só poderão ocorrer efetivamente quando não houver mais representatividade e sim um envolvimento direto e o respeito à individualidade do cidadão e de suas ideias, sendo as decisões tomadas sempre em discussões onde cada um, dentro de seu grupo, dê as diretrizes a serem tomadas. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Velha República


Durante a história brasílica é possível notar várias revoltas e tentativas de mudanças sócio-políticas.  Os anais relatam momentos de glória como o 7 de Setembro, data da Independência do Brasil, e o 15 de Novembro, Proclamação da República. Datas e personagens são importantes para que se dê brasilidade ao povo, pois o mesmo precisa de heróis como a história fez de D. Pedro e Marechal Deodoro da Fonseca para criar um sentiment de nacionalismo.
Quando do segundo reinado a nação passou por algumas modificações em sua sociedade, pois não mais a decadente oligarquia canavieira dava as diretrizes, uma vez que surgia a força dos barões do café e também, com a extinção do tráfico negreiro e a imigração, da nascente indústria brasileira. Mudou-se as ideias que regiam a política nacional, sendo as novas pensamentos burgueses que estavam de acordo com os industriais e os coronéis, sem contar com a alavancada do urbanismo.
A Proclamação da República é um fato que exemplifica perfeitamente os moldes da construção do Estado brasileiro e mostra que desde o tempo de colônia a estrutura político-social continua a mesma. Durante as mudanças de oligarquia sentiu-se o poder imperial se desestabilizar, uma vez que a aristocracia canavieira era quem o tinha consolidado e dava a sua base, perdendo de vez esse suporte com a abolição da escravatura no ano de 1888.
Inimigos também da monarquia era a crescente classe urbana que se favorecia do setor nascente industrial e buscava mais espaço para dilatar-se tanto política como economicamente, sendo este espaço negado pelos senhores de engenho que há tempo comandavam o Brasil, e também os barões do café que, para seus pedidos serem atendidos, precisavam da derrocada no poder dos canavieiros. Todas essas questões moveram o centro político de vez para o sudeste, deixando o decadente nordeste da cultura da cana-de-açúcar.
O 15 de Novembro de 1888 aconteceu por uma série de fatores que não tem ligação alguma com o necessário para a população, pelo contrário é uma mudança rasa para uma melhor adequação do poder político na mão de uma nova oligarquia, mantendo os habitantes comuns longe do poder e do acesso a conquistas de fato, mantendo-os alienados, isto se torna claro através do estudo dos partidos políticos da época, já que os mesmos não defendiam ideologia alguma, mas sim brigavam pela influência no governo.
São eleitos heróis nacionais sujeitos que não lutarão pelos ideais realmente brasileiros, ao invés disso, através da ideologia, fizeram das suas aspirações ao poder e totalmente descomprometidas com a nação brasílica a imagem do querer do Brasil e infelizmente, ainda hoje, tem-se no cenário nacional devoção por indivíduos que buscam apenas suas vontades sem considerar o bem comum e dificilmente são louvados os que realmente procuram o melhor para o povo. Seja bem vinda Nova República Velha

sábado, 4 de janeiro de 2014

Partidarismo e Falta de Ideologia


A palavra evolução significa progresso, transformação e por vezes é possível ouvir e/ou ler essa expressão sendo utilizada para representar a consequência de processos políticos, sendo os mesmo, como defendido em muitos meios e grupos, a causa do melhoramento do que há no Brasil. Interessante que se vive hoje um regime totalmente partidarista, mas esse, partidos, não nascem com o advento da República, sendo existentes e ativos desde a época do Império.
Durante o governo de D. Pedro II o Brasil dividia-se, principalmente, em dois partidos, os Liberais e os Conservadores, vigorando o sistema Parlamentarista, entretanto avesso aos moldes comuns e por isso denominado “Parlamentarismo às Avessas”. Para compor o ministério e a câmara os partidos políticos brigavam entre si, mas apenas para ter a posse do poder e não por questões ideológicas e de convicções, exemplo de que isto é verídico foi o período de Conciliação (1853-1858), aonde se instalou o unipartidarismo, uma vez que as facções eram semelhantes entre si.
Mesmo com o fim do período de unipartidarismo e com o advento do Partido Republicano não se mudou a situação da política nacional sendo possível ainda notar-se a falta de bandeiras ideológicas, sendo sempre almejado o poder para benefício próprio ou de uma elite excluindo deste modo a massa populacional, que é a força motriz da nação.
A história brasílica retrata algumas mudanças quanto às questões partidárias como a proibição de alguns partidos durante a Era Vargas, o período de Conciliação acima relatado, o bipartidarismo durante a ditadura civil-militar instaurada em 64, sendo este último o de maior defesa ideológica entre todos, já que opunha duas correntes de ideias, pró e contra o governo, e os respectivos partidos, ARENA e MDB, defendiam seus baluartes.
Atualmente vê-se a mesma configuração do período do Segundo Reinado e também que a história brasileira retrata: a falta de ideais dos partidos. É impossível perceber-se a diferença de ideologias e correntes de pensamentos entre os grupos políticos nacionais. Têm-se hoje no poder uma facção que sempre lutou contra o modo que a mesma está a governar, sem cumprir com as propostas e bandeiras que a elegeu, sendo irreconhecível aos olhos da população e dos militantes que permaneceram fieis as bases.
As discussões políticas em nada diferem em discursos, simplificou-se em troca de provocações e acusações, até mesmo o que deveria ser a extrema esquerda nacional está totalmente fragmentada, demostrando assim a falta de união ideológica, objetivando somente o poder. O maior expoente dessa busca apenas pelo poder são as coligações,    que reúnem partidos diferentes como se fosse um só para ter maior possibilidade de assumir o poder.

