As eleições se passaram, estamos em segundo turno em Ponta Grossa e com a nossa câmara legislativa formada para os próximos quatro anos. Confesso que lamento um pouco o resultado das eleições para vereadores no nosso município. Parlamentares que eu acompanhei os trabalhos, mesmo não concordando com as suas ideias, mas que sempre foram ativos e enriqueceram o debate na casa de leis não conseguiram a reeleição, enquanto outros que nada fazem pela população estarão mais quatro anos empregados.
No texto da semana passada conversamos um pouco sobre esse fenômeno de hipocrisia que vivenciamos na nossa sociedade. Reclamamos da corrupção e tentamos, muitas vezes, expiar a nossa culpa ofendendo o PT e o governo deposto, mas continuamos vendendo o nosso voto e não tendo a mínima responsabilidade na hora de eleger nossos representantes.
Eu ainda confio na política partidária, entretanto nosso país ainda está muito aquém da responsabilidade necessária para que tenhamos uma democracia madura e frutífera, um governo em que haja verdadeiramente uma participação do povo no cotidiano.
Nossa classe política vem em declínio. Meu interesse por política começou quando comecei a estudar e ver a atuação parlamentar forte que havia no Brasil durante as décadas de 60, 70 e 80. Sim, mesmo durante o período em que tivemos os militares à frente do governo e que foi cerceado o espaço da câmara continuou havendo debate e luta na casa de leis para que esta continuasse representando o povo.
Essa semana, dia 6, foi marcado como dia do nascimento de um dos políticos mais importantes que o Brasil teve: Dr. Ulysses. Pensar no que o líder da constituinte representou para a política nacional é de suma importância para percebermos o quão fraco de líderes estamos, vivemos uma morte das utopias e perdemos o gás por lutar por uma cidade e/ou melhor.
Infelizmente é cada dia mais raro termos pessoas no poder que nos orgulhem e que digamos com todas as letras que nos representam. A política nacional está em declínio e aqui não quero fazer um apelo sentimentalista e moralista, mas quero que tenhamos a OUSADIA de pensar e construir uma sociedade diferente.
Não podemos culpar a população por tudo, mas não podemos inocentá-la também. Que no segundo turno façamos nossas escolhas de modo consciente e com o nosso voto forjado através dos debates e não dos achismos e preconceitos. Que nossas organizações de base tornem a funcionar e que, de uma vez por todas, amadureçamos politicamente para que o Brasil possa ser grande e que os brasileiros sejam ainda maiores.
Texto Publicado em 02/10/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/por-um-brasil-grande-e-de-brasileiros-ainda-maiores#.WCoOQS0rLIU

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