segunda-feira, 14 de novembro de 2016

“Se tem coisa que não presta é o tal do eleitor”

Hoje é dia de eleição, prefeito e vereadores estão por ser escolhidos e em uma campanha bastante diversificada, aonde a poluição visual que sempre marcou os períodos eleitorais não esteve presente, aonde as empresas não puderam fazer doações, em que tivemos apenas 45 dias de campanha. Ou seja, tinha tudo para ser uma eleição completamente diferente.
Infelizmente o que pude notar, por trás dos bastidores de uma campanha, foi a continuidade de pedidos e mais pedidos, talões, cestas básicas, jogo de camisas, etc. Continuamos com uma sociedade corrupta. Não sei até quando ainda acreditaremos que as leis mudam a sociedade, alteram a cultura política.
O conjunto de leis deveria apenas refletir as discussões que vem se estabelecendo na sociedade. A base da política é a sociedade, mas parece que de maneira geral ainda não compreendemos isso. Infelizmente seguimos nos mesmos erros clássicos da política nacional de acreditar que podemos modificar a realidade social de cima para baixo, infelizmente.
Hoje é dia de eleição, será que enfim será dia de modificar a realidade de nossa cidade? É importante que tenhamos a consciência que a política suja e corrupta é simplesmente espelho daquilo que somos como sociedade. Acompanhei a dificuldade enorme do político de explicar para os cidadãos que é muito pouco um talão de luz frente aquilo que um vereador pode oferecer àquela pessoa, que é passageira a ajuda em uma conta, mas que um mandato bem cumprido pode modificar profundamente a vida das pessoas.
Conversando com um colega da cidade de Castro, ele também se lamentou da situação política que nossas cidades vêm passando. A campanha que ele integra é pequena e sem grande capital, mas com boas propostas. Parece que isso não é o suficiente para convencer os eleitores. Eles preferem continuar votando em corruptos que compram votos e, inclusive, já foram condenados pela justiça.
Aqui em Ponta Grossa, também vemos isso claramente, políticos que estão liderando pesquisas e não tem o mínimo de respeito pela sociedade que deveriam representar.
“Se tem coisa que não presta é o tal do eleitor”, já dizia Dicró!
Há quem possa dizer que este texto tenta eximir os políticos de suas responsabilidades, mas não é essa a intenção. Apenas quero que possamos parar por um minuto e assumir as NOSSAS responsabilidades, que possamos debater com maturidade e sem o que chamamos de mimimi. Precisamos de uma democracia madura, que saiba debater, que saiba ser mais do que troca de favores, que possa ser reflexão, paixão pela sociedade que vivemos e que, com certeza, quando isto estiver entranhado na nossa sociedade estará também na política.

Texto Publicado em 02/10/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo":http://www.culturaplural.com.br/201cse-tem-coisa-que-nao-presta-e-o-tal-do-eleitor201d#.WCoM8y0rLIU

Violência: esquerda ou direita?

Esses dias no ônibus ouvi que somos nós que votamos e os políticos que recebem. Não deixa de ser verdade, mas creio ser um pouco de hipocrisia da parte da sociedade de encarar a classe política com tal descrença, afinal somos nós que elegemos, somos nós que pedimos dinheiro para contas de luz, nos vendemos por cesta básica e assim por diante.
Eu sinto muito em chegar à conclusão de que a cada dia mais as pessoas estão mais hipócritas. Ouvi pessoas dizendo que faz muito mais que o patrão, fisicamente e cronologicamente, e recebe menos, mas essa mesma pessoa acredita que professores devem se aposentar mais cedo, ou seja, defende privilégios.
Foi construído um estereótipo da direita e da esquerda que impossibilitam o debate a sério das posições políticas. O senso comum, por vezes com diplomas da universidade, acredita em uma direita carrasco de direitos trabalhista e uma esquerda democrática e livre; coloca como direita todos que vão contra as suas posições. Essas simplificações empobrecem o debate que é tão caro à democracia.
Enquanto a esquerda demoniza a direita e a coloca como a maldade personificada, colocando o patrão em extremo oposto ao empregado, considerando o proletário como vítima de uma teia social e o capitalista como o mentor de todas as crueldades que há no mundo; e a direita coloca a esquerda como ditatorial e corrupta, fazendo questão de ressaltar as atrocidades ocorridas em países de regime socialista ou comunista, permaneceremos numa superficialidade epidérmica.
A cada dia que passa se torna mais complicado tomar posição sobre determinadas situações na sociedade. Focault é um dos principais pensadores que evidencia essa violência feroz que os discursos exercem sobre os sujeitos dentro da sociedade. Há quem se admita de esquerda por dizer que não concorda com as ideias de direita, por acreditarem nesse discurso raso de que ser conservador ou liberal é ser desumano; por outro lado há quem se admita de direita rechaçando as crueldades que foram cometidas pelas ditaduras de esquerda.
Ambos os discursos infligem forte pressão sobre os sujeitos e nos vemos, dependendo da instituição a que pertencemos, sob coerção de aceitar um e rejeitar outro sem o mínimo de questionamento.
O Brasil só terá de fato uma democracia madura quando aprender a desconstruir essas amarras e cada indivíduo tomar firme posição sobre o que pensa. Só seremos maduros quando nossas discussões compreenderem que esquerda e direita não dão conta da complexidade política que vivenciamos no nosso cotidiano. 

