sábado, 5 de abril de 2014

Guerra Fria ainda não Acabou!!!

A efervescência das ideias vinha numa crescente desde a época do Renascimento, século XVI, desaguando no Iluminismo, século XVIII, e por fim gerando grande movimento ideário no século XIX, principalmente quanto a assuntos antes não tão tratados como os modelos socioeconômicos. Toda essa carga acaba por cair sobre o século XX e daí, deste contexto, deriva-se as duas Guerras Mundiais, Guerra Civil na Espanha, Imperialismo na África, Ditaduras na América Latina, Guerra nas Coreias, Guerras do Golfo, entre tantos outros conflitos que rechearam todo o século passado e respingaram no atual.
Durante o século XX o mundo passou por várias transformações e revoltas sociais, conflitos que varreram populações inteiras do mapa, estabelecimentos e reafirmamento de Estados com modelos socioeconômicos diversos e guiados por ideologias amplamente discutidas e difundidas durante o século XIX por pensadores como Karl Marx, Proudhon, Bakunin e defensores da teoria de Adam Smith causando, todo esse apanhado de fatos, uma divisão política conhecida como Guerra Fria ou Mundo Bipolar.
Ao findar da II Grande Guerra o mundo passou a assistir, com medo de outro conflito com proporções do que acabara a pouco, ou até maiores, o desenrolar do mundo bipolar, este dividido entre EUA e URSS, respectivamente representando Capitalismo e Socialismo. No decorrer desses anos, até o desmantelamento em 1991 da URSS, a influência dessas duas nações por todo o globo foi clara, levando assim a conflitos por áreas importantes para o neocolonialismo, nessas onde podiam se encontrar matéria prima para as indústrias e pontos estratégicos para essas superpotências.
EUA saiu dessa disputa como grande vencedor e deu-se por acabado a Guerra Fria, entretanto fatos ultimamente trazem a lembrança, mesmo que de maneira sorrateira, os anos que o mundo viveu o pós-guerra. Os últimos acontecimentos são as questões ocorridas na Ucrânia para a derrocada do então presidente e também a divisão, ainda, das Coreias. A questão de Kiev se dá pelo não engajamento da Ucrânia na União Europeia, pelo contrário ocorrendo uma aproximação maior da Rússia, tendo até mesmo, esta última, emprestado dinheiro para que a não inclusão ucraína ocorresse e sim permanecesse na órbita russa. Liderando as discussões sobre sanções feitas pelos países europeus e a maneira de agir quanto às manifestações está claramente Barack Obama, presidente estadunidense.
Há pouco tempo também o mundo pode presenciar as discussões e brigas sobre a Síria, no qual estes dois países também financiavam e estavam brigando por zonas de influência nesse país. Cabe então a pergunta: A Guerra Fria acabou? Por vezes ainda pode-se notar que essas duas nações disputam vários lugares do mundo e encabeceiam sempre negociações importantes, principalmente no Oriente Médio, ultimamente. Entre Putin e Obama ressurge a velha guerra entre Stálin e Truman e o mundo ainda divide-se entre as grandes políticas de Rússia e EUA.

Transição do Trabalho Escravo ao Livre no Brasil

O cotidiano trabalhista mudou bastante desde a supremacia indígena no Brasil graças a alterações e reviravoltas que podem ser contempladas no modo de produção e no imaginário do trabalhador. As transformações ocorridas têm ligação com a política externa e interna, com as variações econômicas e também com as mudanças sociais dentro do novo modelo socioeconômico que vinha surgindo.
Durante praticamente todo século XIX a pressão inglesa quanto ao tráfico e a própria escravatura foi crescente ao governo brasílico, como resultado dessa luta diplomática, sendo a mesma nascente desde a vinda da Família Real para o Brasil, e de interesses, uma vez que a Inglaterra não mais tinha vantagens com o tráfico negreiro devido à Revolução Industrial, surgiram conflitos que fizeram da relação, sempre amistosa, entre as duas nações se rompesse por poucos anos.
Com toda essa pressão comentada acima e mais as mudanças que vinham ocorrendo dentro do âmbito interno do Império, o ano de 1850 trouxe duas leis que mudaram de vez a figura trabalhista no Brasil, são elas: Lei de Terras e a Lei de Eusébio de Queiroz. A primeira distanciava o acesso à terra aos mais pobres, uma vez que regulariza por valores exorbitantes a compra da terra e burocratiza ao máximo não havendo conhecimento suficiente entre os trabalhadores menores para lidar com tanta documentação, e a segunda proibia definitivamente o tráfico de escravos africanos para o Brasil.
Vinculado a todas essas questões o próprio governo imperial investiu e incentivou a imigração dos países europeus para que pudesse haver mão de obra nas lavouras e na nascente indústria nacional, esta sendo impulsionada pela medida protecionista do Estado desde 1844 com a Tarifa Alves Branco. A questão dos trabalhadores livres vindos do velho continente é atrelada a mudança que vinha ocorrendo aos poucos da forma de mercado, migrando do modelo Mercantilista, este estatal, para o modelo ainda embrionário do Capitalismo, onde a iniciativa privada mantém o capital girando, logo não mais caberia mão de obra escrava, pois não tem capital de giro e assim não se enquadra no sistema financeiro, consequentemente sociocultural também, este modelo de mão de obra.
O investimento em trabalhadores estrangeiros se dá devido a estarem já acostumados com o trabalho em fábricas e por já terem em seu costume o consumo dos produtos industrializados, fazendo com que assim os últimos pudessem ser comercializados com mais facilidade e aceitabilidade no Brasil, o qual desde 1808 já era depósito dos manufaturados ingleses fruto da falta de mercado consumidor na Europa.
Desde então se começou a acelerar o processo que culminou com a Abolição da Escravatura em 13 de Maio de 1888 gerando em definitivo o esqueleto do sistema trabalhista que ainda hoje vigora dentro do Brasil. Nessas raízes é possível perceber que não foram modificações humanitárias e sim com interesses bem concretos, servindo de exemplo para que na atualidade o trabalhador possa perceber o que realmente está por trás de cada ato do patrão e do próprio Estado que o mantém inerte através da ideologia.

