quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Emancipação de Mafra


As cidades de Rio Negro e Mafra têm em comum a sua formação sendo conhecidas, não por acaso, como cidades irmãs. A estruturação de ambas tem o seu início com a construção da Estrada da Mata liderada pelo Sargento Mor João da Silva Machado, mais tarde Barão de Antonina, e com os acampamentos e formações de vilas dos trabalhadores desta obra na margem esquerda do Rio Negro, hoje Mafra. Entretanto, com o decorrer do tempo, não mais continuou assim a constituição das cidades, uma vez que a margem direita, atual cidade de Rio Negro, salta à frente em desenvolvimento político-econômico.
Como já citado acima um dos principais personagens da história de RioMafra é o Barão de Antonina, na época Sargento Mor João da Silva Machado. Este gaúcho da vila de Taquari iniciou a sua vida como alfaiate, entretanto com o seu temperamento logo passou a exercer trabalhos como capataz e como tropeiro, o que lhe fez enriquecer e ganhar prestígio a ponto de poder ter força de aprovar seu projeto da Estrada da Mata.
Durante o ano de 1853 “Bom Jesus do Rio Negro” foi elevado à Freguesia da “Villa Nova do Príncipe”, hoje cidade da Lapa, em 1859 a capela passou da Margem direita para a esquerda do rio e em 1870 criou-se o Município de Rio Negro. Mesmo aonde atualmente é a cidade de Mafra tenha sido primeiramente povoada, as terras da atual Rio Negro sofreram bem mais investimentos devido a proximidade das cidades que já haviam na época como Lapa e Curitiba. Se o centro administrativo estivesse ao lado que hoje pertence a Santa Catarina dificultaria a ligação a esses centros político-econômicos.
Onde atualmente é Mafra ficou fora do Perímetro Urbano do novo município, sendo utilizada apenas para lugar de descanso e alimentação das tropas e dos animais. A área que deu início a toda a construção das cidades foi fadada a ser apenas uma localidade sem muita importância política, econômica ou mesmo social, sendo até mesmo os arquivos passados para a margem desenvolvida.
A sorte da margem onde se situa Mafra atualmente começou a mudar com a ponte rodoviária que ligava os dois lados do rio e a estação de estrada de ferro que ligava São Francisco a Porto União, a partir de então começou a desenvolver-se a terra que antes ficava obscurecida pela margem oposta.
Outro fator de destaque para a aceleração do desenvolvimento mafrense foi, antes mesmo da ponte e da ferrovia, a chegada dos imigrantes bucovinos. Estes vindos da Baviera tomaram como lar o território e passaram a trabalhar em prol do crescimento de suas propriedades.

O reconhecimento como município só veio no ano de 1917 com privilégios de cidade e começando a moldar-se o que atualmente existe. O desenvolvimento da antes esquecida margem do rio foi crescente e continua a haver até a atualidade. 

Halloween e Subordinação Cultural


Dia 31 de Outubro é comemorado o Halloween, festa esta importada dos EUA e que nada tem em comum com a história nacional. Por praticamente todo território brasileiro há festas e bailes em recordação a essa data estadunidense e em muitas cidades até mesmo há de se ver crianças saindo fantasiadas às ruas batendo de porta em porta com a frase “doces ou travessuras” na ponta da língua.
Cultura pode ser entendida como tudo aquilo que caracteriza um povo, os traços únicos do mesmo. Esse termo nasce na Alemanha e tinha como objetivo estabelecer o padrão que todos ou outros países deveriam seguir de pensamento e ciência, uma vez que os germânicos acreditavam ter as ideias mais desenvolvidas do que a de seus vizinhos de continente.
A questão de superioridade étnica e/ou nacional foi motivo dos grandes conflitos mundiais ocorridos no século XX e atualmente não são muito difundidas essas ideias abertamente, chegando a julgar-se absurdo que ainda existam no cenário mundial. Entretanto no dia 31 de Outubro pode se ver um exemplo de como não se foi esse ideal de primazia pátria. A diferença é que por métodos ideológicos não é possível perceber, sem uma reflexão mínima que seja, os traços dessa invasão, não humana-militar, mas no imaginário popular, buscando-se, como os pensadores teutônicos queriam, uma uniformidade, uma globalização cultural.
A história do Brasil e sua subordinação cultural aos EUA pode-se datar de 1889 quando se toma o exemplo norte-americano para proclamar-se a República e os maiores expoentes do mesmo é o nome que foi dado ao país, passando a se chamar “Estados Unidos do Brasil”, e a bandeira nacional que era semelhante a estadunidense modificando praticamente apenas as cores. 
Há dentro do território brasileiro grande diversidade de datas importantes e que realmente fizeram a diferença na formação nacional, alterando o destino dos filhos desse chão, como o “Dia a Bandeira”, a “Abolição da Escravatura”, a “Proclamação da República” entre outras datas que se fizeram marcantes na história e até mesmo festejos populares como o carnaval e o “Dia da Consciência Negra”. Muito dos cidadãos que sofrem com as lamúrias que a nação brasileira é digna e que também usufruem das belezas e da mercê dispensada pela “mãe gentil” não tem em sua memória registro de dias que tornaram o Estado brasílico o que é e até mesmo os criticam não dando o devido valor, mas está sempre a postos para louvar aquilo que vem dos outros países e inferiorizar a pátria que o acolhe, sendo tudo isto notado dentro dos ambientes educacionais que, por exemplo, festejam o Halloween e negligenciam o Carnaval.
Sofre-se atualmente dentro do território nacional grande influência, principalmente estadunidense quanto à cultura e deixa-se de lado traços nativos. O estudo das ciências humanas, principalmente a história, exalta o caminho trilhado pelas nações do velho continente em detrimento da brasílica e enquanto isso ocorrer o Brasil estará fadado à dependência externa e a não autovalorização. Que a garra e força desse povo que se mostrou tantas vezes em prol da independência político-econômica possa se mostrar, desta feita, em prol da independência cultural e do autolouvor para que se haja evolução e desenvolvimento nos traços belos que ornam o país.