A República brasileira não é do povo e sim partidária e, infelizmente, essas facções não se mostram em sintonia com aqueles que deveriam representar. Passaram-se anos e até mesmo séculos, entretanto a evolução na estrutura política nacional em nada se modificou, mantendo-se totalmente oligárquica, descompromissada com o povo e corruptível. Enquanto o Brasil conviver pacificamente com essa organização o país estará fadado a ser refém de personagens desprovidos de comprometimento com o que realmente é melhor para o país.

Mitologia Grega: Nascimento do Antropocentrismo


Os séculos XVII e XVIII foram marcados pelo Renascimento Cultural e o Iluminismo. Ambos movimentos foram caracterizados pelo antropocentrismo e a volta da valorização do pensamento grego que, durante a Idade Média, estava renegado à lista de proibições de leitura e estudo dentro dos mosteiros católicos.
Durante o Renascimento as ideias que foram elaboradas e discutidas na Grécia Antiga como as questões políticas, formas de governo, estética, arte, desenvolvimento científico, organização social, dentre outras, foram reavivadas (daí o nome Renascimento - renascer dos ideais gregos), entretanto devido aos séculos de diferenças e as mudanças de conceitos o século XVII e XVIII as resgataram com algumas diferenças.
Entre as diferenças conceituais e do ressurgimento das ideias é interessante abordar a tendência antropocentrista que se desenvolveu durante o período dessas mudanças de pensamentos. Como já é amplamente conhecido, a Grécia Antiga foi uma civilização politeísta e deixou como herança esse aspecto, como outros, para o Império Macedônio e o Romano e dentro dele pode-se perceber o nascer do que teria seu ápice como tendência racional durante o Iluminismo, a disposição do homem e seu intelecto no centro do mundo.
A religião grega tem seu diferencial pela não dependência dos seres humanos quanto aos deuses. Os homens pediam, no máximo, ajuda, mas a sua vida não era vinculada diretamente a vontade divina e suas oferendas mais serviam como “política da boa vizinhança” para evitar qualquer tipo de conflito do que um ato de um sujeito subalterno. Na Idade Antiga, período que vai da invenção da escrita até a queda do Império Romano Ocidental, não se via o mundo sem que houvesse deuses, sendo inconcebível a ideia ateísta nesse período, entretanto é possível perceber por essa dispensabilidade de divindade uma das precursoras dos ideais antropocentristas que banharam a Europa durante o Iluminismo.
Interessante observar a afeição dispensada aos humanos e as características físicas e psicológicas dos deuses. A mitologia grega é repleta de semi-deuses, seres fruto de paixões entre deuses e homens, demonstrando assim a atração, nada comum em outras civilizações, dos seres divinos aos meros mortais. Além dessa atração é possível perceber sentimentos e reações humanas como amor, ódio, vingança, fúria, erros, arrependimento, entre outras no cotidiano do Olimpo.
Outro ponto importante é a vida “desregrada” que viviam os gregos, tendo como maior exemplo as descrições dos soldados romanos. Após o contato com os gregos o exército que era o mais rápido e disciplinado passou a requerer os prazeres carnais e não está tão ligado a disciplina, fazendo até mesmo que surgisse os bordéis na cidade romana, algo que não era comum e ia em desacordo com a religião antiga da cidade eterna e com essa mudança de hábitos foi adotado o molde da religião grega, trocando apenas o nome dos deuses. 
É necessário para esta pequena análise relevar também o aspecto dependente dos deuses aos seres humanos, uma vez que os habitantes do Olimpo necessitavam das preces e orações mortais para manter seu poder e imortalidade. Este ponto é fundamental para observar o caráter antropocentrista, elevando o homem a um nível maior do que o das divindades.
A mitologia faz parte da cultura grega e como tal é um dos expoentes do desenvolvido pensamento dessa civilização. Embora a sociedade atual não acredite e/ou cultue os deuses do Olimpo a essência de toda a mitologia ainda está viva no cotidiano e revolucionou o pensamento moderno, trazendo consigo a força para o avanço científico em áreas diversas.


