quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Bem-Vindo ao passado!


Essa semana as redes sociais falaram muito da chegada de Mart McFly aos nossos dias. No filme ele chega a um futuro que, obviamente como vemos, não existe. As brincadeiras foram muitas durante toda a semana a cerca disso. Mas será que estamos no futuro? Não temos carros voadores, muito menos skates, nossas estradas estão bem no chão, nada parece tão futurístico no cotidiano das nossas vidas.
Ainda olhando as redes sociais outro evento, bem menos popular, diga-se de passagem, tem aparecido também: Escola Sem Partido. A ideia básica é deter a doutrinação, inclusive o lema do movimento é “Educação sem Doutrinação”, como fazer isso? Punindo!
Ditaduras do mundo inteiro se utilizaram muito disso, tanto as de direita quanto as de esquerda, mas parece que isso ficou no passado, ou será que estamos vivendo o passado?
Para quem visitar o site e olhar a bibliografia sugerida pelo movimento verá que A Escola Sem Partido, tem partido sim. Os guias politicamente incorretos estão lá nessa lista e, como é claro, não estão nem perto da imparcialidade. Tentei uma vez ler o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, mas se tornou uma missão quase impossível tamanho apelo anticomunista que ali é feito. Isso não é ser imparcial.
Durante o século XIX a História para se firmar como ciência tentou ter métodos que gerassem a objetividade, mas já todos temos noção que é impossível não haver subjetividade em tudo aquilo que fazemos, somos humanos, faz parte de nós.
A Igreja durante muito tempo queimou livros e os proibiu porque as pessoas se desviariam se os lessem. Hoje olhamos para trás e vemos que a maioria daqueles que estudaram e se colocaram contra a Igreja não deixaram de ser cristãos. Morreram como grandes nomes das ciências e artes e cristãos.
Estou em sala de aula já há alguns anos e dentro da lógica desse projeto é só eu ir com uma camisa do Chico Buarque, por exemplo, que no dia seguinte todos já sabem as músicas e o defendem como melhor artista nacional de todos os tempos; todos eles são Flamengo porque eu sou, enfim, todos eles pensam muito semelhante a mim, afinal tenho o Super Poder de domar a mente deles e transformá-los em zumbis a meu comando.
Não defendo que enquanto profissionais devamos fazer proselitismo, inclusive há uma equipe pedagógica responsável por evitar abusos em sala de aula, mas é impossível que eu deixe minhas paixões, sejam elas de qual ordem forem, do lado de fora da sala de aula porque nada, absolutamente nada, é imparcial. Pedi que um capitalista ensine comunismo com vontade e sendo imparcial é tão absurdo quanto o contrário.
Claro que professores tem influências em seus alunos, mas não os domesticam. Tive alunos que são a favor da volta do Regime Ditatorial nas bases daquele que vivemos entre 1964-1985, mesmo eu sendo contrário, alunos que são a favor da total militarização da polícia, mesmo eu sendo contra. É uma farsa essa ideia de não haver partido, é doutrinação à direita.
Devemos ter responsabilidade ao exercer nossa função em sala de aula, devemos sim gerar debates e ensinar nossos alunos a pensarem e a criticarem, sendo cidadãos de fato e praticando o respeito à variedade de pensamento, como prevê a Constituição e a LDB reafirma.
Acusar um professor de está doutrinando é um ato tão subjetivo quanto tomar partido. Voltar a amordaçar, excluir o debate dentro da escola é gerar pessoas “apolíticas”, e quando se é “apolítico” defende-se o status quo. Se nossos jovens não tiverem a escola para debater aonde surgirão as ideias? Precisamos já de uma reforma na nossa política, todos veem isso, mas para a Escola Sem Partido deve está confortável do jeito que está porque eximir nossos alunos da possibilidade de criticar é criar servos e não cidadãos.
Se Mart McFly chegou e está lendo esse artigo agora lamento informá-lo que aqui não é o futuro, é o passado. Bem-Vindo ao passado!



 Texto publicado 29/10/2015 no Jornal da Manhã

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Declare Guerra!


