Durante a história da escola e da educação em si muitas tendências estiveram em voga e por vezes focaram o professor, depois o aluno, variando também o centro entre o conteúdo final ou o método utilizado. O que é plenamente questionável é se o professor está preparado para utilizar esses saberes que há tempos vem se modificando e inovando. Infelizmente tem-se dentro de salas de aulas profissionais que acham fútil a compreensão da dinâmica do ensino/aprendizagem e por consequência os mesmos se veem perdidos no que estão a fazer e não conseguem objetivar de fato aonde devem chegar com o seu aluno.
A escola ainda hoje é vista, e muita propaganda é feita sobre esta face dela, como meio de democratizar, de ofertar uma vida melhor ao indivíduo, fazer com que ele alcance o que seus pais não conseguiram, possam crescer dentro da sociedade. Infelizmente o que se encontra dentro dos limites escolares é exatamente o avesso, embora a maioria dos profissionais que ali estão não o percebam, já que julgam a dinâmica dos métodos fúteis. O estudante se torna completamente dependente, mecanizado e adestrado, estando ali somente por obrigação e fazendo tudo em troca de um agrado, nota, não sendo capaz de julgar para si o valor do processo educativo, de saber fazer suas próprias escolhas, pois não é lhe dado chance alguma de aprender, e se perde dentro da metodologia vaga que lhe é impressa por professores que estão descomprometidos com a arte de ensinar e com o dever de formar cidadãos.
Além do despreparo e o descaso dos professores, se vê uma instituição falida, submersa no mundo da politicagem, que ao invés de buscar o melhor para o aluno trabalha diariamente em prol de uma propaganda política para um governo, para gerar índices, não por qualidade, mas como se fosse o relatório positivo de uma empresa. Enquanto a escola, que já tem uma estrutura atrasada, estiver sob a guarida de políticos não se poderá realmente fazer muito. Enquanto as instâncias de ensino não forem autárquicas em si não haverá liberdade. Sem a mesma é impossível explorar o máximo da comunidade onde a escola está inserida, afinal cada uma tem a sua peculiaridade e esse tão antigo costume de fazer cópia de modelos, que o Brasil está mais do que acostumado, não funciona justamente por não respeitá-las.
A estrutura física é outra que invés de levar o educando a liberdade o aprisiona. Não há muita diferença da maioria das escolas e presídios, a noção é a mesma, regras semelhantes, inclusive com direito a banho de sol (recreio), muros superprotegidos, horários rígidos. Embora a disciplina seja importante, os educadores, a maioria sem nem saber o porquê, impõe tais leis que deseducam e alienam os estudantes de suas responsabilidades, uma vez que elas são tidas como um fim próprio em si e não como processo de conscientização e educação.
Enquanto a escola não tomar postura de liberdade e existirem profissionais comprometidos com aquilo que escolheram para si, os alunos continuarão odiando está dentro de seus muros e o farão simplesmente por obrigação, isto sendo límpido a olhos nus no momento que o sinal soa para o fim da aula e os estudantes saem de maneira desesperada de encontro à liberdade. É preciso que o processo educacional como um todo não seja simplesmente o preparatório do jovem para a sociedade, mas seja a própria sociedade do jovem. A liberdade só é ensinada com liberdade, do contrário o condicionamento gerará cidadãos alienados de todas as suas responsabilidades frente ao meio em que vivem.
Texto Publicado em 18/09/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo":http://www.culturaplural.com.br/educacao-e-sua-estrutura#.WCoHcC0rLIU

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