Utilidade da História e sua História - Parte II

Com o advento do Renascimento, ou seja, período da história em que se buscou, na Europa, reavivar os ideais científicos e artísticos da sociedade greco-romana, uma vez que estes haviam sido renegados durante a Idade Média, período em que a Igreja dominou as ciências e artes e entrou-se no período denominado de Hagiografia. Com essa mudança ideológica pode-se dar continuidade ao avanço que a História vinha fazendo na Idade Antiga mais voltada para as questões político-sociais.
Havia a necessidade de métodos para que algo pudesse ser considerado ciência, ou seja, era preciso que fosse universal os resultados obtidos nas experiências, mas como o objeto de estudo da área das humanas não pode ser testado em laboratório, criou-se complicações para sua aceitação como tal no meio científico da época. A partir daí surgiu o Positivismo, que buscava trazer o cientificismo à História, este sendo buscado e proposto pela Escola Científica Alemã principalmente na pessoa de Leopold Von Ranke. O positivismo histórico se presta ao papel puramente de levantar os fatos como ocorreram, não dispensando interpretação alguma quanto aos mesmos, baseando-se em documentos e exaltando os atos de heróis, grandes batalhas, acertos diplomáticos, etc.
É da Alemanha também que surge outra visão histórica, sendo esta idealizada por Hegel, levando o nome de Idealismo. Esta corrente defende o movimento dialético do mundo, ou seja, para toda tese (afirmação) existe uma antítese (negação desta afirmação) gerando deste conflito uma síntese (junção das duas anteriores num resumo) e porta esse nome uma vez que define que é esse movimento das ideias que fazem a história acontecer.
Discípulo das ideias hegelianas foi o também alemão Karl Marx junto a Engels, entretanto modificou a teoria dialética original, dando a importância antes reservada ao campo das ideias ao campo do material, sendo assim denominado materialismo dialético. A essa teoria deu-se espaço privilegiado nas universidades, disputando o papel de mais importante com a positivista. O braço histórico da mesma é denominado Materialismo Histórico, que defende que a História é feita pela luta entre classes, escrita pelos modos de produção empregados na sobrevivência de determinadas sociedades.
Atualmente os estudos históricos estão divididos principalmente entre a interpretação materialista e os levantamentos positivistas. A importância da História é inegável para que se possa conhecer e compreender os porquês da sociedade atual, uma vez que mostra a sua raiz e os seus caminhos. Um povo que não conhece sua própria história está fadado a cair nos mesmos erros de gerações passadas e não conseguir os mesmos êxitos, pois é o passado e sua interpretação que fazem o avanço da sociedade acontecer com o mínimo de sacrifícios possíveis.

Utilidade da História e sua história – Parte I

O papel da História como ciência no mundo teve algumas dificuldades para se fazer como o é hoje. Atualmente em todas as escolas brasileiras há professores em sala de aula lecionando sobre o passado, entretanto há muitos na sociedade de hoje que não reconhecem o papel crucial da História dentro do presente e até mesmo do futuro e isto não é algo recente, uma vez que dentro dos séculos passados também enfrentou-se muitos questionamentos e desconfianças quanto ao valor da missão do historiador.
Antes dos gregos e romanos o passado era explicado através de mitos, no qual a explicação da criação da Terra e da própria existência do ser humano dava-se através da influência dos deuses, sendo essas histórias situadas em um tempo tão remoto que seria impossível pôr-se dentro da narração a ponto de imaginar de fato e compreender os porquês de tudo, não havendo na realidade interesse por este questionamento. Este modelo de contar o passado está presente nas sociedades mesopotâmicas, egípcia e até mesmo dentro da grega, não sendo abandonado totalmente com o advento da filosofia.
Com os gregos e romanos a perpetuação do passado foi assumida de maneira diferente das que até então se havia sendo realizado, percebendo esse fato através da escrita das guerras e batalhas para a posterioridade, podendo notar-se também a cronologia e a presença de fatores humanos, aspectos até então renegados em prol da atemporalidade e do monopólio aos deuses dos porquês dos acontecimentos do mundo, sendo expoentes dessa escrita, homens como Heródoto, considerado pai da História por utilizar o termo pela primeira vez no sentido de pesquisa e/ou busca pela verdade, o que até então com os mitos não era o objetivo, e Tucídides responsável por cobrir toda a história da Guerra do Peloponeso, disputa entre Atenas e Esparta. A partir deste momento os relatos do cotidiano tornam-se importantes e seus registros valorizados principalmente por questões políticas-sociais e sendo a História vista como mestra da vida.
Durante a Idade Média a História ganha novo impulso com o domínio da religião, principalmente cristã, trazendo consigo uma nova demarcação de tempo, o nascimento de Cristo. Entretanto o relato histórico abandona a feição que trazia dos greco-romanos com sua escrita minuciosa até mesmo sobre guerras e heróis, passando a ser uma completa hagiografia, ou seja, relato da vida dos santos, uma vez que a ciência estava basicamente dominada pela Igreja Católica e a mesma a utilizando em seu próprio proveito.
Esse retrato hagiográfico só se encerra com as revoluções pelas quais o mundo passou findando com a Idade Média e com a chegada da Idade Moderna. Com essa mudança surgiram novas Escolas Históricas como a dos positivistas, idealistas e materialistas, mas também surgiram críticas ainda mais ferrenhas de quem defendia a completa inutilidade da história como algo que já passou e, deste modo, não interferindo em mais nada no presente, dando a esta linha de pensamento os a designação de presentistas e há também os relativistas que propunham a ideia de que tudo é relativo, logo não tendo valor os questionamentos levantados sobre o passado para a compreensão do presente.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Educação: Cadeia e Liberdade


O Estado aplica toda a sua força como Instituição Social em prol de seu próprio benefício, tornando a população não como parte de si (Estado Hegeliano), mas sendo repressor da mesma, como defenderia Marx. Importante observar que é ideal, porém surreal a interpretação de Hegel quanto ao Estado como sendo o conjunto da população. Frente a todo esse processo de dominação a escola tem papel importante, uma vez que gera a ideologia aprisionadora ou a libertação na mente dos indivíduos.
Atualmente a educação tem sido arma de alienação utilizada para que a sociedade mantenha-se dócil, gerando bons cidadãos prontos a servirem no trabalho. Entretanto há quem defenda que essa padronização é viável e gera a própria liberdade, sendo este último conceito complexo e relativo.
Dentro de uma proposta marxista a educação se vê como um conjunto de trabalho prático e também teórico, sendo valorizado dessa maneira o cotidiano, o interesse, a aptidão e a relevância dos conteúdos frente ao educando. Essa proposta é mais claramente posta em prática no MST, sendo a matriz curricular decidida pela comunidade e o dia-a-dia do aluno é o meio de ensino dos conteúdos.
A educação deve ser vista como libertadora e não opressora, fazendo com que o educando torne-se crítico e seja desalienado. A pedagogia comunitária, já citada acima, tem como objetivo fazer nascer um novo homem, um cidadão consciente de seus direitos e deveres e que tem como a práxis o seu ensinamento, sendo gerado com criticismo através da reflexão e diálogo, aprendendo com o cotidiano, seres que sejam sujeitos dos processos que os envolvem e não apenas sujeitados. 
A questão educacional transpõe as barreiras da formalidade, podendo ser classificada como formal (organizada e inflexível) e informal (organizada, porém flexível – igrejas, família, etc.). Em todos os níveis a educação é a prisão e a liberdade, basta escolher como utilizá-la. A sua força é utilizada como arma ideológica do sistema político vigente, mas é possível haver uma desvinculação através da autarquia, da participação comunitária e da significância do conhecimento, do contrário a sociedade permanecerá totalmente alienada e a escola nada mais será do que um ambiente propício para a criação de mentes acríticas e totalmente mecanizadas, gerando desta maneira uma sociedade dócil e bestializada, ou seja, presa fácil da elite que se perpetua no controle do poder.

Matheus M. Cruz

Acadêmico do curso de História - UnC

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Trabalhadores, evolução nas condições trabalhistas no Brasil?