Texto Publicado em 25/09/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/violencia-esquerda-ou-direita#.WCoKhi0rLIU

Educação e sua estrutura

Durante a história da escola e da educação em si muitas tendências estiveram em voga e por vezes focaram o professor, depois o aluno, variando também o centro entre o conteúdo final ou o método utilizado. O que é plenamente questionável é se o professor está preparado para utilizar esses saberes que há tempos vem se modificando e inovando. Infelizmente tem-se dentro de salas de aulas profissionais que acham fútil a compreensão da dinâmica do ensino/aprendizagem e por consequência os mesmos se veem perdidos no que estão a fazer e não conseguem objetivar de fato aonde devem chegar com o seu aluno.
A escola ainda hoje é vista, e muita propaganda é feita sobre esta face dela, como meio de democratizar, de ofertar uma vida melhor ao indivíduo, fazer com que ele alcance o que seus pais não conseguiram, possam crescer dentro da sociedade. Infelizmente o que se encontra dentro dos limites escolares é exatamente o avesso, embora a maioria dos profissionais que ali estão não o percebam, já que julgam a dinâmica dos métodos fúteis. O estudante se torna completamente dependente, mecanizado e adestrado, estando ali somente por obrigação e fazendo tudo em troca de um agrado, nota, não sendo capaz de julgar para si o valor do processo educativo, de saber fazer suas próprias escolhas, pois não é lhe dado chance alguma de aprender, e se perde dentro da metodologia vaga que lhe é impressa por professores que estão descomprometidos com a arte de ensinar e com o dever de formar cidadãos.
Além do despreparo e o descaso dos professores, se vê uma instituição falida, submersa no mundo da politicagem, que ao invés de buscar o melhor para o aluno trabalha diariamente em prol de uma propaganda política para um governo, para gerar índices, não por qualidade, mas como se fosse o relatório positivo de uma empresa. Enquanto a escola, que já tem uma estrutura atrasada, estiver sob a guarida de políticos não se poderá realmente fazer muito. Enquanto as instâncias de ensino não forem autárquicas em si não haverá liberdade. Sem a mesma é impossível explorar o máximo da comunidade onde a escola está inserida, afinal cada uma tem a sua peculiaridade e esse tão antigo costume de fazer cópia de modelos, que o Brasil está mais do que acostumado, não funciona justamente por não respeitá-las.
A estrutura física é outra que invés de levar o educando a liberdade o aprisiona. Não há muita diferença da maioria das escolas e presídios, a noção é a mesma, regras semelhantes, inclusive com direito a banho de sol (recreio), muros superprotegidos, horários rígidos. Embora a disciplina seja importante, os educadores, a maioria sem nem saber o porquê, impõe tais leis que deseducam e alienam os estudantes de suas responsabilidades, uma vez que elas são tidas como um fim próprio em si e não como processo de conscientização e educação. 
Enquanto a escola não tomar postura de liberdade e existirem profissionais comprometidos com aquilo que escolheram para si, os alunos continuarão odiando está dentro de seus muros e o farão simplesmente por obrigação, isto sendo límpido a olhos nus no momento que o sinal soa para o fim da aula e os estudantes saem de maneira desesperada de encontro à liberdade. É preciso que o processo educacional como um todo não seja simplesmente o preparatório do jovem para a sociedade, mas seja a própria sociedade do jovem. A liberdade só é ensinada com liberdade, do contrário o condicionamento gerará cidadãos alienados de todas as suas responsabilidades frente ao meio em que vivem. 

Texto Publicado em 18/09/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo":http://www.culturaplural.com.br/educacao-e-sua-estrutura#.WCoHcC0rLIU

Independência ou morte?!

Semana do dia 7 de setembro, feriado nacional, repouso... Infelizmente nossa cultura no Brasil não valoriza os feriados como momentos de reflexão, afinal o país não para simplesmente para descansar da rotina cansativa que o cotidiano impõe.
“Independência ou morte!”, frase memorável, provavelmente irreal. A constituição de heróis nacionais traça um desenho elitista na história nacional e, provavelmente, por isso a intelectualidade, em sua maioria de esquerda, defende o esvaziamento de datas como estas.
Não podemos fechar os olhos e dizer que a constituição do nosso panteão de heróis é totalmente democrática, que é inclusiva, mas não podemos agir com a irresponsabilidade de pensar anacronicamente. Negar datas nacionais como a Independência é como querer apagar um passado que não pode ser apagado. Sim, o Brasil teve uma transição através de acordos e continuidades, grande parte do processo que o torna independente politicamente e o coloca sob a esfera de influência inglesa é liderado pela própria família real portuguesa.
Parar e pensar aquilo que somos como nação é essencial, precisamos saber aquilo que somos antes mesmo de definir aquilo que gostaríamos de ser. Nossa política passa por períodos sombrios aonde forças opostas se digladiam e não parecem se importar muito com o brasileiro de maneira geral e isso não vem de agora com o processo de impedimento, mas de anos de dicotomia entre o grupo petista e os tucanos. Enquanto mantivermos uma falta de consideração pela nossa história e insistirmos numa relativização extrema, não nos permitindo nutrir em nós mesmos o sentimento de pertencimento à nação, continuaremos adulando os símbolos estrangeiros.
Tenhamos consciência da complexidade e do perigo das ideias nacionalistas, afinal todo extremismo leva a desastre. Agora abandonar o respeito e a admiração pela pátria e pelos símbolos nacionais faz com que criemos esse complexo de inferioridade que alimentamos e ainda nos permite um descompromisso tal com as ações que envolvem a nossa nação que claramente pode ser visto na política, entre outros campos.
Nacionalismo não é tolice. Quero destacar que durante toda a conversa falamos de nação e não de Estado. O 7 de setembro de 1822 foi um ato não de brasilidade, mas criação de um Estado. Mesmo assim este fará parte também da formação daquilo que passou a significar ser brasileiro.
Que enfim possamos zombar de tantos grilhões que muitas vezes nós mesmos forjamos. Que estes grilhões da desesperança, da inferioridade, da corrupção, da politicagem, da sociedade baseada na malandragem possam ser estilhaçados pelas mãos poderosas da nação brasileira: nós. 

Texto Publicado em 11/09/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/independencia-ou-morte#.WCoE6i0rLIU

Somos todos ladrões?!

