segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Independência ou morte?!

Semana do dia 7 de setembro, feriado nacional, repouso... Infelizmente nossa cultura no Brasil não valoriza os feriados como momentos de reflexão, afinal o país não para simplesmente para descansar da rotina cansativa que o cotidiano impõe.
“Independência ou morte!”, frase memorável, provavelmente irreal. A constituição de heróis nacionais traça um desenho elitista na história nacional e, provavelmente, por isso a intelectualidade, em sua maioria de esquerda, defende o esvaziamento de datas como estas.
Não podemos fechar os olhos e dizer que a constituição do nosso panteão de heróis é totalmente democrática, que é inclusiva, mas não podemos agir com a irresponsabilidade de pensar anacronicamente. Negar datas nacionais como a Independência é como querer apagar um passado que não pode ser apagado. Sim, o Brasil teve uma transição através de acordos e continuidades, grande parte do processo que o torna independente politicamente e o coloca sob a esfera de influência inglesa é liderado pela própria família real portuguesa.
Parar e pensar aquilo que somos como nação é essencial, precisamos saber aquilo que somos antes mesmo de definir aquilo que gostaríamos de ser. Nossa política passa por períodos sombrios aonde forças opostas se digladiam e não parecem se importar muito com o brasileiro de maneira geral e isso não vem de agora com o processo de impedimento, mas de anos de dicotomia entre o grupo petista e os tucanos. Enquanto mantivermos uma falta de consideração pela nossa história e insistirmos numa relativização extrema, não nos permitindo nutrir em nós mesmos o sentimento de pertencimento à nação, continuaremos adulando os símbolos estrangeiros.
Tenhamos consciência da complexidade e do perigo das ideias nacionalistas, afinal todo extremismo leva a desastre. Agora abandonar o respeito e a admiração pela pátria e pelos símbolos nacionais faz com que criemos esse complexo de inferioridade que alimentamos e ainda nos permite um descompromisso tal com as ações que envolvem a nossa nação que claramente pode ser visto na política, entre outros campos.
Nacionalismo não é tolice. Quero destacar que durante toda a conversa falamos de nação e não de Estado. O 7 de setembro de 1822 foi um ato não de brasilidade, mas criação de um Estado. Mesmo assim este fará parte também da formação daquilo que passou a significar ser brasileiro.
Que enfim possamos zombar de tantos grilhões que muitas vezes nós mesmos forjamos. Que estes grilhões da desesperança, da inferioridade, da corrupção, da politicagem, da sociedade baseada na malandragem possam ser estilhaçados pelas mãos poderosas da nação brasileira: nós. 

Texto Publicado em 11/09/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/independencia-ou-morte#.WCoE6i0rLIU

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