“Terra adorada entre outras mil és tu Brasil, óh pátria amada. Dos filhos desse solos és mãe gentil pátria amada BRASIL!”

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Formação de Mafra-SC


A formação de uma cidade não é simples e, mesmo que seja difícil de imaginar, o processo de construção é vagaroso e evolutivo. Vislumbrar em mente como era o território onde hoje se encontra o município de Mafra não é tarefa fácil, mas necessário é que seja valorizado desde os primeiros habitantes, os imigrantes, as pessoas de outros estados que, nesta cidade, fizeram seu lar e a todos estes que de alguma maneira impulsionaram a margem esquerda do rio Negro a desenvolver-se.
Os autóctones do território onde se encontra o município de Mafra eram os Índios Botocudos, pois os homens usavam um enfeite labial chamado botoque, também conhecidos como bugres, entre estes poderiam ser dividos entre tribos como a Xokleng e Caingang. Marca registrada desses povos era a sua hostilidade e bravura. A vida destes era nômade e viviam da coleta de frutas, raízes, mel e pinhão.
As tribos indígenas foram uma das causas principais pela qual começou haver uma movimentação em torno da criação de uma estrada, mais segura, para que os tropeiros pudessem transitar do Sul até as terras paulistas para comercializar, uma vez que as tribos atacavam e saqueavam as tropas.
Com os pedidos dos tropeiros, em 1820, D. João mandou que soluções fossem tomadas para que as petições fossem atendidas, entretanto com a Revolução do Porto e sua volta para Portugal o projeto acabou “engavetado”. Depois da Independência foi retomado o projeto em 1824, sendo começada a obra somente em 1826, devido à falta de mão de obra, uma vez que todos temiam o constante ataque dos índios, e depois que João da Silva Machado (na época Sargento Mor, sendo depois conhecido como Barão de Antonina) já que este conseguiu a concessão do 18º Regimento de Cavalaria para da proteção.
João da Silva Machado estabeleceu-se próximo as margens do Rio São Lourenço, hoje território mafrense, e montou o “Abarracamento São Lourenço” para que se pudesse dá início as obras da Estrada da Mata, como ficou conhecida a estrada que ligaria Campo do Tenente até Campo Alto após 4 anos de construção.
A povoação da região começou por esta estrada, uma vez que famílias dos trabalhadores, dos soldados e de tropeiros tomaram as margens dessa estrada como lar. Os outros colonizadores desse pedaço de terra ao sul do Brasil foram o povo germânico que advinham da região de Trier com o incentivo do Império Brasileiro, uma vez que havia uma ligação entre a Família Real e os germânicos e outro fator importante para a vinda desse povo para terras brasileiras, defendida por alguns estudiosos, é o sua aptidão com plantios e com o serviço, realmente, de colono, sendo necessário pelos processos anti-escravocratas que o Brasil passava.

O nascimento do município de Mafra procedeu de maneira multicultural e até os dias atuais é possível perceber a influência desde os índios, os tropeiros, os colonos germânicos e dos portugueses no cotidiano mafrense. 

Independência?!


