quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Bem-Vindo ao passado!


Essa semana as redes sociais falaram muito da chegada de Mart McFly aos nossos dias. No filme ele chega a um futuro que, obviamente como vemos, não existe. As brincadeiras foram muitas durante toda a semana a cerca disso. Mas será que estamos no futuro? Não temos carros voadores, muito menos skates, nossas estradas estão bem no chão, nada parece tão futurístico no cotidiano das nossas vidas.
Ainda olhando as redes sociais outro evento, bem menos popular, diga-se de passagem, tem aparecido também: Escola Sem Partido. A ideia básica é deter a doutrinação, inclusive o lema do movimento é “Educação sem Doutrinação”, como fazer isso? Punindo!
Ditaduras do mundo inteiro se utilizaram muito disso, tanto as de direita quanto as de esquerda, mas parece que isso ficou no passado, ou será que estamos vivendo o passado?
Para quem visitar o site e olhar a bibliografia sugerida pelo movimento verá que A Escola Sem Partido, tem partido sim. Os guias politicamente incorretos estão lá nessa lista e, como é claro, não estão nem perto da imparcialidade. Tentei uma vez ler o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, mas se tornou uma missão quase impossível tamanho apelo anticomunista que ali é feito. Isso não é ser imparcial.
Durante o século XIX a História para se firmar como ciência tentou ter métodos que gerassem a objetividade, mas já todos temos noção que é impossível não haver subjetividade em tudo aquilo que fazemos, somos humanos, faz parte de nós.
A Igreja durante muito tempo queimou livros e os proibiu porque as pessoas se desviariam se os lessem. Hoje olhamos para trás e vemos que a maioria daqueles que estudaram e se colocaram contra a Igreja não deixaram de ser cristãos. Morreram como grandes nomes das ciências e artes e cristãos.
Estou em sala de aula já há alguns anos e dentro da lógica desse projeto é só eu ir com uma camisa do Chico Buarque, por exemplo, que no dia seguinte todos já sabem as músicas e o defendem como melhor artista nacional de todos os tempos; todos eles são Flamengo porque eu sou, enfim, todos eles pensam muito semelhante a mim, afinal tenho o Super Poder de domar a mente deles e transformá-los em zumbis a meu comando.
Não defendo que enquanto profissionais devamos fazer proselitismo, inclusive há uma equipe pedagógica responsável por evitar abusos em sala de aula, mas é impossível que eu deixe minhas paixões, sejam elas de qual ordem forem, do lado de fora da sala de aula porque nada, absolutamente nada, é imparcial. Pedi que um capitalista ensine comunismo com vontade e sendo imparcial é tão absurdo quanto o contrário.
Claro que professores tem influências em seus alunos, mas não os domesticam. Tive alunos que são a favor da volta do Regime Ditatorial nas bases daquele que vivemos entre 1964-1985, mesmo eu sendo contrário, alunos que são a favor da total militarização da polícia, mesmo eu sendo contra. É uma farsa essa ideia de não haver partido, é doutrinação à direita.
Devemos ter responsabilidade ao exercer nossa função em sala de aula, devemos sim gerar debates e ensinar nossos alunos a pensarem e a criticarem, sendo cidadãos de fato e praticando o respeito à variedade de pensamento, como prevê a Constituição e a LDB reafirma.
Acusar um professor de está doutrinando é um ato tão subjetivo quanto tomar partido. Voltar a amordaçar, excluir o debate dentro da escola é gerar pessoas “apolíticas”, e quando se é “apolítico” defende-se o status quo. Se nossos jovens não tiverem a escola para debater aonde surgirão as ideias? Precisamos já de uma reforma na nossa política, todos veem isso, mas para a Escola Sem Partido deve está confortável do jeito que está porque eximir nossos alunos da possibilidade de criticar é criar servos e não cidadãos.
Se Mart McFly chegou e está lendo esse artigo agora lamento informá-lo que aqui não é o futuro, é o passado. Bem-Vindo ao passado!



 Texto publicado 29/10/2015 no Jornal da Manhã

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Declare Guerra!


O cenário político do país não anda muito bem das pernas. Dilma e seus problemas com o TCU e o Congresso, já que distribuiu os ministérios e mesmo assim não conseguiu ter quórum para votar os vetos, Cunha e suas contas na Suíça, a classe política não inspira a mínima confiança para a população. É preciso as medidas de austeridade, mas elas não conseguem ser digeridas por uma sociedade cansada pelo sentimento de está pagando pelos erros de outros.
É a democracia... A minoria beneficia-se do acerto, mas também paga o erro da maioria. Mas o que me chama mais atenção é a aversão da população à política. Incrível como é caracterizado pelas pessoas como se fosse um lugar putrefato, sem salvação.
Uma música antiga do Barão Vermelho narra uma pessoa com quem tudo dá errado e perto do refrão ela, a música, diz: e pra piorar quem te governa não presta. Parece que essa voz é meio unânime em meio às crises variadas que o Brasil passa, desde a política, passando pela econômica e desaguando na social, esta ainda em sua gênese.
Creio que o que tanto os mais alinhados a esquerda quanto os círculos intelectuais nomeiam como uma onda conservadora vem desse afã de querer uma mudança, acabando por atirar para todos os lados na busca de uma saída.
Ano que vem haverá novas eleições, desta vez para os municípios, e é preciso que essa imagem de que política é algo que devamos manter distância se encerre de uma vez por todas. Enquanto quem tem boas ideias e que gostaria de fazer o melhor pela sociedade aonde vive está apenas olhando, quem só está interessado no poder e no enriquecimento se aproveita. Necessário é que se tome partido das causas que regem nosso cotidiano, não podemos mais julgar que a política não interfere na nossa vida (já ouvi isso inclusive de professor universitário!), não podemos alimentar esse paradigma.
A música do Barão explode no refrão dizendo: Declare Guerra a quem finge te amar, Declare Guerra! A vida anda ruim na aldeia. Sou um pacifista, creio que a violência gera um desiquilíbrio transformando a sociedade em refém do medo, mas Gandhi ficou para a história por declarar guerra também sem levantar armar alguma!
É preciso que haja renovação dentro da sociedade e que ideias novas e comprometidas com o bem comum possam encontrar guarida e força para crescerem, mostrar a diferença. Temos que nos envolver e procurar conhecer os meandros políticos, isso não é chato ou desnecessário, pelo contrário! Vivemos numa democracia e o governo emana do povo e é para o povo, infelizmente não é isso que temos acompanhado há algum tempo na nossa classe política.
Declare Guerra a quem finge te amar, aqueles que em campanhas e nos veículos de comunicação estão sempre dizendo bonitas palavras banhadas a demagogia e, não pegue em armas como algum líder sindical sugeriu, se conscientize! Mude que o seu entorno muda com a sua mudança!
A palavra República na sua origem quer dizer coisa pública então a façamos valer, começando o mais rápido possível nos espaços do nosso cotidiano. Ano que vem temos mais uma grande oportunidade de tomar partido e ajudar a eleger não uma pessoa ou conjunto de pessoas, no caso da câmara de vereadores, simplesmente, mas uma ideia para a nossa cidade, um projeto de governo que confiamos e acreditamos que poderá desenvolver nosso município e torna-lo melhor. Basta de nos acovardarmos de fazer parte da vida política que nos envolve e depois ficarmos reclamando sem dar sugestões e lutar por ideias diferentes das que nós não apoiamos. Declare Guerra!
Publicado no Jornal Diário dos Campos, 16/10

sábado, 15 de agosto de 2015

Nessas Encruzilhadas...

