sexta-feira, 18 de abril de 2014

CADEIA DE SISTEMA


A sociedade atual é composta por um conjunto que abrange variados tipos de sistemas, sendo eles econômicos, políticos, sociais e assim por diante. O engodo nela posto atrai as mais diversas camadas do conjunto social, do contrário não haveria coesão e seu funcionamento seria completamente fútil. A organização que se há no domínio humano pelo homem é complexo e tende a chegar perto da perfeição, trabalham-se conceitos e luta-se por eles, sendo que os mesmo são a própria ilusão e a prisão em que se encontra a população, até mesmo os personagens que fazem a máquina ideológica girar.
Conceitos como o de liberdade muito atraem todas as pessoas e vive-se, morre-se, luta-se por ele sem nem mesmo perceber que é uma utopia descabida de razão, afinal personagens que entregam seus dias na busca desse ideal tornam-se escravas do próprio, perdendo alguns resquícios na busca incessante de um todo inatingível. O amarrado sistemático que engloba cada lugar sombrio deste mundo não permite que nenhum homem se quer consiga se ver livre, podendo ser perceptível, sem uma reflexão mais apurada, tamanho é o condicionamento em que cada ser se encontra atado.
Há quem queira mudar o sistema, seja ele qual for, de maneira abrupta, entretanto não vislumbra que apenas de dentro é que ele pode ser modificado. Muitos defendem o “bater de frente” com as forças que os lideram, sem notar que a força e as armas de coerção ideológica estão completamente nas mãos daqueles que detêm o poderio maior da organização, prova disto é o sistema político atual do Brasil, percebe-se que, ainda hoje, vive-se uma república oligárquica e que pode até mudar o presidente e o partido, mas quem detêm o poder sempre são os mesmos, os seja aqueles que concentram determinada renda em suas mãos.
A quebra de qualquer organização complexa, como os são os sistemas que subtraem e subjugam a população comum, deve ser feita de maneira gradual e consciente, uma vez que qualquer movimento brusco causa nódoa irreparável, impossibilitando que mais a frente haja possibilidades de reparos consideráveis a ponto de haver outra oportunidade de mudança sistemática. A fraqueza por vezes deve ser tida como a fortaleza e é sempre importante saber que até mesmo os conceitos pelos quais os próprios intelectuais discutem são gerados no seio daqueles a quem os mesmo denigrem e buscam derrubar, a vida em sociedade nada mais é do que um grande teatro, aonde não há originalidade, apenas cópias, falsificações, ideologias, conceitos fúteis e utópicos, imbróglios mil capazes de transformar tudo em apenas sonhos e enganos, sem que nem mesmo o sujeito perceba que não há sujeito, apenas sujeitados.

Matheus M. Cruz

Acadêmico de História – UnC Mafra

sábado, 5 de abril de 2014

Regime Civil-Militar de 1964 – Resumo


Durante os governos que se sucederam após a Revolução de 1964 houve uma dinâmica diferenciada das que muitos têm em mente. O corpo militar não se portou em uníssono, havendo dentro da instituição efervescência e divisões políticas durante todo o período de governo militar, prova disto são os movimentos que envolviam os Coroneis das IPMs (Inquérito Policial Militar), o movimento denominado “primeira linha dura”, sob liderança de Boaventura, e também, entre outros, da organização Lider (Liga Democrática Radical).

Houve também participação dos civis dentro dos governos liderado pelos militares, sendo estas participações importantes, uma vez que a maior parte dos ministérios estava, a princípio, nas mãos de tecnocratas. Com a subida ao poder de Costa e Silva, substituindo Castelo Branco, havia a esperança de desmilitarizar-se o poder, entretanto o que ocorreu foi uma mais forte tomada de espaço pelas Forças Armadas, isto era visto que aconteceria já que Costa e Silva assume sobre a base eleitoral dada pela “linha dura”, a qual, com seus requerimentos, força Castelo Branco a promulgar o AI-2 (decreta o bipartidarismo e o aumento do poder do Executivo) e dentro de seu governo decreta o AI-5 (considerado a revolução dentro da revolução, ato este que aplicou a censura e a caça aos oposicionistas do regime).