Dia 7 de Setembro de 1822 D. Pedro I, Príncipe Regente do Brasil e Príncipe Herdeiro do trono português, às margens do Riacho Ipiranga declara a nação brasileira independente do Reino Português. Desde este evento, 191 anos se passaram e a situação em que se depara a pátria não vai muito longe da época de colônia quanto à dependência externa, pois se vive uma série de bombardeios de influências e, até mesmo, o vocabulário tem mudado com o passar dos anos e da globalização.
Defender a liberdade é algo muito belo e patriótico, entretanto não é o conceito mais simples de ser colocado em prática, uma vez que há atualmente um emaranhado de informações que levam a população a ser guiada como se estivesse cega e fazem com que haja um padrão, uma uniformização de atos e culturas, retirando assim de cada povo o seu livre arbítrio quanto ao que fazer e o como ser.
Não há condições, no mundo atual, de cada país se organizar de forma própria, sem levar em consideração e até mesmo seguir ordens de potências mundiais. O Brasil é um desses que acaba por simplesmente seguir aquilo que as forças estrangeiras sugerem e/ou ordenam, tendo a explicação nos primórdios de sua constituição sociocultural. Essa formação é límpida a olhos nus desde a Independência, pois foi um dos únicos países que se autônomo, mas continuou sendo comandado pela Coroa de sua “antiga” Metrópole.
A educação que foi recebida pelos brasileiros foi mantida pela Elite, uma elite europeia, logo nunca se criou um país para os filhos da pátria realmente e atualmente colhem-se esses frutos, umas vez que ainda vive-se para produzir e manter outras nações lá fora, sendo pouco investido internamente. A estrutura psicológica ainda está vinculada a colonial e é impossível ser independente desta maneira.
O fato de o Príncipe Herdeiro ter proclamado a independência e o país ser dirigido por portugueses formou uma cultura de totalmente dependente. A prova maior disto é a primeira constituição promulgada e também a mais duradoura até os dias atuais. Esta criava o Poder Moderador o qual dava total autonomia ao Imperador de agir como quisesse e estabelecia a participação censitária, deste modo dando aos portugueses que habitavam o Brasil a força das diretrizes políticas, mostrando assim que a nação nasceu já em prol de interesses alheios. Esse conjunto de leis se manteve até o ano de 1889, quando foi proclamada a República.

Ainda hoje o país não conseguiu se desvencilhar dessa cultura de subordinado e a população não tem força e nem sabe como se fazer realmente presente na política nacional buscando verdadeiramente uma independência. O Brasil ainda precisa declarar sua “maior idade” e desta vez pelo próprio povo, somente assim o sociocultural crescerá tanto quanto o econômico da nação. 

Estado V.S Alienação


A continuidade do que se pensa é consequência do que se vê. Frente à sociedade, independente do tempo vivido, há o permeio do imaginário popular, sendo este força alienante. O Estado é peça fundamental para que a massa se estabeleça obediente em prol da ordem, do contrário a máquina governamental acabaria inútil e morta pela vontade popular.
Já apresentado os principais personagens é de importância ímpar a observação das influências deles entre si. A alienação, essa força ideológica, é a arma mais eficiente utilizada pelo Estado para que a ordem se estabeleça e não haja mudança estrutural, uma vez que a hierarquia do poder “deve” ser mantida. Esse mecanismo de controle é vinculado, principalmente, à mídia de massa, gerando uma ideia surreal da sociedade e dos acontecimentos, fazendo com que não se enxergue a verdade e os propósitos da atuação do Sistema. A trilogia cinematográfica “Matrix” transparece essa relação, uma vez que a maioria da população não vislumbra a realidade do mundo, apenas a estrutura criada para a docilidade.
O imaginário popular é caraterizado por alienações profundas, tanto que se negam a aceitar a verdade, a maioria das vezes, quando apresentadas. É incutido conceitos de moral e ordem adotados pelos poderosos, dessa maneira não causando revoltas ou levantes populares em prol da conquista da liberdade e da supremacia da maioria.
Esse mecanismo, algumas vezes, falha quando isso ocorre, quando há revoltas e levantes, mas entra em cena outra artimanha do sistema ideológico contra os oprimidos, a repressão física. O Estado extrai o máximo do povo em questões de todos os níveis, como no financeiro e na mão-de-obra, não havendo assim interesse em uma politização populacional e, muito menos, na criticidade que esta traz como consequência, podendo ocasionar o fim da exploração relatada anteriormente.
Está dentro do sistema ideológico é está preso em uma rede de mentiras engolidas como verdades absolutas. A importância da mídia se estabelece nesse ponto, uma vez que é a maior formadora de opinião da massa, sem ela não se difundiria tão bem a criação ideológica. É preciso ser crítico e desconfiado, do contrário passa-se a ser apenas mais uma vítima passiva dessa prisão sem grades e de ilusão. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Imigração Bucovina em RioMafra