Na semana passada tínhamos a esperança do futebol no pé das mulheres e agora elas estão eliminadas e, de repente, o time masculino que nada vinha jogando goleia, chega à final e se torna campeão. Diz o ditado que sorte no jogo e azar no amor. Será?!
Será que a mudança de sorte no esporte trará renovação também na política? Na semana passada escrevi sobre a crise de representatividade pela qual passamos. Não nos vemos nos políticos e nem o futebol traz mais as alegrias que nos acostumamos ao assistir a seleção canarinho.
Essa semana agora as esperanças foram reversadas novamente, nossos pontos de crença em alegria mudam de modo volátil. Onde está o problema?
Vivemos numa sociedade hipócrita e creio aí morar a justificativa para que nossos representantes sejam como são, tanto nos esportes como na política. Incrível observar as postagens de Facebook e noutras redes sociais, assim bem como os comentários pelos corredores, filas e assim por diante de pessoas se queixando e emitindo juízos de valor contra políticos e jogadores que recebem uma fortuna e não fazem valer seus respectivos salários.
Infelizmente muitas dessas pessoas, não quero generalizar, não tem o mínimo compromisso com a sociedade, pelo contrário, desperdiçam o dinheiro público que é investido. Ainda vivemos uma cultura de que aquilo que é financiado pelo Estado é de graça.
A crítica a nossos representantes deve ser sim contínua, mas eles são apenas reflexo daquilo que somos como sociedade. Por favor, não vamos continuar nos excluindo da responsabilidade das coisas que estão por aí.
Esses dias, ouvi um comentário sincero, porém lamentável: “se eu estivesse lá, roubaria também”. Essa é a realidade que muitos de nós não admitimos.
Roubamos ao Estado, e a sociedade por tabela, quando não cuidamos do patrimônio público, quando simplesmente deixamos de ir às aulas onde os professores estão sendo pagos por nós para ali estarem, quando negociamos a coisa pública, roubamos quando não fiscalizamos e participamos da política diretamente, assim bem como furamos a fila dos hospitais com o jeitinho brasileiro de ser. Nossa sociedade é uma ladra e nossos REPRESENTANTES são o que são por serem reflexo de nós.
Não quero que o leitor entenda este texto como um discurso moralista, pelo contrário, quero que sirva de reflexão para repensarmos o moralismo que aí está, um falso moralismo.
Vamos repensar nossas ações, repensar quem somos e a sociedade que queremos. É época de campanha e está dado à largada para os pedidos de votos e essa “festa da democracia”. Vamos escolher melhor, escolher exemplos daquilo que a nossa sociedade não é.
Vamos refletir, #somostodosladrões?!

Texto Publicado em 21/08/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/somos-todos-ladroes#.WCoDBi0rLIV

Crise de representatividade

Começamos a semana com o nosso maior orgulho durante décadas ferido de morte, parece. Nosso futebol masculino empatou mais uma e foi vaiado ao final do jogo. A seleção canarinho que sempre deu alegrias diversas ao Brasil e representou a nossa arte de jogar futebol e o espírito alegre e descontraído que é marca do nosso povo acaba por não mais representar o país.
Que tempo é esse que vivemos? Estamos sem representantes? No cenário esportivo estamos lentos na busca por medalhas. Inclusive tenho a impressão de que iremos pior esse ano do que em Olimpíadas anteriores. Será que esta situação nos representa?
Nosso país encara uma crise política aonde temos problemas graves na política nacional. Nossa presidente é ré agora. Nosso presidente em exercício tenta segurar os gastos e com isso vai ganhando impopularidade. Nossos deputados estão desprestigiados, assim bem como o supremo. Temo por esse panorama que vivemos atualmente.
Em nossa cidade, ano eleitoral. Para o município vivemos uma falta de nomes fortes para o executivo e vejo que a eleição, de novo, será ganha por aquele que tem menos rejeição. Será que essa situação política também nos representa?
O que é o povo brasileiro? Somos integrantes de uma nação nova ainda, uma república que ainda começa a dar os primeiros passos. Mas isso justifica?
Vivemos uma crise de representatividade aonde parece não haver solução e confiança. Ouvi num ponto de ônibus de um bairro afastado da nossa cidade que não deveríamos votar em ninguém mais. E depois de uma pausa demorada de reflexão da pessoa que se escuta, vem a correção: "ou escolher melhor. Mas quem escolher?".
Infelizmente vemos uma esquerda que tem construído muito pouco e uma direita mais preocupada com o poder. Temos um centro que está preso a amarras políticas, mas tudo isso é apenas reflexo da própria sociedade. Ainda acredito na democracia representativa como modelo para o Brasil e as burocracias para a nova eleição visam oportunizar e oxigenar a disputa eleitoral, mas o povo precisa votar mais consciente e parar de vender seu voto.
Eu durante algum tempo cheguei a acreditar que ninguém mais fazia isso, só que, infelizmente, ainda ouço conversa de pessoas dentro da política institucional se organizando com troca de favores e a compra de votos.
Vivemos uma crise de representatividade porque não refletimos, não construímos, apenas cuspimos em todos que se colocam em evidência. Não buscamos entender como as coisas funcionam, preferimos o conforto de ofender por ofender. Vivemos a crise de representatividade porque não sabemos quem somos, quem fomos e quem queremos ser.

Texto Publicado em 14/08/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/crise-de-representatividade#.WCoAtS0rLIU

Época de política?!

E hoje é domingo, dia de sentar e poder trocar uma ideia com os amigos, familiares, vizinhos... Esse é o intuito da nossa coluna aqui. 
Uma das expressões que mais me chamaram a atenção durante essa semana é a tal da ‘época de política’. Mas o que seria isso? “Fico esperando chegar a época de política”; “nessa época de política que é bom trabalhar”; “essa época de política é chata, esses políticos são todos corruptos”; e assim por diante.
Época de política... O que essas pessoas chamam de ‘época de política’ é o período da corrida eleitoral, mas temos um recorte temporal para fazer política? 
Infelizmente ouvi essa expressão de pessoas que estão diretamente trabalhando com a política institucional, o que muito me entristece, uma vez que política, seja em qual âmbito for, não se faz de dois em dois anos, muito menos de quatro em quatro. Nossa população se diz farta de tanta corrupção e roubalheira, coloca a culpa em centenas de pessoas, mas não enxerga que talvez o principal problema da nossa cidade, do nosso país é acreditar ainda que existe época de política.
Semana passada também tivemos a ocupação da escola Frei Doroteu. Eventos como estes costumam ser bastante emblemáticos: de um lado os estudantes reivindicando as melhorias; de outro, posições que defendem uma total independência de qualquer partido político ou entidade representativa; por fim, partidos e políticos tentando ajudar ou aparelhar o movimento. Será que isso é por causa da ‘época de política’?
Enquanto observarmos a política como ciclos que terminam e recomeçam continuaremos reféns de eleições. Ações como as dos secundaristas mostram que a política tem que ir muito além do que simplesmente depositar seu voto em algum representante, muito além. 
Época de política é todo dia, todo ano. Enquanto vivermos uma política rasa e superficial, enquanto não cobrarmos responsabilidades ao invés de favores, não conseguiremos sair dessa imundícia que muitos fazem da nossa política nacional. 
Mas hoje é domingo, vamos deixar para amanhã as mudanças e apenas esquecer que o mundo existe e poderia ser melhor. 