Principalmente durante os anos de chumbo a extrema esquerda viveu na ilegalidade, criou-se movimentos urbanos e rurais em forma de guerrilha, movimentos estes que marcaram com ações contra a repressão do Estado. Alguns desses movimentos foram o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Guerrilha do Araguaia (esta rural). Foi prática contínua desses grupos as desapropriações (assaltos a banco) dos grupos dominantes e também o sequestro de embaixadores e figuras públicas importantes para serem trocados por presos políticos, estratégia esta que nasce com o MR-8 em 1969 com o sequestro do embaixador estadunidense com a exigência da libertação direto para o exílio de 15 presos políticos e a leitura de uma carta em todos os canais televisivos da época.

É a partir do AI-5 que a prática da tortura se instala de vez no regime, fato este que até hoje tem grande repercussão na imprensa e em qualquer conversa sobre o período militar. Os militantes políticos eram considerados terroristas que queriam subverter a ordem da sociedade, sua hierarquia e os bons costumes, além de quererem instalar o comunismo no Brasil. Após serem presos sofriam tortura e a grande maioria era morta e seus corpos nunca mais seriam achados, uma vez que, com os estudos da atualidade é possível saber, eram esquartejados e jogados ao mar ou em rios para que não houvesse provas do crime ocorrido. Outro aspecto sobre a tortura que é causa de grande indignação dentro da sociedade é o apoio da Igreja Católica a estes atos repugnantes, usando para justificar o seu discurso a ideia de que estes terroristas estavam tentando destruir as instituições familiares e a sua maioria serem ateus, desvirtuando assim a sociedade.

O Regime Civil-Militar se dá a partir do Golpe de 1964 e termina, segundo alguns autores, em 1985 com a posse de Sarney e, segundo outros, com as eleições diretas de 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Melo. Dentro do processo de reabertura política o presidente que encabeçou foi o General Geisel, inclusive derrubando o AI-5.  Essa faixa de tempo também é conhecida como Ditadura Militar, foi também com os Generais-Presidentes que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol em 1970 com uma seleção histórica e também apareceu de vez para o mundo como uma economia crescente, graças ao Milagre Econômico, com o qual o PIB permaneceu em escalada, e também a maior industrialização do Brasil com projetos como o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Os tempos militares causam repugnância em muitos, entretanto saudosismo também, foram tempos de lutas e mortes, mas também de desfiles e grande propagandas, na qual a ideologia foi parte operante da Guerra Revolucionária contra o comunismo e a favor dos governantes.

Golpe Civil-Militar de 1964

Durante o início dos anos de 1960 a efervescência da Guerra Fria estava em seu ápice, a dicotomia entre comunismo soviético e capitalismo estadunidense era clara e a necessidade, imposta por esses países, de que todas as nações do globo se posicionassem cresceu no decorrer de toda essa questão geopolítica. Com o Brasil não foi diferente, João Goulart buscava manter-se nos blocos dos Não Alinhados, países que não assumiam compromisso nem com a economia soviética e nem com a estadunidense, fazendo negócios e visitas a China, Cuba e também mantendo contato com os EUA, entretanto não foi possível manter-se assim, uma vez que a influência norte-americana era forte causando pressão contra essa maneira de política dentro do próprio país.

Jango, como era conhecido João Goulart, entrou na política no segundo governo de Vargas e manteve seu modelo populista ao assumir o poder em 1961, entretanto esse modelo não era bem visto por boa parte da população, principalmente a de melhores condições financeiras, uma vez que as reformas de base e a busca por trazer a classe trabalhadora para si como pilar do poder fazia diminuir a força e a lucratividade da primeira em cima da segunda. Outro setor que não se agradava deste modelo era o militar, já que com essas medidas e aproximação dos graduados e soldados, segundo os oficiais, causava sublevação da ordem e hierarquia, destruindo assim o corpo militar. Também era altamente criticado pela igreja que temia, junto a grande parcela da sociedade, uma revolução comunista no Brasil no rumo tomado pela da Rússia em 1917 e uma República de Sindicatos, já que o presidente estava tão próximo da classe trabalhadora.

Do dia 31 de Março para o 1 de Abril deu-se a intervenção amplamente apoiada pela sociedade civil e pelo corpo militar, entretanto as promessas eram de que ela seria rápida e cirúrgica, logo que possível tornando aos civis o comando da nação e das questão político-econômicas. O período curto em que o braço militar deveria está no poder era apenas para que houvesse uma limpeza desses ideais comunistas tão incômodos aos golpistas e uma estruturalização para que voltasse a democracia e o rumo normal da dinâmica política no Brasil.

