segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Crise de representatividade

Começamos a semana com o nosso maior orgulho durante décadas ferido de morte, parece. Nosso futebol masculino empatou mais uma e foi vaiado ao final do jogo. A seleção canarinho que sempre deu alegrias diversas ao Brasil e representou a nossa arte de jogar futebol e o espírito alegre e descontraído que é marca do nosso povo acaba por não mais representar o país.
Que tempo é esse que vivemos? Estamos sem representantes? No cenário esportivo estamos lentos na busca por medalhas. Inclusive tenho a impressão de que iremos pior esse ano do que em Olimpíadas anteriores. Será que esta situação nos representa?
Nosso país encara uma crise política aonde temos problemas graves na política nacional. Nossa presidente é ré agora. Nosso presidente em exercício tenta segurar os gastos e com isso vai ganhando impopularidade. Nossos deputados estão desprestigiados, assim bem como o supremo. Temo por esse panorama que vivemos atualmente.
Em nossa cidade, ano eleitoral. Para o município vivemos uma falta de nomes fortes para o executivo e vejo que a eleição, de novo, será ganha por aquele que tem menos rejeição. Será que essa situação política também nos representa?
O que é o povo brasileiro? Somos integrantes de uma nação nova ainda, uma república que ainda começa a dar os primeiros passos. Mas isso justifica?
Vivemos uma crise de representatividade aonde parece não haver solução e confiança. Ouvi num ponto de ônibus de um bairro afastado da nossa cidade que não deveríamos votar em ninguém mais. E depois de uma pausa demorada de reflexão da pessoa que se escuta, vem a correção: "ou escolher melhor. Mas quem escolher?".
Infelizmente vemos uma esquerda que tem construído muito pouco e uma direita mais preocupada com o poder. Temos um centro que está preso a amarras políticas, mas tudo isso é apenas reflexo da própria sociedade. Ainda acredito na democracia representativa como modelo para o Brasil e as burocracias para a nova eleição visam oportunizar e oxigenar a disputa eleitoral, mas o povo precisa votar mais consciente e parar de vender seu voto.
Eu durante algum tempo cheguei a acreditar que ninguém mais fazia isso, só que, infelizmente, ainda ouço conversa de pessoas dentro da política institucional se organizando com troca de favores e a compra de votos.
Vivemos uma crise de representatividade porque não refletimos, não construímos, apenas cuspimos em todos que se colocam em evidência. Não buscamos entender como as coisas funcionam, preferimos o conforto de ofender por ofender. Vivemos a crise de representatividade porque não sabemos quem somos, quem fomos e quem queremos ser.

Texto Publicado em 14/08/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/crise-de-representatividade#.WCoAtS0rLIU

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