O cenário político do país não anda muito bem das pernas. Dilma e seus problemas com o TCU e o Congresso, já que distribuiu os ministérios e mesmo assim não conseguiu ter quórum para votar os vetos, Cunha e suas contas na Suíça, a classe política não inspira a mínima confiança para a população. É preciso as medidas de austeridade, mas elas não conseguem ser digeridas por uma sociedade cansada pelo sentimento de está pagando pelos erros de outros.
É a democracia... A minoria beneficia-se do acerto, mas também paga o erro da maioria. Mas o que me chama mais atenção é a aversão da população à política. Incrível como é caracterizado pelas pessoas como se fosse um lugar putrefato, sem salvação.
Uma música antiga do Barão Vermelho narra uma pessoa com quem tudo dá errado e perto do refrão ela, a música, diz: e pra piorar quem te governa não presta. Parece que essa voz é meio unânime em meio às crises variadas que o Brasil passa, desde a política, passando pela econômica e desaguando na social, esta ainda em sua gênese.
Creio que o que tanto os mais alinhados a esquerda quanto os círculos intelectuais nomeiam como uma onda conservadora vem desse afã de querer uma mudança, acabando por atirar para todos os lados na busca de uma saída.
Ano que vem haverá novas eleições, desta vez para os municípios, e é preciso que essa imagem de que política é algo que devamos manter distância se encerre de uma vez por todas. Enquanto quem tem boas ideias e que gostaria de fazer o melhor pela sociedade aonde vive está apenas olhando, quem só está interessado no poder e no enriquecimento se aproveita. Necessário é que se tome partido das causas que regem nosso cotidiano, não podemos mais julgar que a política não interfere na nossa vida (já ouvi isso inclusive de professor universitário!), não podemos alimentar esse paradigma.
A música do Barão explode no refrão dizendo: Declare Guerra a quem finge te amar, Declare Guerra! A vida anda ruim na aldeia. Sou um pacifista, creio que a violência gera um desiquilíbrio transformando a sociedade em refém do medo, mas Gandhi ficou para a história por declarar guerra também sem levantar armar alguma!
É preciso que haja renovação dentro da sociedade e que ideias novas e comprometidas com o bem comum possam encontrar guarida e força para crescerem, mostrar a diferença. Temos que nos envolver e procurar conhecer os meandros políticos, isso não é chato ou desnecessário, pelo contrário! Vivemos numa democracia e o governo emana do povo e é para o povo, infelizmente não é isso que temos acompanhado há algum tempo na nossa classe política.
Declare Guerra a quem finge te amar, aqueles que em campanhas e nos veículos de comunicação estão sempre dizendo bonitas palavras banhadas a demagogia e, não pegue em armas como algum líder sindical sugeriu, se conscientize! Mude que o seu entorno muda com a sua mudança!
A palavra República na sua origem quer dizer coisa pública então a façamos valer, começando o mais rápido possível nos espaços do nosso cotidiano. Ano que vem temos mais uma grande oportunidade de tomar partido e ajudar a eleger não uma pessoa ou conjunto de pessoas, no caso da câmara de vereadores, simplesmente, mas uma ideia para a nossa cidade, um projeto de governo que confiamos e acreditamos que poderá desenvolver nosso município e torna-lo melhor. Basta de nos acovardarmos de fazer parte da vida política que nos envolve e depois ficarmos reclamando sem dar sugestões e lutar por ideias diferentes das que nós não apoiamos. Declare Guerra!
Publicado no Jornal Diário dos Campos, 16/10

sábado, 15 de agosto de 2015

Nessas Encruzilhadas...

