quarta-feira, 6 de maio de 2015

Entre pedras, o que fazer José?!


Esta semana me detive numa livraria e foleei alguns livros de poesia. Confesso que a sensação que senti foi decepção. Não sei se minha educação me nega apreciar essa arte ou se realmente a qualidade da escrita tem decaído. Mesmo levando em consideração o que foi dito antes, ainda sim me considero um admirador da dinâmica das palavras e de como elas podem penetrar e expressar ideias e sentimentos dos mais diversos.
Uma das poesias mais famosas no Brasil é: No meio do caminho. Drummond não escreveu as palavras singelas para o ano de 2015, mas aí está a simplicidade e a beleza da arte poética! Não sei no que ele estava pensando, nem o que era a pedra no caminho, mas sei que lendo os jornais e buscando manter-me atualizado da situação nacional tenho visto muitas pedras.
Parando para pensar em um caminho para a nação consigo enxergar várias pedras no nosso caminho. Talvez a maior delas seria a dinâmica política. O governo federal não consegue arrumar sua própria casa, o PT não tem homogeneidade, dirão que é justamente essa falta que torna possível a democracia, mas o problema está em não chegar a sínteses. A presidente distribui ministérios e cargos, tirando pastas do próprio partido para dar a aliados, mas assim não consegue assegurar fidelidade de facções aliançadas e ainda insatisfaz a sua própria.
Ainda dentro da dinâmica política, há a pedra do PMDB. Maior partido do Brasil, é o responsável por tornar o país governável, pois sem seu apoio fica praticamente impossível se concretizar ações, por mais que haja vontade política do executivo e do próprio legislativo. O PMDB ainda não conseguiu se livrar da herança do período da ditadura, aonde congregava várias correntes de oposição ao governo, não tendo, assim, cara. Atualmente não se cabe mais esse tipo de postura, sendo o projeto do partido em questão o poder pelo poder já que em regime democrático não tem como se manter a oposição por oposição sem debater verdadeiras mudanças em todos os âmbitos da sociedade brasileira.
O PMDB está em voga, dessa feita também por defender o Voto Distrital. Mesmo sendo uma tentativa de mudança acarreta muitos olhares desconfiados de especialistas, pois estes últimos ressalvam a possibilidade de dificuldade de articulações políticas e de governabilidade, pois um parlamento que seja oposição ao executivo fará com que o país estagne praticamente, mas também fará haver maior fiscalização de ambos os lados, pois a busca por erros do lado antagônico está intrínsecos ao jogo político. Mostrando a dramaticidade que cerca os debates sobre essa reforma.
Exemplo de como funciona o jogo político é o nosso estado: opinião pública, de maneira geral, foi contra a PL 252/2015, executivo ordenou que fosse votado e, como tem a maioria na Câmara, o projeto foi votado e aprovado. Não levantando aqui os debates que são necessários, mas transbordam os limites do presente, sobre os porquês da defesa e do ataque contra o projeto supracitado.

Voltando a Drummond, poderei falar no futuro que minhas retinas fatigadas não esqueceram das pedras que viu e, ainda utilizando o poeta, fico com a seguinte pergunta a guiar-me na busca de resposta: E agora, José?!

Texto publicado no Jornal Diário dos Campos no dia 05/05

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