Pensar a política atualmente
não tem sido tarefa fácil, não que em outros tempos o tenha sido. Perceber a
movimentação de articulações e alianças que jogaram a política nacional nas
malhas do povo, fazendo com que o mesmo enoje-se, em sua maioria, dos debates político
ou apenas fique em um nível raso polarizando entre coxinhas e petralhas.
Quanto a essa polarização,
eu me recuso a chamar de direita e esquerda, temos uma situação desanimadora.
Vivenciamos na nossa nação (sejamos sinceros, esse fenômeno está muito além do
Brasil) uma morte das ideologias, as utopias que moveram a máquina da política
estão sucumbindo ao desânimo e um catastrófico determinismo em que as forças
para a mudança estão sendo enterradas com a perspectiva de não termos mais o
que fazer, porque tudo sempre foi assim desde os portugueses e o mundo
realmente acabará pelos problemas ambientais. Por outro lado parece que não há muito
de bom a ser conservado e o liberalismo se encontra tão perdido quanto as
outras correntes.
Pensar política é preciso,
talvez mais do que nunca. Os partidos políticos estão em definhamento. Já ouvi
muitas vezes que este modelo de representatividade está em decadência. Mas eu
gostaria de destacar aqui que esses mesmo sujeitos que fizeram essa crítica
acreditam na representatividade e já os vi defendendo-a, ou seja, criticam o
modelo partidário não pelo que é como horizonte para construção, mas como
aquilo que está posto atualmente e altamente deturpado.
Eu acredito na política
partidária e é preciso sim firmar posição quanto a isso. Vejo que os movimentos apartidários não tem
orientação bem definida, apenas vão ao sabor da onda, sem responsabilidades com
a construção de melhorias possíveis. O partido político deve servir para o
debate interno de ideias e para a defesa dessas propostas, buscando meios de
coloca-las em prática com responsabilidade, afinal se não o for será cobrado e,
dentro da lógica eleitoreira, perderá voto. Quem não tem vínculo com eleição
(ou seja, com representatividade), não assume posição como sujeito e se esconde
atrás de movimentos de massa sem dar a “cara a tapa”, quem não assume liderança
também não assume responsabilidades. Movimentos sem líderes são movimentos que
não tem de quem cobrar, logo, são movimentos que são incapazes de gerar contribuições
profundas na sociedade por não terem vinculação com base.
Está dentro de um partido
político é importante, afinal ali você poderá defender a sua ideia e fazer
valer a discussão e construir. Construção só se faz com coragem e
responsabilidade, coragem de assumir posição, carregando, deste modo, os louros
das vitórias do partido, mas também a oposição que também o acompanha as siglas
partidárias e fazem parte da beleza da democracia.
É preciso que haja espaço
para o diálogo e que de uma vez se extinga da política nacional essa
bipolarização rasa e fútil. Não quero fazer crer nesse pequeno texto que as
organizações partidárias não têm problemas, mas sim chamar a atenção para, em
boa parte, a falta de participação do cotidiano partidário como motivo para a
falência do modelo atual. É a construção de partidos de base, que escutem a
população, sejam cobrados por ela e que funcionem para além das eleições como
apenas legendas para se digitar na urna que possibilitarão a mudança política.
Publicado no Jornal da Manhã, 6 de Julho de 2016
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