No Brasil dificilmente algo não termina em fila. Hoje estive encarando uma dessas que são comuns a todos que precisam alterar ou tirar documentação. Mas a fila tem algo de interessante, nela acabamos por escutar tantas conversas que nos mostram como está o pensamento/sentimento do povo, de uma maneira geral, sobre vários assuntos, seja ele o futebol, a economia, a política, assuntos pessoais e tantos outros.
E hoje foi um desses dias em que havia revolta popular expressa na fila. A começar por um senhor que reclamava do governo Dilma, mas não sabia se o mandato terminaria esse ano ou ano que vem, esse mesmo criticava as pessoas que votavam sem ter essa obrigação e, também, demonstrava desgosto profundo sobre nossos representantes executivos em todas as esferas de poder. Após ele muitas outras pessoas resolveram entrar na onda da crítica e deslancharam a reclamar da optometria e do voto, defendiam a extinção dos partidos e do voto obrigatório, causa que também sou partidário, embora esta defesa estivesse ocorrendo no momento por pura apatia política, e por aí adiante seguiram as queixas.
Depois dos portões abertos, não levei meia hora para resolver o problema.
Sei que a maioria dos serviços no nosso país são marcados pelo descaso e pela falta de preparo para os atendimentos, entretanto hoje percebi que não era o caso, mas mesmo assim as pessoas se puseram a reclamar. Estive pensando se essa reclamação é um ato relevante.
Sinto dificuldade de crer que cidadãos que não sabem nem mesmo a duração do mandato presidencial tem tido a responsabilidade para votar e para cobrar de seus representantes nas mais variadas esferas do poder. Parece-me que estes são simples reprodutores de discursos que ouviram de terceiros e se sentem na obrigação de se queixar de tudo.
O país está desgovernado, vivemos uma crise política que é clara, o PT não é uníssono, do que dirá a sua “base aliada”, os principais opositores à Dilma estão dentro do partido do vice-presidente, a oposição não sabe que rumo tomar e, por outro lado, também não apresenta propostas de governo contundentes para resolver os problemas do país. Está posto hoje um cenário altamente faccioso da nossa política, há agendas claras e compromisso com as mesmas em pouquíssimos partidos, a maioria quer o poder pelo poder, e busca a sua perpetuação apenas para colher os privilégios dos cargos.
Renan fez uma agenda anti-crise, queria cobrar o SUS, voltou atrás. Aumentou os conselhos ao Executivo de 27 para 43, sendo um deles a diminuição de ministérios. Todos no Brasil sabem que precisa ser enxugada essa máquina do governo, mas quem abrirá mão dessas posições privilegiadas? A quem Dilma sacrificará?
PDT e PTB já saíram do governo, PMDB é mais oposição do que situação, PT está com a moral baixa e cheio de divergências entre seus líderes. Como Dilma irá diminuir ministérios sem gerar ainda mais insatisfações dentro da sua própria base?
Domingo haverá manifestações pró e contra o governo, quem será que colocará mais gente na rua?
Temo pelo que ainda há de vir. Por mais que a presidente tenha sido eleita e mereça o respeito, sua pouca habilidade política não tem tornado o país governável.
Em nossas vidas é comum chegarmos a encruzilhadas em que decidir sobre o que fazer requer grande responsabilidade. É chegado esse momento no Brasil, precisamos repensar nossas ações e participar ativamente da política, a vida pública da nação deve ser de nosso interesse para que haja fim a perpetuação das mesmas pessoas, pessoas estas que defendem seus próprios interesses, no poder.

Obs.: Texto escrito no dia 13/08.

Texto Publicado no Jornal da Manhã - 15/08/2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Educação e a PLS 320/08