Texto Publicado em 07/08/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/epoca-de-politica#.WCn-_C0rLIU

sábado, 23 de julho de 2016

Política Partidária?

Pensar a política atualmente não tem sido tarefa fácil, não que em outros tempos o tenha sido. Perceber a movimentação de articulações e alianças que jogaram a política nacional nas malhas do povo, fazendo com que o mesmo enoje-se, em sua maioria, dos debates político ou apenas fique em um nível raso polarizando entre coxinhas e petralhas.
Quanto a essa polarização, eu me recuso a chamar de direita e esquerda, temos uma situação desanimadora. Vivenciamos na nossa nação (sejamos sinceros, esse fenômeno está muito além do Brasil) uma morte das ideologias, as utopias que moveram a máquina da política estão sucumbindo ao desânimo e um catastrófico determinismo em que as forças para a mudança estão sendo enterradas com a perspectiva de não termos mais o que fazer, porque tudo sempre foi assim desde os portugueses e o mundo realmente acabará pelos problemas ambientais. Por outro lado parece que não há muito de bom a ser conservado e o liberalismo se encontra tão perdido quanto as outras correntes.
Pensar política é preciso, talvez mais do que nunca. Os partidos políticos estão em definhamento. Já ouvi muitas vezes que este modelo de representatividade está em decadência. Mas eu gostaria de destacar aqui que esses mesmo sujeitos que fizeram essa crítica acreditam na representatividade e já os vi defendendo-a, ou seja, criticam o modelo partidário não pelo que é como horizonte para construção, mas como aquilo que está posto atualmente e altamente deturpado.
Eu acredito na política partidária e é preciso sim firmar posição quanto a isso.  Vejo que os movimentos apartidários não tem orientação bem definida, apenas vão ao sabor da onda, sem responsabilidades com a construção de melhorias possíveis. O partido político deve servir para o debate interno de ideias e para a defesa dessas propostas, buscando meios de coloca-las em prática com responsabilidade, afinal se não o for será cobrado e, dentro da lógica eleitoreira, perderá voto. Quem não tem vínculo com eleição (ou seja, com representatividade), não assume posição como sujeito e se esconde atrás de movimentos de massa sem dar a “cara a tapa”, quem não assume liderança também não assume responsabilidades. Movimentos sem líderes são movimentos que não tem de quem cobrar, logo, são movimentos que são incapazes de gerar contribuições profundas na sociedade por não terem vinculação com base.
Está dentro de um partido político é importante, afinal ali você poderá defender a sua ideia e fazer valer a discussão e construir. Construção só se faz com coragem e responsabilidade, coragem de assumir posição, carregando, deste modo, os louros das vitórias do partido, mas também a oposição que também o acompanha as siglas partidárias e fazem parte da beleza da democracia.

É preciso que haja espaço para o diálogo e que de uma vez se extinga da política nacional essa bipolarização rasa e fútil. Não quero fazer crer nesse pequeno texto que as organizações partidárias não têm problemas, mas sim chamar a atenção para, em boa parte, a falta de participação do cotidiano partidário como motivo para a falência do modelo atual. É a construção de partidos de base, que escutem a população, sejam cobrados por ela e que funcionem para além das eleições como apenas legendas para se digitar na urna que possibilitarão a mudança política. 

Publicado no Jornal da Manhã, 6 de Julho de 2016

quarta-feira, 30 de março de 2016

Que seja já, que seja agora!


O Brasil vive um período de grande incerteza e descontentamento para todos os lados. A presidência da República a cada dia mais perde a possibilidade de governar e tirar o Estado da lama que está. Vimos uma presidente largar o país para se por ao lado de um investigado.
Me dirão que ela está defendendo o país assim, está lutando pela democracia. Até mesmo defenderão que tudo o que está sendo feito é apenas perseguição política e que não podemos levar em consideração porque é golpismo de emissoras de televisão e de grandes conglomerados empresariais.
Eu sempre me pus como oposição ao governo, mas também nunca apoiei o PSDB. Não concordo com os ditames econômicos do governo, julgo mais como paliativo do que efetiva democratização de direitos, uma vez que não estamos vendo o prosseguimento dos projetos sociais. Mesmo assim, inclusive já publiquei um texto em jornal da cidade, defendo as cotas e seus benefícios de inserção.
É inegável que os anos em que o PT esteve à frente mais pessoas saíram da miséria, o país veio em ascendência.
Mas como parece que desde sempre o nosso país é marcado pelo dualismo: liberais e conservadores; esquerda e direita; republicanos e monarquistas; PT e PSDB e assim por diante, nos jogamos novamente nessa dicotomia tola que favorece ao ódio e em nada facilita as opções de diálogo. Parece que temos medo de parecer indeciso e não percebemos que o centro também é uma posição. Esse medo é aumentado porque nos portamos como se a pessoa que pensa diferente sofresse de uma doença contagiosa.
Esse discurso do respeito, inclusive, vem sendo bastante divulgado de ambos os lados, mas temos visto isso? Temos uma oposição paternalista, que está se movimentando para retomar as rédeas do país, temos uma esquerda paternalista também que julga absurdas as ideias contrárias, apela para a falta de estudo ou aula de história, como é mais comum nas redes sociais, como justificativa de quem pensa diferente, veem-se como os iluminados.
O impedimento de um presidente é previsto pela constituição, nós já derrubamos um, Collor, inclusive o PT esteve junto no movimento a favor da queda e lutou para que o FHC sofresse o mesmo processo. Sim, é um ato de muita responsabilidade, mas não é golpe. Não é uma questão de perder nas urnas, mas de investigação e, se for comprovado o crime das Pedaladas, justiça. Eu sou contra que os telefonemas sejam colocados no mesmo processo das pedaladas. É preciso que o povo se conscientize do que está em julgamento e, infelizmente, não temos isso nem da imprensa, nem da oposição e nem do governo.
64 foi marcante, mas não estamos lá mais. Em 64 não havia crimes, havia questões ideológicas e o mundo estava imerso na Guerra Fria, a tirada de Jango do poder foi um golpe sim!, mas o impedimento, se for comprovado o crime, não é golpe não. A nossa democracia está amadurecendo, mas isto não deve ser desculpa para permanecermos com um governo que, se for provado, é culpado por crimes de responsabilidade administrativa e que, por outro lado, não tem em nada um discurso apaziguador.
Defendiam que o ministério para o Lula não tinha ligação com o foro privilegiado, afinal iria ser investigado pela instância máxima da Justiça do país. Agora vemos constantemente ser negada a nomeação do ex-presidente.

