segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Somos todos ladrões?!

Na semana passada tínhamos a esperança do futebol no pé das mulheres e agora elas estão eliminadas e, de repente, o time masculino que nada vinha jogando goleia, chega à final e se torna campeão. Diz o ditado que sorte no jogo e azar no amor. Será?!
Será que a mudança de sorte no esporte trará renovação também na política? Na semana passada escrevi sobre a crise de representatividade pela qual passamos. Não nos vemos nos políticos e nem o futebol traz mais as alegrias que nos acostumamos ao assistir a seleção canarinho.
Essa semana agora as esperanças foram reversadas novamente, nossos pontos de crença em alegria mudam de modo volátil. Onde está o problema?
Vivemos numa sociedade hipócrita e creio aí morar a justificativa para que nossos representantes sejam como são, tanto nos esportes como na política. Incrível observar as postagens de Facebook e noutras redes sociais, assim bem como os comentários pelos corredores, filas e assim por diante de pessoas se queixando e emitindo juízos de valor contra políticos e jogadores que recebem uma fortuna e não fazem valer seus respectivos salários.
Infelizmente muitas dessas pessoas, não quero generalizar, não tem o mínimo compromisso com a sociedade, pelo contrário, desperdiçam o dinheiro público que é investido. Ainda vivemos uma cultura de que aquilo que é financiado pelo Estado é de graça.
A crítica a nossos representantes deve ser sim contínua, mas eles são apenas reflexo daquilo que somos como sociedade. Por favor, não vamos continuar nos excluindo da responsabilidade das coisas que estão por aí.
Esses dias, ouvi um comentário sincero, porém lamentável: “se eu estivesse lá, roubaria também”. Essa é a realidade que muitos de nós não admitimos.
Roubamos ao Estado, e a sociedade por tabela, quando não cuidamos do patrimônio público, quando simplesmente deixamos de ir às aulas onde os professores estão sendo pagos por nós para ali estarem, quando negociamos a coisa pública, roubamos quando não fiscalizamos e participamos da política diretamente, assim bem como furamos a fila dos hospitais com o jeitinho brasileiro de ser. Nossa sociedade é uma ladra e nossos REPRESENTANTES são o que são por serem reflexo de nós.
Não quero que o leitor entenda este texto como um discurso moralista, pelo contrário, quero que sirva de reflexão para repensarmos o moralismo que aí está, um falso moralismo.
Vamos repensar nossas ações, repensar quem somos e a sociedade que queremos. É época de campanha e está dado à largada para os pedidos de votos e essa “festa da democracia”. Vamos escolher melhor, escolher exemplos daquilo que a nossa sociedade não é.
Vamos refletir, #somostodosladrões?!

Texto Publicado em 21/08/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/somos-todos-ladroes#.WCoDBi0rLIV

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