Educação e a PLS 320/08


Sobre escola e educação muito já foi falado, muitas ideologias foram pregadas e modelos de governo, aqui mesmo no Brasil, já se utilizaram dos processos ditos educacionais para estabelecer-se e perpetuar-se. Todo esse processo, em nosso país, iniciou-se dentro da lógica de catequização para arrebanhar novos fieis para a Igreja que perdia terreno para as Reformas Religiosas. Evidente que a escola é financiada pelos poderosos, sendo assim acaba por veicular suas ideias e conceitos, entretanto há muito que se fazer na atualidade para não permitir-se ser usado dessa maneira tão banal e robótica, altamente desumana no sentido de não levar em consideração a personalidade e as ideias de cada um.
A educação atual no Brasil está em estado deplorável, lamentável, são poucas as escolas que conseguem cumprir o objetivo de servir a comunidade em que está inserida, a sua maioria não modifica o seu entorno e muito menos gera cidadãos preparados para viver em sociedade. Infelizmente ações políticas para mudar essa situação não são devidamente debatidas e não ganham força na grande mídia.
Essa semana, dia 23/06, foi aprovado no Senado Federal um projeto de lei que ficou conhecido como “Federalização do Ensino”, ele é de autoria de Cristovam Buarque (PDT-DF) e tramitou durante 7 anos.
Esse projeto visa à igualdade educacional em todas as localidades do país, uma vez que passa a ser responsabilidade da União a questão escolar em sua totalidade. Deixando claro que não visa à centralização, uma vez que a Federação se responsabilizará pela fiscalização e pelo recurso a ser destinado para pagamento de professores e também para equipar as escolas, que inclusive deverão funcionar em tempo integral, ficando a cargo das secretarias municipais de educação a organização do currículo, que será dividido em geral (para todo o Brasil) e local (para a escola em si), também as demais demandas organizativas da unidade escolar, deste modo proporcionando à comunidade a possibilidade de ver suas necessidades pedagógicas atendidas da melhor maneira possível.
Importante destacar que a redação votada no Senado não traz a obrigatoriedade do Executivo cumprir a lei, serve mais como um modelo opcional.
O senador defende que deste modo haverá professores mais bem pagos e de dedicação exclusiva, gerando incentivo e ânimo aos profissionais, além de oferecer a todos os municípios as mesmas estruturas educacionais.
Com as notícias tão negativas vindas do governo federal e seus cortes em programas educacionais como o PIBID e o FIES por causa dos problemas nas contas da União, é preciso valorizar ideias e leis que visam modificações efetivas na educação nacional e debater o que fazer para de fato solucionar o problema, que chega a ser crônico, da educação no Brasil. O projeto ainda tem que ser aprovado na Câmara, mas para que não se passem mais 7 anos, ou mais, em tramites burocráticos é preciso que haja envolvimento e pressão da população.



 Artigo Publicado no dia 30/06 
Jornal Diário dos Campos


                                                                                 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

E SE FOSSEM OS HOLANDESES?


 Não sou estudioso das linguagens, mas me recordo bem de quando ainda estava no ensino fundamental e surgiu uma discussão, que foi amplamente divulgada nos meios midiáticos, na qual não se deveria mais dizer que os alunos estavam escrevendo ou falando errado, que, no máximo era inadequado e que deveria se respeitar ao máximo as variantes linguísticas das quais o nosso país está repleto. Não venho aqui debater sobre a língua portuguesa em si e seus desdobramentos regionais, mas sobre como ela tem sido usada por políticos e marqueteiros em prol de um projeto de poder.
Li um texto essa semana que falava um pouco sobre como os conceitos de determinadas palavras estão sendo modificados pela facção política que detém o poder. O texto trazia uma crítica simples ao fato de minorias não levarem mais em conta os padrões numéricos, como considerar as mulheres como tais, pertencer a uma raça não é mais relacionado à cor da pele ou a ascendência genealógica, tudo parece se resumir as posições partidárias, nem mesmo as suas convicções ideológicas.
Não me surpreende a dificuldade de admitir, de dialogar, a falta de sensibilidade e até mesmo o pedantismo dos partidos que beberam na fonte do tão idolatrado Marx, que assim o era, mas confesso que a maneira com que deturpam até mesmo as teorias marxianas isso sim me surpreende. Marx pregava a Revolução Comunista para libertar a classe trabalhadora, maioria, do julgo e exploração dos capitalistas, minoria, a própria teoria está baseada nesse dualismo e na injustiça de muitos nada terem e poucos terem tudo, simplificando. Sei que a sociedade atual tem uma formatação bem diferente, mas vejo muitos ditos marxistas tentando colocar a formatação atual às suas doutrinas, não percebendo o anacronismo eminente.
Sinto que seja um pouco simplista demais observar a dinâmica atual sob a égide dualista que banhou a Guerra Fria em que antagoniza classes sociais e modelos de governo, e suas respectivas propostas, entre direita e esquerda, como está nos dias atuais, entre os “coxinhas” e os “petralhas”. Não creio que esse maniqueísmo poderá dar a solução para os problemas sociais, políticos e econômicos que o Estado brasileiro enfrenta.
Nossos problemas sociais não estão baseados simplesmente nas lutas de classes, a problemática vai além e não, o problema não é só o capitalismo que destrói a vida das pessoas e as levam até a miséria. É necessário que haja um debate adulto e baste desse facciosismo que em nada auxilia os rumos do Brasil. É preciso que tanto governo como oposição reconsiderem e admitam seus erros e saibam dialogar, até porque sem diálogo não há democracia. É necessário que se deixe essa política de marketing simplesmente, de sensacionalismo e discuta-se com seriedade os problemas nacionais e abandone-se essa estratégia de se manter no poder, ou conquista-lo, às custas de ideologização de conceitos e massificação de informações infundadas e rasas que iludem a sociedade de que estão informadas e prontas para opinarem, quando na verdade estão sendo simplesmente manipuladas.
Que se parem com essa vitimização, que chega a ser cultural aqui no Brasil, e se discuta com seriedade a sociedade em que vivemos, do contrário, continuaremos nessa inércia de modificações efetivas que transformem de fato o estado do Brasil e viveremos na eterna nostalgia por algo que não aconteceu, como no caso dos pernambucanos, “Ah! se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses...”.