No Brasil dificilmente algo não termina em fila. Hoje estive encarando uma dessas que são comuns a todos que precisam alterar ou tirar documentação. Mas a fila tem algo de interessante, nela acabamos por escutar tantas conversas que nos mostram como está o pensamento/sentimento do povo, de uma maneira geral, sobre vários assuntos, seja ele o futebol, a economia, a política, assuntos pessoais e tantos outros.
E hoje foi um desses dias em que havia revolta popular expressa na fila. A começar por um senhor que reclamava do governo Dilma, mas não sabia se o mandato terminaria esse ano ou ano que vem, esse mesmo criticava as pessoas que votavam sem ter essa obrigação e, também, demonstrava desgosto profundo sobre nossos representantes executivos em todas as esferas de poder. Após ele muitas outras pessoas resolveram entrar na onda da crítica e deslancharam a reclamar da optometria e do voto, defendiam a extinção dos partidos e do voto obrigatório, causa que também sou partidário, embora esta defesa estivesse ocorrendo no momento por pura apatia política, e por aí adiante seguiram as queixas.
Depois dos portões abertos, não levei meia hora para resolver o problema.
Sei que a maioria dos serviços no nosso país são marcados pelo descaso e pela falta de preparo para os atendimentos, entretanto hoje percebi que não era o caso, mas mesmo assim as pessoas se puseram a reclamar. Estive pensando se essa reclamação é um ato relevante.
Sinto dificuldade de crer que cidadãos que não sabem nem mesmo a duração do mandato presidencial tem tido a responsabilidade para votar e para cobrar de seus representantes nas mais variadas esferas do poder. Parece-me que estes são simples reprodutores de discursos que ouviram de terceiros e se sentem na obrigação de se queixar de tudo.
O país está desgovernado, vivemos uma crise política que é clara, o PT não é uníssono, do que dirá a sua “base aliada”, os principais opositores à Dilma estão dentro do partido do vice-presidente, a oposição não sabe que rumo tomar e, por outro lado, também não apresenta propostas de governo contundentes para resolver os problemas do país. Está posto hoje um cenário altamente faccioso da nossa política, há agendas claras e compromisso com as mesmas em pouquíssimos partidos, a maioria quer o poder pelo poder, e busca a sua perpetuação apenas para colher os privilégios dos cargos.
Renan fez uma agenda anti-crise, queria cobrar o SUS, voltou atrás. Aumentou os conselhos ao Executivo de 27 para 43, sendo um deles a diminuição de ministérios. Todos no Brasil sabem que precisa ser enxugada essa máquina do governo, mas quem abrirá mão dessas posições privilegiadas? A quem Dilma sacrificará?
PDT e PTB já saíram do governo, PMDB é mais oposição do que situação, PT está com a moral baixa e cheio de divergências entre seus líderes. Como Dilma irá diminuir ministérios sem gerar ainda mais insatisfações dentro da sua própria base?
Domingo haverá manifestações pró e contra o governo, quem será que colocará mais gente na rua?
Temo pelo que ainda há de vir. Por mais que a presidente tenha sido eleita e mereça o respeito, sua pouca habilidade política não tem tornado o país governável.
Em nossas vidas é comum chegarmos a encruzilhadas em que decidir sobre o que fazer requer grande responsabilidade. É chegado esse momento no Brasil, precisamos repensar nossas ações e participar ativamente da política, a vida pública da nação deve ser de nosso interesse para que haja fim a perpetuação das mesmas pessoas, pessoas estas que defendem seus próprios interesses, no poder.

Obs.: Texto escrito no dia 13/08.

Texto Publicado no Jornal da Manhã - 15/08/2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Educação e a PLS 320/08

Educação e a PLS 320/08


Sobre escola e educação muito já foi falado, muitas ideologias foram pregadas e modelos de governo, aqui mesmo no Brasil, já se utilizaram dos processos ditos educacionais para estabelecer-se e perpetuar-se. Todo esse processo, em nosso país, iniciou-se dentro da lógica de catequização para arrebanhar novos fieis para a Igreja que perdia terreno para as Reformas Religiosas. Evidente que a escola é financiada pelos poderosos, sendo assim acaba por veicular suas ideias e conceitos, entretanto há muito que se fazer na atualidade para não permitir-se ser usado dessa maneira tão banal e robótica, altamente desumana no sentido de não levar em consideração a personalidade e as ideias de cada um.
A educação atual no Brasil está em estado deplorável, lamentável, são poucas as escolas que conseguem cumprir o objetivo de servir a comunidade em que está inserida, a sua maioria não modifica o seu entorno e muito menos gera cidadãos preparados para viver em sociedade. Infelizmente ações políticas para mudar essa situação não são devidamente debatidas e não ganham força na grande mídia.
Essa semana, dia 23/06, foi aprovado no Senado Federal um projeto de lei que ficou conhecido como “Federalização do Ensino”, ele é de autoria de Cristovam Buarque (PDT-DF) e tramitou durante 7 anos.
Esse projeto visa à igualdade educacional em todas as localidades do país, uma vez que passa a ser responsabilidade da União a questão escolar em sua totalidade. Deixando claro que não visa à centralização, uma vez que a Federação se responsabilizará pela fiscalização e pelo recurso a ser destinado para pagamento de professores e também para equipar as escolas, que inclusive deverão funcionar em tempo integral, ficando a cargo das secretarias municipais de educação a organização do currículo, que será dividido em geral (para todo o Brasil) e local (para a escola em si), também as demais demandas organizativas da unidade escolar, deste modo proporcionando à comunidade a possibilidade de ver suas necessidades pedagógicas atendidas da melhor maneira possível.
Importante destacar que a redação votada no Senado não traz a obrigatoriedade do Executivo cumprir a lei, serve mais como um modelo opcional.
O senador defende que deste modo haverá professores mais bem pagos e de dedicação exclusiva, gerando incentivo e ânimo aos profissionais, além de oferecer a todos os municípios as mesmas estruturas educacionais.
Com as notícias tão negativas vindas do governo federal e seus cortes em programas educacionais como o PIBID e o FIES por causa dos problemas nas contas da União, é preciso valorizar ideias e leis que visam modificações efetivas na educação nacional e debater o que fazer para de fato solucionar o problema, que chega a ser crônico, da educação no Brasil. O projeto ainda tem que ser aprovado na Câmara, mas para que não se passem mais 7 anos, ou mais, em tramites burocráticos é preciso que haja envolvimento e pressão da população.



 Artigo Publicado no dia 30/06 
Jornal Diário dos Campos


                                                                                 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

E SE FOSSEM OS HOLANDESES?


 Não sou estudioso das linguagens, mas me recordo bem de quando ainda estava no ensino fundamental e surgiu uma discussão, que foi amplamente divulgada nos meios midiáticos, na qual não se deveria mais dizer que os alunos estavam escrevendo ou falando errado, que, no máximo era inadequado e que deveria se respeitar ao máximo as variantes linguísticas das quais o nosso país está repleto. Não venho aqui debater sobre a língua portuguesa em si e seus desdobramentos regionais, mas sobre como ela tem sido usada por políticos e marqueteiros em prol de um projeto de poder.
Li um texto essa semana que falava um pouco sobre como os conceitos de determinadas palavras estão sendo modificados pela facção política que detém o poder. O texto trazia uma crítica simples ao fato de minorias não levarem mais em conta os padrões numéricos, como considerar as mulheres como tais, pertencer a uma raça não é mais relacionado à cor da pele ou a ascendência genealógica, tudo parece se resumir as posições partidárias, nem mesmo as suas convicções ideológicas.
Não me surpreende a dificuldade de admitir, de dialogar, a falta de sensibilidade e até mesmo o pedantismo dos partidos que beberam na fonte do tão idolatrado Marx, que assim o era, mas confesso que a maneira com que deturpam até mesmo as teorias marxianas isso sim me surpreende. Marx pregava a Revolução Comunista para libertar a classe trabalhadora, maioria, do julgo e exploração dos capitalistas, minoria, a própria teoria está baseada nesse dualismo e na injustiça de muitos nada terem e poucos terem tudo, simplificando. Sei que a sociedade atual tem uma formatação bem diferente, mas vejo muitos ditos marxistas tentando colocar a formatação atual às suas doutrinas, não percebendo o anacronismo eminente.
Sinto que seja um pouco simplista demais observar a dinâmica atual sob a égide dualista que banhou a Guerra Fria em que antagoniza classes sociais e modelos de governo, e suas respectivas propostas, entre direita e esquerda, como está nos dias atuais, entre os “coxinhas” e os “petralhas”. Não creio que esse maniqueísmo poderá dar a solução para os problemas sociais, políticos e econômicos que o Estado brasileiro enfrenta.
Nossos problemas sociais não estão baseados simplesmente nas lutas de classes, a problemática vai além e não, o problema não é só o capitalismo que destrói a vida das pessoas e as levam até a miséria. É necessário que haja um debate adulto e baste desse facciosismo que em nada auxilia os rumos do Brasil. É preciso que tanto governo como oposição reconsiderem e admitam seus erros e saibam dialogar, até porque sem diálogo não há democracia. É necessário que se deixe essa política de marketing simplesmente, de sensacionalismo e discuta-se com seriedade os problemas nacionais e abandone-se essa estratégia de se manter no poder, ou conquista-lo, às custas de ideologização de conceitos e massificação de informações infundadas e rasas que iludem a sociedade de que estão informadas e prontas para opinarem, quando na verdade estão sendo simplesmente manipuladas.
Que se parem com essa vitimização, que chega a ser cultural aqui no Brasil, e se discuta com seriedade a sociedade em que vivemos, do contrário, continuaremos nessa inércia de modificações efetivas que transformem de fato o estado do Brasil e viveremos na eterna nostalgia por algo que não aconteceu, como no caso dos pernambucanos, “Ah! se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses...”.

