Os séculos XVII e XVIII
foram marcados pelo Renascimento Cultural e o Iluminismo. Ambos movimentos
foram caracterizados pelo antropocentrismo e a volta da valorização do
pensamento grego que, durante a Idade Média, estava renegado à lista de
proibições de leitura e estudo dentro dos mosteiros católicos.
Durante o Renascimento as
ideias que foram elaboradas e discutidas na Grécia Antiga como as questões
políticas, formas de governo, estética, arte, desenvolvimento científico,
organização social, dentre outras, foram reavivadas (daí o nome Renascimento -
renascer dos ideais gregos), entretanto devido aos séculos de diferenças e as
mudanças de conceitos o século XVII e XVIII as resgataram com algumas
diferenças.
Entre as diferenças conceituais
e do ressurgimento das ideias é interessante abordar a tendência
antropocentrista que se desenvolveu durante o período dessas mudanças de
pensamentos. Como já é amplamente conhecido, a Grécia Antiga foi uma
civilização politeísta e deixou como herança esse aspecto, como outros, para o
Império Macedônio e o Romano e dentro dele pode-se perceber o nascer do que
teria seu ápice como tendência racional durante o Iluminismo, a disposição do
homem e seu intelecto no centro do mundo.
A religião grega tem seu
diferencial pela não dependência dos seres humanos quanto aos deuses. Os homens
pediam, no máximo, ajuda, mas a sua vida não era vinculada diretamente a
vontade divina e suas oferendas mais serviam como “política da boa vizinhança” para
evitar qualquer tipo de conflito do que um ato de um sujeito subalterno. Na
Idade Antiga, período que vai da invenção da escrita até a queda do Império Romano
Ocidental, não se via o mundo sem que houvesse deuses, sendo inconcebível a
ideia ateísta nesse período, entretanto é possível perceber por essa
dispensabilidade de divindade uma das precursoras dos ideais antropocentristas
que banharam a Europa durante o Iluminismo.
Interessante observar a
afeição dispensada aos humanos e as características físicas e psicológicas dos
deuses. A mitologia grega é repleta de semi-deuses, seres fruto de paixões
entre deuses e homens, demonstrando assim a atração, nada comum em outras
civilizações, dos seres divinos aos meros mortais. Além dessa atração é
possível perceber sentimentos e reações humanas como amor, ódio, vingança,
fúria, erros, arrependimento, entre outras no cotidiano do Olimpo.
Outro ponto importante é a
vida “desregrada” que viviam os gregos, tendo como maior exemplo as descrições
dos soldados romanos. Após o contato com os gregos o exército que era o mais
rápido e disciplinado passou a requerer os prazeres carnais e não está tão
ligado a disciplina, fazendo até mesmo que surgisse os bordéis na cidade
romana, algo que não era comum e ia em desacordo com a religião antiga da
cidade eterna e com essa mudança de hábitos foi adotado o molde da religião
grega, trocando apenas o nome dos deuses.
É necessário para esta
pequena análise relevar também o aspecto dependente dos deuses aos seres
humanos, uma vez que os habitantes do Olimpo necessitavam das preces e orações
mortais para manter seu poder e imortalidade. Este ponto é fundamental para
observar o caráter antropocentrista, elevando o homem a um nível maior do que o
das divindades.
A mitologia faz parte da
cultura grega e como tal é um dos expoentes do desenvolvido pensamento dessa
civilização. Embora a sociedade atual não acredite e/ou cultue os deuses do
Olimpo a essência de toda a mitologia ainda está viva no cotidiano e
revolucionou o pensamento moderno, trazendo consigo a força para o avanço
científico em áreas diversas.

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