Vamos ter coerências em nossos discursos. Se o Moro se excedeu que seja investigado, se o PSDB está sujo, como tem sido mostrado que está, temos que lutar pela sua investigação também. O que não podemos é defender um dizendo que o outro também está errado. Que haja reforma política no País, que seja já, que seja agora! 

Texto Publicado no Jornal Diário dos Campos, 17/03

quinta-feira, 10 de março de 2016

O Paternalismo Brasileiro


 A questão do paternalismo no Brasil se estende durante séculos, desde a sua formação europeia. Se olharmos para as primeiras descrições do Brasil vemos interesses voltados às riquezas que a terra poderia dar, mas também vemos muitas delas, principalmente por parte dos religiosos, com vistas a salvar os índios da sua ignorância e de seu modo de vida bestial.
A concepção de que é necessário alguém superior para ajudar quem está mais abaixo persiste com os senhores de engenhos e o sistema implantado no Brasil com os agregados. Mesmo sendo um país escravocrata, ainda via-se na mão do senhor um socorro, ou seja, mesmo ele sendo dono e reificando outra pessoa, esta ainda via qualquer “bondade” do senhor como um favor.
Os exemplos se seguem com a Monarquia, com a República, com a Era Vargas e sua política populista, com o autoritarismo do Governo Civil-Militar implantado em 64, e assim por diante. Mas nesse pequeno texto, ainda quero lembrar posições paternalista por parte daquela ala que deveria, como parte do seu discurso defende, lutar contra esse tipo de ação.
A esquerda marxista-leninista já dava mostras de seu paternalismo, ou projeto de poder totalitário, quando dispensa a democracia por defender que os líderes bolcheviques sabiam aquilo que era melhor para o povo.  Vemos esse tipo de ação também nos CPCs da UNE (Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes) instalados no Brasil no meado do século passado. Essa organização que considerava a Cultura Popular como esdrúxula, alienada e defendia uma Cultura Popular Revolucionária, levando “politização” e “cultura de qualidade” ao proletariado.
A construção, tanto à direita como à esquerda, da nossa sociedade e da nossa identidade demonstram como fomos condicionados a uma situação de sempre esperar de cima as providências que resolverão as nossas vidas. Não estou aqui criticando programas assistenciais simplesmente, mesmo porque acho que os mesmo sejam necessários para reparar séculos de discriminação e marginalização, mas a postura que os brasileiros têm de ver no governo uma fonte de favores, nunca obrigações por terem sido eleitos.
Esse tipo de pensamento e postura ainda se vê mesmo nos meios universitários. Isto fica claro quando interpretamos o Mito da Caverna como se nós, acadêmicos, conseguíssemos retirar das trevas da ignorância as demais pessoas e como se nós fossemos intocáveis e donos da verdade, desconsiderando o pensamento daqueles que, muita das vezes não tem formação universitária, e pensam de maneira diversificada. Isso fica límpido quando simplesmente achamos absurdo e julgamos inaceitável que pessoas façam manifestações contrárias às ideias predominantes na academia e as criticamos como se as mesmas fossem ignorantes e incapazes de ter consciência histórica, apenas pelas mesmas não pensarem da mesma maneira que a elite acadêmica pensa, sentimos isso dentro da própria academia, muitas vezes, na relação professor-aluno.
O Brasil só conseguirá estabelecer uma democracia saudável quando os brasileiros reconhecerem a necessidade de dialogar e respeitar as opiniões contrárias, quando a população parar de reclamar do governo quando dá enchente e mudar sua postura com o descarte do lixo. O Brasil só alcançará a maior idade e a maturidade democrática quando deixarmos de ser pedantes por um lado, preguiçosos por outro e, acima de tudo, omissos e assumirmos os bônus e ônus de sermos sujeitos da história.



Publicado em: 10/03/2016 no Jornal Diário dos Campos

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Sobre as Cotas e a Corrupção

O último texto que escrevi e publiquei aqui foi na segunda semana de Janeiro e falava sobre a esperança de um ano melhor, de mais fé nas instituições políticas, de mais força para lutar e fazer um Brasil melhor. Meus textos sempre são de oposição ao governo federal e continuo o sendo, mas este quero que a tônica seja um pouco diferente, mesmo sem deixar a crítica de lado.
Um dos projetos aplicados durante o governo do PT foram as cotas. Dentro de uma relação amor&ódio na sociedade, é um tema que até hoje gera polêmica. As pessoas que são contra defendem a meritocracia, ideia típica do liberalismo econômico expressa, por exemplo, na frase “O Sol Nasce para todos”, deixando transparecer que todos têm as mesmas oportunidades e “Querer é Poder”. Não resta dúvida de que devemos correr atrás dos nossos sonhos e nos esforçarmos, entretanto será que tudo se resume a isso?
As cotas são justificadas pela chamada Dívida Histórica, mas seus opositores dizem que não devem nada. Realmente não somos nós que devemos (diretamente), mas a sociedade em que somos sujeitos deve, logo nos tornamos devedores também. A abolição da escravatura veio como uma covardia contra a população liberta. Foi feita de cima para baixo e pensando apenas a classe dominante. Foram trazidos europeus para trabalharem aqui, renegando os negros à marginalização.
Sim, a sociedade brasileira deve a inclusão no mercado de trabalho e na própria sociedade desses que sempre foram excluídos e, sim, as cotas são necessárias. Entretanto é importante destacar que elas não são a solução, deve-se investir em educação de base de qualidade, as escolas públicas devem preparar de fato os alunos para a vida, para a concorrência do mundo adulto também.
Alguns projetos existem para preparar esses jovens para entrar no mercado de trabalho, vemos isso com os mais variados projetos que o governo mantém como o tão falado PRONATEC, e outros que permitem o ingresso na Universidade, como o ProUni e o Fies. Há novos caminhos para que os antes excluídos possam ter acesso ao tão elitizado ensino superior.
Mas é preciso mais! É preciso que se dê base social e econômica para que esses jovens possam ter condições de se manterem e que possam acompanhar o ritmo para que as desistências não sejam frequentes, melhor, que não existam.
Presenciei nesse início do ano muitas pessoas revoltadas com as cotas e outras, o que é muito pior, que não tem “direito”, pois não são afrodescendentes, se utilizando desse meio criado para integrar os que a sociedade um dia marginalizou para proveito próprio. Isso muito me enoja, porque são anos de luta por mais igualdade e a nossa sociedade cospe na cara da justiça e na luta por uma sociedade mais justa e depois reclama da corrupção lá em cima.
Essa foi a minha primeira decepção com o Brasil esse ano e foi com a sociedade e não com o governo. Para um país melhor é preciso que sejamos melhores cidadãos, que cumpramos com a moral e a ética. Precisamos extinguir a corrupção da sociedade para que alcancemos a justiça e, consequentemente, um governo melhor e mais limpo.