Texto Publicado no jornal Diário dos Campos dia 10/04                                                                                                                     

Entre pedras, o que fazer José?!


Esta semana me detive numa livraria e foleei alguns livros de poesia. Confesso que a sensação que senti foi decepção. Não sei se minha educação me nega apreciar essa arte ou se realmente a qualidade da escrita tem decaído. Mesmo levando em consideração o que foi dito antes, ainda sim me considero um admirador da dinâmica das palavras e de como elas podem penetrar e expressar ideias e sentimentos dos mais diversos.
Uma das poesias mais famosas no Brasil é: No meio do caminho. Drummond não escreveu as palavras singelas para o ano de 2015, mas aí está a simplicidade e a beleza da arte poética! Não sei no que ele estava pensando, nem o que era a pedra no caminho, mas sei que lendo os jornais e buscando manter-me atualizado da situação nacional tenho visto muitas pedras.
Parando para pensar em um caminho para a nação consigo enxergar várias pedras no nosso caminho. Talvez a maior delas seria a dinâmica política. O governo federal não consegue arrumar sua própria casa, o PT não tem homogeneidade, dirão que é justamente essa falta que torna possível a democracia, mas o problema está em não chegar a sínteses. A presidente distribui ministérios e cargos, tirando pastas do próprio partido para dar a aliados, mas assim não consegue assegurar fidelidade de facções aliançadas e ainda insatisfaz a sua própria.
Ainda dentro da dinâmica política, há a pedra do PMDB. Maior partido do Brasil, é o responsável por tornar o país governável, pois sem seu apoio fica praticamente impossível se concretizar ações, por mais que haja vontade política do executivo e do próprio legislativo. O PMDB ainda não conseguiu se livrar da herança do período da ditadura, aonde congregava várias correntes de oposição ao governo, não tendo, assim, cara. Atualmente não se cabe mais esse tipo de postura, sendo o projeto do partido em questão o poder pelo poder já que em regime democrático não tem como se manter a oposição por oposição sem debater verdadeiras mudanças em todos os âmbitos da sociedade brasileira.
O PMDB está em voga, dessa feita também por defender o Voto Distrital. Mesmo sendo uma tentativa de mudança acarreta muitos olhares desconfiados de especialistas, pois estes últimos ressalvam a possibilidade de dificuldade de articulações políticas e de governabilidade, pois um parlamento que seja oposição ao executivo fará com que o país estagne praticamente, mas também fará haver maior fiscalização de ambos os lados, pois a busca por erros do lado antagônico está intrínsecos ao jogo político. Mostrando a dramaticidade que cerca os debates sobre essa reforma.
Exemplo de como funciona o jogo político é o nosso estado: opinião pública, de maneira geral, foi contra a PL 252/2015, executivo ordenou que fosse votado e, como tem a maioria na Câmara, o projeto foi votado e aprovado. Não levantando aqui os debates que são necessários, mas transbordam os limites do presente, sobre os porquês da defesa e do ataque contra o projeto supracitado.

Voltando a Drummond, poderei falar no futuro que minhas retinas fatigadas não esqueceram das pedras que viu e, ainda utilizando o poeta, fico com a seguinte pergunta a guiar-me na busca de resposta: E agora, José?!

Texto publicado no Jornal Diário dos Campos no dia 05/05

sexta-feira, 20 de março de 2015

TODO CARNAVAL TEM SEU FIM?



Principalmente depois de ingressar no meio universitário se tornou mais que uma obrigação a leitura de jornal, tornou-se um hábito prazeroso. Entretanto dentro desses últimos dias tem se feito um pouco pesaroso e enfadonho, já que a dinâmica do mundo, seja política, econômica, social, etc., tem estado paralisada na mídia nacional pelos mesmos temas e sem nenhuma modificação nos respectivos cenários.
Estamos prestes a adentrar ao final de semana do carnaval, aonde poucas pessoas não se divertem e o agradecem, afinal mesmo quem não se envolve diretamente com a folia carnavalesca se vê satisfeitos pela oportunidade de descanso e viagens. Em outros anos a essa época a mídia televisiva, e até a impressa, estaria inundada de informações sobre as festividades e preparações para as mesmas dos súditos do Rei Momo, mas o que se vê em 2015 são as informações sobre as atrocidades do Estado Islâmico, as mais variadas greves nos mais variados estados do país, o processo do Petrolão, a política nacional em crise, os problemas hídricos e energéticos e por aí vai.
O início de 2015 em vez de se demonstrar esperançoso por causa das “novas” administrações federais e estaduais mostra-se caótico. Será que nós estamos sendo vítimas das folias de carnaval? Rei Momo está ligado com a mitologia grega e representa o deus do sarcasmo e ironia. O Brasil votou por um país melhor e é isso que temos? Será mesmo ironia?
O desmando do governo federal gera uma burocratização em todas as instâncias, pois quem acaba por tomar a frente na ação é o legislativo através das leis. Prova desse desmando é a eleição do Cunha para presidência da Câmara e as atuais críticas, até do Dirceu, sobre as posições (ou a falta delas) governistas na operação Lava Jato. Como consequência, temos problemas sociais, desta feita até com os índios, uma vez que a câmara quer tomar pra si a função de demarcar as terras dos primeiros habitantes de nossa terra e com a supremacia da bancada ruralista já sabemos o que acontecerá.  
Há quem diga que se Aécio tivesse sido eleito as coisas não aconteceriam diferente, mas a diferença, e o motivo da revolta, está no discurso da campanha. Dilma defendeu que não mexeria em direitos trabalhistas e mexeu, além das questões de impostos e arrochos de verbas para várias pastas, uma vez que o governo precisa tapar o grande furo financeiro deixado do ano passado.
Parece que tudo isso é um pesadelo, pois estamos sendo bombardeados com informações negativas das quais não conseguimos nos recuperar sem que outra pior nos assole, nos vemos perdidos sem consegui formular propostas de soluções para tantos problemas. Dizem que o ano aqui no Brasil só começa depois do carnaval e, olhando pra tudo isso, me lembro da música “Todo Carnaval tem seu fim” da banda carioca Los Hermanos, que diz: “Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia / Toda trilha é andada com fé de quem crer no ditado”.
Espero que seja apenas um sonho e que esse carnaval, escárnio com a população nacional, se encerre de uma vez e que volte ao coração do brasileiro o ânimo e a esperança que lhes são tão particulares e extravie-se essa tão amarga dúvida que nos assola: Será que todo carnaval tem seu fim?


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O QUE SERIA O NATAL?