ESCRAVISMO AFRICANO NO BRASIL


A questão dos africanos no Brasil é bastante delicada e sua compreensão só é possível com o entendimento de fatores intrínsecos a política, a religião e, como defenderia Marx, principalmente a economia.  É importante destacar que no período de 1500 Portugal estava em plena ascensão e tinha comércio estabelecido com as Índias de Castela, da onde retirava uma boa margem de lucros da venda de especiarias, e também tinha as colônias africanas que lhes dava grande lucro com a venda de escravos, sendo este, Portugal, o primeiro país a ter experiência com a escravização negra e seu tráfico.
A escravidão negra no Brasil foi tardia, pois se tinha primeiramente a indígena. Esta última não deu certo devido a problemas com adaptação ao trabalho sob pressão e forçado, sendo comparado um 1 negro a 4 índios, e a pressão da igreja católica, na colônia sendo representada pelos jesuítas, contra a mão de obra indígena. O problema de recursos humanos para o trabalho braçal sempre preocupou os colonos que a partir de 1530, com a fundação das primeiras vilas, pediam, insistentemente, à Metrópole para enviar-lhes escravos africanos, pois os autóctones, que no início trabalhavam com o sistema de trocas e mais tarde foram escravizados, não produziam de modo satisfatório.
O trabalho escravo era a base do colonialismo e sem tal os colonos não conseguiam desenvolver o seu “trabalho”, a exploração da nova terra, por isso haver tanta petição à Metrópole quanto a vinda de escravos, porém para Portugal não havia rendimentos em alimentar o comércio escravocrata brasileiro, pelo contrário, era muito mais lucrativo negociar com as colônias espanholas, sendo a iniciativa portuguesa os primeiros a exportarem escravos a esse mercado, e investir no comércio com as Índias do que mandar mão de obra negra para o Brasil. Os pedidos só foram atendidos no ano de 1550, quando foi mandado a primeira leva de escravos africanos para o Brasil, mais específico em Salvador, porém apenas em 1559 foi concedido a negociação às novas terras através de um alvará.
O comércio escravo com a nascente indústria açucareira no Brasil só começou após a proibição do tráfico com as Índias de Castela e foi incentivado e feito pela iniciativa particular, porque se dependesse do governo português não ocorreria, mas mesmo com a proibição o destino dos escravos continuava, na sua maioria, às Índias de Castela.
Com a descoberta das Minas Gerais o problema de falta de mão de obra tornou-se ainda maior, pois os escravos abandonaram as fazendas para servir no sudeste, deixando assim sem a mão de obra necessária estados como o da Bahia e o de Pernambuco.
Com a decaída das Minas foi necessário alforriar muitos escravos, pois davam mais prejuízo e não tinham campo para produzir. A vida útil de um escravo não era muito longa, o que também dificultava o lucro devido à necessidade de haver sempre uma renovação de material humano. É importante destacar que a alforria desses escravos aconteceu em velocidades distintas dependendo do lugar da onde estavam e do modo de trabalho das fazendas onde trabalhavam.

Essa base do escravismo africano no Brasil gerou consequências que até hoje são sentidas e o que foi acima relatado regeu o destino até a abolição da escravatura em 1888, não sendo este fato simplesmente um ocorrido isolado na história nacional. Para entender as questões culturais e sociais que envolvem os negros atualmente é necessário que se perceba todo o processo de escravidão e de alforria, sendo os mesmo transcendentes ao Brasil. 