Desde 1888 a escravidão foi abolida no Brasil pela Lei Áurea, sendo a mesma consequência de anos de lutas contra o modelo de trabalho empregado, entretanto após 125 anos não se vê tanta diferença na vivência do trabalhador e do seu relacionamento com o patrão. A vida trabalhista brasílica passou por várias modificações a cada constituição, sendo as mais louvadas pelo imaginário popular as ocorridas durante a Era Vargas, mas nenhuma efetivamente melhorou e/ou evoluiu no ponto de vista do trabalhador.
Getúlio Vargas é louvado até os dias atuais pela mente popular como quem auxiliou e alavancou a vida trabalhista, entretanto as pessoas não percebem toda a manobra ideológica por trás desses atos totalmente populistas, manobras estas que até mesmo “consagraram” o Brasil como o país do futebol, desviando assim, até os dias atuais, toda a atenção do povo da política para celebrações desportivas.
Durante o período colonial e imperial os escravos não tinham privilégio algum e ainda podendo ser vendidos para outras fazendas, o que não mudava muita coisa da sua estrutura básica trabalhista, nem no seu relacionamento com o senhor. Atualmente esse cenário não é muito diferente, embora oficialmente não se tenha mais escravos, mesmo que o trabalhador mude de empresa o seu relacionamento com o patrão não modificará o quanto deveria, uma vez que as mutações ideais para os trabalhadores, que deveriam ser feitas pelos sindicatos, estão amarradas ao aparelho estatal, e este está ligado ao patronato.
As primeiras décadas do século XX no Brasil foi a época de maiores lutas sindicais, inclusive com greves gerais, dando destaque a de 1917 liderada pelos sindicalistas ácratas. Nesse período houve grande imigração para suprir a necessidade de mão-de-obra nas indústrias nascentes e com esses trabalhadores vieram ideias libertárias, entretanto com o fortalecimento do PCB (Partido Comunista do Brasil), que adota uma estrutura burocratizada e de alta hierarquização, sendo até mesmo um tanto despótica, e com a chegada ao poder de Vargas a força trabalhista se enfraqueceu, uma vez que o então presidente atrelou os sindicatos ao Estado e estabeleceu o unissindicalismo, fazendo com que a luta por melhoras trabalhistas estivesse inteiramente sob a tutela dos próprios patrões, sendo um dos meios utilizados para tal assumir a liderança trabalhadora apenas quem tivesse permissão vinda do Ministério do Trabalho, órgão que com sua organização matou a luta operária.

A necessidade de mudanças se faz presente há tempos, entretanto a força ideológica imposta pelo Estado e pelos patrões impede que as mesmas sejam realizadas, uma vez que a população não percebe que não é uma massa, nem tampouco está presa e subserviente aos que a subjugam através da prisão coercitiva da mente. Transformações só poderão ocorrer efetivamente quando não houver mais representatividade e sim um envolvimento direto e o respeito à individualidade do cidadão e de suas ideias, sendo as decisões tomadas sempre em discussões onde cada um, dentro de seu grupo, dê as diretrizes a serem tomadas. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Velha República


Durante a história brasílica é possível notar várias revoltas e tentativas de mudanças sócio-políticas.  Os anais relatam momentos de glória como o 7 de Setembro, data da Independência do Brasil, e o 15 de Novembro, Proclamação da República. Datas e personagens são importantes para que se dê brasilidade ao povo, pois o mesmo precisa de heróis como a história fez de D. Pedro e Marechal Deodoro da Fonseca para criar um sentiment de nacionalismo.
Quando do segundo reinado a nação passou por algumas modificações em sua sociedade, pois não mais a decadente oligarquia canavieira dava as diretrizes, uma vez que surgia a força dos barões do café e também, com a extinção do tráfico negreiro e a imigração, da nascente indústria brasileira. Mudou-se as ideias que regiam a política nacional, sendo as novas pensamentos burgueses que estavam de acordo com os industriais e os coronéis, sem contar com a alavancada do urbanismo.
A Proclamação da República é um fato que exemplifica perfeitamente os moldes da construção do Estado brasileiro e mostra que desde o tempo de colônia a estrutura político-social continua a mesma. Durante as mudanças de oligarquia sentiu-se o poder imperial se desestabilizar, uma vez que a aristocracia canavieira era quem o tinha consolidado e dava a sua base, perdendo de vez esse suporte com a abolição da escravatura no ano de 1888.
Inimigos também da monarquia era a crescente classe urbana que se favorecia do setor nascente industrial e buscava mais espaço para dilatar-se tanto política como economicamente, sendo este espaço negado pelos senhores de engenho que há tempo comandavam o Brasil, e também os barões do café que, para seus pedidos serem atendidos, precisavam da derrocada no poder dos canavieiros. Todas essas questões moveram o centro político de vez para o sudeste, deixando o decadente nordeste da cultura da cana-de-açúcar.
O 15 de Novembro de 1888 aconteceu por uma série de fatores que não tem ligação alguma com o necessário para a população, pelo contrário é uma mudança rasa para uma melhor adequação do poder político na mão de uma nova oligarquia, mantendo os habitantes comuns longe do poder e do acesso a conquistas de fato, mantendo-os alienados, isto se torna claro através do estudo dos partidos políticos da época, já que os mesmos não defendiam ideologia alguma, mas sim brigavam pela influência no governo.
São eleitos heróis nacionais sujeitos que não lutarão pelos ideais realmente brasileiros, ao invés disso, através da ideologia, fizeram das suas aspirações ao poder e totalmente descomprometidas com a nação brasílica a imagem do querer do Brasil e infelizmente, ainda hoje, tem-se no cenário nacional devoção por indivíduos que buscam apenas suas vontades sem considerar o bem comum e dificilmente são louvados os que realmente procuram o melhor para o povo. Seja bem vinda Nova República Velha

sábado, 4 de janeiro de 2014

Partidarismo e Falta de Ideologia


A palavra evolução significa progresso, transformação e por vezes é possível ouvir e/ou ler essa expressão sendo utilizada para representar a consequência de processos políticos, sendo os mesmo, como defendido em muitos meios e grupos, a causa do melhoramento do que há no Brasil. Interessante que se vive hoje um regime totalmente partidarista, mas esse, partidos, não nascem com o advento da República, sendo existentes e ativos desde a época do Império.
Durante o governo de D. Pedro II o Brasil dividia-se, principalmente, em dois partidos, os Liberais e os Conservadores, vigorando o sistema Parlamentarista, entretanto avesso aos moldes comuns e por isso denominado “Parlamentarismo às Avessas”. Para compor o ministério e a câmara os partidos políticos brigavam entre si, mas apenas para ter a posse do poder e não por questões ideológicas e de convicções, exemplo de que isto é verídico foi o período de Conciliação (1853-1858), aonde se instalou o unipartidarismo, uma vez que as facções eram semelhantes entre si.
Mesmo com o fim do período de unipartidarismo e com o advento do Partido Republicano não se mudou a situação da política nacional sendo possível ainda notar-se a falta de bandeiras ideológicas, sendo sempre almejado o poder para benefício próprio ou de uma elite excluindo deste modo a massa populacional, que é a força motriz da nação.
A história brasílica retrata algumas mudanças quanto às questões partidárias como a proibição de alguns partidos durante a Era Vargas, o período de Conciliação acima relatado, o bipartidarismo durante a ditadura civil-militar instaurada em 64, sendo este último o de maior defesa ideológica entre todos, já que opunha duas correntes de ideias, pró e contra o governo, e os respectivos partidos, ARENA e MDB, defendiam seus baluartes.
Atualmente vê-se a mesma configuração do período do Segundo Reinado e também que a história brasileira retrata: a falta de ideais dos partidos. É impossível perceber-se a diferença de ideologias e correntes de pensamentos entre os grupos políticos nacionais. Têm-se hoje no poder uma facção que sempre lutou contra o modo que a mesma está a governar, sem cumprir com as propostas e bandeiras que a elegeu, sendo irreconhecível aos olhos da população e dos militantes que permaneceram fieis as bases.
As discussões políticas em nada diferem em discursos, simplificou-se em troca de provocações e acusações, até mesmo o que deveria ser a extrema esquerda nacional está totalmente fragmentada, demostrando assim a falta de união ideológica, objetivando somente o poder. O maior expoente dessa busca apenas pelo poder são as coligações,    que reúnem partidos diferentes como se fosse um só para ter maior possibilidade de assumir o poder.

A República brasileira não é do povo e sim partidária e, infelizmente, essas facções não se mostram em sintonia com aqueles que deveriam representar. Passaram-se anos e até mesmo séculos, entretanto a evolução na estrutura política nacional em nada se modificou, mantendo-se totalmente oligárquica, descompromissada com o povo e corruptível. Enquanto o Brasil conviver pacificamente com essa organização o país estará fadado a ser refém de personagens desprovidos de comprometimento com o que realmente é melhor para o país.

Mitologia Grega: Nascimento do Antropocentrismo


Os séculos XVII e XVIII foram marcados pelo Renascimento Cultural e o Iluminismo. Ambos movimentos foram caracterizados pelo antropocentrismo e a volta da valorização do pensamento grego que, durante a Idade Média, estava renegado à lista de proibições de leitura e estudo dentro dos mosteiros católicos.
Durante o Renascimento as ideias que foram elaboradas e discutidas na Grécia Antiga como as questões políticas, formas de governo, estética, arte, desenvolvimento científico, organização social, dentre outras, foram reavivadas (daí o nome Renascimento - renascer dos ideais gregos), entretanto devido aos séculos de diferenças e as mudanças de conceitos o século XVII e XVIII as resgataram com algumas diferenças.
Entre as diferenças conceituais e do ressurgimento das ideias é interessante abordar a tendência antropocentrista que se desenvolveu durante o período dessas mudanças de pensamentos. Como já é amplamente conhecido, a Grécia Antiga foi uma civilização politeísta e deixou como herança esse aspecto, como outros, para o Império Macedônio e o Romano e dentro dele pode-se perceber o nascer do que teria seu ápice como tendência racional durante o Iluminismo, a disposição do homem e seu intelecto no centro do mundo.
A religião grega tem seu diferencial pela não dependência dos seres humanos quanto aos deuses. Os homens pediam, no máximo, ajuda, mas a sua vida não era vinculada diretamente a vontade divina e suas oferendas mais serviam como “política da boa vizinhança” para evitar qualquer tipo de conflito do que um ato de um sujeito subalterno. Na Idade Antiga, período que vai da invenção da escrita até a queda do Império Romano Ocidental, não se via o mundo sem que houvesse deuses, sendo inconcebível a ideia ateísta nesse período, entretanto é possível perceber por essa dispensabilidade de divindade uma das precursoras dos ideais antropocentristas que banharam a Europa durante o Iluminismo.
Interessante observar a afeição dispensada aos humanos e as características físicas e psicológicas dos deuses. A mitologia grega é repleta de semi-deuses, seres fruto de paixões entre deuses e homens, demonstrando assim a atração, nada comum em outras civilizações, dos seres divinos aos meros mortais. Além dessa atração é possível perceber sentimentos e reações humanas como amor, ódio, vingança, fúria, erros, arrependimento, entre outras no cotidiano do Olimpo.
Outro ponto importante é a vida “desregrada” que viviam os gregos, tendo como maior exemplo as descrições dos soldados romanos. Após o contato com os gregos o exército que era o mais rápido e disciplinado passou a requerer os prazeres carnais e não está tão ligado a disciplina, fazendo até mesmo que surgisse os bordéis na cidade romana, algo que não era comum e ia em desacordo com a religião antiga da cidade eterna e com essa mudança de hábitos foi adotado o molde da religião grega, trocando apenas o nome dos deuses. 
É necessário para esta pequena análise relevar também o aspecto dependente dos deuses aos seres humanos, uma vez que os habitantes do Olimpo necessitavam das preces e orações mortais para manter seu poder e imortalidade. Este ponto é fundamental para observar o caráter antropocentrista, elevando o homem a um nível maior do que o das divindades.
A mitologia faz parte da cultura grega e como tal é um dos expoentes do desenvolvido pensamento dessa civilização. Embora a sociedade atual não acredite e/ou cultue os deuses do Olimpo a essência de toda a mitologia ainda está viva no cotidiano e revolucionou o pensamento moderno, trazendo consigo a força para o avanço científico em áreas diversas.


ESCRAVISMO AFRICANO NO BRASIL


A questão dos africanos no Brasil é bastante delicada e sua compreensão só é possível com o entendimento de fatores intrínsecos a política, a religião e, como defenderia Marx, principalmente a economia.  É importante destacar que no período de 1500 Portugal estava em plena ascensão e tinha comércio estabelecido com as Índias de Castela, da onde retirava uma boa margem de lucros da venda de especiarias, e também tinha as colônias africanas que lhes dava grande lucro com a venda de escravos, sendo este, Portugal, o primeiro país a ter experiência com a escravização negra e seu tráfico.
A escravidão negra no Brasil foi tardia, pois se tinha primeiramente a indígena. Esta última não deu certo devido a problemas com adaptação ao trabalho sob pressão e forçado, sendo comparado um 1 negro a 4 índios, e a pressão da igreja católica, na colônia sendo representada pelos jesuítas, contra a mão de obra indígena. O problema de recursos humanos para o trabalho braçal sempre preocupou os colonos que a partir de 1530, com a fundação das primeiras vilas, pediam, insistentemente, à Metrópole para enviar-lhes escravos africanos, pois os autóctones, que no início trabalhavam com o sistema de trocas e mais tarde foram escravizados, não produziam de modo satisfatório.
O trabalho escravo era a base do colonialismo e sem tal os colonos não conseguiam desenvolver o seu “trabalho”, a exploração da nova terra, por isso haver tanta petição à Metrópole quanto a vinda de escravos, porém para Portugal não havia rendimentos em alimentar o comércio escravocrata brasileiro, pelo contrário, era muito mais lucrativo negociar com as colônias espanholas, sendo a iniciativa portuguesa os primeiros a exportarem escravos a esse mercado, e investir no comércio com as Índias do que mandar mão de obra negra para o Brasil. Os pedidos só foram atendidos no ano de 1550, quando foi mandado a primeira leva de escravos africanos para o Brasil, mais específico em Salvador, porém apenas em 1559 foi concedido a negociação às novas terras através de um alvará.
O comércio escravo com a nascente indústria açucareira no Brasil só começou após a proibição do tráfico com as Índias de Castela e foi incentivado e feito pela iniciativa particular, porque se dependesse do governo português não ocorreria, mas mesmo com a proibição o destino dos escravos continuava, na sua maioria, às Índias de Castela.
Com a descoberta das Minas Gerais o problema de falta de mão de obra tornou-se ainda maior, pois os escravos abandonaram as fazendas para servir no sudeste, deixando assim sem a mão de obra necessária estados como o da Bahia e o de Pernambuco.
Com a decaída das Minas foi necessário alforriar muitos escravos, pois davam mais prejuízo e não tinham campo para produzir. A vida útil de um escravo não era muito longa, o que também dificultava o lucro devido à necessidade de haver sempre uma renovação de material humano. É importante destacar que a alforria desses escravos aconteceu em velocidades distintas dependendo do lugar da onde estavam e do modo de trabalho das fazendas onde trabalhavam.