Todos os anos o mês de dezembro é regado com as ofertas variadas das lojas e as músicas que embalam todo um sentimento dito natalino. A cidade inteira fica iluminada, em algumas é feito até mesmo concurso de qual casa está mais ornamentada para a chegada da data tão esperada: o Natal.
A palavra natal refere-se a nascimento, entretanto o que se tem nascido nesse período tão fértil no coração e na mente das pessoas? Ponho-me a pensar e refletir sobre os significados que as ações da sociedade têm apropriado a datas como esta que estamos prestes a comemorar. É uma data de cunho religioso. Mas, incrível, como o nascimento de Jesus Cristo fica renegado a pequenos presépios pouco interessantes e foca-se em duendes e Papai Noel, figuras controversas ao real sentido natalino. Por quê?
Caminhando pelas lojas e ruas, percebo um forte apelo comercial que cerceia o espírito de renascença do Natal. Do dia 24 para o dia 25 as pessoas se abraçam, trocam presentes, sorriem, embebedam-se, comemoram, entretanto com o findar do festejo suas vidas ainda se encontram vazias e repletas de angústias e animosidade, muitas vezes pelas próprias pessoas que estavam ao seu lado na festa. Natal é falsidade então? Parece-me que tem se tomado assim. O que tem nascido, ou melhor, renascido a cada ano dentro da sociedade em que vivemos é o egoísmo e a frenética luta em ser melhor que o outro, se possível afundando o próximo.
Não quero ser injusto deixando de lado as falas belas e amáveis que também regam esse período tão idolatrado, mensagens de amor, paz, esperança, alegria, que trazem a sensação de que é possível viver de maneira diferente. Que é possível viver com justiça e felicidade, que a vida pode ser embalada por cantigas e jingles doces e que nos fazem sorrir ao ressoar da sua simples melodia, que sim, o espírito natalino pode ser como nos filmes hollywoodianos em que na manhã de Natal tudo é diferente, as pessoas passam por uma transformação.
Me desculpe o leitor se minha visão tem sido aqui um pouco, até mesmo, pessimista, e distante da maioria das mensagens e textos sobre natal, mas me vejo na obrigação de externar a minha não compreensão do porquê ser tão fugaz esse espírito. Natal é sim tempo de renascença, mas é preciso que, primeiramente, nasça na sociedade atual esse carinho e amor, tão cristão, ao próximo, esse companheirismo e dedicação que se vê nas mensagens de natal. É preciso que se deixe de lado futilidades comerciais como duendes, o bom velhinho e as variadas promoções, que trazem ao natal todo apelo comercial e tiram dessa data seu foco.
Como 21 de Abril é de Tiradentes, 20 de Novembro de Zumbi e 7 de Setembro de D. Pedro I, tomando aqui simplesmente o senso comum e a versão oficial desses fatos históricos, não aprofundando nas discussões necessárias as respectivas datas, dia 25 de Dezembro deve ser dado ao nascimento de Jesus Cristo e a reflexão sobre seus ensinamentos deixados através dos milênios, que vão muito além dos cristãos, muitos além das igrejas, uma vez que o cerne de sua pregação é altamente explorado até os diais atuais, sem nem mesmo citar seu nome, por políticos, ONGs, intelectuais e tantos outros que buscam transformação social na tão corrompida e egoísta sociedade que vivemos.
Natal é tempo de repensar e de refletir, de volver ao passado e perceber os erros e não mais tomá-los como caminho a ser seguido, é momento de querer ser melhor e querer, também, o melhor para o próximo, para a sociedade. Espero que um dia esses apelos comerciais, típicos dos gritos capitalistas, sejam colocados em seus respectivos lugares, ou seja, em segundo plano, deixando o protagonismo para a verdadeira reflexão que deve ser feita. Que o cristianismo, não simplesmente a religião, mas os ensinamentos e mensagens possam ter espaço nessa festa e, assim, haver metanóia em cada ser, do contrário, o que seria o Natal?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Avaliação Sem Nota Na Escola?!



Ao acordar num dos dias dessa semana e ler as notícias me deparei com uma que anunciava uma mudança na educação francesa, consistindo na abdicação do sistema de notas e na substituição desta por uma espécie de avaliação através de conceitos que levam em consideração o desenvolvimento dos estudantes e também suas posturas cidadãs, domínio da língua mãe, olhar do mundo, dentre outros fatores. É possível encontrar em países desenvolvidos esse modelo já, sendo o maior expoente dessa vertente educacional a famosa Escola da Ponte, em Portugal, e, aqui no Brasil, temos o exemplo das escolas do Projeto Âncora.
Mas, no meio de tanta discussão, nos perguntamos se o Brasil é capaz de ter uma educação organizada nesse modelo e, se o mesmo, seria bom para as estruturas sociais do nosso país. Um modelo como esse é pautado na liberdade e na flexibilidade até mesmo dos conteúdos a serem apresentados aos alunos, o que não temos experimentado até então. Como o foco é a uma educação útil aos educandos todo o conteúdo deve ser empregado em atividades diárias, propiciando assim a oportunidade dos alunos comtemplarem, sem muita dificuldade, a utilidade dos ensinamentos e, deste modo, saber utilizá-los em seu cotidiano dentro da sociedade. Outro aspecto que visa mudança profunda é o afastamento do academicismo que temos visto desde o início da educação nacional, ou seja, o educar não para a vida e para a sociedade e sim para que o jovem possa adentrar a Universidade, como consequência dessa inclinação, temos uma sociedade que não sabe se respeitar e graduados que não sabem ler as questões, por mais simples que sejam, que o cercam no seu dia-a-dia.
Mas para que uma inovação realmente de certo o primeiro passo está na formação dos profissionais que trabalharão na educação, do contrário o projeto se torna inviável, uma vez que as aulas devem ser diferenciadas e totalmente linkadas com fatores do cotidiano do aluno e do mundo que o cerca. Temos visto tantos professores que não são capazes de fazer a leitura do mundo e trazê-lo para dentro de suas aulas dando sentido e aplicabilidade dos conteúdos programáticos aos alunos. Se esse processo não ocorrer é impossível que os próprios alunos consigam enxergar a importância de se estar na escola, gerando assim desinteresse e evasão escolar, como temos assistidos há muito no sistema educacional nacional.
Mas há quem possa defender que os professores não tem tempo, mas vejo nisso uma inverdade, pelo menos para os professores do Estado paranaense. Aqui no Paraná, este ano o governo assinou uma lei, que passará a valer em sua totalidade em 2015, que cumpri com a lei federal 11.738/08 que prevê 1/3 das aulas sem contato com os alunos, as chamadas aulas-atividade, ou seja, o professor receberá para poder se planejar com eficiência. Mas então por que continuamos a ouvir queixas e impropérios quanto ao tempo? Temos o problema que a maioria dos profissionais da educação não é comprometida e não faz bom uso desse tempo que tem disponível para elaborar suas aulas e fazer suas pesquisas para levar aos nossos estudantes uma educação de qualidade que o ensinem a viver adequadamente em sociedade.

Para que haja uma mudança educacional é preciso haver comprometimento efetivo dos profissionais que escolheram o magistério como profissão, além de amplo envolvimento da comunidade a quem as escolas servem e apoio governamental, do contrário tudo permanecerá igual, inapropriado e ineficaz como está. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ONTEM POPULAR, HOJE CENTRALISTA?


