No Brasil dificilmente
algo não termina em fila. Hoje estive encarando uma dessas que são comuns a
todos que precisam alterar ou tirar documentação. Mas a fila tem algo de
interessante, nela acabamos por escutar tantas conversas que nos mostram como
está o pensamento/sentimento do povo, de uma maneira geral, sobre vários
assuntos, seja ele o futebol, a economia, a política, assuntos pessoais e
tantos outros.
E hoje foi um desses dias
em que havia revolta popular expressa na fila. A começar por um senhor
que reclamava do governo Dilma, mas não sabia se o mandato terminaria esse ano
ou ano que vem, esse mesmo criticava as pessoas que votavam sem ter essa
obrigação e, também, demonstrava desgosto profundo sobre nossos representantes
executivos em todas as esferas de poder. Após ele muitas outras pessoas
resolveram entrar na onda da crítica e deslancharam a reclamar da optometria e
do voto, defendiam a extinção dos partidos e do voto obrigatório, causa que
também sou partidário, embora esta defesa estivesse ocorrendo no momento por
pura apatia política, e por aí adiante seguiram as queixas.
Depois dos portões
abertos, não levei meia hora para resolver o problema.
Sei que a maioria dos
serviços no nosso país são marcados pelo descaso e pela falta de preparo para
os atendimentos, entretanto hoje percebi que não era o caso, mas mesmo assim as
pessoas se puseram a reclamar. Estive pensando se essa reclamação é um ato
relevante.
Sinto dificuldade de crer
que cidadãos que não sabem nem mesmo a duração do mandato presidencial tem tido
a responsabilidade para votar e para cobrar de seus representantes nas mais
variadas esferas do poder. Parece-me que estes são simples reprodutores de
discursos que ouviram de terceiros e se sentem na obrigação de se queixar de
tudo.
O país está desgovernado,
vivemos uma crise política que é clara, o PT não é uníssono, do que dirá a sua
“base aliada”, os principais opositores à Dilma estão dentro do partido do
vice-presidente, a oposição não sabe que rumo tomar e, por outro lado, também
não apresenta propostas de governo contundentes para resolver os problemas do
país. Está posto hoje um cenário altamente faccioso da nossa política, há
agendas claras e compromisso com as mesmas em pouquíssimos partidos, a maioria
quer o poder pelo poder, e busca a sua perpetuação apenas para colher os
privilégios dos cargos.
Renan fez uma agenda
anti-crise, queria cobrar o SUS, voltou atrás. Aumentou os conselhos ao
Executivo de 27 para 43, sendo um deles a diminuição de ministérios. Todos no
Brasil sabem que precisa ser enxugada essa máquina do governo, mas quem abrirá
mão dessas posições privilegiadas? A quem Dilma sacrificará?
PDT e PTB já saíram do
governo, PMDB é mais oposição do que situação, PT está com a moral baixa e
cheio de divergências entre seus líderes. Como Dilma irá diminuir ministérios
sem gerar ainda mais insatisfações dentro da sua própria base?
Domingo haverá
manifestações pró e contra o governo, quem será que colocará mais gente na rua?
Temo pelo que ainda há de
vir. Por mais que a presidente tenha sido eleita e mereça o respeito, sua pouca
habilidade política não tem tornado o país governável.
Em nossas vidas é comum
chegarmos a encruzilhadas em que decidir sobre o que fazer requer grande
responsabilidade. É chegado esse momento no Brasil, precisamos repensar nossas
ações e participar ativamente da política, a vida pública da nação deve ser de
nosso interesse para que haja fim a perpetuação das mesmas pessoas, pessoas
estas que defendem seus próprios interesses, no poder.
Texto Publicado no Jornal da Manhã - 15/08/2015

Muito bom texto, garoto! Avante. Que você seja uma da vozes jovens que trabalhem e lutem por um Brasil melhor.
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