Todos os anos o mês de dezembro é regado com as ofertas
variadas das lojas e as músicas que embalam todo um sentimento dito natalino. A
cidade inteira fica iluminada, em algumas é feito até mesmo concurso de qual
casa está mais ornamentada para a chegada da data tão esperada: o Natal.
A palavra natal refere-se a nascimento, entretanto o que se
tem nascido nesse período tão fértil no coração e na mente das pessoas?
Ponho-me a pensar e refletir sobre os significados que as ações da sociedade têm
apropriado a datas como esta que estamos prestes a comemorar. É uma data de
cunho religioso. Mas, incrível, como o nascimento de Jesus Cristo fica renegado
a pequenos presépios pouco interessantes e foca-se em duendes e Papai Noel,
figuras controversas ao real sentido natalino. Por quê?
Caminhando pelas lojas e ruas, percebo um forte apelo
comercial que cerceia o espírito de renascença do Natal. Do dia 24 para o dia
25 as pessoas se abraçam, trocam presentes, sorriem, embebedam-se, comemoram,
entretanto com o findar do festejo suas vidas ainda se encontram vazias e
repletas de angústias e animosidade, muitas vezes pelas próprias pessoas que
estavam ao seu lado na festa. Natal é falsidade então? Parece-me que tem se
tomado assim. O que tem nascido, ou melhor, renascido a cada ano dentro da
sociedade em que vivemos é o egoísmo e a frenética luta em ser melhor que o
outro, se possível afundando o próximo.
Não quero ser injusto deixando de lado as falas belas e amáveis
que também regam esse período tão idolatrado, mensagens de amor, paz,
esperança, alegria, que trazem a sensação de que é possível viver de maneira
diferente. Que é possível viver com justiça e felicidade, que a vida pode ser
embalada por cantigas e jingles doces
e que nos fazem sorrir ao ressoar da sua simples melodia, que sim, o espírito natalino pode ser como nos
filmes hollywoodianos em que na manhã de Natal tudo é diferente, as pessoas
passam por uma transformação.
Me desculpe o leitor se minha visão tem sido aqui um pouco,
até mesmo, pessimista, e distante da maioria das mensagens e textos sobre
natal, mas me vejo na obrigação de externar a minha não compreensão do porquê
ser tão fugaz esse espírito. Natal é
sim tempo de renascença, mas é preciso que, primeiramente, nasça na sociedade
atual esse carinho e amor, tão cristão, ao próximo, esse companheirismo e
dedicação que se vê nas mensagens de natal. É preciso que se deixe de lado
futilidades comerciais como duendes, o bom velhinho e as variadas promoções,
que trazem ao natal todo apelo comercial e tiram dessa data seu foco.
Como 21 de Abril é de Tiradentes, 20 de Novembro de Zumbi e
7 de Setembro de D. Pedro I, tomando aqui simplesmente o senso comum e a versão
oficial desses fatos históricos, não aprofundando nas discussões necessárias as
respectivas datas, dia 25 de Dezembro deve ser dado ao nascimento de Jesus
Cristo e a reflexão sobre seus ensinamentos deixados através dos milênios, que
vão muito além dos cristãos, muitos além das igrejas, uma vez que o cerne de
sua pregação é altamente explorado até os diais atuais, sem nem mesmo citar seu
nome, por políticos, ONGs, intelectuais e tantos outros que buscam
transformação social na tão corrompida e egoísta sociedade que vivemos.
Natal é tempo de repensar e de refletir, de volver ao
passado e perceber os erros e não mais tomá-los como caminho a ser seguido, é
momento de querer ser melhor e querer, também, o melhor para o próximo, para a
sociedade. Espero que um dia esses apelos comerciais, típicos dos gritos
capitalistas, sejam colocados em seus respectivos lugares, ou seja, em segundo
plano, deixando o protagonismo para a verdadeira reflexão que deve ser feita.
Que o cristianismo, não simplesmente a religião, mas os ensinamentos e
mensagens possam ter espaço nessa festa e, assim, haver metanóia em cada ser,
do contrário, o que seria o Natal?