O fechamento e as cassações de nomes importantes foram feitas, entretanto o governo militar perdurou no poder, criando os Atos Institucionais (AI) para governarem o país, criando uma nova dinâmica que os favorecessem, a qual acabou por militarizar o Estado, principalmente a partir da presidência de Costa e Silva, causando indignação em nomes notáveis do meio civil como Lacerda (Governador da Guanabara à época), causando o sentimento de traição na ala não-militar do Golpe, entretanto todas as ações foram feitas sempre buscando a legitimação do poder defendendo que a massa do povo brasileiro os estavam apoiando.

BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL - Parte III

Durante todo o século XX a efervescência no corpo militar foi visível através de grandes movimentos como o tenentista e revoltas como a do forte de Copacabana. Com a subida ao poder de Getúlio Vargas ainda permaneceu dentro da corporação a ânsia política e o questionar ao governo continuou sendo algo frequente, sendo perceptível a atividade política dentro do exército até o fim do governo varguista.

A Era Vargas apresenta ao Brasil a ditadura e o poder concentrado na mão de um só homem, também traz para o Estado responsabilidades e gestões que estavam totalmente dispersas, prova disto foi a criação do ministério de Educação e Saúde e as mudanças ocorridas dentro dos corpos sindicais com os pelegos no comando, gerando com essas modificações uma alta hierarquização estatal e centralização das decisões, modelos estes que foram também postos em prática, dada algumas diferenciações, pelos militares a partir de 1964.

Dentro do período varguista se vê nomes militares importantes e influentes que vão ser essenciais para o golpe em 64 e para a instalação do novo governo, são oficiais que lutaram em posição de prestígio na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial e receberam altas condecorações e honrarias pelo seu desenvolvimento no conflito, mesmo a entrada na luta contra as potências do eixo sendo em desacordo com os homens de altos cargos militares no governo getulista, como Dutra e Góis Monteiro, até porque a relação Brasil-Alemanha era bastante intensa econômica e militarmente, uma vez que até armamento era importado da nação nazista.

Mesmo boa parte dos militares tendo lutado ao lado de Getúlio pela maior nacionalização e industrialização do país e o apoiarem no poder, a entrada na guerra e o estilo de governo populista aplicado por Vargas acabaram por afastar os mesmos do político gaúcho, principalmente após sua saída e, por ocasião da sua volta por vias democráticas, a não continuidade do programa pelo Presidente Dutra, um militar.
Através deste governo populista, aparece no segundo governo de Vargas João Goulart, que se torna ministro do trabalho, e a partir daí a antipatia militar ganha força de vez, já que os homens de fardas viam no discurso desses homens a porta de entrada para a subversão, o comunismo e a sublevação dos graduados militares, causando assim enfraquecimento em um dos pilares da corporação, a hierarquia.

Haviam planos já de tomada de poder pelos militares em 1954, entretanto com o suicídio de Getúlio o cenário nacional muda, uma vez que o populismo de Vargas era bastante forte, fazendo com que se o golpe fosse aplicado naquele momento não haveria apoio da população e, consequentemente, não teria suporte para o governo.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte II