Essa base do escravismo africano no Brasil gerou consequências que até hoje são sentidas e o que foi acima relatado regeu o destino até a abolição da escravatura em 1888, não sendo este fato simplesmente um ocorrido isolado na história nacional. Para entender as questões culturais e sociais que envolvem os negros atualmente é necessário que se perceba todo o processo de escravidão e de alforria, sendo os mesmo transcendentes ao Brasil. 

Consciência Negra e Valorização Cultural


É notório a multiculturalidade existente no território brasileiro, sendo esta marca registrada e imagem exportada. A formação sociocultural da nação brasílica é originada de, praticamente, todos os continentes, sendo público a imigração de europeus de vários países, asiáticos e também a importação de africanos para a mão-de-obra, esse conjunto compondo o que hoje pode ser considerado como brasiliense.
Dia 20 de Novembro é considerado o dia Nacional da Consciência Negra e também o dia dedicado a Zumbi dos Palmares, líder do maior Quilombo que existiu no Brasil, situado no nordeste, mais especificamente na Serra da Barriga, na antiga capitania de Pernambuco, atual estado de Alagoas e que foi trucidado pela expedição liderada por Domingos Jorge Velho após muitas investidas do governo. Frente ao contexto cultural brasílico é essencial a participação dos negros na formação da identidade nacional, uma vez que grande contribuição deu para a produção daquilo que realmente tem raiz dentro do território nacional.
Aos olhos das outras nações, e muitas vezes ouve-se queixas internas sobre isso, a figura do Brasil tornou-se, dentro do contexto cultural, apenas mulheres bonitas semi-nuas, carnaval, futebol, samba, bossa nova, capoeira, praia, entre outros expoentes que são marca registrada daquilo que é ser brasileiro. Interessante observar que dos fatores acima citados na maioria a influência negra exerce ampla força e seu influxo é determinante para tais traços.
Em variadas ocasiões é possível presenciar objeções quanto ao que o Brasil exporta referente à imagem nacional, entretanto é necessário que haja uma reorganização de pensamento através de uma reflexão histórico-cultural e perceba-se que esses traços culturais são aqueles realmente nascidos no seio da nação brasílica, sendo os mesmo os grandes diferenciais entre a cultura dos demais países. É bem verdade que dentro do território brasileiro existem muitas outras manifestações, entretanto são muito semelhantes principalmente as europeias e algumas tem proximidade com as feições da América hispânica, sendo a influência negra diferenciada, uma vez que gerou-se através do sincretismo manifestações realmente brasileiras.
Ainda, atualmente existem espalhadas pelo interior do Brasil comunidades Quilombolas, comunidades de negros que tentam manter os traços culturais característicos, entretanto sofrem com o auto-preconceito e o menosprezo do restante da população, sem contar com a carência de uma educação de qualidade e acesso satisfatório a saúde, dentre outros aspectos que é função do Estado. Dentro dessas comunidades preserva-se a religião e o estilo de lideranças dos antigos Quilombos, buscando o louvor da vida com as particularidades do negro.
O influxo negro dentro da cultural brasileira é inegável e deve ser valorizado, pois é a corrente que com mais força deu a cara aos aspectos considerados nacionais. A exclusão social que os africanos e seus descendentes sofreram e, infelizmente, ainda sofrem, exemplo disso são as comunidades quilombolas, não migrou para os aspectos cultos, sendo os mesmo altamente louvados atualmente. Que o Brasil possa realmente valorizar aquilo que lhe pertence e aqueles a quem deve a sua multiculturalidade, que faz essa nação ímpar entre todas as outras.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Emancipação de Mafra


As cidades de Rio Negro e Mafra têm em comum a sua formação sendo conhecidas, não por acaso, como cidades irmãs. A estruturação de ambas tem o seu início com a construção da Estrada da Mata liderada pelo Sargento Mor João da Silva Machado, mais tarde Barão de Antonina, e com os acampamentos e formações de vilas dos trabalhadores desta obra na margem esquerda do Rio Negro, hoje Mafra. Entretanto, com o decorrer do tempo, não mais continuou assim a constituição das cidades, uma vez que a margem direita, atual cidade de Rio Negro, salta à frente em desenvolvimento político-econômico.
Como já citado acima um dos principais personagens da história de RioMafra é o Barão de Antonina, na época Sargento Mor João da Silva Machado. Este gaúcho da vila de Taquari iniciou a sua vida como alfaiate, entretanto com o seu temperamento logo passou a exercer trabalhos como capataz e como tropeiro, o que lhe fez enriquecer e ganhar prestígio a ponto de poder ter força de aprovar seu projeto da Estrada da Mata.
Durante o ano de 1853 “Bom Jesus do Rio Negro” foi elevado à Freguesia da “Villa Nova do Príncipe”, hoje cidade da Lapa, em 1859 a capela passou da Margem direita para a esquerda do rio e em 1870 criou-se o Município de Rio Negro. Mesmo aonde atualmente é a cidade de Mafra tenha sido primeiramente povoada, as terras da atual Rio Negro sofreram bem mais investimentos devido a proximidade das cidades que já haviam na época como Lapa e Curitiba. Se o centro administrativo estivesse ao lado que hoje pertence a Santa Catarina dificultaria a ligação a esses centros político-econômicos.
Onde atualmente é Mafra ficou fora do Perímetro Urbano do novo município, sendo utilizada apenas para lugar de descanso e alimentação das tropas e dos animais. A área que deu início a toda a construção das cidades foi fadada a ser apenas uma localidade sem muita importância política, econômica ou mesmo social, sendo até mesmo os arquivos passados para a margem desenvolvida.
A sorte da margem onde se situa Mafra atualmente começou a mudar com a ponte rodoviária que ligava os dois lados do rio e a estação de estrada de ferro que ligava São Francisco a Porto União, a partir de então começou a desenvolver-se a terra que antes ficava obscurecida pela margem oposta.
Outro fator de destaque para a aceleração do desenvolvimento mafrense foi, antes mesmo da ponte e da ferrovia, a chegada dos imigrantes bucovinos. Estes vindos da Baviera tomaram como lar o território e passaram a trabalhar em prol do crescimento de suas propriedades.

O reconhecimento como município só veio no ano de 1917 com privilégios de cidade e começando a moldar-se o que atualmente existe. O desenvolvimento da antes esquecida margem do rio foi crescente e continua a haver até a atualidade. 

Halloween e Subordinação Cultural


Dia 31 de Outubro é comemorado o Halloween, festa esta importada dos EUA e que nada tem em comum com a história nacional. Por praticamente todo território brasileiro há festas e bailes em recordação a essa data estadunidense e em muitas cidades até mesmo há de se ver crianças saindo fantasiadas às ruas batendo de porta em porta com a frase “doces ou travessuras” na ponta da língua.
Cultura pode ser entendida como tudo aquilo que caracteriza um povo, os traços únicos do mesmo. Esse termo nasce na Alemanha e tinha como objetivo estabelecer o padrão que todos ou outros países deveriam seguir de pensamento e ciência, uma vez que os germânicos acreditavam ter as ideias mais desenvolvidas do que a de seus vizinhos de continente.
A questão de superioridade étnica e/ou nacional foi motivo dos grandes conflitos mundiais ocorridos no século XX e atualmente não são muito difundidas essas ideias abertamente, chegando a julgar-se absurdo que ainda existam no cenário mundial. Entretanto no dia 31 de Outubro pode se ver um exemplo de como não se foi esse ideal de primazia pátria. A diferença é que por métodos ideológicos não é possível perceber, sem uma reflexão mínima que seja, os traços dessa invasão, não humana-militar, mas no imaginário popular, buscando-se, como os pensadores teutônicos queriam, uma uniformidade, uma globalização cultural.
A história do Brasil e sua subordinação cultural aos EUA pode-se datar de 1889 quando se toma o exemplo norte-americano para proclamar-se a República e os maiores expoentes do mesmo é o nome que foi dado ao país, passando a se chamar “Estados Unidos do Brasil”, e a bandeira nacional que era semelhante a estadunidense modificando praticamente apenas as cores. 
Há dentro do território brasileiro grande diversidade de datas importantes e que realmente fizeram a diferença na formação nacional, alterando o destino dos filhos desse chão, como o “Dia a Bandeira”, a “Abolição da Escravatura”, a “Proclamação da República” entre outras datas que se fizeram marcantes na história e até mesmo festejos populares como o carnaval e o “Dia da Consciência Negra”. Muito dos cidadãos que sofrem com as lamúrias que a nação brasileira é digna e que também usufruem das belezas e da mercê dispensada pela “mãe gentil” não tem em sua memória registro de dias que tornaram o Estado brasílico o que é e até mesmo os criticam não dando o devido valor, mas está sempre a postos para louvar aquilo que vem dos outros países e inferiorizar a pátria que o acolhe, sendo tudo isto notado dentro dos ambientes educacionais que, por exemplo, festejam o Halloween e negligenciam o Carnaval.
Sofre-se atualmente dentro do território nacional grande influência, principalmente estadunidense quanto à cultura e deixa-se de lado traços nativos. O estudo das ciências humanas, principalmente a história, exalta o caminho trilhado pelas nações do velho continente em detrimento da brasílica e enquanto isso ocorrer o Brasil estará fadado à dependência externa e a não autovalorização. Que a garra e força desse povo que se mostrou tantas vezes em prol da independência político-econômica possa se mostrar, desta feita, em prol da independência cultural e do autolouvor para que se haja evolução e desenvolvimento nos traços belos que ornam o país.

“Terra adorada entre outras mil és tu Brasil, óh pátria amada. Dos filhos desse solos és mãe gentil pátria amada BRASIL!”

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Formação de Mafra-SC


A formação de uma cidade não é simples e, mesmo que seja difícil de imaginar, o processo de construção é vagaroso e evolutivo. Vislumbrar em mente como era o território onde hoje se encontra o município de Mafra não é tarefa fácil, mas necessário é que seja valorizado desde os primeiros habitantes, os imigrantes, as pessoas de outros estados que, nesta cidade, fizeram seu lar e a todos estes que de alguma maneira impulsionaram a margem esquerda do rio Negro a desenvolver-se.
Os autóctones do território onde se encontra o município de Mafra eram os Índios Botocudos, pois os homens usavam um enfeite labial chamado botoque, também conhecidos como bugres, entre estes poderiam ser dividos entre tribos como a Xokleng e Caingang. Marca registrada desses povos era a sua hostilidade e bravura. A vida destes era nômade e viviam da coleta de frutas, raízes, mel e pinhão.
As tribos indígenas foram uma das causas principais pela qual começou haver uma movimentação em torno da criação de uma estrada, mais segura, para que os tropeiros pudessem transitar do Sul até as terras paulistas para comercializar, uma vez que as tribos atacavam e saqueavam as tropas.
Com os pedidos dos tropeiros, em 1820, D. João mandou que soluções fossem tomadas para que as petições fossem atendidas, entretanto com a Revolução do Porto e sua volta para Portugal o projeto acabou “engavetado”. Depois da Independência foi retomado o projeto em 1824, sendo começada a obra somente em 1826, devido à falta de mão de obra, uma vez que todos temiam o constante ataque dos índios, e depois que João da Silva Machado (na época Sargento Mor, sendo depois conhecido como Barão de Antonina) já que este conseguiu a concessão do 18º Regimento de Cavalaria para da proteção.
João da Silva Machado estabeleceu-se próximo as margens do Rio São Lourenço, hoje território mafrense, e montou o “Abarracamento São Lourenço” para que se pudesse dá início as obras da Estrada da Mata, como ficou conhecida a estrada que ligaria Campo do Tenente até Campo Alto após 4 anos de construção.
A povoação da região começou por esta estrada, uma vez que famílias dos trabalhadores, dos soldados e de tropeiros tomaram as margens dessa estrada como lar. Os outros colonizadores desse pedaço de terra ao sul do Brasil foram o povo germânico que advinham da região de Trier com o incentivo do Império Brasileiro, uma vez que havia uma ligação entre a Família Real e os germânicos e outro fator importante para a vinda desse povo para terras brasileiras, defendida por alguns estudiosos, é o sua aptidão com plantios e com o serviço, realmente, de colono, sendo necessário pelos processos anti-escravocratas que o Brasil passava.

O nascimento do município de Mafra procedeu de maneira multicultural e até os dias atuais é possível perceber a influência desde os índios, os tropeiros, os colonos germânicos e dos portugueses no cotidiano mafrense. 

Independência?!


Dia 7 de Setembro de 1822 D. Pedro I, Príncipe Regente do Brasil e Príncipe Herdeiro do trono português, às margens do Riacho Ipiranga declara a nação brasileira independente do Reino Português. Desde este evento, 191 anos se passaram e a situação em que se depara a pátria não vai muito longe da época de colônia quanto à dependência externa, pois se vive uma série de bombardeios de influências e, até mesmo, o vocabulário tem mudado com o passar dos anos e da globalização.
Defender a liberdade é algo muito belo e patriótico, entretanto não é o conceito mais simples de ser colocado em prática, uma vez que há atualmente um emaranhado de informações que levam a população a ser guiada como se estivesse cega e fazem com que haja um padrão, uma uniformização de atos e culturas, retirando assim de cada povo o seu livre arbítrio quanto ao que fazer e o como ser.
Não há condições, no mundo atual, de cada país se organizar de forma própria, sem levar em consideração e até mesmo seguir ordens de potências mundiais. O Brasil é um desses que acaba por simplesmente seguir aquilo que as forças estrangeiras sugerem e/ou ordenam, tendo a explicação nos primórdios de sua constituição sociocultural. Essa formação é límpida a olhos nus desde a Independência, pois foi um dos únicos países que se autônomo, mas continuou sendo comandado pela Coroa de sua “antiga” Metrópole.
A educação que foi recebida pelos brasileiros foi mantida pela Elite, uma elite europeia, logo nunca se criou um país para os filhos da pátria realmente e atualmente colhem-se esses frutos, umas vez que ainda vive-se para produzir e manter outras nações lá fora, sendo pouco investido internamente. A estrutura psicológica ainda está vinculada a colonial e é impossível ser independente desta maneira.
O fato de o Príncipe Herdeiro ter proclamado a independência e o país ser dirigido por portugueses formou uma cultura de totalmente dependente. A prova maior disto é a primeira constituição promulgada e também a mais duradoura até os dias atuais. Esta criava o Poder Moderador o qual dava total autonomia ao Imperador de agir como quisesse e estabelecia a participação censitária, deste modo dando aos portugueses que habitavam o Brasil a força das diretrizes políticas, mostrando assim que a nação nasceu já em prol de interesses alheios. Esse conjunto de leis se manteve até o ano de 1889, quando foi proclamada a República.

Ainda hoje o país não conseguiu se desvencilhar dessa cultura de subordinado e a população não tem força e nem sabe como se fazer realmente presente na política nacional buscando verdadeiramente uma independência. O Brasil ainda precisa declarar sua “maior idade” e desta vez pelo próprio povo, somente assim o sociocultural crescerá tanto quanto o econômico da nação. 

Estado V.S Alienação


A continuidade do que se pensa é consequência do que se vê. Frente à sociedade, independente do tempo vivido, há o permeio do imaginário popular, sendo este força alienante. O Estado é peça fundamental para que a massa se estabeleça obediente em prol da ordem, do contrário a máquina governamental acabaria inútil e morta pela vontade popular.
Já apresentado os principais personagens é de importância ímpar a observação das influências deles entre si. A alienação, essa força ideológica, é a arma mais eficiente utilizada pelo Estado para que a ordem se estabeleça e não haja mudança estrutural, uma vez que a hierarquia do poder “deve” ser mantida. Esse mecanismo de controle é vinculado, principalmente, à mídia de massa, gerando uma ideia surreal da sociedade e dos acontecimentos, fazendo com que não se enxergue a verdade e os propósitos da atuação do Sistema. A trilogia cinematográfica “Matrix” transparece essa relação, uma vez que a maioria da população não vislumbra a realidade do mundo, apenas a estrutura criada para a docilidade.
O imaginário popular é caraterizado por alienações profundas, tanto que se negam a aceitar a verdade, a maioria das vezes, quando apresentadas. É incutido conceitos de moral e ordem adotados pelos poderosos, dessa maneira não causando revoltas ou levantes populares em prol da conquista da liberdade e da supremacia da maioria.
Esse mecanismo, algumas vezes, falha quando isso ocorre, quando há revoltas e levantes, mas entra em cena outra artimanha do sistema ideológico contra os oprimidos, a repressão física. O Estado extrai o máximo do povo em questões de todos os níveis, como no financeiro e na mão-de-obra, não havendo assim interesse em uma politização populacional e, muito menos, na criticidade que esta traz como consequência, podendo ocasionar o fim da exploração relatada anteriormente.
Está dentro do sistema ideológico é está preso em uma rede de mentiras engolidas como verdades absolutas. A importância da mídia se estabelece nesse ponto, uma vez que é a maior formadora de opinião da massa, sem ela não se difundiria tão bem a criação ideológica. É preciso ser crítico e desconfiado, do contrário passa-se a ser apenas mais uma vítima passiva dessa prisão sem grades e de ilusão. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Imigração Bucovina em RioMafra

O Brasil, como já se é sabido, é multicultural. Abrigam-se dentro do território nacional pessoas com ascendência de praticamente todos os continentes e o mais interessante é a influência desses mais variados povos compondo o que se vê hoje por esse grande área sob a bandeira verde e amarela. Em cada lugar da federação pode-se notar influxos diversos, todo o mundo se reúne dentro da antiga colônia portuguesa.
Dentre os muitos influxos europeus existentes no estado catarinense e paranaense têm-se, em especial, em RioMafra os alemães-bucovinos. O que pode chamar atenção logo a primeira vista é a vinda pacífica e “voluntária” dessas famílias para a nova terra, que mesmo antes de chegarem, através de outros parentes já liam narrações por cartas, sendo esse contato fundamental para a escolha das margens do Rio Negro para seu novo lar.
A história desses europeus é acompanhada diretamente, até a chegada ao Brasil, com um problema que desde o período antigo e principalmente feudal acompanha a humanidade: crescimento demográfico V.S falta de terras para subsistência. Por tradição a terra ficava com o primogênito e este decidia sobre a permanência ou não dos outros irmãos, de qualquer modo, chegou a um ponto aonde não era mais suportável em uma mesma terra alimentar todos, forçando deste modo o êxodo.
A migração desse povo começou já no século XVIII saindo do Reino da Baviera para a floresta da Boêmia, Império Austro-Hungáro. Entretanto com a tradição anteriormente narrada foram empurrados a região denominada Bucovina e ali se estabeleceram por cerca de quarenta anos, fundando vilas, trabalhando e mantendo seus traços culturais. Durante o período nesse último local deixaram de praticar a herança somente ao primeiro filho, dividindo assim as terras entre todos, porém não foi a solução ideal porque os lotes se tornaram mínimos impossibilitando, agora, a subsistência de todos.
A partir desse momento e com o incentivo dos países americanos a novas pessoas que estivessem dispostas a residir no novo continente para que houvesse população e colonização os bucovinos decidiram migrar para o Brasil, mais especificamente para RioMafra pelos afinidades que já foram narradas anteriormente. Para chegar ao seu destino se viram obrigados a ir até o porto Bremen (Alemanha), cerca de 1800 Km da partida, depois de chegaram ao porto paranaense de Paranaguá por volta do ano de 1888 seguiram com auxílio de carroças até Curitiba e enfim chegaram ao seu destino final, onde encontraram problemas com o clima, o idioma e a cultura que já estava instalada, porém todos esses empecilhos foram transpostos.
Atualmente os colonos que aqui vivem, muitos descendentes de imigrantes como já citado anteriormente, tem uma produção diversificada com foco em fumo, feijão, milho, hortifruti granjeiro incluindo pinus e eucalipto, sendo os últimos, segundo o IBGE, produzidos essencialmente na região do município catarinense da margem do rio.
A valorização dos bucovinos vem por meio da Bucovina Fest, festa que traz a lembranças a origem desse povo, inclusive havendo músicas, marca registrada deles, roupas e comidas típicas desde a época da Baviera. Essa celebração tem por intuito festejar a chegada desses imigrantes na região, elegendo até mesmo a rainha Bucovina.
É essencial conhecer a história desses grandes colonos, que ajudaram a desenvolver a região de riomafra sendo crucial para a formação da cultura e crescimento econômico da região. O respeito e a exaltação ao auxílio desse povo que realmente se apegou e adotou as margens do Rio Negro como seu novo lar deve ser sempre lembrado nessas terras.  


