sábado, 4 de janeiro de 2014

ESCRAVISMO AFRICANO NO BRASIL


A questão dos africanos no Brasil é bastante delicada e sua compreensão só é possível com o entendimento de fatores intrínsecos a política, a religião e, como defenderia Marx, principalmente a economia.  É importante destacar que no período de 1500 Portugal estava em plena ascensão e tinha comércio estabelecido com as Índias de Castela, da onde retirava uma boa margem de lucros da venda de especiarias, e também tinha as colônias africanas que lhes dava grande lucro com a venda de escravos, sendo este, Portugal, o primeiro país a ter experiência com a escravização negra e seu tráfico.
A escravidão negra no Brasil foi tardia, pois se tinha primeiramente a indígena. Esta última não deu certo devido a problemas com adaptação ao trabalho sob pressão e forçado, sendo comparado um 1 negro a 4 índios, e a pressão da igreja católica, na colônia sendo representada pelos jesuítas, contra a mão de obra indígena. O problema de recursos humanos para o trabalho braçal sempre preocupou os colonos que a partir de 1530, com a fundação das primeiras vilas, pediam, insistentemente, à Metrópole para enviar-lhes escravos africanos, pois os autóctones, que no início trabalhavam com o sistema de trocas e mais tarde foram escravizados, não produziam de modo satisfatório.
O trabalho escravo era a base do colonialismo e sem tal os colonos não conseguiam desenvolver o seu “trabalho”, a exploração da nova terra, por isso haver tanta petição à Metrópole quanto a vinda de escravos, porém para Portugal não havia rendimentos em alimentar o comércio escravocrata brasileiro, pelo contrário, era muito mais lucrativo negociar com as colônias espanholas, sendo a iniciativa portuguesa os primeiros a exportarem escravos a esse mercado, e investir no comércio com as Índias do que mandar mão de obra negra para o Brasil. Os pedidos só foram atendidos no ano de 1550, quando foi mandado a primeira leva de escravos africanos para o Brasil, mais específico em Salvador, porém apenas em 1559 foi concedido a negociação às novas terras através de um alvará.
O comércio escravo com a nascente indústria açucareira no Brasil só começou após a proibição do tráfico com as Índias de Castela e foi incentivado e feito pela iniciativa particular, porque se dependesse do governo português não ocorreria, mas mesmo com a proibição o destino dos escravos continuava, na sua maioria, às Índias de Castela.
Com a descoberta das Minas Gerais o problema de falta de mão de obra tornou-se ainda maior, pois os escravos abandonaram as fazendas para servir no sudeste, deixando assim sem a mão de obra necessária estados como o da Bahia e o de Pernambuco.
Com a decaída das Minas foi necessário alforriar muitos escravos, pois davam mais prejuízo e não tinham campo para produzir. A vida útil de um escravo não era muito longa, o que também dificultava o lucro devido à necessidade de haver sempre uma renovação de material humano. É importante destacar que a alforria desses escravos aconteceu em velocidades distintas dependendo do lugar da onde estavam e do modo de trabalho das fazendas onde trabalhavam.

Essa base do escravismo africano no Brasil gerou consequências que até hoje são sentidas e o que foi acima relatado regeu o destino até a abolição da escravatura em 1888, não sendo este fato simplesmente um ocorrido isolado na história nacional. Para entender as questões culturais e sociais que envolvem os negros atualmente é necessário que se perceba todo o processo de escravidão e de alforria, sendo os mesmo transcendentes ao Brasil. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário