sábado, 15 de agosto de 2015

Nessas Encruzilhadas...

No Brasil dificilmente algo não termina em fila. Hoje estive encarando uma dessas que são comuns a todos que precisam alterar ou tirar documentação. Mas a fila tem algo de interessante, nela acabamos por escutar tantas conversas que nos mostram como está o pensamento/sentimento do povo, de uma maneira geral, sobre vários assuntos, seja ele o futebol, a economia, a política, assuntos pessoais e tantos outros.
E hoje foi um desses dias em que havia revolta popular expressa na fila. A começar por um senhor que reclamava do governo Dilma, mas não sabia se o mandato terminaria esse ano ou ano que vem, esse mesmo criticava as pessoas que votavam sem ter essa obrigação e, também, demonstrava desgosto profundo sobre nossos representantes executivos em todas as esferas de poder. Após ele muitas outras pessoas resolveram entrar na onda da crítica e deslancharam a reclamar da optometria e do voto, defendiam a extinção dos partidos e do voto obrigatório, causa que também sou partidário, embora esta defesa estivesse ocorrendo no momento por pura apatia política, e por aí adiante seguiram as queixas.
Depois dos portões abertos, não levei meia hora para resolver o problema.
Sei que a maioria dos serviços no nosso país são marcados pelo descaso e pela falta de preparo para os atendimentos, entretanto hoje percebi que não era o caso, mas mesmo assim as pessoas se puseram a reclamar. Estive pensando se essa reclamação é um ato relevante.
Sinto dificuldade de crer que cidadãos que não sabem nem mesmo a duração do mandato presidencial tem tido a responsabilidade para votar e para cobrar de seus representantes nas mais variadas esferas do poder. Parece-me que estes são simples reprodutores de discursos que ouviram de terceiros e se sentem na obrigação de se queixar de tudo.
O país está desgovernado, vivemos uma crise política que é clara, o PT não é uníssono, do que dirá a sua “base aliada”, os principais opositores à Dilma estão dentro do partido do vice-presidente, a oposição não sabe que rumo tomar e, por outro lado, também não apresenta propostas de governo contundentes para resolver os problemas do país. Está posto hoje um cenário altamente faccioso da nossa política, há agendas claras e compromisso com as mesmas em pouquíssimos partidos, a maioria quer o poder pelo poder, e busca a sua perpetuação apenas para colher os privilégios dos cargos.
Renan fez uma agenda anti-crise, queria cobrar o SUS, voltou atrás. Aumentou os conselhos ao Executivo de 27 para 43, sendo um deles a diminuição de ministérios. Todos no Brasil sabem que precisa ser enxugada essa máquina do governo, mas quem abrirá mão dessas posições privilegiadas? A quem Dilma sacrificará?
PDT e PTB já saíram do governo, PMDB é mais oposição do que situação, PT está com a moral baixa e cheio de divergências entre seus líderes. Como Dilma irá diminuir ministérios sem gerar ainda mais insatisfações dentro da sua própria base?
Domingo haverá manifestações pró e contra o governo, quem será que colocará mais gente na rua?
Temo pelo que ainda há de vir. Por mais que a presidente tenha sido eleita e mereça o respeito, sua pouca habilidade política não tem tornado o país governável.
Em nossas vidas é comum chegarmos a encruzilhadas em que decidir sobre o que fazer requer grande responsabilidade. É chegado esse momento no Brasil, precisamos repensar nossas ações e participar ativamente da política, a vida pública da nação deve ser de nosso interesse para que haja fim a perpetuação das mesmas pessoas, pessoas estas que defendem seus próprios interesses, no poder.

Obs.: Texto escrito no dia 13/08.

Texto Publicado no Jornal da Manhã - 15/08/2015

Um comentário:

  1. Muito bom texto, garoto! Avante. Que você seja uma da vozes jovens que trabalhem e lutem por um Brasil melhor.

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