Se olharmos para a história recente do Brasil veremos tantos nomes, há época jovens, hoje senhores e senhoras que estão ativos na nossa política. Mas gostaria de chamar atenção às declarações quanto à democracia que pudemos acompanhar na semana passada.
Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) falaram que as manifestações no congresso atacaram a democracia. O que nos é estranho é que cidadãos e políticos profissionais como Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Lindberg Farias (PT-RJ), que sempre apoiaram esse tipo de manifestação, agora estão dizendo exatamente o que tanto combatiam. Como explicar essa mudança de opinião? A Democracia mudou? É complicado de compreender o que realmente está por trás dessa mudança de ideias, mas é essencial que essa reflexão seja feita.
Dentro da história do Brasil PT e PCdoB estiveram juntos por muitos anos e com a redemocratização pós-ditadura esse vínculo estreitou-se. Ambos os partidos são marcados pelas lutas sociais e a constante busca, pelo menos no discurso, pela maior participação das camadas populares da sociedade nas decisões políticas do Estado. O PCdoB organizou a maior guerrilha rural durante a época da ditadura civil-militar no Brasil, a Guerrilha do Araguaia. Lula foi o principal sindicalista que, perto do fim do período ditatorial, opôs-se as políticas econômicas marcadas pelas decisões tomadas de cima para baixo e foi em cima da figura dele que o Partido dos Trabalhadores foi criado.
A defesa de movimentos sociais organizados e a luta dos ideais democráticos, a inconformidade com as decisões marcadamente hierárquicas e tantos outros conceitos que sempre foram estandartes, das instituições aqui tratadas, mostram-se hoje justamente o antagonismo que defendem. O poder tende a corromper. É isso que tem acontecido com os antigos partidos marxistas ou apenas temos visto sua real faceta além da máscara? É praticamente impossível responder a tal questionamento.
PT sempre se demonstrou marxista, PCdoB rompeu com os mesmos, mas permaneceu com resquícios de suas raízes. Se pensarmos por esse viés poderemos perceber que quando a presidente Dilma, durante a campanha eleitoral, afirmou que a sua palavra bastava, fala claramente com traços ditatoriais, segue os seus líderes históricos, Marx e Lênin, ambos tendentes à centralização do poder, podendo ver na Internacional Comunista e na Rússia Comunista, respectivamente, a prova dessa afirmação. Logo, quando nos deparamos com posições, como a dos parlamentares supracitados, não devemos ficar boquiabertos, pois é da natureza dessa esquerda autoritária atitudes centralizadoras e antidemocráticas e isso desde as suas raízes no século XIX lá na Europa.
Essa compra de votos através do decreto 8.367/2014 mostra tamanha inclinação a falta de diálogo que há no atual governo e na sua incapacidade de escutar setores da sociedade, tendo diálogo efetivo somente com aqueles que consentem na mesma opinião. Talvez, o pilar essencial da democracia seja a liberdade de expressão e a oportunidade de diálogo aberto entre o Estado e facções organizadas da nação, mas esses não têm sido respeitados. Rousseau defenderá no livro Do Contrato Social que a organização democrática não funciona dentro de Estados luxuosos e grandes em extensão territorial, ou seja, a democracia nacional, segundo o filósofo Rousseau, está fadada ao fracasso, uma vez que a luxúria vai gerar a corrupção e a luta descompromissada com a sociedade pelo poder, que, afinal, é o que temos visto atualmente, e a grande extensão territorial que causaria desmando e impossibilitaria o atendimento por igual de todos os cidadãos.
Política é necessário, mas o que há hoje no Brasil é luta pelo poder, simplesmente pelo poder. Se considerarmos o Estado como mal necessário deveríamos fazer com que o mesmo nos sirva e não o inverso, se somos democráticos que façamos a voz da população sobressair a tentativa dos Poderes de abafá-la.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Movimentos, Ideias e Doutrinas I - Liberalismo



O século XIX foi regado por uma enxurrada de ideias que desaguaram no século XX em forma de paixões ardentes e geraram conflitos multifacetados. As teorias ditas de esquerda são as que mais arrebataram corações e incendiaram mentes intelectuais, e/ou não, a buscar um mundo diferente do que estava se apresentando em seu presente. Embora tais ideias tenham transformado o mundo atual a maioria das pessoas ignora suas reais intenções e linhas teóricas, mas longe ainda está o saber da realidade comparativa entre teorias e as práticas que foram exercidas no mundo e saber ler as mesmas nos movimentos atuais da nossa sociedade.
A teoria que rege o mundo atual é o Neoliberalismo. As ideias que trazem a gênese desse modelo estão expostas no livro “A Riqueza das Nações” do pensador Adam Smith. Essa linha de pensamento trazia ao homem o desvincular da terra, saindo assim do setor agrário para o comercial e, mais tarde, o industrial.
Para que se possa entender e compreender a mudança econômica é preciso ter noção do que havia no mundo antes da mesma. O mundo, a Europa ocidental, vinha do período feudal, no qual a terra era o bem mais precioso. Com o Renascimento do Comércio no século XII começa a surgir uma nova classe chamada de burguesia que galga uma caminhada gradual até que no século XVIII faz a sua revolução, Revolução Francesa, e assume de vez o poder da sociedade. É essa mudança de liderança socioeconômica que dá força ao liberalismo e ao livre comércio.
As ideias burguesas, liberais, previam a ausência do Estado na economia, julgando que a lei da oferta e da procura seria o suficiente para a autorregulação da mesma. Com esse enfoque era pregado a liberdade de comércio e também o anti-escravismo, já que para haver circulação de capital é necessário ter mão de obra remunerada. Era necessário também ter igualdade civil para que todos pudessem ter acesso aos produtos e consumir.
O ápice do liberalismo foi no pós-guerra I Guerra, entretanto em 1929, com a grande quebra da bolsa de Nova Iorque, esse modelo caiu em descrédito, pois se viu a necessidade do Estado está presente também na economia, nem que seja o mínimo, mas sua presença é indispensável como regulador.
Com o fim da II Guerra e a o contexto Bipolar, o mundo dividido entre o bloco comunista liderado pela URSS e o bloco capitalista liderado pelos EUA, o liberalismo voltou à cena, agora como Neoliberalismo. Doutrina político-econômica que revisava o antigo modelo liberal e traz em seu cerne as mesmas questões, defende-se a reforma tributária e o Estado mínimo para que a iniciativa privada tenha liberdade de comercializar e investir. Grandes nomes desse modelo sócio-econômico foi a líder inglesa Margareth Thatcher e o líder estadunidense Ronald Reagan. Findando o período bipolar passamos a viver, e estamos nele, um momento multipolar aonde o neoliberalismo por meio, principalmente, do discurso sobre globalização impera.



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Democracia e sua Falibilidade



Essa semana, passamos pelo ápice do sistema democrático de governo, participamos da eleição. Este momento nos propicia o poder de alienar a outrem o direito de defender nossas ideias e posturas políticas. As eleições desse ano, principalmente as presidenciáveis, tiveram algo de muito interessante: a extrema briga entre os dois candidatos, especialmente no segundo turno, e entre seus respectivos eleitores.
Com a reeleição da presidente Dilma uma corrente na internet se dissemina sobre o separatismo do sul/sudeste/centro-oeste quanto ao nordeste e norte do país, uma vez que as duas regiões citadas por último votaram em sua maioria no atual governo. Embora toda essa dinâmica nas redes sociais esteja repleta de preconceitos e ofensas contra nordestinos, preconceitos estes que vem se permeando há tempos na sociedade do sul e sudeste sem praticamente nenhuma objeção, há um aspecto que pretendo ressaltar nesse texto: a falibilidade da democracia.
Desde o ano passado a frase “Ele não me representa” se fez comum dentro das conversas, debates e manifestações políticas. Mas quem representa quem? A sociedade parece que tem prazer em retroceder nos modelos, sejam eles educacionais, econômicos, políticos, etc. O grande filósofo Rousseau há séculos atrás já defendia que democracia real nunca existiu e que este modelo era para sociedades mais simples e pequenas, do contrário é impossível haver representatividade. Outro fator que o pensador, citado acima, destaca é que o luxo não é compatível com a democracia, uma vez que é a simplicidade que sustenta tal modelo, sendo evidente que isto é algo longe da nossa política atual.
A autogestão é a perfeição que parece cada dia está mais distante, não é preciso que ninguém represente ninguém. Cada cidadão tem direito de defender seus ideais, não terceirizando o seu poder de opinar, tendo a liberdade de debater os rumos da sociedade que o mesmo faz parte. Infelizmente a democracia é uma ditadura, ditadura da maioria, maioria esta que, comumente, não se põe dentro da vida política, não compreendem os conceitos e nem o sistema político em que vive o Brasil e, por isso, não sabe votar, levando assim todo um país a ser refém de maus políticos. Sendo isso um fato não apenas pela reeleição da presidente Dilma e as acusações preconceituosas contra o povo nordestino.

