Há muito escuto que precisamos inventar novas formas de fazer política, novos modos de discutir e fazer com que o diálogo seja realmente a chave-mestra de uma democracia madura. Infelizmente, já ouvi muito, mas tenho visto muito pouco.
O Brasil mudou seu jeito de jogar, voltamos a vencer e vi no Facebook muitas pessoas novamente se orgulhando da seleção brasileira, coisa que não acontecia há algum tempo.
Foucault leva ao extremo a ideia de desconstrução nos colocando em um relativismo profundo. Não creio que esta seja a melhor solução, precisamos de fé e de bases sim, mas isto não pode ser dogmático. É preciso que cotidianamente reflitamos sobre nossas posições e nos coloquemos firmes, mas abertos ao diálogo.
Uma dos vícios mais fortes no nosso pensamento ao discutir política é dicotomizar e empobrecer o debate dividindo tudo entre direita e esquerda. Não creio que estas terminologias sirvam hoje, afinal não estamos mais na Revolução Francesa.
Mas para que estas denominações rasas encerrem suas atividades precisamos compreender mais, estudar mais, conversar mais. Vivemos rodeados num mundo aonde o preconceito é um dos assuntos mais trabalhados e falados, mas nossos preconceitos políticos são tão grandes quanto os sociais, de gênero, raça, cor e assim por diante.
Queremos falar de pensamentos pluralistas e respeito às diferenças, mas nunca paramos para ouvir aquele que está nos contrapondo, preferimos o conforto de apenas dialogar com aqueles que pensam como nós. E aqui eu quis falar de diálogo e não essas guerras verbais que, não raras vezes, descem o nível entre lados opostos que em nada acrescentam ao debate das ideias e das direções a serem tomadas na nossa sociedade.
Muitas vezes criticamos Trump a respeito de muros, mas nossa hipocrisia não nos permite enxergar que nos fechamos nos construídos por nós mesmos, perdemos a força para votar contrário à medida que não concordamos e simplesmente aceitamos com medo das retaliações que vem em forma, na maioria das vezes, de assédio moral.
Não conseguiremos avançar em nossos debates para a construção de uma sociedade respeitável e uma democracia madura enquanto estivermos fechamos em nossos mundos, atrás de nossos muros de proteção, longe do diálogo e de buscar entender a lógica de pensamento do adversário político.
A política tem jeito, ela é apenas reflexo da vivência cotidiana de todos os cidadãos, ela reflete a sociedade. Quando pararmos de agir como sábios e vanguardas e aprendermos a dialogar buscando compreender o outro e não simplesmente ser compreendido, aí teremos uma sociedade que crescerá em níveis exponenciais em todos os indicadores e teremos uma vida pública sadia, enfim.
Texto Publicado em 13/11/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo":http://www.culturaplural.com.br/desconstrua-reconstrua#.WDHZmNylzIU

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