sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Democracia e sua Falibilidade



Essa semana, passamos pelo ápice do sistema democrático de governo, participamos da eleição. Este momento nos propicia o poder de alienar a outrem o direito de defender nossas ideias e posturas políticas. As eleições desse ano, principalmente as presidenciáveis, tiveram algo de muito interessante: a extrema briga entre os dois candidatos, especialmente no segundo turno, e entre seus respectivos eleitores.
Com a reeleição da presidente Dilma uma corrente na internet se dissemina sobre o separatismo do sul/sudeste/centro-oeste quanto ao nordeste e norte do país, uma vez que as duas regiões citadas por último votaram em sua maioria no atual governo. Embora toda essa dinâmica nas redes sociais esteja repleta de preconceitos e ofensas contra nordestinos, preconceitos estes que vem se permeando há tempos na sociedade do sul e sudeste sem praticamente nenhuma objeção, há um aspecto que pretendo ressaltar nesse texto: a falibilidade da democracia.
Desde o ano passado a frase “Ele não me representa” se fez comum dentro das conversas, debates e manifestações políticas. Mas quem representa quem? A sociedade parece que tem prazer em retroceder nos modelos, sejam eles educacionais, econômicos, políticos, etc. O grande filósofo Rousseau há séculos atrás já defendia que democracia real nunca existiu e que este modelo era para sociedades mais simples e pequenas, do contrário é impossível haver representatividade. Outro fator que o pensador, citado acima, destaca é que o luxo não é compatível com a democracia, uma vez que é a simplicidade que sustenta tal modelo, sendo evidente que isto é algo longe da nossa política atual.
A autogestão é a perfeição que parece cada dia está mais distante, não é preciso que ninguém represente ninguém. Cada cidadão tem direito de defender seus ideais, não terceirizando o seu poder de opinar, tendo a liberdade de debater os rumos da sociedade que o mesmo faz parte. Infelizmente a democracia é uma ditadura, ditadura da maioria, maioria esta que, comumente, não se põe dentro da vida política, não compreendem os conceitos e nem o sistema político em que vive o Brasil e, por isso, não sabe votar, levando assim todo um país a ser refém de maus políticos. Sendo isso um fato não apenas pela reeleição da presidente Dilma e as acusações preconceituosas contra o povo nordestino.

Comumente ouvimos a defesa da democracia como se fosse o modelo mais justo de governo que existe, entretanto está muito longe de ser, já que perdemos voz e não a ganhamos como é propagado nos meios midiáticos e em nossas escolas. É preciso uma REVOLUÇÃO política e não simplesmente uma reforma, como está sendo proposto, sendo essa última apenas um paliativo. Enquanto estivermos reféns desse estilo de governo a maioria que em nada se envolve com as questões nacionais e não estuda constantemente a dinâmica geral da nação, quanto, também, a mundial, não consegue aprender a realidade em que está incluso o Brasil continuará comandando o país e continuaremos sem voz, longe da liberdade, longe do governo que deve ser exercido por nós mesmos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Movimento Comunista



O século XIX foi de revoluções, surgiram movimentos e ideias novas que modificaram a estrutura do mundo que atualmente contemplamos e vivemos. Com certeza uma das mentes mais influentes na atualidade é a de Karl Marx. O comunismo, que o mesmo tanto defendeu, criou esperanças, discórdias, guerras e debates. Semana passada comemorou-se os 150 anos da Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional, sediada em Londres e aberta no dia 28 de setembro de 1864, movimento este que sagrou Marx como líder comunista em nível mundial.
A Internacional tinha como objetivo organizar os trabalhadores, denominados proletários, principalmente os fabris, para discussões e elaborações de planos de ação que pudessem, a nível internacional, obrigar o patronato a ceder as reivindicações trabalhistas em prol de melhorias estruturais e maior valorização do mesmo. Com a sequência dos debates foi colocado em pauta às várias linhas de pensamentos da época que propunham métodos para alcançar uma sociedade igualitária. Destacando-se o socialismo científico (doutrina defendida por Marx), socialismo utópico, dentro de suas várias ramificações, e o anarquismo.
A I Internacional lançou Bakunin, defendendo o anarquismo, e Marx, defendendo o comunismo, como grandes líderes, sendo assim dividindo o público que participava do movimento. Movimento este que prezava pela busca de uma sociedade mais justa, descentralizada e igualitária, entretanto foi claramente exclusiva e antidemocrática quando da expulsão de Bakunin e seus seguidores anárquicos, já que a liderança do movimento centralizou-se em Marx, assim bem como anos à frente centralizar-se-ia nas mãos de Lênin.
O comunismo como Marx pregava nunca foi posto em prática, a utopia da igualdade e da sociedade sem exploração nunca foi alcançada, o Estado não deixou de existir, nem a classe trabalhadora alcançou o poder. Por quê? A reflexão, tendo como base a I Internacional, é importante, pois demostra bem aquilo que foi e é o movimento comunista espalhado por todo o mundo, um movimento centralizador e intolerante às ideias contrárias. Prova disto são os países que se tornaram pseudocomunistas e espalharam o horror e a violência entre a sua população.
Embora o Comunismo tenha ganho essa face ditatorial e cruel em muitos países, principalmente durante a Guerra Fria, a teoria é válida para reflexões sobre a sociedade atual e até mesmo a utopia de ter-se uma sociedade de iguais. A crítica ao modelo capitalista precisa ser feita, uma vez que, do contrário, ele continuará a massacrar as classes proletárias, nas palavras de Marx, e permanecerá engordando os bolsos dos mais ricos em detrimento do pobre.
A I Internacional marcou o século XIX, mas chega até hoje como exemplo de um movimento organizado de debates e direções para ações contra a covardia patronal e a favor de uma sociedade mais justa em nível mundial. No cotidiano atual, tem-se perdido esse poder de organização e reflexão, gerando, deste modo, uma sociedade incapaz de refletir sobre seus problemas e organizar-se para buscar soluções. 

Matheus M. Cruz

Acadêmico de Licenciatura em História – UnC – Campus Mafra