Comumente ouvimos a defesa da democracia como se fosse o modelo mais justo de governo que existe, entretanto está muito longe de ser, já que perdemos voz e não a ganhamos como é propagado nos meios midiáticos e em nossas escolas. É preciso uma REVOLUÇÃO política e não simplesmente uma reforma, como está sendo proposto, sendo essa última apenas um paliativo. Enquanto estivermos reféns desse estilo de governo a maioria que em nada se envolve com as questões nacionais e não estuda constantemente a dinâmica geral da nação, quanto, também, a mundial, não consegue aprender a realidade em que está incluso o Brasil continuará comandando o país e continuaremos sem voz, longe da liberdade, longe do governo que deve ser exercido por nós mesmos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Movimento Comunista



O século XIX foi de revoluções, surgiram movimentos e ideias novas que modificaram a estrutura do mundo que atualmente contemplamos e vivemos. Com certeza uma das mentes mais influentes na atualidade é a de Karl Marx. O comunismo, que o mesmo tanto defendeu, criou esperanças, discórdias, guerras e debates. Semana passada comemorou-se os 150 anos da Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional, sediada em Londres e aberta no dia 28 de setembro de 1864, movimento este que sagrou Marx como líder comunista em nível mundial.
A Internacional tinha como objetivo organizar os trabalhadores, denominados proletários, principalmente os fabris, para discussões e elaborações de planos de ação que pudessem, a nível internacional, obrigar o patronato a ceder as reivindicações trabalhistas em prol de melhorias estruturais e maior valorização do mesmo. Com a sequência dos debates foi colocado em pauta às várias linhas de pensamentos da época que propunham métodos para alcançar uma sociedade igualitária. Destacando-se o socialismo científico (doutrina defendida por Marx), socialismo utópico, dentro de suas várias ramificações, e o anarquismo.
A I Internacional lançou Bakunin, defendendo o anarquismo, e Marx, defendendo o comunismo, como grandes líderes, sendo assim dividindo o público que participava do movimento. Movimento este que prezava pela busca de uma sociedade mais justa, descentralizada e igualitária, entretanto foi claramente exclusiva e antidemocrática quando da expulsão de Bakunin e seus seguidores anárquicos, já que a liderança do movimento centralizou-se em Marx, assim bem como anos à frente centralizar-se-ia nas mãos de Lênin.
O comunismo como Marx pregava nunca foi posto em prática, a utopia da igualdade e da sociedade sem exploração nunca foi alcançada, o Estado não deixou de existir, nem a classe trabalhadora alcançou o poder. Por quê? A reflexão, tendo como base a I Internacional, é importante, pois demostra bem aquilo que foi e é o movimento comunista espalhado por todo o mundo, um movimento centralizador e intolerante às ideias contrárias. Prova disto são os países que se tornaram pseudocomunistas e espalharam o horror e a violência entre a sua população.
Embora o Comunismo tenha ganho essa face ditatorial e cruel em muitos países, principalmente durante a Guerra Fria, a teoria é válida para reflexões sobre a sociedade atual e até mesmo a utopia de ter-se uma sociedade de iguais. A crítica ao modelo capitalista precisa ser feita, uma vez que, do contrário, ele continuará a massacrar as classes proletárias, nas palavras de Marx, e permanecerá engordando os bolsos dos mais ricos em detrimento do pobre.
A I Internacional marcou o século XIX, mas chega até hoje como exemplo de um movimento organizado de debates e direções para ações contra a covardia patronal e a favor de uma sociedade mais justa em nível mundial. No cotidiano atual, tem-se perdido esse poder de organização e reflexão, gerando, deste modo, uma sociedade incapaz de refletir sobre seus problemas e organizar-se para buscar soluções. 

Matheus M. Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC – Campus Mafra

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

07 de Setembro – Retrato da Formação do Brasileiro


Essa semana comemorou-se o dia da Independência do Brasil. A História dos nossos livros didáticos, repleta de ideologia, nos pinta, como o quadro de Pedro Américo, um imponente momento, um D. Pedro viril e libertador, um herói de verdade. Perpassaram-se durante anos, continuando ainda hoje, em muitas mentes o sentimento patriótico regado de um endeusamento de personagens tidos como principais por aqueles que contam a história da nação.
Existem fatores dentro do processo de independência que não são levados em consideração e o senso comum desconhece, não tendo uma ideia mais ampla sobre aquilo que foi a realidade do Brasil durante os anos, principalmente, entre 1808 e 1822. Sendo assim, não percebem que o dia 7 de setembro foi apenas o ápice de toda uma trama que vinha sendo desenhada há anos, mais em voga com a chegada da família real no Brasil (1808),
Dentro de todo esse processo é importante que seja ressaltado o aspecto popular, ou a falta do mesmo. O Brasil fora colônia portuguesa desde 1494, com o Tratado de Tordesilhas, sendo tomada posse da nova terra em 1500 e o começo da sua efetiva colonização em 1530. Essa colonização foi totalmente de exploração, fazendo com que os colonos, em sua maioria, vissem no Brasil o El Dourado, apenas uma fonte de riquezas para que pudessem solidificar melhor sua vida na Europa, sem contar os que pra cá vieram como forma de punição por crimes, ou seja, a sociedade brasílica foi formada por uma população que em nada se comprometia com a formação do novo país. Com essa formação social básica seria difícil que a história tivesse outro destino que não fosse a submissão do povo às vontades de uma elite ligada aos interesses portugueses e comerciais.
O processo que culminou no dia 7 de setembro teve justamente essa marca, foi dirigido apenas pelos interesses da elite que comandava o Brasil. Esta que estava crescendo economicamente com as relações com os ingleses e nada tinha a ganhar com a volta da submissão extrema a Portugal. Por sua vez a coroa portuguesa tinha consciência de que o processo de metropolização do Brasil em 1808 seria irreversível, por isso D. João deixa o seu filho, D. Pedro para que as mudanças políticas que estavam por vir fossem feitas sob sua tutela e, desse modo, não se afastando dos interesses portugueses.
A sociedade brasileira ao ver as descrições feitas em quadros e a que comumente é feita sobre essa parte importante da história do país renega esses detalhes que são de importância ímpar, uma vez que demonstram a maneira que o Brasil foi criado, sem brasileiros lutando pelo mesmo. A diferença entre o processo de independência da América portuguesa para a espanhola é gritante, uma vez que as ex-colônias da Espanha criaram seus respectivos países com o sentimento de pertencimento ao local, as terras brasílicas ganharam a independência sem ter, de fato, brasileiros.
Atualmente ouvem-se queixas constantes sobre a postura do povo brasileiro sobre vários aspectos, um deles é o político. Nessa semana que se denomina Semana da Pátria deveria haver uma profunda reflexão de como esse fato, processo de independência, foi e ainda é o retrato da formação do povo brasílico. Formação esta que o torna descompromissado e não o permite sentir-se parte de um todo, sentir-se o próprio Brasil.

Matheus M. Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC, Campus Mafra. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Robotização da Sociedade