O Brasil, como já se é sabido, é multicultural. Abrigam-se dentro do território nacional pessoas com ascendência de praticamente todos os continentes e o mais interessante é a influência desses mais variados povos compondo o que se vê hoje por esse grande área sob a bandeira verde e amarela. Em cada lugar da federação pode-se notar influxos diversos, todo o mundo se reúne dentro da antiga colônia portuguesa.
Dentre os muitos influxos europeus existentes no estado catarinense e paranaense têm-se, em especial, em RioMafra os alemães-bucovinos. O que pode chamar atenção logo a primeira vista é a vinda pacífica e “voluntária” dessas famílias para a nova terra, que mesmo antes de chegarem, através de outros parentes já liam narrações por cartas, sendo esse contato fundamental para a escolha das margens do Rio Negro para seu novo lar.
A história desses europeus é acompanhada diretamente, até a chegada ao Brasil, com um problema que desde o período antigo e principalmente feudal acompanha a humanidade: crescimento demográfico V.S falta de terras para subsistência. Por tradição a terra ficava com o primogênito e este decidia sobre a permanência ou não dos outros irmãos, de qualquer modo, chegou a um ponto aonde não era mais suportável em uma mesma terra alimentar todos, forçando deste modo o êxodo.
A migração desse povo começou já no século XVIII saindo do Reino da Baviera para a floresta da Boêmia, Império Austro-Hungáro. Entretanto com a tradição anteriormente narrada foram empurrados a região denominada Bucovina e ali se estabeleceram por cerca de quarenta anos, fundando vilas, trabalhando e mantendo seus traços culturais. Durante o período nesse último local deixaram de praticar a herança somente ao primeiro filho, dividindo assim as terras entre todos, porém não foi a solução ideal porque os lotes se tornaram mínimos impossibilitando, agora, a subsistência de todos.
A partir desse momento e com o incentivo dos países americanos a novas pessoas que estivessem dispostas a residir no novo continente para que houvesse população e colonização os bucovinos decidiram migrar para o Brasil, mais especificamente para RioMafra pelos afinidades que já foram narradas anteriormente. Para chegar ao seu destino se viram obrigados a ir até o porto Bremen (Alemanha), cerca de 1800 Km da partida, depois de chegaram ao porto paranaense de Paranaguá por volta do ano de 1888 seguiram com auxílio de carroças até Curitiba e enfim chegaram ao seu destino final, onde encontraram problemas com o clima, o idioma e a cultura que já estava instalada, porém todos esses empecilhos foram transpostos.
Atualmente os colonos que aqui vivem, muitos descendentes de imigrantes como já citado anteriormente, tem uma produção diversificada com foco em fumo, feijão, milho, hortifruti granjeiro incluindo pinus e eucalipto, sendo os últimos, segundo o IBGE, produzidos essencialmente na região do município catarinense da margem do rio.
A valorização dos bucovinos vem por meio da Bucovina Fest, festa que traz a lembranças a origem desse povo, inclusive havendo músicas, marca registrada deles, roupas e comidas típicas desde a época da Baviera. Essa celebração tem por intuito festejar a chegada desses imigrantes na região, elegendo até mesmo a rainha Bucovina.
É essencial conhecer a história desses grandes colonos, que ajudaram a desenvolver a região de riomafra sendo crucial para a formação da cultura e crescimento econômico da região. O respeito e a exaltação ao auxílio desse povo que realmente se apegou e adotou as margens do Rio Negro como seu novo lar deve ser sempre lembrado nessas terras.  


Matheus Cruz e Bruna Graciela Westarb

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Protesto e Ditadura


Vive-se hoje no país uma sequência de protesto que varrem todo o território, desde os grandes centros urbanos a cidades menores. É notório que o povo está tentando politizar-se e isso é importante para uma sociedade “democrática”, porém é necessário que haja um embasamento sócio-histórico para uma compreensão crítica dos fatos e se possa chegar a proposições plausíveis em prol de uma melhora na qualidade nacional em quaisquer âmbitos.
Importante destacar nessa onda de protestos a aversão às instituições, principalmente aos partidos políticos, dando um caráter totalmente popular. A força está na mão do povo e a história prova isto com as ditaduras de Getúlio Vargas e a Civil-Militar. Durante o golpe e instauração do último despotismo teve-se o apoio em massa da população contra a “ameaça comunista”. É fato que movimentos civis, como a “Passeata contra a Guitarra Elétrica” e a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que deram total força a tomada do poder dos militares para a salvação da ameaça cultural estrangeira e a do governo de Jango, a vermelha.
A luta contra o Comunismo foi de claro cunho popular e anti-institucional, também, desaguando em anos de Ditadura. Mas o porquê isto aconteceu? Essas manifestações foram totalmente teleguiadas pelas elites militares que há tempo tentavam assumir o poder, desde a época de Getúlio, sob a influência estadunidense, entretanto só conseguiram alcançar seu objetivo de fato após modificarem o imaginário popular, lhes incutindo a ideologia que, mesmo Jango mantendo o país não alinhado a nenhum eixo político-econômico da Guerra Fria, a ameaça da desgraça vermelha era iminente. A sociedade civil saiu às ruas e, em protestos e manifestações, deram a abertura suficiente para os militares assumirem o poder, justamente por não haver direção nem mesmo proposições plausíveis para o direcionamento do país.
Durante os protestos dos dias atuais a falta de foco, falta de liderança e, principalmente, a falta de solução de fato para os problemas causam preocupação. Já foi visto a consequência, há anos, de uma politização alienada e não há glória nisso. Sair às ruas requer uma preparação intelectual, aonde conceitos devem ser trabalhados, soluções estudadas para que o grito não seja apenas de reclamação, mas de propostas que levem a uma mudança, uma evolução no modo de agir e governar. Discussões devem ser estabelecidas e os manifestantes elegerem uma liderança que tenha propostas eficazes para haver outra forma de autoridade administrativa, do contrário o desgoverno abrirá espaço para figuras já conhecidas no nosso cenário político-ditatorial. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Liberdade utópica



 Trabalhar a questão da liberdade é muito complexo, pois é algo que pode ser observado por vários aspectos e de várias concepções diferentes. Importante refletir sobre o conceito trazido pelo dicionário que adota como sinônimo do verbete Liberdade as palavras autonomia e independência, embasado nessa sentença que o texto subsequente decorrerá.
Frente a esse conceito prévio de liberdade e tendo uma leve reflexão sobre ele é possível observar que o mundo atual vive escravizado e não somente o presente, mas desde sempre a humanidade se enraizou na impossibilidade de realizar as suas próprias vontades a seu bel-prazer. Não importa a forma de governo sempre haverá condições que proíbam o cumprimento do querer em sua completude.
Costuma-se observar de uma maneira mais clara o veto frente a modelos ditatoriais, mas é possível refletir sobre assuntos cotidianos e vontades que, mesmo em países "livres", não são possíveis de se executar. Como já visto anteriormente, tem-se a definição de liberdade como uma autonomia, mas essa não é respeitada no Brasil quando, por exemplo, tenta-se comprar um carro, mas por questões financeiras torna-se impossível, logo a liberdade, nesse caso, está vinculada ao um simples conceito, o qual denomina-se capital.
Na sociedade não há liberdade para a liberdade, o que é natural e de certa maneira preciso. Nem tudo o que o ser humano quer ele consegue obter, porque a sua independência está condicionada a dependência de circunstâncias, como por exemplo: se alguém quiser ficar sem comer não pode, pois o corpo necessita de alimento; se um outro ser quiser dirigir, mas não tem tamanho suficiente para alcançar os controles do automóvel essa pessoa fica impossibilitada de realizar seu desejo. O exemplo a seguir evidencia a quantia de fatores que vetam a liberdade: Um homem que no Brasil está e sente fome, querendo matá-la em apenas uma hora e em um café parisiense depara-se com a barreira do tempo, da distância, do financeiro, do transporte, das suas questões trabalhistas e/ou estudantis do cotidiano e em outras mais.
 Destacando os conceitos pré-estabelecidos no texto sobre a palavra liberdade deve-se questionar se os mesmo são intrínsecos realmente a essa questão do poder, da liberdade em si. Por muitas vezes não se observa a força da utopia, tal é essa que leva multidões a formularem ideias e a questionarem qualquer tipo de influência, autoridade. O poder social é inegável, mas até mesmo nisso pode ser notado claramente à falta de independência, pois todo o conceito criado na cabeça dos líderes é nascido dos pensamentos de outros filósofos mais.
Se com calma for analisado notório se fará a infidelidade ao real do conceito permeante na mente popular sobre a questão da liberdade, logo que esta está vinculada a dependência de variados fatores que fogem ao domínio do próprio ser humano. A autonomia pode ser conquistada em setores separados e até mesmo isolados, mas nunca haverá alguém que goze do conceito pleno, incondicional, da tão sonhada e requerida liberdade.