quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O Brasil hoje e a visão para 2018

A situação no Espírito Santo segue delicada e o medo toma conta das ruas, pelo menos é isso que a mídia mostra. No Rio de Janeiro durante as primeiras horas de sexta também houve apreensão sobre a possível paralisação da PM fluminense.
Enquanto acompanhava a minha mãe na espera por atendimento médico numa clínica de Ponta Grossa, o jornal Bom Dia Brasil insistentemente passava que os PMs do Rio estavam trabalhando normalmente. É interessante como que a imagem do medo se propaga com uma velocidade incrível.
Vivemos atualmente numa sociedade que não inspira segurança, moramos em Ponta Grossa e percebemos que a violência e a falta de respeito à propriedade, não por uma questão ideológica, e ao sujeito aumentam a cada dia. Qual é a lógica em que vivemos?
Frente a toda essa insegurança parece que as falas do Bolsonaro ganham ainda mais efeito, a truculência vai ganhando silhueta de segurança e a população parece se encaminhar a aceitar governos autoritários em busca de que a vida cotidiana possa ter a paz que hoje se apresenta como nostálgica.
É interessante pensar no futuro político do Brasil. Será que realmente Bolsonaro se fortalece para 2018? Ele perdeu as eleições para a presidência da Câmara Federal de maneira vexatória. Mas esse evento é passível de reflexões importantes sobre a figura do deputado carioca.
Em primeiro lugar creio que devemos notar que esta perda apenas fortalece o seu discurso amplamente moralista. Afinal, ele foi eleito pelo povo e não tem os votos dos políticos corruptos, mantendo assim a imagem que parece está sendo construída de o único, ou um dos únicos, políticos livres do mal da corrupção.
Outro fator interessante é ele ter tomado a atitude de se candidatar sem dialogar com o PSC, seu atual partido, deste modo não obtendo os votos nem mesmo dos próprios correligionários. É outro traço que vem se confirmando na imagem de Bolsonaro, suas atitudes personalistas.
Alguns afirmam que ele seria o Trump brasileiro, creio que não. Embora ambos ganhem espaço levantando discussões que estão no cotidiano dos cidadãos de seus respectivos países, Trump tem mais bagagem na questão administrativa, além de ter a base de um partido forte que o apoia, não completamente, mas o apoia e o possibilita governar.
Já Bolsonaro não tem nem essa experiência, nem mesmo partido forte na Câmara e Senado. Creio, na verdade, que se ele chegar a ganhar será parecido com Jânio Quadros na década de 1960. Continuará com os apelos moralistas e com a falta de diálogo com a classe política, deste modo, seguindo uma linha coerente, mas impossibilitando que seu governo flua. Desta maneira, creio que só lhe restará três opções: renúncia; impedimento arquitetado pelo congresso; ou um governo através de decretos.
Mas esse problema não é apenas do candidato à direita, Ciro Gomes é outro político que tem dificuldades sabidas em seus relacionamentos por ser bastante intransigente com suas ideias, o que, consequentemente, lhe geraria dificuldades de governar o país. O que lhe diferencia de Bolsonaro é o apelo populista e também que as ideias da direita estão em alta enquanto a esquerda segue decaindo na opinião pública geral.
Dória, prefeito de São Paulo, parece ser um dos principais nomes se despontando como candidato à presidência em 2018. Mesmo, a meu ver, o favoritismo pesando para Alckmin, creio que se Dória, continuar assim, conseguirá conjugar tanto as ideias de direita que tem crescido, quanto o apelo moralista anticorrupção por não ser político de profissão, e também a articulação política por fazer parte de um partido maior, fora a experiência da administração pública, na prefeitura da maior cidade do país, e seu sucesso na iniciativa privada que pode lhe pesar devido à, tão falada, crise econômica.
O Brasil segue em construção e as crises são as melhores oportunidades de reflexão e mudança. Espero que consigamos aproveitar esse período difícil que estamos passando para perceber que os maiores problemas nacionais não estão nos indivíduos, somente, mas também na organização da cultura política do Brasil, assim bem como na estrutura do Estado. 
Publicado na Coluna Resenha de Domingo do site Cultura Plural, 14/02/2017. 
http://www.culturaplural.com.br/o-brasil-hoje-e-a-visao-para-2018-1#.WKWCntylzIU

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