sábado, 4 de janeiro de 2014

Mitologia Grega: Nascimento do Antropocentrismo


Os séculos XVII e XVIII foram marcados pelo Renascimento Cultural e o Iluminismo. Ambos movimentos foram caracterizados pelo antropocentrismo e a volta da valorização do pensamento grego que, durante a Idade Média, estava renegado à lista de proibições de leitura e estudo dentro dos mosteiros católicos.
Durante o Renascimento as ideias que foram elaboradas e discutidas na Grécia Antiga como as questões políticas, formas de governo, estética, arte, desenvolvimento científico, organização social, dentre outras, foram reavivadas (daí o nome Renascimento - renascer dos ideais gregos), entretanto devido aos séculos de diferenças e as mudanças de conceitos o século XVII e XVIII as resgataram com algumas diferenças.
Entre as diferenças conceituais e do ressurgimento das ideias é interessante abordar a tendência antropocentrista que se desenvolveu durante o período dessas mudanças de pensamentos. Como já é amplamente conhecido, a Grécia Antiga foi uma civilização politeísta e deixou como herança esse aspecto, como outros, para o Império Macedônio e o Romano e dentro dele pode-se perceber o nascer do que teria seu ápice como tendência racional durante o Iluminismo, a disposição do homem e seu intelecto no centro do mundo.
A religião grega tem seu diferencial pela não dependência dos seres humanos quanto aos deuses. Os homens pediam, no máximo, ajuda, mas a sua vida não era vinculada diretamente a vontade divina e suas oferendas mais serviam como “política da boa vizinhança” para evitar qualquer tipo de conflito do que um ato de um sujeito subalterno. Na Idade Antiga, período que vai da invenção da escrita até a queda do Império Romano Ocidental, não se via o mundo sem que houvesse deuses, sendo inconcebível a ideia ateísta nesse período, entretanto é possível perceber por essa dispensabilidade de divindade uma das precursoras dos ideais antropocentristas que banharam a Europa durante o Iluminismo.
Interessante observar a afeição dispensada aos humanos e as características físicas e psicológicas dos deuses. A mitologia grega é repleta de semi-deuses, seres fruto de paixões entre deuses e homens, demonstrando assim a atração, nada comum em outras civilizações, dos seres divinos aos meros mortais. Além dessa atração é possível perceber sentimentos e reações humanas como amor, ódio, vingança, fúria, erros, arrependimento, entre outras no cotidiano do Olimpo.
Outro ponto importante é a vida “desregrada” que viviam os gregos, tendo como maior exemplo as descrições dos soldados romanos. Após o contato com os gregos o exército que era o mais rápido e disciplinado passou a requerer os prazeres carnais e não está tão ligado a disciplina, fazendo até mesmo que surgisse os bordéis na cidade romana, algo que não era comum e ia em desacordo com a religião antiga da cidade eterna e com essa mudança de hábitos foi adotado o molde da religião grega, trocando apenas o nome dos deuses. 
É necessário para esta pequena análise relevar também o aspecto dependente dos deuses aos seres humanos, uma vez que os habitantes do Olimpo necessitavam das preces e orações mortais para manter seu poder e imortalidade. Este ponto é fundamental para observar o caráter antropocentrista, elevando o homem a um nível maior do que o das divindades.
A mitologia faz parte da cultura grega e como tal é um dos expoentes do desenvolvido pensamento dessa civilização. Embora a sociedade atual não acredite e/ou cultue os deuses do Olimpo a essência de toda a mitologia ainda está viva no cotidiano e revolucionou o pensamento moderno, trazendo consigo a força para o avanço científico em áreas diversas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário