domingo, 20 de novembro de 2016

Temos motivos para Sorrir?

O primeiro vídeo que vi sobre a deliberação referente à ocupação da UEPG e a greve estudantil, a menina que falava, líder da UJS (União da Juventude Socialista), sorria ao informar que estava deliberada em assembleia que o movimento estudantil tomaria partido e faria a greve e a ocupação que se concretizou semana passada.
Um dos maiores críticos ao marxismo ortodoxo, Walter Benjamin, já alertava sobre esse tipo de posicionamento há décadas atrás. Ele dizia que a esquerda perdeu a força por parar de olhar para trás e lutar com raiva para "vingar" os companheiros que sofreram no passado e por passar a lutar sonhando com um futuro azul.
As ocupações e manifestações por todo o estado mostram que as ideias da esquerda não morreram. Será? É louvável a participação ativa dos jovens na política, aplaudo que a juventude tenha atitude e voz, mas infelizmente temo pelo que temos visto atualmente, o desenrolar do movimento falta consistência de ideias. Belchior nos provoca: “no planeta juventude haverá vida inteligente?”.
Espero não estar sendo muito pessimista, mas me parece que a maioria tem se posicionado apenas por modismo e com poucas convicções políticas sobre aquilo que é melhor ou não.
Assistimos ao vivo a desarticularização da APP (Sindicato dos Professores), afinal as escolas que pararam o fizeram pela ocupação estudantil e não pela paralisação dos docentes. As forças políticas que lideram as tensões no município e também no estado e país estão muito longe da sociedade, mesmo a esquerda, não consegue cativar a população comum. Temos uma esquerda basicamente de classe média.
Que esta força e o ímpeto da juventude sejam reflexos de busca por conhecimento também, porque ação sem base é como lata vazia, barulho que não resulta em resultados efetivos.
Ouvi muitas vezes que necessitamos fazer política de uma maneira diferente, mas não tenho visto isso. Infelizmente a ocupação está sendo vista com olhar negativo pela maioria das pessoas que tenho conversado, pelo modo que ela ocorreu. Não há trabalho de base que divulgue ideias e discute-as para que quando estas forem ser postas em prática possa haver base que sustente as ações para que elas sejam as mais efetivas possíveis.
Lutar por direitos, defender a democracia é preciso, é louvável, mas que possamos um dia chegar a fazer isso com o máximo de debate possível.
Há semanas os meus textos vem girando em torno desse problema de não termos mais debates, por nos isolarmos e atacarmos com todo furor o adversário político. Democracia é feita com conversa e com negociações, não essas negativas que se caracterizam crimes, mas negociações sadias que nos possibilitem compreender o lado do outro e chegar a acordos que nos levem a patamares superiores.
Que a luta seja feita de maneira consciente, que a força possa estar nos projetos e não no fígado, que o coração e a paixão possam ser o caminho para buscar uma democracia madura e não simplesmente um fim em si mesmo.
Temos motivos para sorrir? Repensar é preciso, para que o nosso passado recente não se repita e a possibilidade de diálogo não se finalize de vez, precisamos utilizá-la já.

Texto Publicado em 24/10/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/temos-motivos-para-sorrir#.WDHXtdylzIV

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