Publicado no Jornal da Manhã - 26/01/2016


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Nostalgia, Adeus Ano Novo!

“Adeus ano Velho, feliz ano novo”!
Como é de costume nos vemos cercado por canções típicas dessa época festiva de fim de ano em que as pessoas se sentem mais sensíveis e esperançosas de fazerem um ano melhor.
Esse ano não parece ter sido muito bom, pelo contrário, vivenciamos as mais variadas tragédias. Uma das que mais nos afeta cotidianamente é a tragédia política que estamos presenciando. Nosso governo não consegue governar, a oposição, sem moral, pede pelo impeachment, a base aliada não parece tão aliada assim, o líder do PT na câmara ameaçou bater em manifestantes, em contrapartida há quem não apoie o governo, mas não julgue que esse caminho, impeachment, seja o correto, pois é uma ameaça à democracia e à legitimidade das urnas.
Lendo esses dias alguns livros, me vi envolto em uma nostalgia de um tempo que eu não vivi. As instituições nacionais estão se digladiando e perdendo, a cada batalha, a confiança da população brasileira. Em todos os lados vemos corrupção, em todos os lados vemos as dores de uma política suja e enterrada na lama. São poucos os partidos e personalidades do nosso meio político que se destacam por suas posições firmes e coerentes.
Ahh que saudades da última metade da década de 1980...
A editora Brasiliense publicou uma coleção chamada O que é?, coleção que visa debater os mais variados temas. Alguns dos temas abordados sãos políticos, como nos títulos O que é Deputado? e O que é Parlamentarismo?. Lendo esses livros, escritos para debater a Constituinte, e assistindo documentários sobre a mesma vejo uma confiança em um Brasil melhor, em uma política limpa e coerente, de discussões sobre ideias que levariam o Brasil a um lugar melhor, a uma sociedade mais justa.
Parece que realmente havia esperança de fazer diferente. Depois de 21 anos sob o governo Civil-Militar havia uma linda festa para a democracia, as instituições estavam sendo construídas para funcionarem com credibilidade e longevidade, debatia-se que rumo o Brasil deveria tomar, qual deveria ser o esqueleto do Estado, tínhamos um deputado índio!
Aonde será que perdemos essa fé?

Que os ventos de liberdade soprem sobre o nosso país esse ano! Espero que o espírito natalino e o ano novo possam trazer a nossa política mais transparência e de fato uma reestruturação que poderá levar-nos a um país melhor, a construir um Brasil que seja nosso de fato, que as discussões possam ter ecos e que a vontade do povo possa ser legitimada, que de uma vez por todas deixemos de ser reféns de quem tem mais, que tenhamos, de fato, como a nossa presidente prometeu para esse mandato, uma “Pátria Educadora”, do contrário bastará apenas a nostalgia e a angústia de viver um tempo em que não vemos saídas, não enxergamos esperança e não temos mais fé nas instituições que deveriam nos representar. Vamos fazer um ano diferente, do contrário, se esse ano novo for como 2015... Adeus Ano Novo!

Artigo Publicado no Jornal da Manhã, 06/01/2016.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Bem-Vindo ao passado!