Durante a primeira década do século XX houve manifestações militares em alguns lugares do país, prova dessa efervescência foi o fechamento da escola de oficiais da Praia Vermelha, que, por via principalmente de Benjamin Constant, lecionava sob a influência positivista, e a criação de uma nova instituição no Realengo com um currículo mais apolítico visando formar soldados profissionais que se distanciem ao máximo das questões sócio-políticas que circundam a vida cotidiana em que estão inseridos.
Nos anos de 1920 ocorreu o início do movimento tenentista, sendo este precipitado pela insatisfação militar com o antimilitarista e candidato vencedor à presidência da República Artur Bernardes. O ponto inicial deste movimento, denominado assim devido a maior parte de seus integrantes serem tenentes seguidos de capitães, foi a tomada do Forte de Copacabana em 5 de julho de 1922, objetivando por meio deste limpar a honra do Exército. Após o primeiro dia de tomada a maioria do contingente revoltoso se entrega, restando apenas 18 dentro do forte, os quais em troca de tiros 16 morrem e 2, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, são feridos. Este episódio lançou de vez a imagem do tenentismo, dando força a outros movimentos que viriam a seguir.
Em São Paulo no ano de 1924 a 5 de Julho, data para homenagear a revolta de 1922, visando a derrubada do presidente em exercício os militares tomam a cidade durante 22 dias, saindo pelo interior depois destes em marcha como a “Coluna Paulistas” com objetivo de chegar ao oeste paranaense aonde houve mais enfrentamento entre os revoltosos e os legalistas enquanto os paulistas esperavam a chegada de uma outra coluna advinda do Rio Grande do Sul, a qual se levantou com apoio dos políticos do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em outubro de 1924 e após várias batalhas rumaram a encontrar-se com os revoltosos da coluna paulista.
Em 1925 ambas as tropas se encontram e a maioria de seu contingente decidiu por exilar-se, entretanto boa parte permanece firme aos ideais e saem pelo Brasil, em uma marcha que dura cerca de dois anos e demonstra grande habilidade militar, formando assim a conhecida Coluna Prestes, nome do famoso líder Luís Carlos Prestes, objetivando divulgar os pensamentos tenentistas pelo território nacional e buscando que outros quartéis se levantem, entretanto não foi bem sucedida, mas estes militares marcaram a história pela bravura e por não terem sido pegos pelo governo, uma vez que a coluna começou e terminou por iniciativa própria.
Os movimentos tenentistas deram força a tomada de poder de Getúlio Vargas e boa parte dos revoltosos recebeu o cargo de interventor nos estados da federação, sendo até apelidados de Vice-reis, entretanto o objetivo destes de limpar as regiões das antigas oligarquias não pode ser alcançado e acabaram por se entenderem com as mesmas.
O movimento tenentistas marcou toda a história do Brasil no século XX, a geração desses tenentes participaram como oficiais importantes na FEB e também é a mesma que da o golpe em 1964, mostrando a importância desses levantes e revoltas que varreram todo o ano de 1920.


BREVE GENEALOGIA MILITAR NO BRASIL – Parte I


Durante boa parte da História nacional houve participação efetiva dos militares no curso político, social e econômico do Brasil, sendo possível notar este fato através da Proclamação da República (feita por um militar), os movimentos dos anos de 1910 e 1920, a influência e a posse de altos cargos no governo Vargas, a passagem do estado Novo para nova experiência democrática e enfim o Golpe de 64.
A formação do ideário militar, mas efetivamente das forças terrestres, no Brasil tem seu início com o decorrer da Guerra do Paraguai (1864-1870), até mesmo porque antes disso não existia real corpo e nem o espírito deste no meio militar, não sendo ao menos obrigatório a prestação de serviço ao braço armado do Estado, sendo utilizados apenas mercenários em momentos de crise. Com a vitória e o decorrer da guerra que se colocou em estima o Exército Nacional, que até então era totalmente sucateado, com baixos salários e visto como parte da escória do Brasil, uma vez que no período regencial criou-se a Guarda Nacional servindo aos interesses dos, que passaram a ser, coronéis, ou seja, da oligarquia e  também havia a Marinha, ambas instituições dotadas de prestígio frente a sociedade imperial.
Após a guerra muitas petições dos militares foram aceitas, até frente a salários, e o prestígio que o Exército ganhou foi crescente, tanto é que para a Proclamação da República o escolhido para o ato e como primeiro presidente da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca e para vice Marechal Floriano Peixoto, visando assim ter a força armada ao lado da mudança para que a mesma pudesse ser implantada.
Com a estima militar em alta foi criada a escola militar para formação de oficiais que se situou na então capital nacional, mais especificamente na Praia Vermelha. A importância desta instituição foi ímpar, uma vez que foi dela que surgiram revoltas importantes geradas pelo positivismo que ali era ensinado, principalmente por Benjamin Constant. O conteúdo que ali era lecionado tinha muito de política, formando deste modo soldados-cidadãos, gerando militares críticos sociais e que faziam questão de participar da vida política da nação.
Em 1904 a Escola Militar da Praia Vermelha foi definitivamente fechada e criou-se no Realengo, também no Rio de Janeiro, entretanto afastado do centro da cidade, outra escola, desta feita visando a formação de soldados-profissionais, que em nada teriam contato com a política, não recaindo nos mesmos embaraços já vividos anteriormente com os jovens oficiais, entretanto os resultados não foram os esperados havendo grandes movimentos organizados pelos oficiais que dali saíram, sendo esta geração, nascida em torno de 1900, que em 1964 passou a governar o Estado brasileiro.