A sociedade atual vive uma aceleração da tecnologia robótica. Atualmente há máquinas para quase todas as funções que anteriormente seriam executadas pelos seres humanos, essa modificação na estrutura da mão de obra existente no mundo gera reflexos econômicos e, consequentemente, na própria estrutura social. Existem discussões, há algum tempo, sobre a complexidade que essa maquinização traz e as suas consequências, deixando o homem em segundo plano, entretanto esquecem-se da parte principal que diferencia o ser humano da máquina: consciência.
A preocupação das máquinas tomarem conta do mercado de trabalho, gerando, desta forma, o desemprego é factual, uma vez que a sociedade atual empurra o próprio ser humano para uma robotização. Isso é muito límpido na área educacional, quando nota-se um sistema, como o próprio vestibular, de provas dentro da maioria das escolas nacionais que fazem com que o aluno decore o conteúdo pelo próprio conteúdo, sem que o mesmo seja capaz de fazer a transposição para a realidade daquilo que estuda como teoria científica dentro da escola.
Uma máquina é incapaz de fazer arte, seja ela do tipo que for, ela pode executar uma música, mas nunca interpretá-la, pode jogar tinta num quadro, mas é impossível que o utilize como expressão e assim é com a área educacional, também. Uma máquina pode calcular com maior exatidão que o homem e até mesmo bem mais rápido, mas não é capaz de interpretar um problema, não é capaz de trazer para o campo prático, não tem consciência e não reflete, logo não consegue fazer a valorização das datas e nomes históricos para os dias atuais, e assim por diante. Infelizmente vive-se atualmente uma robotização extrema da sociedade, onde tudo aquilo que há de mais humanos não tem sido valorizado, infelizmente. Desse modo, sim, deve-se temer a competição com as máquinas, já que o que nos faz superiores tem sido renegado ao descaso e a inutilidade.
As propostas educacionais contidas nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) são claras quanto ao que se deve ser ensinado na escola: a compreensão do mundo que cerca os estudantes e, também, prepara-lo para o mercado de trabalho. Todas as ciências devem estar preparadas para que levem ao sujeito a visão de sociedade que ele precisa ter para saber viver em comunidade, para que o mesmo seja capaz de fortalecer o meio que vive como cidadão e não que simplesmente decore teoria por teoria sem utilizar isso em nada, já que não consegue tornar aquele saber prático porque nunca foi levado a refletir sobre isso.
O mundo passa por essa maquinização há tempo, mas o que se deve ter em mente é que o homem não compete com a máquina, não deveria ao menos, porque o ser humano tem consciência e sentimentos o que o torna ímpar, insubstituível frente a tudo que precisa de tomada de decisão, reflexão e tudo que envolve capacidade de escolha. As máquinas são produzidas para servirem ao homem e se o mundo mantiver essa mentalidade de que devemos nos igualar as mesmas, fatalmente os papéis se inverterão.


Matheus Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC

sexta-feira, 18 de abril de 2014

CADEIA DE SISTEMA


A sociedade atual é composta por um conjunto que abrange variados tipos de sistemas, sendo eles econômicos, políticos, sociais e assim por diante. O engodo nela posto atrai as mais diversas camadas do conjunto social, do contrário não haveria coesão e seu funcionamento seria completamente fútil. A organização que se há no domínio humano pelo homem é complexo e tende a chegar perto da perfeição, trabalham-se conceitos e luta-se por eles, sendo que os mesmo são a própria ilusão e a prisão em que se encontra a população, até mesmo os personagens que fazem a máquina ideológica girar.
Conceitos como o de liberdade muito atraem todas as pessoas e vive-se, morre-se, luta-se por ele sem nem mesmo perceber que é uma utopia descabida de razão, afinal personagens que entregam seus dias na busca desse ideal tornam-se escravas do próprio, perdendo alguns resquícios na busca incessante de um todo inatingível. O amarrado sistemático que engloba cada lugar sombrio deste mundo não permite que nenhum homem se quer consiga se ver livre, podendo ser perceptível, sem uma reflexão mais apurada, tamanho é o condicionamento em que cada ser se encontra atado.
Há quem queira mudar o sistema, seja ele qual for, de maneira abrupta, entretanto não vislumbra que apenas de dentro é que ele pode ser modificado. Muitos defendem o “bater de frente” com as forças que os lideram, sem notar que a força e as armas de coerção ideológica estão completamente nas mãos daqueles que detêm o poderio maior da organização, prova disto é o sistema político atual do Brasil, percebe-se que, ainda hoje, vive-se uma república oligárquica e que pode até mudar o presidente e o partido, mas quem detêm o poder sempre são os mesmos, os seja aqueles que concentram determinada renda em suas mãos.
A quebra de qualquer organização complexa, como os são os sistemas que subtraem e subjugam a população comum, deve ser feita de maneira gradual e consciente, uma vez que qualquer movimento brusco causa nódoa irreparável, impossibilitando que mais a frente haja possibilidades de reparos consideráveis a ponto de haver outra oportunidade de mudança sistemática. A fraqueza por vezes deve ser tida como a fortaleza e é sempre importante saber que até mesmo os conceitos pelos quais os próprios intelectuais discutem são gerados no seio daqueles a quem os mesmo denigrem e buscam derrubar, a vida em sociedade nada mais é do que um grande teatro, aonde não há originalidade, apenas cópias, falsificações, ideologias, conceitos fúteis e utópicos, imbróglios mil capazes de transformar tudo em apenas sonhos e enganos, sem que nem mesmo o sujeito perceba que não há sujeito, apenas sujeitados.

Matheus M. Cruz

Acadêmico de História – UnC Mafra

sábado, 5 de abril de 2014

Regime Civil-Militar de 1964 – Resumo


Durante os governos que se sucederam após a Revolução de 1964 houve uma dinâmica diferenciada das que muitos têm em mente. O corpo militar não se portou em uníssono, havendo dentro da instituição efervescência e divisões políticas durante todo o período de governo militar, prova disto são os movimentos que envolviam os Coroneis das IPMs (Inquérito Policial Militar), o movimento denominado “primeira linha dura”, sob liderança de Boaventura, e também, entre outros, da organização Lider (Liga Democrática Radical).

Houve também participação dos civis dentro dos governos liderado pelos militares, sendo estas participações importantes, uma vez que a maior parte dos ministérios estava, a princípio, nas mãos de tecnocratas. Com a subida ao poder de Costa e Silva, substituindo Castelo Branco, havia a esperança de desmilitarizar-se o poder, entretanto o que ocorreu foi uma mais forte tomada de espaço pelas Forças Armadas, isto era visto que aconteceria já que Costa e Silva assume sobre a base eleitoral dada pela “linha dura”, a qual, com seus requerimentos, força Castelo Branco a promulgar o AI-2 (decreta o bipartidarismo e o aumento do poder do Executivo) e dentro de seu governo decreta o AI-5 (considerado a revolução dentro da revolução, ato este que aplicou a censura e a caça aos oposicionistas do regime).

Principalmente durante os anos de chumbo a extrema esquerda viveu na ilegalidade, criou-se movimentos urbanos e rurais em forma de guerrilha, movimentos estes que marcaram com ações contra a repressão do Estado. Alguns desses movimentos foram o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Guerrilha do Araguaia (esta rural). Foi prática contínua desses grupos as desapropriações (assaltos a banco) dos grupos dominantes e também o sequestro de embaixadores e figuras públicas importantes para serem trocados por presos políticos, estratégia esta que nasce com o MR-8 em 1969 com o sequestro do embaixador estadunidense com a exigência da libertação direto para o exílio de 15 presos políticos e a leitura de uma carta em todos os canais televisivos da época.

É a partir do AI-5 que a prática da tortura se instala de vez no regime, fato este que até hoje tem grande repercussão na imprensa e em qualquer conversa sobre o período militar. Os militantes políticos eram considerados terroristas que queriam subverter a ordem da sociedade, sua hierarquia e os bons costumes, além de quererem instalar o comunismo no Brasil. Após serem presos sofriam tortura e a grande maioria era morta e seus corpos nunca mais seriam achados, uma vez que, com os estudos da atualidade é possível saber, eram esquartejados e jogados ao mar ou em rios para que não houvesse provas do crime ocorrido. Outro aspecto sobre a tortura que é causa de grande indignação dentro da sociedade é o apoio da Igreja Católica a estes atos repugnantes, usando para justificar o seu discurso a ideia de que estes terroristas estavam tentando destruir as instituições familiares e a sua maioria serem ateus, desvirtuando assim a sociedade.

O Regime Civil-Militar se dá a partir do Golpe de 1964 e termina, segundo alguns autores, em 1985 com a posse de Sarney e, segundo outros, com as eleições diretas de 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Dentro do processo de reabertura política o presidente que encabeçou foi o General Geisel, inclusive derrubando o AI-5.  Essa faixa de tempo também é conhecida como Ditadura Militar, foi também com os Generais-Presidentes que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol em 1970 com uma seleção histórica e também apareceu de vez para o mundo como uma economia crescente, graças ao Milagre Econômico, com o qual o PIB permaneceu em escalada, e também a maior industrialização do Brasil com projetos como o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Os tempos militares causam repugnância em muitos, entretanto saudosismo também, foram tempos de lutas e mortes, mas também de desfiles e grande propagandas, na qual a ideologia foi parte operante da Guerra Revolucionária contra o comunismo e a favor dos governantes.

Golpe Civil-Militar de 1964

Durante o início dos anos de 1960 a efervescência da Guerra Fria estava em seu ápice, a dicotomia entre comunismo soviético e capitalismo estadunidense era clara e a necessidade, imposta por esses países, de que todas as nações do globo se posicionassem cresceu no decorrer de toda essa questão geopolítica. Com o Brasil não foi diferente, João Goulart buscava manter-se nos blocos dos Não Alinhados, países que não assumiam compromisso nem com a economia soviética e nem com a estadunidense, fazendo negócios e visitas a China, Cuba e também mantendo contato com os EUA, entretanto não foi possível manter-se assim, uma vez que a influência norte-americana era forte causando pressão contra essa maneira de política dentro do próprio país.

Jango, como era conhecido João Goulart, entrou na política no segundo governo de Vargas e manteve seu modelo populista ao assumir o poder em 1961, entretanto esse modelo não era bem visto por boa parte da população, principalmente a de melhores condições financeiras, uma vez que as reformas de base e a busca por trazer a classe trabalhadora para si como pilar do poder fazia diminuir a força e a lucratividade da primeira em cima da segunda. Outro setor que não se agradava deste modelo era o militar, já que com essas medidas e aproximação dos graduados e soldados, segundo os oficiais, causava sublevação da ordem e hierarquia, destruindo assim o corpo militar. Também era altamente criticado pela igreja que temia, junto a grande parcela da sociedade, uma revolução comunista no Brasil no rumo tomado pela da Rússia em 1917 e uma República de Sindicatos, já que o presidente estava tão próximo da classe trabalhadora.

Do dia 31 de Março para o 1 de Abril deu-se a intervenção amplamente apoiada pela sociedade civil e pelo corpo militar, entretanto as promessas eram de que ela seria rápida e cirúrgica, logo que possível tornando aos civis o comando da nação e das questão político-econômicas. O período curto em que o braço militar deveria está no poder era apenas para que houvesse uma limpeza desses ideais comunistas tão incômodos aos golpistas e uma estruturalização para que voltasse a democracia e o rumo normal da dinâmica política no Brasil.

O fechamento e as cassações de nomes importantes foram feitas, entretanto o governo militar perdurou no poder, criando os Atos Institucionais (AI) para governarem o país, criando uma nova dinâmica que os favorecessem, a qual acabou por militarizar o Estado, principalmente a partir da presidência de Costa e Silva, causando indignação em nomes notáveis do meio civil como Lacerda (Governador da Guanabara à época), causando o sentimento de traição na ala não-militar do Golpe, entretanto todas as ações foram feitas sempre buscando a legitimação do poder defendendo que a massa do povo brasileiro os estavam apoiando.

BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL - Parte III

Durante todo o século XX a efervescência no corpo militar foi visível através de grandes movimentos como o tenentista e revoltas como a do forte de Copacabana. Com a subida ao poder de Getúlio Vargas ainda permaneceu dentro da corporação a ânsia política e o questionar ao governo continuou sendo algo frequente, sendo perceptível a atividade política dentro do exército até o fim do governo varguista.

A Era Vargas apresenta ao Brasil a ditadura e o poder concentrado na mão de um só homem, também traz para o Estado responsabilidades e gestões que estavam totalmente dispersas, prova disto foi a criação do ministério de Educação e Saúde e as mudanças ocorridas dentro dos corpos sindicais com os pelegos no comando, gerando com essas modificações uma alta hierarquização estatal e centralização das decisões, modelos estes que foram também postos em prática, dada algumas diferenciações, pelos militares a partir de 1964.

Dentro do período varguista se vê nomes militares importantes e influentes que vão ser essenciais para o golpe em 64 e para a instalação do novo governo, são oficiais que lutaram em posição de prestígio na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial e receberam altas condecorações e honrarias pelo seu desenvolvimento no conflito, mesmo a entrada na luta contra as potências do eixo sendo em desacordo com os homens de altos cargos militares no governo getulista, como Dutra e Góis Monteiro, até porque a relação Brasil-Alemanha era bastante intensa econômica e militarmente, uma vez que até armamento era importado da nação nazista.

Mesmo boa parte dos militares tendo lutado ao lado de Getúlio pela maior nacionalização e industrialização do país e o apoiarem no poder, a entrada na guerra e o estilo de governo populista aplicado por Vargas acabaram por afastar os mesmos do político gaúcho, principalmente após sua saída e, por ocasião da sua volta por vias democráticas, a não continuidade do programa pelo Presidente Dutra, um militar.
Através deste governo populista, aparece no segundo governo de Vargas João Goulart, que se torna ministro do trabalho, e a partir daí a antipatia militar ganha força de vez, já que os homens de fardas viam no discurso desses homens a porta de entrada para a subversão, o comunismo e a sublevação dos graduados militares, causando assim enfraquecimento em um dos pilares da corporação, a hierarquia.

Haviam planos já de tomada de poder pelos militares em 1954, entretanto com o suicídio de Getúlio o cenário nacional muda, uma vez que o populismo de Vargas era bastante forte, fazendo com que se o golpe fosse aplicado naquele momento não haveria apoio da população e, consequentemente, não teria suporte para o governo.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte II

Durante a primeira década do século XX houve manifestações militares em alguns lugares do país, prova dessa efervescência foi o fechamento da escola de oficiais da Praia Vermelha, que, por via principalmente de Benjamin Constant, lecionava sob a influência positivista, e a criação de uma nova instituição no Realengo com um currículo mais apolítico visando formar soldados profissionais que se distanciem ao máximo das questões sócio-políticas que circundam a vida cotidiana em que estão inseridos.
Nos anos de 1920 ocorreu o início do movimento tenentista, sendo este precipitado pela insatisfação militar com o antimilitarista e candidato vencedor à presidência da República Artur Bernardes. O ponto inicial deste movimento, denominado assim devido a maior parte de seus integrantes serem tenentes seguidos de capitães, foi a tomada do Forte de Copacabana em 5 de julho de 1922, objetivando por meio deste limpar a honra do Exército. Após o primeiro dia de tomada a maioria do contingente revoltoso se entrega, restando apenas 18 dentro do forte, os quais em troca de tiros 16 morrem e 2, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, são feridos. Este episódio lançou de vez a imagem do tenentismo, dando força a outros movimentos que viriam a seguir.
Em São Paulo no ano de 1924 a 5 de Julho, data para homenagear a revolta de 1922, visando a derrubada do presidente em exercício os militares tomam a cidade durante 22 dias, saindo pelo interior depois destes em marcha como a “Coluna Paulistas” com objetivo de chegar ao oeste paranaense aonde houve mais enfrentamento entre os revoltosos e os legalistas enquanto os paulistas esperavam a chegada de uma outra coluna advinda do Rio Grande do Sul, a qual se levantou com apoio dos políticos do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em outubro de 1924 e após várias batalhas rumaram a encontrar-se com os revoltosos da coluna paulista.
Em 1925 ambas as tropas se encontram e a maioria de seu contingente decidiu por exilar-se, entretanto boa parte permanece firme aos ideais e saem pelo Brasil, em uma marcha que dura cerca de dois anos e demonstra grande habilidade militar, formando assim a conhecida Coluna Prestes, nome do famoso líder Luís Carlos Prestes, objetivando divulgar os pensamentos tenentistas pelo território nacional e buscando que outros quartéis se levantem, entretanto não foi bem sucedida, mas estes militares marcaram a história pela bravura e por não terem sido pegos pelo governo, uma vez que a coluna começou e terminou por iniciativa própria.
Os movimentos tenentistas deram força a tomada de poder de Getúlio Vargas e boa parte dos revoltosos recebeu o cargo de interventor nos estados da federação, sendo até apelidados de Vice-reis, entretanto o objetivo destes de limpar as regiões das antigas oligarquias não pode ser alcançado e acabaram por se entenderem com as mesmas.
O movimento tenentistas marcou toda a história do Brasil no século XX, a geração desses tenentes participaram como oficiais importantes na FEB e também é a mesma que da o golpe em 1964, mostrando a importância desses levantes e revoltas que varreram todo o ano de 1920.