Essa semana as redes sociais falaram muito da chegada de Mart McFly aos nossos dias. No filme ele chega a um futuro que, obviamente como vemos, não existe. As brincadeiras foram muitas durante toda a semana a cerca disso. Mas será que estamos no futuro? Não temos carros voadores, muito menos skates, nossas estradas estão bem no chão, nada parece tão futurístico no cotidiano das nossas vidas.
Ainda olhando as redes sociais outro evento, bem menos popular, diga-se de passagem, tem aparecido também: Escola Sem Partido. A ideia básica é deter a doutrinação, inclusive o lema do movimento é “Educação sem Doutrinação”, como fazer isso? Punindo!
Ditaduras do mundo inteiro se utilizaram muito disso, tanto as de direita quanto as de esquerda, mas parece que isso ficou no passado, ou será que estamos vivendo o passado?
Para quem visitar o site e olhar a bibliografia sugerida pelo movimento verá que A Escola Sem Partido, tem partido sim. Os guias politicamente incorretos estão lá nessa lista e, como é claro, não estão nem perto da imparcialidade. Tentei uma vez ler o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, mas se tornou uma missão quase impossível tamanho apelo anticomunista que ali é feito. Isso não é ser imparcial.
Durante o século XIX a História para se firmar como ciência tentou ter métodos que gerassem a objetividade, mas já todos temos noção que é impossível não haver subjetividade em tudo aquilo que fazemos, somos humanos, faz parte de nós.
A Igreja durante muito tempo queimou livros e os proibiu porque as pessoas se desviariam se os lessem. Hoje olhamos para trás e vemos que a maioria daqueles que estudaram e se colocaram contra a Igreja não deixaram de ser cristãos. Morreram como grandes nomes das ciências e artes e cristãos.
Estou em sala de aula já há alguns anos e dentro da lógica desse projeto é só eu ir com uma camisa do Chico Buarque, por exemplo, que no dia seguinte todos já sabem as músicas e o defendem como melhor artista nacional de todos os tempos; todos eles são Flamengo porque eu sou, enfim, todos eles pensam muito semelhante a mim, afinal tenho o Super Poder de domar a mente deles e transformá-los em zumbis a meu comando.
Não defendo que enquanto profissionais devamos fazer proselitismo, inclusive há uma equipe pedagógica responsável por evitar abusos em sala de aula, mas é impossível que eu deixe minhas paixões, sejam elas de qual ordem forem, do lado de fora da sala de aula porque nada, absolutamente nada, é imparcial. Pedi que um capitalista ensine comunismo com vontade e sendo imparcial é tão absurdo quanto o contrário.
Claro que professores tem influências em seus alunos, mas não os domesticam. Tive alunos que são a favor da volta do Regime Ditatorial nas bases daquele que vivemos entre 1964-1985, mesmo eu sendo contrário, alunos que são a favor da total militarização da polícia, mesmo eu sendo contra. É uma farsa essa ideia de não haver partido, é doutrinação à direita.
Devemos ter responsabilidade ao exercer nossa função em sala de aula, devemos sim gerar debates e ensinar nossos alunos a pensarem e a criticarem, sendo cidadãos de fato e praticando o respeito à variedade de pensamento, como prevê a Constituição e a LDB reafirma.
Acusar um professor de está doutrinando é um ato tão subjetivo quanto tomar partido. Voltar a amordaçar, excluir o debate dentro da escola é gerar pessoas “apolíticas”, e quando se é “apolítico” defende-se o status quo. Se nossos jovens não tiverem a escola para debater aonde surgirão as ideias? Precisamos já de uma reforma na nossa política, todos veem isso, mas para a Escola Sem Partido deve está confortável do jeito que está porque eximir nossos alunos da possibilidade de criticar é criar servos e não cidadãos.
Se Mart McFly chegou e está lendo esse artigo agora lamento informá-lo que aqui não é o futuro, é o passado. Bem-Vindo ao passado!



 Texto publicado 29/10/2015 no Jornal da Manhã

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Declare Guerra!


O cenário político do país não anda muito bem das pernas. Dilma e seus problemas com o TCU e o Congresso, já que distribuiu os ministérios e mesmo assim não conseguiu ter quórum para votar os vetos, Cunha e suas contas na Suíça, a classe política não inspira a mínima confiança para a população. É preciso as medidas de austeridade, mas elas não conseguem ser digeridas por uma sociedade cansada pelo sentimento de está pagando pelos erros de outros.
É a democracia... A minoria beneficia-se do acerto, mas também paga o erro da maioria. Mas o que me chama mais atenção é a aversão da população à política. Incrível como é caracterizado pelas pessoas como se fosse um lugar putrefato, sem salvação.
Uma música antiga do Barão Vermelho narra uma pessoa com quem tudo dá errado e perto do refrão ela, a música, diz: e pra piorar quem te governa não presta. Parece que essa voz é meio unânime em meio às crises variadas que o Brasil passa, desde a política, passando pela econômica e desaguando na social, esta ainda em sua gênese.
Creio que o que tanto os mais alinhados a esquerda quanto os círculos intelectuais nomeiam como uma onda conservadora vem desse afã de querer uma mudança, acabando por atirar para todos os lados na busca de uma saída.
Ano que vem haverá novas eleições, desta vez para os municípios, e é preciso que essa imagem de que política é algo que devamos manter distância se encerre de uma vez por todas. Enquanto quem tem boas ideias e que gostaria de fazer o melhor pela sociedade aonde vive está apenas olhando, quem só está interessado no poder e no enriquecimento se aproveita. Necessário é que se tome partido das causas que regem nosso cotidiano, não podemos mais julgar que a política não interfere na nossa vida (já ouvi isso inclusive de professor universitário!), não podemos alimentar esse paradigma.
A música do Barão explode no refrão dizendo: Declare Guerra a quem finge te amar, Declare Guerra! A vida anda ruim na aldeia. Sou um pacifista, creio que a violência gera um desiquilíbrio transformando a sociedade em refém do medo, mas Gandhi ficou para a história por declarar guerra também sem levantar armar alguma!
É preciso que haja renovação dentro da sociedade e que ideias novas e comprometidas com o bem comum possam encontrar guarida e força para crescerem, mostrar a diferença. Temos que nos envolver e procurar conhecer os meandros políticos, isso não é chato ou desnecessário, pelo contrário! Vivemos numa democracia e o governo emana do povo e é para o povo, infelizmente não é isso que temos acompanhado há algum tempo na nossa classe política.
Declare Guerra a quem finge te amar, aqueles que em campanhas e nos veículos de comunicação estão sempre dizendo bonitas palavras banhadas a demagogia e, não pegue em armas como algum líder sindical sugeriu, se conscientize! Mude que o seu entorno muda com a sua mudança!
A palavra República na sua origem quer dizer coisa pública então a façamos valer, começando o mais rápido possível nos espaços do nosso cotidiano. Ano que vem temos mais uma grande oportunidade de tomar partido e ajudar a eleger não uma pessoa ou conjunto de pessoas, no caso da câmara de vereadores, simplesmente, mas uma ideia para a nossa cidade, um projeto de governo que confiamos e acreditamos que poderá desenvolver nosso município e torna-lo melhor. Basta de nos acovardarmos de fazer parte da vida política que nos envolve e depois ficarmos reclamando sem dar sugestões e lutar por ideias diferentes das que nós não apoiamos. Declare Guerra!
Publicado no Jornal Diário dos Campos, 16/10

sábado, 15 de agosto de 2015

Nessas Encruzilhadas...

