domingo, 20 de novembro de 2016

Reinventar!

Enfim, prefeitos e vereadores eleitos. 
Uma das eleições que mais repercutiu nas redes sociais foi a da cidade do Rio de Janeiro. Eu, por ser carioca, tenho um olhar todo especial para a política na cidade maravilhosa. O que mais me chamou a atenção nessa eleição foi a força que Marcelo Freixo ganhou na esquerda nacional. Vi muitas pessoas dizendo que gostariam de votar no Rio de Janeiro para poder depositar seu voto no 50. 
Essa semana também começou um debate na Câmara de Vereadores desta mesma cidade sobre salários vitalícios para vereadores que fossem funcionários públicos e tivessem exercido três mandatos consecutivos ou quantro alternados. O que, confesso, me surpreendeu foi a bancada do PSOL apoiar este projeto. Não sei até que ponto eles creem que isso ajudaria (porque já foi retirado) a população mais carente, até que ponto esse tipo de proposta ajudará a descentralizar e socializar capital e oportunidades. 
Infelizmente venho há tempos criticando a esquerda em textos, postagens e conversas informais por simplesmente agir em discursos, por ser formada, em sua maioria, por universitários, professores, profissionais liberais, ou seja, classe média, a mesma classe média que Marilena Chauí odeia. É importante ter a consciência mesmo não sendo das classes mais baixas da sociedade e lutar por melhorias de vida dessas pessoas, mas infelizmente pouco tem se feito e muito tem se falado quanto à população carente.
As pessoas precisam muitas vezes de ajudas simples, não de uma revolução, mas de alguém que lute por elas de fato, conhecendo suas necessidades e frequentando os mesmos lugares e não fazendo morando e discursando do Leblon. Enquanto houver esse paternalismo e vanguarda, seja qual for a posição política, a população continuará sentindo-se apenas uma mera plateia desse jogo político. 
O Rio de Janeiro é apenas um exemplo daquilo que vem acontecendo, de maneira bem geral. A intelectualidade tem se fechado em seus salários altos, lutas por cargos públicos e a segurança do emprego público; estudantes se formam à custa da população e retornam muito pouco desse investimento para a sociedade que os têm financiado. Não creem em meritocracia mais defende os benefícios que detêm das mesmas. 
É um pouco paradoxal determinadas posições.  
Quando será que entenderemos de uma vez que aquilo que é público não é gratuito?! Era para ser uma percepção simples, mas infelizmente não o é. 
Tem se falado muito em reinvenção da esquerda, mas, sinceramente, o que eu gostaria de ver, e participar, é a reinvenção de termos que datam da Revolução Francesa e servem apenas para criar preconceitos e rixas tolas que em nada auxiliam a população. Quando será que o povo será mais que a cadeira e as negociações políticas?! 
Mas não podemos nos enganar, a política é reflexo do cotidiano mais comum, entranhado no lugarejo mais simples, das pessoas menos influentes. Não podemos simplesmente continuar com vitimismos e choros de todos os lados, como se todos tivessem culpa de tudo que há de errado e apenas nós estamos certos e somos bons (as) moços (as). 
Nós somos os políticos que nos representam!

Texto Publicado em 06/11/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo":http://www.culturaplural.com.br/reinventar#.WDHZJtylzIU

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