Governo Tecnocrata e Educação

A questão educacional é de extrema importância para a sociedade desde há muito tempo, uma vez que ela se torna tanto a cadeia quanto a chave de liberdade da mente do ser humano. Durante o governo instalado pós-64 não foi diferente e as escolas estiveram incessantemente em foco dos militares, parte deste sistema sendo instalado segundo o modelo proposto por Getúlio Vargas.
Durante o período ditatorial o Brasil passou a ser governado por Tecnocratas, pessoas que não eram políticos profissionais e sim tinham a profissão afim do cargo que exerciam. Com esse aspectos ímpar na história brasílica muito foi questionado os governos militares, mas para o objetivo que este estilo de governo foi proposto ele funcionou muito bem, uma vez que durante esta época o que interessava para o Brasil que se cumprisse a propaganda ufanista como por exemplo os slogans “Brasil Grande Potência” e “Brasil: Ame-o ou Deixe-o”.
A nação viveu o Milagre Econômico, que foi um período de arroxo salarial, repressões, entretanto o espaço de tempo em que o Brasil mais cresceu economicamente, até mesmo no âmbito mundial, tendo a inflação controlada e o PIB crescendo mais a cada ano, as empresas lucravam e havia uma maior possibilidade de mercado interno uma vez que passou-se a investir na integração do país, algo que não havia ainda sido atendido pelo governo.
Com o crescimento da indústria passou a necessitar-se de mão de obra qualificada para tal e não de mentes realmente pensantes, através dessa necessidade foi criado uma grade curricular e um modelo estudantil para que os alunos que dali saíssem soubessem apenas o básico, estando habilitados assim a servir a nação com o trabalho braçal, fazendo a economia nacional crescer. Ainda hoje a educação, principalmente a pública, forma cidadãos capachos dos patrões, pessoas feitas para apenas servirem, serem mandadas e nunca pensar por si próprias.
Outro fator importante que destaca bem esse sistema educacional foram as disciplinas acrescidas e outras retiradas da grade curricular. Demonstrando a falta de interesse do Estado em criar um pensamento crítico é que disciplinas como História, Filosofia e Sociologia somem das salas de aulas, sendo colocados até mesmo soldados dentro das salas para que pudessem cuidar daquilo que era passado para os estudantes, isso abrangendo até mesmo o ensino superior, e surgem outras voltadas para a moral e bons costumes e para o militarismo.
Havia também um batalhão de trabalho infantil no qual as crianças e adolescente que não tinha acesso a escola poderiam trabalhar sem sequer receber salário, em troca somente de comida. Todas essas situações provam que o interesse de “Ordem e Progresso” durante o período militar fez-se com os sulcos das costas dos de classe mais baixa em prol do engrandecimento do grande capital. Os tecnocratas no poder fizeram o Brasil Econômico crescer, infelizmente o Brasil Social decaiu e ainda hoje cole-se os frutos dessa organização educacional para o trabalho braçal, modelo para criar operários.

Neocolonialismo Atualmente - Caso Criméia

Durante todo o percurso da história da humanidade os conflitos armados, sejam os mais modernos ou os mais rudimentares, fizeram parte da formação social e econômica, ainda mesmo quando tais conceitos não tinham sentido algum, das comunidades, diretas ou indiretamente, envolvidas. Muitas dessas guerras se fizeram por intervenções militares em países terceiros, uma vez que não havia nenhum tipo de ligação direta, mas sim luta por áreas de influência, sendo justificados esses intrometimentos através de discursos ideológicos buscando defender a liberdade dos povos considerados mais fracos, entretanto não levando em consideração a vontade popular e a cultura do lugar.
Principalmente durante o século XIX houve a grande exploração da África pelos países europeus, de início com grande força a Inglaterra. Interessante observar nesse fato histórico que o discurso aplicado para a justificação da ação colonizadora era primeiramente salvar o continente negro, África Subsaariana, da escuridão em que viviam religiosamente, procurando mudar assim a cultura do lugar e seus costumes básicos como os alimentares e vestimentas. Após esse período simplesmente religioso acrescenta-se o fator comercial à exploração africana e a intervenção sendo feita através da força e do próprio apoio às guerras intracontinentais enfraquecendo assim todo continente.
O Neoimperialismo trouxe ao mundo a exploração ainda mais cruel, uma vez que, o que seria a antiga metrópole, mantém os países mais fracos em sua órbita e sem nem mesmo ter investimento na extração dos lucros, mantendo-os como reféns econômicos e sob ameaças de diversas naturezas. Esse modelo de aproveitamento posto em prática pelas potências capitalistas ganhou amplo destaque durante a Guerra Fria, aonde EUA e URSS disputavam o controle do mundo, lutando por áreas de influências e incentivando até mesmo guerras civis para que seus impérios pudessem se manter e se utilizando do discurso das ideologias, comunismo versus capitalismo, e do melhor para os povos vitimados por esse modelo.
Atualmente podem-se notar ainda resquícios claros desse modelo exploratório vigorando no mundo e mais em foco nos dias de hoje está a questão da Criméia, região de maioria étnica russa, mas que pertence a Ucrânia. Depois de amplas discussões foi feito o referendo que, por ampla maioria, demonstrou a vontade popular de fazer parte da Rússia, entretanto EUA e União Europeia ameaçam o país de Putin a sanções para o bem da unidade territorial ucraína. Deve destacar-se aqui a importância estratégica da região em questão, fazendo com que toda a disputa vá mais além do que simplesmente a consistência territorial, sendo interesse de Rússia, EUA e EU tê-lo como área de influência em sua órbita, provando assim que a demagogia em discursos mundiais permanece viva e justificando a alteração do rumo de nações por outras nações, gerando conflitos diplomáticos e até mesmo militares na geopolítica mundial.


