A questão dos africanos no
Brasil é bastante delicada e sua compreensão só é possível com o entendimento
de fatores intrínsecos a política, a religião e, como defenderia Marx,
principalmente a economia. É importante
destacar que no período de 1500 Portugal estava em plena ascensão e tinha
comércio estabelecido com as Índias de Castela, da onde retirava uma boa margem
de lucros da venda de especiarias, e também tinha as colônias africanas que
lhes dava grande lucro com a venda de escravos, sendo este, Portugal, o
primeiro país a ter experiência com a escravização negra e seu tráfico.
A escravidão negra no Brasil
foi tardia, pois se tinha primeiramente a indígena. Esta última não deu certo
devido a problemas com adaptação ao trabalho sob pressão e forçado, sendo
comparado um 1 negro a 4 índios, e a pressão da igreja católica, na colônia
sendo representada pelos jesuítas, contra a mão de obra indígena. O problema de
recursos humanos para o trabalho braçal sempre preocupou os colonos que a
partir de 1530, com a fundação das primeiras vilas, pediam, insistentemente, à
Metrópole para enviar-lhes escravos africanos, pois os autóctones, que no início
trabalhavam com o sistema de trocas e mais tarde foram escravizados, não
produziam de modo satisfatório.
O trabalho escravo era a
base do colonialismo e sem tal os colonos não conseguiam desenvolver o seu
“trabalho”, a exploração da nova terra, por isso haver tanta petição à
Metrópole quanto a vinda de escravos, porém para Portugal não havia rendimentos
em alimentar o comércio escravocrata brasileiro, pelo contrário, era muito mais
lucrativo negociar com as colônias espanholas, sendo a iniciativa portuguesa os
primeiros a exportarem escravos a esse mercado, e investir no comércio com as
Índias do que mandar mão de obra negra para o Brasil. Os pedidos só foram
atendidos no ano de 1550, quando foi mandado a primeira leva de escravos
africanos para o Brasil, mais específico em Salvador, porém apenas em 1559 foi
concedido a negociação às novas terras através de um alvará.
O comércio escravo com a
nascente indústria açucareira no Brasil só começou após a proibição do tráfico
com as Índias de Castela e foi incentivado e feito pela iniciativa particular,
porque se dependesse do governo português não ocorreria, mas mesmo com a
proibição o destino dos escravos continuava, na sua maioria, às Índias de
Castela.
Com a descoberta das Minas
Gerais o problema de falta de mão de obra tornou-se ainda maior, pois os
escravos abandonaram as fazendas para
servir no sudeste, deixando assim sem a mão de obra necessária estados como o
da Bahia e o de Pernambuco.
Com a decaída das Minas foi
necessário alforriar muitos escravos, pois davam mais prejuízo e não tinham
campo para produzir. A vida útil de um escravo não era muito longa, o que
também dificultava o lucro devido à necessidade de haver sempre uma renovação
de material humano. É importante destacar que a alforria desses escravos
aconteceu em velocidades distintas dependendo do lugar da onde estavam e do
modo de trabalho das fazendas onde trabalhavam.
Essa base do escravismo
africano no Brasil gerou consequências que até hoje são sentidas e o que foi
acima relatado regeu o destino até a abolição da escravatura em 1888, não sendo
este fato simplesmente um ocorrido isolado na história nacional. Para entender
as questões culturais e sociais que envolvem os negros atualmente é necessário
que se perceba todo o processo de escravidão e de alforria, sendo os mesmo transcendentes
ao Brasil.

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