O Brasil vive um período de
grande incerteza e descontentamento para todos os lados. A presidência da
República a cada dia mais perde a possibilidade de governar e tirar o Estado da
lama que está. Vimos uma presidente largar o país para se por ao lado de um
investigado.
Me dirão que ela está
defendendo o país assim, está lutando pela democracia. Até mesmo defenderão que
tudo o que está sendo feito é apenas perseguição política e que não podemos
levar em consideração porque é golpismo de emissoras de televisão e de grandes conglomerados
empresariais.
Eu sempre me pus como
oposição ao governo, mas também nunca apoiei o PSDB. Não concordo com os
ditames econômicos do governo, julgo mais como paliativo do que efetiva
democratização de direitos, uma vez que não estamos vendo o prosseguimento dos
projetos sociais. Mesmo assim, inclusive já publiquei um texto em jornal da
cidade, defendo as cotas e seus benefícios de inserção.
É inegável que os anos em
que o PT esteve à frente mais pessoas saíram da miséria, o país veio em
ascendência.
Mas como parece que desde
sempre o nosso país é marcado pelo dualismo: liberais e conservadores; esquerda
e direita; republicanos e monarquistas; PT e PSDB e assim por diante, nos
jogamos novamente nessa dicotomia tola que favorece ao ódio e em nada facilita
as opções de diálogo. Parece que temos medo de parecer indeciso e não
percebemos que o centro também é uma posição. Esse medo é aumentado porque nos
portamos como se a pessoa que pensa diferente sofresse de uma doença
contagiosa.
Esse discurso do respeito,
inclusive, vem sendo bastante divulgado de ambos os lados, mas temos visto
isso? Temos uma oposição paternalista, que está se movimentando para retomar as
rédeas do país, temos uma esquerda paternalista também que julga absurdas as
ideias contrárias, apela para a falta de estudo ou aula de história, como é
mais comum nas redes sociais, como justificativa de quem pensa diferente,
veem-se como os iluminados.
O impedimento de um
presidente é previsto pela constituição, nós já derrubamos um, Collor,
inclusive o PT esteve junto no movimento a favor da queda e lutou para que o
FHC sofresse o mesmo processo. Sim, é um ato de muita responsabilidade, mas não
é golpe. Não é uma questão de perder nas urnas, mas de investigação e, se for
comprovado o crime das Pedaladas, justiça. Eu sou contra que os telefonemas
sejam colocados no mesmo processo das pedaladas. É preciso que o povo se
conscientize do que está em julgamento e, infelizmente, não temos isso nem da
imprensa, nem da oposição e nem do governo.
64 foi marcante, mas não
estamos lá mais. Em 64 não havia crimes, havia questões ideológicas e o mundo
estava imerso na Guerra Fria, a tirada de Jango do poder foi um golpe sim!, mas
o impedimento, se for comprovado o crime, não é golpe não. A nossa democracia
está amadurecendo, mas isto não deve ser desculpa para permanecermos com um
governo que, se for provado, é culpado por crimes de responsabilidade
administrativa e que, por outro lado, não tem em nada um discurso apaziguador.
Defendiam que o ministério
para o Lula não tinha ligação com o foro privilegiado, afinal iria ser
investigado pela instância máxima da Justiça do país. Agora vemos
constantemente ser negada a nomeação do ex-presidente.
Vamos ter coerências em
nossos discursos. Se o Moro se excedeu que seja investigado, se o PSDB está
sujo, como tem sido mostrado que está, temos que lutar pela sua investigação
também. O que não podemos é defender um dizendo que o outro também está errado.
Que haja reforma política no País, que seja já, que seja agora!
Texto Publicado no Jornal Diário dos Campos, 17/03
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