Guerra Fria ainda não Acabou!!!

A efervescência das ideias vinha numa crescente desde a época do Renascimento, século XVI, desaguando no Iluminismo, século XVIII, e por fim gerando grande movimento ideário no século XIX, principalmente quanto a assuntos antes não tão tratados como os modelos socioeconômicos. Toda essa carga acaba por cair sobre o século XX e daí, deste contexto, deriva-se as duas Guerras Mundiais, Guerra Civil na Espanha, Imperialismo na África, Ditaduras na América Latina, Guerra nas Coreias, Guerras do Golfo, entre tantos outros conflitos que rechearam todo o século passado e respingaram no atual.
Durante o século XX o mundo passou por várias transformações e revoltas sociais, conflitos que varreram populações inteiras do mapa, estabelecimentos e reafirmamento de Estados com modelos socioeconômicos diversos e guiados por ideologias amplamente discutidas e difundidas durante o século XIX por pensadores como Karl Marx, Proudhon, Bakunin e defensores da teoria de Adam Smith causando, todo esse apanhado de fatos, uma divisão política conhecida como Guerra Fria ou Mundo Bipolar.
Ao findar da II Grande Guerra o mundo passou a assistir, com medo de outro conflito com proporções do que acabara a pouco, ou até maiores, o desenrolar do mundo bipolar, este dividido entre EUA e URSS, respectivamente representando Capitalismo e Socialismo. No decorrer desses anos, até o desmantelamento em 1991 da URSS, a influência dessas duas nações por todo o globo foi clara, levando assim a conflitos por áreas importantes para o neocolonialismo, nessas onde podiam se encontrar matéria prima para as indústrias e pontos estratégicos para essas superpotências.
EUA saiu dessa disputa como grande vencedor e deu-se por acabado a Guerra Fria, entretanto fatos ultimamente trazem a lembrança, mesmo que de maneira sorrateira, os anos que o mundo viveu o pós-guerra. Os últimos acontecimentos são as questões ocorridas na Ucrânia para a derrocada do então presidente e também a divisão, ainda, das Coreias. A questão de Kiev se dá pelo não engajamento da Ucrânia na União Europeia, pelo contrário ocorrendo uma aproximação maior da Rússia, tendo até mesmo, esta última, emprestado dinheiro para que a não inclusão ucraína ocorresse e sim permanecesse na órbita russa. Liderando as discussões sobre sanções feitas pelos países europeus e a maneira de agir quanto às manifestações está claramente Barack Obama, presidente estadunidense.
Há pouco tempo também o mundo pode presenciar as discussões e brigas sobre a Síria, no qual estes dois países também financiavam e estavam brigando por zonas de influência nesse país. Cabe então a pergunta: A Guerra Fria acabou? Por vezes ainda pode-se notar que essas duas nações disputam vários lugares do mundo e encabeceiam sempre negociações importantes, principalmente no Oriente Médio, ultimamente. Entre Putin e Obama ressurge a velha guerra entre Stálin e Truman e o mundo ainda divide-se entre as grandes políticas de Rússia e EUA.