No Brasil dificilmente algo não termina em fila. Hoje estive encarando uma dessas que são comuns a todos que precisam alterar ou tirar documentação. Mas a fila tem algo de interessante, nela acabamos por escutar tantas conversas que nos mostram como está o pensamento/sentimento do povo, de uma maneira geral, sobre vários assuntos, seja ele o futebol, a economia, a política, assuntos pessoais e tantos outros.
E hoje foi um desses dias em que havia revolta popular expressa na fila. A começar por um senhor que reclamava do governo Dilma, mas não sabia se o mandato terminaria esse ano ou ano que vem, esse mesmo criticava as pessoas que votavam sem ter essa obrigação e, também, demonstrava desgosto profundo sobre nossos representantes executivos em todas as esferas de poder. Após ele muitas outras pessoas resolveram entrar na onda da crítica e deslancharam a reclamar da optometria e do voto, defendiam a extinção dos partidos e do voto obrigatório, causa que também sou partidário, embora esta defesa estivesse ocorrendo no momento por pura apatia política, e por aí adiante seguiram as queixas.
Depois dos portões abertos, não levei meia hora para resolver o problema.
Sei que a maioria dos serviços no nosso país são marcados pelo descaso e pela falta de preparo para os atendimentos, entretanto hoje percebi que não era o caso, mas mesmo assim as pessoas se puseram a reclamar. Estive pensando se essa reclamação é um ato relevante.
Sinto dificuldade de crer que cidadãos que não sabem nem mesmo a duração do mandato presidencial tem tido a responsabilidade para votar e para cobrar de seus representantes nas mais variadas esferas do poder. Parece-me que estes são simples reprodutores de discursos que ouviram de terceiros e se sentem na obrigação de se queixar de tudo.
O país está desgovernado, vivemos uma crise política que é clara, o PT não é uníssono, do que dirá a sua “base aliada”, os principais opositores à Dilma estão dentro do partido do vice-presidente, a oposição não sabe que rumo tomar e, por outro lado, também não apresenta propostas de governo contundentes para resolver os problemas do país. Está posto hoje um cenário altamente faccioso da nossa política, há agendas claras e compromisso com as mesmas em pouquíssimos partidos, a maioria quer o poder pelo poder, e busca a sua perpetuação apenas para colher os privilégios dos cargos.
Renan fez uma agenda anti-crise, queria cobrar o SUS, voltou atrás. Aumentou os conselhos ao Executivo de 27 para 43, sendo um deles a diminuição de ministérios. Todos no Brasil sabem que precisa ser enxugada essa máquina do governo, mas quem abrirá mão dessas posições privilegiadas? A quem Dilma sacrificará?
PDT e PTB já saíram do governo, PMDB é mais oposição do que situação, PT está com a moral baixa e cheio de divergências entre seus líderes. Como Dilma irá diminuir ministérios sem gerar ainda mais insatisfações dentro da sua própria base?
Domingo haverá manifestações pró e contra o governo, quem será que colocará mais gente na rua?
Temo pelo que ainda há de vir. Por mais que a presidente tenha sido eleita e mereça o respeito, sua pouca habilidade política não tem tornado o país governável.
Em nossas vidas é comum chegarmos a encruzilhadas em que decidir sobre o que fazer requer grande responsabilidade. É chegado esse momento no Brasil, precisamos repensar nossas ações e participar ativamente da política, a vida pública da nação deve ser de nosso interesse para que haja fim a perpetuação das mesmas pessoas, pessoas estas que defendem seus próprios interesses, no poder.

Obs.: Texto escrito no dia 13/08.

Texto Publicado no Jornal da Manhã - 15/08/2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Educação e a PLS 320/08

Educação e a PLS 320/08


Sobre escola e educação muito já foi falado, muitas ideologias foram pregadas e modelos de governo, aqui mesmo no Brasil, já se utilizaram dos processos ditos educacionais para estabelecer-se e perpetuar-se. Todo esse processo, em nosso país, iniciou-se dentro da lógica de catequização para arrebanhar novos fieis para a Igreja que perdia terreno para as Reformas Religiosas. Evidente que a escola é financiada pelos poderosos, sendo assim acaba por veicular suas ideias e conceitos, entretanto há muito que se fazer na atualidade para não permitir-se ser usado dessa maneira tão banal e robótica, altamente desumana no sentido de não levar em consideração a personalidade e as ideias de cada um.
A educação atual no Brasil está em estado deplorável, lamentável, são poucas as escolas que conseguem cumprir o objetivo de servir a comunidade em que está inserida, a sua maioria não modifica o seu entorno e muito menos gera cidadãos preparados para viver em sociedade. Infelizmente ações políticas para mudar essa situação não são devidamente debatidas e não ganham força na grande mídia.
Essa semana, dia 23/06, foi aprovado no Senado Federal um projeto de lei que ficou conhecido como “Federalização do Ensino”, ele é de autoria de Cristovam Buarque (PDT-DF) e tramitou durante 7 anos.
Esse projeto visa à igualdade educacional em todas as localidades do país, uma vez que passa a ser responsabilidade da União a questão escolar em sua totalidade. Deixando claro que não visa à centralização, uma vez que a Federação se responsabilizará pela fiscalização e pelo recurso a ser destinado para pagamento de professores e também para equipar as escolas, que inclusive deverão funcionar em tempo integral, ficando a cargo das secretarias municipais de educação a organização do currículo, que será dividido em geral (para todo o Brasil) e local (para a escola em si), também as demais demandas organizativas da unidade escolar, deste modo proporcionando à comunidade a possibilidade de ver suas necessidades pedagógicas atendidas da melhor maneira possível.
Importante destacar que a redação votada no Senado não traz a obrigatoriedade do Executivo cumprir a lei, serve mais como um modelo opcional.
O senador defende que deste modo haverá professores mais bem pagos e de dedicação exclusiva, gerando incentivo e ânimo aos profissionais, além de oferecer a todos os municípios as mesmas estruturas educacionais.
Com as notícias tão negativas vindas do governo federal e seus cortes em programas educacionais como o PIBID e o FIES por causa dos problemas nas contas da União, é preciso valorizar ideias e leis que visam modificações efetivas na educação nacional e debater o que fazer para de fato solucionar o problema, que chega a ser crônico, da educação no Brasil. O projeto ainda tem que ser aprovado na Câmara, mas para que não se passem mais 7 anos, ou mais, em tramites burocráticos é preciso que haja envolvimento e pressão da população.



 Artigo Publicado no dia 30/06 
Jornal Diário dos Campos