Texto Publicado no jornal Diário dos Campos dia 10/04                                                                                                                     

Entre pedras, o que fazer José?!


Esta semana me detive numa livraria e foleei alguns livros de poesia. Confesso que a sensação que senti foi decepção. Não sei se minha educação me nega apreciar essa arte ou se realmente a qualidade da escrita tem decaído. Mesmo levando em consideração o que foi dito antes, ainda sim me considero um admirador da dinâmica das palavras e de como elas podem penetrar e expressar ideias e sentimentos dos mais diversos.
Uma das poesias mais famosas no Brasil é: No meio do caminho. Drummond não escreveu as palavras singelas para o ano de 2015, mas aí está a simplicidade e a beleza da arte poética! Não sei no que ele estava pensando, nem o que era a pedra no caminho, mas sei que lendo os jornais e buscando manter-me atualizado da situação nacional tenho visto muitas pedras.
Parando para pensar em um caminho para a nação consigo enxergar várias pedras no nosso caminho. Talvez a maior delas seria a dinâmica política. O governo federal não consegue arrumar sua própria casa, o PT não tem homogeneidade, dirão que é justamente essa falta que torna possível a democracia, mas o problema está em não chegar a sínteses. A presidente distribui ministérios e cargos, tirando pastas do próprio partido para dar a aliados, mas assim não consegue assegurar fidelidade de facções aliançadas e ainda insatisfaz a sua própria.
Ainda dentro da dinâmica política, há a pedra do PMDB. Maior partido do Brasil, é o responsável por tornar o país governável, pois sem seu apoio fica praticamente impossível se concretizar ações, por mais que haja vontade política do executivo e do próprio legislativo. O PMDB ainda não conseguiu se livrar da herança do período da ditadura, aonde congregava várias correntes de oposição ao governo, não tendo, assim, cara. Atualmente não se cabe mais esse tipo de postura, sendo o projeto do partido em questão o poder pelo poder já que em regime democrático não tem como se manter a oposição por oposição sem debater verdadeiras mudanças em todos os âmbitos da sociedade brasileira.
O PMDB está em voga, dessa feita também por defender o Voto Distrital. Mesmo sendo uma tentativa de mudança acarreta muitos olhares desconfiados de especialistas, pois estes últimos ressalvam a possibilidade de dificuldade de articulações políticas e de governabilidade, pois um parlamento que seja oposição ao executivo fará com que o país estagne praticamente, mas também fará haver maior fiscalização de ambos os lados, pois a busca por erros do lado antagônico está intrínsecos ao jogo político. Mostrando a dramaticidade que cerca os debates sobre essa reforma.
Exemplo de como funciona o jogo político é o nosso estado: opinião pública, de maneira geral, foi contra a PL 252/2015, executivo ordenou que fosse votado e, como tem a maioria na Câmara, o projeto foi votado e aprovado. Não levantando aqui os debates que são necessários, mas transbordam os limites do presente, sobre os porquês da defesa e do ataque contra o projeto supracitado.

Voltando a Drummond, poderei falar no futuro que minhas retinas fatigadas não esqueceram das pedras que viu e, ainda utilizando o poeta, fico com a seguinte pergunta a guiar-me na busca de resposta: E agora, José?!

Texto publicado no Jornal Diário dos Campos no dia 05/05

sexta-feira, 20 de março de 2015

TODO CARNAVAL TEM SEU FIM?



Principalmente depois de ingressar no meio universitário se tornou mais que uma obrigação a leitura de jornal, tornou-se um hábito prazeroso. Entretanto dentro desses últimos dias tem se feito um pouco pesaroso e enfadonho, já que a dinâmica do mundo, seja política, econômica, social, etc., tem estado paralisada na mídia nacional pelos mesmos temas e sem nenhuma modificação nos respectivos cenários.
Estamos prestes a adentrar ao final de semana do carnaval, aonde poucas pessoas não se divertem e o agradecem, afinal mesmo quem não se envolve diretamente com a folia carnavalesca se vê satisfeitos pela oportunidade de descanso e viagens. Em outros anos a essa época a mídia televisiva, e até a impressa, estaria inundada de informações sobre as festividades e preparações para as mesmas dos súditos do Rei Momo, mas o que se vê em 2015 são as informações sobre as atrocidades do Estado Islâmico, as mais variadas greves nos mais variados estados do país, o processo do Petrolão, a política nacional em crise, os problemas hídricos e energéticos e por aí vai.
O início de 2015 em vez de se demonstrar esperançoso por causa das “novas” administrações federais e estaduais mostra-se caótico. Será que nós estamos sendo vítimas das folias de carnaval? Rei Momo está ligado com a mitologia grega e representa o deus do sarcasmo e ironia. O Brasil votou por um país melhor e é isso que temos? Será mesmo ironia?
O desmando do governo federal gera uma burocratização em todas as instâncias, pois quem acaba por tomar a frente na ação é o legislativo através das leis. Prova desse desmando é a eleição do Cunha para presidência da Câmara e as atuais críticas, até do Dirceu, sobre as posições (ou a falta delas) governistas na operação Lava Jato. Como consequência, temos problemas sociais, desta feita até com os índios, uma vez que a câmara quer tomar pra si a função de demarcar as terras dos primeiros habitantes de nossa terra e com a supremacia da bancada ruralista já sabemos o que acontecerá.  
Há quem diga que se Aécio tivesse sido eleito as coisas não aconteceriam diferente, mas a diferença, e o motivo da revolta, está no discurso da campanha. Dilma defendeu que não mexeria em direitos trabalhistas e mexeu, além das questões de impostos e arrochos de verbas para várias pastas, uma vez que o governo precisa tapar o grande furo financeiro deixado do ano passado.
Parece que tudo isso é um pesadelo, pois estamos sendo bombardeados com informações negativas das quais não conseguimos nos recuperar sem que outra pior nos assole, nos vemos perdidos sem consegui formular propostas de soluções para tantos problemas. Dizem que o ano aqui no Brasil só começa depois do carnaval e, olhando pra tudo isso, me lembro da música “Todo Carnaval tem seu fim” da banda carioca Los Hermanos, que diz: “Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia / Toda trilha é andada com fé de quem crer no ditado”.
Espero que seja apenas um sonho e que esse carnaval, escárnio com a população nacional, se encerre de uma vez e que volte ao coração do brasileiro o ânimo e a esperança que lhes são tão particulares e extravie-se essa tão amarga dúvida que nos assola: Será que todo carnaval tem seu fim?