Transição do Trabalho Escravo ao Livre no Brasil

O cotidiano trabalhista mudou bastante desde a supremacia indígena no Brasil graças a alterações e reviravoltas que podem ser contempladas no modo de produção e no imaginário do trabalhador. As transformações ocorridas têm ligação com a política externa e interna, com as variações econômicas e também com as mudanças sociais dentro do novo modelo socioeconômico que vinha surgindo.
Durante praticamente todo século XIX a pressão inglesa quanto ao tráfico e a própria escravatura foi crescente ao governo brasílico, como resultado dessa luta diplomática, sendo a mesma nascente desde a vinda da Família Real para o Brasil, e de interesses, uma vez que a Inglaterra não mais tinha vantagens com o tráfico negreiro devido à Revolução Industrial, surgiram conflitos que fizeram da relação, sempre amistosa, entre as duas nações se rompesse por poucos anos.
Com toda essa pressão comentada acima e mais as mudanças que vinham ocorrendo dentro do âmbito interno do Império, o ano de 1850 trouxe duas leis que mudaram de vez a figura trabalhista no Brasil, são elas: Lei de Terras e a Lei de Eusébio de Queiroz. A primeira distanciava o acesso à terra aos mais pobres, uma vez que regulariza por valores exorbitantes a compra da terra e burocratiza ao máximo não havendo conhecimento suficiente entre os trabalhadores menores para lidar com tanta documentação, e a segunda proibia definitivamente o tráfico de escravos africanos para o Brasil.
Vinculado a todas essas questões o próprio governo imperial investiu e incentivou a imigração dos países europeus para que pudesse haver mão de obra nas lavouras e na nascente indústria nacional, esta sendo impulsionada pela medida protecionista do Estado desde 1844 com a Tarifa Alves Branco. A questão dos trabalhadores livres vindos do velho continente é atrelada a mudança que vinha ocorrendo aos poucos da forma de mercado, migrando do modelo Mercantilista, este estatal, para o modelo ainda embrionário do Capitalismo, onde a iniciativa privada mantém o capital girando, logo não mais caberia mão de obra escrava, pois não tem capital de giro e assim não se enquadra no sistema financeiro, consequentemente sociocultural também, este modelo de mão de obra.
O investimento em trabalhadores estrangeiros se dá devido a estarem já acostumados com o trabalho em fábricas e por já terem em seu costume o consumo dos produtos industrializados, fazendo com que assim os últimos pudessem ser comercializados com mais facilidade e aceitabilidade no Brasil, o qual desde 1808 já era depósito dos manufaturados ingleses fruto da falta de mercado consumidor na Europa.
Desde então se começou a acelerar o processo que culminou com a Abolição da Escravatura em 13 de Maio de 1888 gerando em definitivo o esqueleto do sistema trabalhista que ainda hoje vigora dentro do Brasil. Nessas raízes é possível perceber que não foram modificações humanitárias e sim com interesses bem concretos, servindo de exemplo para que na atualidade o trabalhador possa perceber o que realmente está por trás de cada ato do patrão e do próprio Estado que o mantém inerte através da ideologia.