Matheus Cruz e Bruna Graciela Westarb

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Protesto e Ditadura


Vive-se hoje no país uma sequência de protesto que varrem todo o território, desde os grandes centros urbanos a cidades menores. É notório que o povo está tentando politizar-se e isso é importante para uma sociedade “democrática”, porém é necessário que haja um embasamento sócio-histórico para uma compreensão crítica dos fatos e se possa chegar a proposições plausíveis em prol de uma melhora na qualidade nacional em quaisquer âmbitos.
Importante destacar nessa onda de protestos a aversão às instituições, principalmente aos partidos políticos, dando um caráter totalmente popular. A força está na mão do povo e a história prova isto com as ditaduras de Getúlio Vargas e a Civil-Militar. Durante o golpe e instauração do último despotismo teve-se o apoio em massa da população contra a “ameaça comunista”. É fato que movimentos civis, como a “Passeata contra a Guitarra Elétrica” e a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que deram total força a tomada do poder dos militares para a salvação da ameaça cultural estrangeira e a do governo de Jango, a vermelha.
A luta contra o Comunismo foi de claro cunho popular e anti-institucional, também, desaguando em anos de Ditadura. Mas o porquê isto aconteceu? Essas manifestações foram totalmente teleguiadas pelas elites militares que há tempo tentavam assumir o poder, desde a época de Getúlio, sob a influência estadunidense, entretanto só conseguiram alcançar seu objetivo de fato após modificarem o imaginário popular, lhes incutindo a ideologia que, mesmo Jango mantendo o país não alinhado a nenhum eixo político-econômico da Guerra Fria, a ameaça da desgraça vermelha era iminente. A sociedade civil saiu às ruas e, em protestos e manifestações, deram a abertura suficiente para os militares assumirem o poder, justamente por não haver direção nem mesmo proposições plausíveis para o direcionamento do país.
Durante os protestos dos dias atuais a falta de foco, falta de liderança e, principalmente, a falta de solução de fato para os problemas causam preocupação. Já foi visto a consequência, há anos, de uma politização alienada e não há glória nisso. Sair às ruas requer uma preparação intelectual, aonde conceitos devem ser trabalhados, soluções estudadas para que o grito não seja apenas de reclamação, mas de propostas que levem a uma mudança, uma evolução no modo de agir e governar. Discussões devem ser estabelecidas e os manifestantes elegerem uma liderança que tenha propostas eficazes para haver outra forma de autoridade administrativa, do contrário o desgoverno abrirá espaço para figuras já conhecidas no nosso cenário político-ditatorial. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Liberdade utópica



 Trabalhar a questão da liberdade é muito complexo, pois é algo que pode ser observado por vários aspectos e de várias concepções diferentes. Importante refletir sobre o conceito trazido pelo dicionário que adota como sinônimo do verbete Liberdade as palavras autonomia e independência, embasado nessa sentença que o texto subsequente decorrerá.
Frente a esse conceito prévio de liberdade e tendo uma leve reflexão sobre ele é possível observar que o mundo atual vive escravizado e não somente o presente, mas desde sempre a humanidade se enraizou na impossibilidade de realizar as suas próprias vontades a seu bel-prazer. Não importa a forma de governo sempre haverá condições que proíbam o cumprimento do querer em sua completude.
Costuma-se observar de uma maneira mais clara o veto frente a modelos ditatoriais, mas é possível refletir sobre assuntos cotidianos e vontades que, mesmo em países "livres", não são possíveis de se executar. Como já visto anteriormente, tem-se a definição de liberdade como uma autonomia, mas essa não é respeitada no Brasil quando, por exemplo, tenta-se comprar um carro, mas por questões financeiras torna-se impossível, logo a liberdade, nesse caso, está vinculada ao um simples conceito, o qual denomina-se capital.
Na sociedade não há liberdade para a liberdade, o que é natural e de certa maneira preciso. Nem tudo o que o ser humano quer ele consegue obter, porque a sua independência está condicionada a dependência de circunstâncias, como por exemplo: se alguém quiser ficar sem comer não pode, pois o corpo necessita de alimento; se um outro ser quiser dirigir, mas não tem tamanho suficiente para alcançar os controles do automóvel essa pessoa fica impossibilitada de realizar seu desejo. O exemplo a seguir evidencia a quantia de fatores que vetam a liberdade: Um homem que no Brasil está e sente fome, querendo matá-la em apenas uma hora e em um café parisiense depara-se com a barreira do tempo, da distância, do financeiro, do transporte, das suas questões trabalhistas e/ou estudantis do cotidiano e em outras mais.
 Destacando os conceitos pré-estabelecidos no texto sobre a palavra liberdade deve-se questionar se os mesmo são intrínsecos realmente a essa questão do poder, da liberdade em si. Por muitas vezes não se observa a força da utopia, tal é essa que leva multidões a formularem ideias e a questionarem qualquer tipo de influência, autoridade. O poder social é inegável, mas até mesmo nisso pode ser notado claramente à falta de independência, pois todo o conceito criado na cabeça dos líderes é nascido dos pensamentos de outros filósofos mais.
Se com calma for analisado notório se fará a infidelidade ao real do conceito permeante na mente popular sobre a questão da liberdade, logo que esta está vinculada a dependência de variados fatores que fogem ao domínio do próprio ser humano. A autonomia pode ser conquistada em setores separados e até mesmo isolados, mas nunca haverá alguém que goze do conceito pleno, incondicional, da tão sonhada e requerida liberdade.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

DIRETÓRIO DOS ÍNDIOS E A PERSUASÃO





Anos e anos se passaram e o que se tem no Brasil hoje é simplesmente consequência da “educação” aqui empregada. O exemplo que é seguido atualmente é do governo que não se preocupa com a população e faz uso desta como se fosse sua propriedade, usando vários artifícios para que consiga realizar seu objetivo.

Exemplo perfeito de todo esse jogo político foi à lei nomeada de “Diretório dos Índios”, criada pelo Marquês de Pombal. Tal lei dispunha sobre os aldeamentos indígenas, criando assim um diretório e excluindo o trabalho dos missionários jesuítas frente aos índios. Com esse diretório vieram escolas com mestres para meninos e meninas, em separado, onde só se podia falar a língua portuguesa e era proibida expressamente a nudez, assim como as habitações coletivas. Essas escolas tinham como função principal “educar” os nativos segundo a cultura europeia, fazendo com que eles pudessem se entregar a sociedade povoando, trabalhando e ajudando a guarnecer o novo território contra qualquer ameaça.

Tudo isso se tornou algo cotidiano meio a sociedade brasileira, essa persuasão frente ao povo para que este trabalhe e gere algum tipo de lucro aos governantes. É absurdo, porém é real tudo isso que acontece nesse país. O Diretório dos Índios prova muito bem que o governo pouco se importa com a população, que é que o mantém, sendo esta no caso nativa e dona da terra, e utiliza-se de meios baixos para que a sociedade faça tudo de acordo com o pensamento tirano e capitalista, tendo essa prática desde os tempos de colônia.

O Diretório dos Índios foi um projeto muito bem pensado para o fim almejado pelo governo e deve-se reconhecer a inteligência e a visão do Marquês de Pombal, só que, infelizmente, isso nada ajudou os habitantes nativos da nova terra, muito pelo contrário seu objetivo era acabar com o povo indígena, não através da morte física, mas da morte cultural. A morte de um povo dá-se pelo vencimento dos seus costumes e o autor da lei, que está sendo discutida, percebeu muito bem isso, tomando por armas a descaracterização das tribos, fazendo com que assim os habitantes naturais perdessem a sua língua, seu modo de vestir, sua religião e outros traços marcantes mais. 

Atualmente o Brasil ainda vive essa exploração governamental, a mídia, principalmente, é utilizada pelo governo para subverter as mais variadas ideias impedido-as de se tornarem realidade. Não há interesse governamental que a população se liberte da ignorância, porque, deste modo, há a possibilidade de manter um forte trabalho persuasivo gerando lucros e mais lucros as custas daqueles que deveriam ser os beneficiados pelo seus representantes.

Os índios permanecem com alguns remanescentes até hoje no território brasileiro porque souberam defender seus ideias e não vendê-los, como muitos atualmente fazem. Há uma necessidade que se busque a sinceridade no pensar e o pensar, primeiramente, pois o pensar é o agente libertador das mentes escravizadas pelas grades e correntes governamentais. O brasileiro precisa se politizar, precisa defender seus ideais, precisa lutar.