Consciência Negra e Valorização Cultural


É notório a multiculturalidade existente no território brasileiro, sendo esta marca registrada e imagem exportada. A formação sociocultural da nação brasílica é originada de, praticamente, todos os continentes, sendo público a imigração de europeus de vários países, asiáticos e também a importação de africanos para a mão-de-obra, esse conjunto compondo o que hoje pode ser considerado como brasiliense.
Dia 20 de Novembro é considerado o dia Nacional da Consciência Negra e também o dia dedicado a Zumbi dos Palmares, líder do maior Quilombo que existiu no Brasil, situado no nordeste, mais especificamente na Serra da Barriga, na antiga capitania de Pernambuco, atual estado de Alagoas e que foi trucidado pela expedição liderada por Domingos Jorge Velho após muitas investidas do governo. Frente ao contexto cultural brasílico é essencial a participação dos negros na formação da identidade nacional, uma vez que grande contribuição deu para a produção daquilo que realmente tem raiz dentro do território nacional.
Aos olhos das outras nações, e muitas vezes ouve-se queixas internas sobre isso, a figura do Brasil tornou-se, dentro do contexto cultural, apenas mulheres bonitas semi-nuas, carnaval, futebol, samba, bossa nova, capoeira, praia, entre outros expoentes que são marca registrada daquilo que é ser brasileiro. Interessante observar que dos fatores acima citados na maioria a influência negra exerce ampla força e seu influxo é determinante para tais traços.
Em variadas ocasiões é possível presenciar objeções quanto ao que o Brasil exporta referente à imagem nacional, entretanto é necessário que haja uma reorganização de pensamento através de uma reflexão histórico-cultural e perceba-se que esses traços culturais são aqueles realmente nascidos no seio da nação brasílica, sendo os mesmo os grandes diferenciais entre a cultura dos demais países. É bem verdade que dentro do território brasileiro existem muitas outras manifestações, entretanto são muito semelhantes principalmente as europeias e algumas tem proximidade com as feições da América hispânica, sendo a influência negra diferenciada, uma vez que gerou-se através do sincretismo manifestações realmente brasileiras.
Ainda, atualmente existem espalhadas pelo interior do Brasil comunidades Quilombolas, comunidades de negros que tentam manter os traços culturais característicos, entretanto sofrem com o auto-preconceito e o menosprezo do restante da população, sem contar com a carência de uma educação de qualidade e acesso satisfatório a saúde, dentre outros aspectos que é função do Estado. Dentro dessas comunidades preserva-se a religião e o estilo de lideranças dos antigos Quilombos, buscando o louvor da vida com as particularidades do negro.
O influxo negro dentro da cultural brasileira é inegável e deve ser valorizado, pois é a corrente que com mais força deu a cara aos aspectos considerados nacionais. A exclusão social que os africanos e seus descendentes sofreram e, infelizmente, ainda sofrem, exemplo disso são as comunidades quilombolas, não migrou para os aspectos cultos, sendo os mesmo altamente louvados atualmente. Que o Brasil possa realmente valorizar aquilo que lhe pertence e aqueles a quem deve a sua multiculturalidade, que faz essa nação ímpar entre todas as outras.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Emancipação de Mafra


As cidades de Rio Negro e Mafra têm em comum a sua formação sendo conhecidas, não por acaso, como cidades irmãs. A estruturação de ambas tem o seu início com a construção da Estrada da Mata liderada pelo Sargento Mor João da Silva Machado, mais tarde Barão de Antonina, e com os acampamentos e formações de vilas dos trabalhadores desta obra na margem esquerda do Rio Negro, hoje Mafra. Entretanto, com o decorrer do tempo, não mais continuou assim a constituição das cidades, uma vez que a margem direita, atual cidade de Rio Negro, salta à frente em desenvolvimento político-econômico.
Como já citado acima um dos principais personagens da história de RioMafra é o Barão de Antonina, na época Sargento Mor João da Silva Machado. Este gaúcho da vila de Taquari iniciou a sua vida como alfaiate, entretanto com o seu temperamento logo passou a exercer trabalhos como capataz e como tropeiro, o que lhe fez enriquecer e ganhar prestígio a ponto de poder ter força de aprovar seu projeto da Estrada da Mata.
Durante o ano de 1853 “Bom Jesus do Rio Negro” foi elevado à Freguesia da “Villa Nova do Príncipe”, hoje cidade da Lapa, em 1859 a capela passou da Margem direita para a esquerda do rio e em 1870 criou-se o Município de Rio Negro. Mesmo aonde atualmente é a cidade de Mafra tenha sido primeiramente povoada, as terras da atual Rio Negro sofreram bem mais investimentos devido a proximidade das cidades que já haviam na época como Lapa e Curitiba. Se o centro administrativo estivesse ao lado que hoje pertence a Santa Catarina dificultaria a ligação a esses centros político-econômicos.
Onde atualmente é Mafra ficou fora do Perímetro Urbano do novo município, sendo utilizada apenas para lugar de descanso e alimentação das tropas e dos animais. A área que deu início a toda a construção das cidades foi fadada a ser apenas uma localidade sem muita importância política, econômica ou mesmo social, sendo até mesmo os arquivos passados para a margem desenvolvida.
A sorte da margem onde se situa Mafra atualmente começou a mudar com a ponte rodoviária que ligava os dois lados do rio e a estação de estrada de ferro que ligava São Francisco a Porto União, a partir de então começou a desenvolver-se a terra que antes ficava obscurecida pela margem oposta.
Outro fator de destaque para a aceleração do desenvolvimento mafrense foi, antes mesmo da ponte e da ferrovia, a chegada dos imigrantes bucovinos. Estes vindos da Baviera tomaram como lar o território e passaram a trabalhar em prol do crescimento de suas propriedades.

O reconhecimento como município só veio no ano de 1917 com privilégios de cidade e começando a moldar-se o que atualmente existe. O desenvolvimento da antes esquecida margem do rio foi crescente e continua a haver até a atualidade. 

Halloween e Subordinação Cultural


Dia 31 de Outubro é comemorado o Halloween, festa esta importada dos EUA e que nada tem em comum com a história nacional. Por praticamente todo território brasileiro há festas e bailes em recordação a essa data estadunidense e em muitas cidades até mesmo há de se ver crianças saindo fantasiadas às ruas batendo de porta em porta com a frase “doces ou travessuras” na ponta da língua.
Cultura pode ser entendida como tudo aquilo que caracteriza um povo, os traços únicos do mesmo. Esse termo nasce na Alemanha e tinha como objetivo estabelecer o padrão que todos ou outros países deveriam seguir de pensamento e ciência, uma vez que os germânicos acreditavam ter as ideias mais desenvolvidas do que a de seus vizinhos de continente.
A questão de superioridade étnica e/ou nacional foi motivo dos grandes conflitos mundiais ocorridos no século XX e atualmente não são muito difundidas essas ideias abertamente, chegando a julgar-se absurdo que ainda existam no cenário mundial. Entretanto no dia 31 de Outubro pode se ver um exemplo de como não se foi esse ideal de primazia pátria. A diferença é que por métodos ideológicos não é possível perceber, sem uma reflexão mínima que seja, os traços dessa invasão, não humana-militar, mas no imaginário popular, buscando-se, como os pensadores teutônicos queriam, uma uniformidade, uma globalização cultural.
A história do Brasil e sua subordinação cultural aos EUA pode-se datar de 1889 quando se toma o exemplo norte-americano para proclamar-se a República e os maiores expoentes do mesmo é o nome que foi dado ao país, passando a se chamar “Estados Unidos do Brasil”, e a bandeira nacional que era semelhante a estadunidense modificando praticamente apenas as cores. 
Há dentro do território brasileiro grande diversidade de datas importantes e que realmente fizeram a diferença na formação nacional, alterando o destino dos filhos desse chão, como o “Dia a Bandeira”, a “Abolição da Escravatura”, a “Proclamação da República” entre outras datas que se fizeram marcantes na história e até mesmo festejos populares como o carnaval e o “Dia da Consciência Negra”. Muito dos cidadãos que sofrem com as lamúrias que a nação brasileira é digna e que também usufruem das belezas e da mercê dispensada pela “mãe gentil” não tem em sua memória registro de dias que tornaram o Estado brasílico o que é e até mesmo os criticam não dando o devido valor, mas está sempre a postos para louvar aquilo que vem dos outros países e inferiorizar a pátria que o acolhe, sendo tudo isto notado dentro dos ambientes educacionais que, por exemplo, festejam o Halloween e negligenciam o Carnaval.
Sofre-se atualmente dentro do território nacional grande influência, principalmente estadunidense quanto à cultura e deixa-se de lado traços nativos. O estudo das ciências humanas, principalmente a história, exalta o caminho trilhado pelas nações do velho continente em detrimento da brasílica e enquanto isso ocorrer o Brasil estará fadado à dependência externa e a não autovalorização. Que a garra e força desse povo que se mostrou tantas vezes em prol da independência político-econômica possa se mostrar, desta feita, em prol da independência cultural e do autolouvor para que se haja evolução e desenvolvimento nos traços belos que ornam o país.

“Terra adorada entre outras mil és tu Brasil, óh pátria amada. Dos filhos desse solos és mãe gentil pátria amada BRASIL!”