Esta semana
me detive numa livraria e foleei alguns livros de poesia. Confesso que a
sensação que senti foi decepção. Não sei se minha educação me nega apreciar
essa arte ou se realmente a qualidade da escrita tem decaído. Mesmo levando em
consideração o que foi dito antes, ainda sim me considero um admirador da
dinâmica das palavras e de como elas podem penetrar e expressar ideias e
sentimentos dos mais diversos.
Uma das
poesias mais famosas no Brasil é: No meio do caminho. Drummond não escreveu as
palavras singelas para o ano de 2015, mas aí está a simplicidade e a beleza da
arte poética! Não sei no que ele estava pensando, nem o que era a pedra no
caminho, mas sei que lendo os jornais e buscando manter-me atualizado da
situação nacional tenho visto muitas pedras.
Parando para
pensar em um caminho para a nação consigo enxergar várias pedras no nosso
caminho. Talvez a maior delas seria a dinâmica política. O governo federal não
consegue arrumar sua própria casa, o PT não tem homogeneidade, dirão que é
justamente essa falta que torna possível a democracia, mas o problema está em
não chegar a sínteses. A presidente distribui ministérios e cargos, tirando
pastas do próprio partido para dar a aliados, mas assim não consegue assegurar
fidelidade de facções aliançadas e ainda insatisfaz a sua própria.
Ainda dentro
da dinâmica política, há a pedra do PMDB. Maior partido do Brasil, é o
responsável por tornar o país governável,
pois sem seu apoio fica praticamente impossível se concretizar ações, por mais
que haja vontade política do executivo e do próprio legislativo. O PMDB ainda
não conseguiu se livrar da herança do período da ditadura, aonde congregava
várias correntes de oposição ao governo, não tendo, assim, cara. Atualmente não
se cabe mais esse tipo de postura, sendo o projeto do partido em questão o
poder pelo poder já que em regime democrático não tem como se manter a oposição
por oposição sem debater verdadeiras mudanças em todos os âmbitos da sociedade
brasileira.
O PMDB está
em voga, dessa feita também por defender o Voto Distrital. Mesmo sendo uma
tentativa de mudança acarreta muitos olhares desconfiados de especialistas,
pois estes últimos ressalvam a possibilidade de dificuldade de articulações
políticas e de governabilidade, pois um parlamento que seja oposição ao
executivo fará com que o país estagne praticamente, mas também fará haver maior
fiscalização de ambos os lados, pois a busca por erros do lado antagônico está
intrínsecos ao jogo político. Mostrando a dramaticidade que cerca os debates
sobre essa reforma.
Exemplo de
como funciona o jogo político é o nosso estado: opinião pública, de maneira
geral, foi contra a PL 252/2015, executivo ordenou que fosse votado e, como tem
a maioria na Câmara, o projeto foi votado e aprovado. Não levantando aqui os
debates que são necessários, mas transbordam os limites do presente, sobre os
porquês da defesa e do ataque contra o projeto supracitado.
Voltando a
Drummond, poderei falar no futuro que minhas retinas fatigadas não esqueceram
das pedras que viu e, ainda utilizando o poeta, fico com a seguinte pergunta a
guiar-me na busca de resposta: E agora, José?!
Texto publicado no Jornal Diário dos Campos no dia 05/05
Parabéns Matheus Cruz. Belo texto.
ResponderExcluirMuito Obrigado Meu irmão...
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