Utilidade da História e sua História - Parte II

Com o advento do Renascimento, ou seja, período da história em que se buscou, na Europa, reavivar os ideais científicos e artísticos da sociedade greco-romana, uma vez que estes haviam sido renegados durante a Idade Média, período em que a Igreja dominou as ciências e artes e entrou-se no período denominado de Hagiografia. Com essa mudança ideológica pode-se dar continuidade ao avanço que a História vinha fazendo na Idade Antiga mais voltada para as questões político-sociais.
Havia a necessidade de métodos para que algo pudesse ser considerado ciência, ou seja, era preciso que fosse universal os resultados obtidos nas experiências, mas como o objeto de estudo da área das humanas não pode ser testado em laboratório, criou-se complicações para sua aceitação como tal no meio científico da época. A partir daí surgiu o Positivismo, que buscava trazer o cientificismo à História, este sendo buscado e proposto pela Escola Científica Alemã principalmente na pessoa de Leopold Von Ranke. O positivismo histórico se presta ao papel puramente de levantar os fatos como ocorreram, não dispensando interpretação alguma quanto aos mesmos, baseando-se em documentos e exaltando os atos de heróis, grandes batalhas, acertos diplomáticos, etc.
É da Alemanha também que surge outra visão histórica, sendo esta idealizada por Hegel, levando o nome de Idealismo. Esta corrente defende o movimento dialético do mundo, ou seja, para toda tese (afirmação) existe uma antítese (negação desta afirmação) gerando deste conflito uma síntese (junção das duas anteriores num resumo) e porta esse nome uma vez que define que é esse movimento das ideias que fazem a história acontecer.
Discípulo das ideias hegelianas foi o também alemão Karl Marx junto a Engels, entretanto modificou a teoria dialética original, dando a importância antes reservada ao campo das ideias ao campo do material, sendo assim denominado materialismo dialético. A essa teoria deu-se espaço privilegiado nas universidades, disputando o papel de mais importante com a positivista. O braço histórico da mesma é denominado Materialismo Histórico, que defende que a História é feita pela luta entre classes, escrita pelos modos de produção empregados na sobrevivência de determinadas sociedades.
Atualmente os estudos históricos estão divididos principalmente entre a interpretação materialista e os levantamentos positivistas. A importância da História é inegável para que se possa conhecer e compreender os porquês da sociedade atual, uma vez que mostra a sua raiz e os seus caminhos. Um povo que não conhece sua própria história está fadado a cair nos mesmos erros de gerações passadas e não conseguir os mesmos êxitos, pois é o passado e sua interpretação que fazem o avanço da sociedade acontecer com o mínimo de sacrifícios possíveis.

Utilidade da História e sua história – Parte I

O papel da História como ciência no mundo teve algumas dificuldades para se fazer como o é hoje. Atualmente em todas as escolas brasileiras há professores em sala de aula lecionando sobre o passado, entretanto há muitos na sociedade de hoje que não reconhecem o papel crucial da História dentro do presente e até mesmo do futuro e isto não é algo recente, uma vez que dentro dos séculos passados também enfrentou-se muitos questionamentos e desconfianças quanto ao valor da missão do historiador.
Antes dos gregos e romanos o passado era explicado através de mitos, no qual a explicação da criação da Terra e da própria existência do ser humano dava-se através da influência dos deuses, sendo essas histórias situadas em um tempo tão remoto que seria impossível pôr-se dentro da narração a ponto de imaginar de fato e compreender os porquês de tudo, não havendo na realidade interesse por este questionamento. Este modelo de contar o passado está presente nas sociedades mesopotâmicas, egípcia e até mesmo dentro da grega, não sendo abandonado totalmente com o advento da filosofia.
Com os gregos e romanos a perpetuação do passado foi assumida de maneira diferente das que até então se havia sendo realizado, percebendo esse fato através da escrita das guerras e batalhas para a posterioridade, podendo notar-se também a cronologia e a presença de fatores humanos, aspectos até então renegados em prol da atemporalidade e do monopólio aos deuses dos porquês dos acontecimentos do mundo, sendo expoentes dessa escrita, homens como Heródoto, considerado pai da História por utilizar o termo pela primeira vez no sentido de pesquisa e/ou busca pela verdade, o que até então com os mitos não era o objetivo, e Tucídides responsável por cobrir toda a história da Guerra do Peloponeso, disputa entre Atenas e Esparta. A partir deste momento os relatos do cotidiano tornam-se importantes e seus registros valorizados principalmente por questões políticas-sociais e sendo a História vista como mestra da vida.
Durante a Idade Média a História ganha novo impulso com o domínio da religião, principalmente cristã, trazendo consigo uma nova demarcação de tempo, o nascimento de Cristo. Entretanto o relato histórico abandona a feição que trazia dos greco-romanos com sua escrita minuciosa até mesmo sobre guerras e heróis, passando a ser uma completa hagiografia, ou seja, relato da vida dos santos, uma vez que a ciência estava basicamente dominada pela Igreja Católica e a mesma a utilizando em seu próprio proveito.
Esse retrato hagiográfico só se encerra com as revoluções pelas quais o mundo passou findando com a Idade Média e com a chegada da Idade Moderna. Com essa mudança surgiram novas Escolas Históricas como a dos positivistas, idealistas e materialistas, mas também surgiram críticas ainda mais ferrenhas de quem defendia a completa inutilidade da história como algo que já passou e, deste modo, não interferindo em mais nada no presente, dando a esta linha de pensamento os a designação de presentistas e há também os relativistas que propunham a ideia de que tudo é relativo, logo não tendo valor os questionamentos levantados sobre o passado para a compreensão do presente.