domingo, 11 de dezembro de 2016

Política nas mãos de poucos

Enquanto o comando do Brasil estiver completamente centralizado a corrupção continuará fácil

Renan Calheiros simplesmente segue na presidência do Senado Federal, sem nem mesmo assinar documento enviado pela Justiça. Aqui em Ponta Grossa o caixa eletrônico que fica dentro do fórum foi explodido por bandidos. A sociedade brasileira segue rindo, gargalhando na cara da Justiça.
Apelo moral não é o suficiente para uma transformação consistente no Brasil. A moralidade e seu discurso habitam as falas políticas há muitos anos, desde a colonização portuguesa. Pero Vaz de Caminha não se espantou com a nudez dos autóctones? Os jesuítas não vieram educar os índios?
A limpeza na classe dos representantes do povo é necessária, mas não é só nela. O Judiciário a cada dia mais dá provas de que tem se comprometido com a corrupção endêmica que há anos está estampada nos outros dois poderes. Mas essa limpeza não será feita através de discursos morais, não mesmo, até porque já estamos cheios deles e muito pouco tem sido diferente.
O Brasil precisa para ontem de uma renovação política, precisamos retirar essas pessoas que há tantos anos estão exercendo poder sobre a nação e não cumprem com a sua função efetivamente de zelar pela coisa pública. Não vou aqui dizer que eles não representam a população brasileira porque acredito que representam sim a sociedade corrupta e hipócrita em que vivemos.
Uma das medidas que poderiam entrar na reforma política é limitar o número de reeleições consecutivas também para as casas legislativas. Não é o ideal no meu ponto de vista, quem tem feito um bom trabalho representando o povo e suas aspirações deveriam permanecer enquanto bem servir, entretanto as eleições brasileiras fedem a farsa e a compra de votos. Não é possível compreender como ninguém fala bem do Renan, assim bem como de tantos outros políticos, e são comprovadas acusações contras eles e mesmo assim eles seguem no poder, sendo reeleitos com um número de votos que espanta.
A tão comentada Reforma Política deveria ser primeiramente uma reforma educacional, aonde as pessoas compreende-se como funciona a máquina pública, assim bem como as funções do legislativo, judiciário e executivo, para que assim pudessem decidir sobre seus representantes de maneira consciente. Não adianta mudar a legislação e manter o poder centralizado nas mãos dos mesmos.
Sobre a centralização do poder, este é outro ponto importante que deveria ser debatido. Enquanto o comando do Brasil estiver completamente centralizado em Brasília a corrupção continuará fácil de ser praticada. Precisamos para ontem repensar esse nosso modelo de "federação" que passa longe de Federação. Os estados devem ter a sua margem de autonomia para que, deste modo, até mesmo a fiscalização possa ocorrer de maneira mais eficiente.
Enquanto o Brasil continuar marchando nesse rumo de uma centralização excessiva, permitirá que os mesmos poucos continuem no poder e as mudanças que a sociedade almeja não sejam realizadas. 

Texto Publicado em 11/12/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/politica-nas-maos-de-poucos/view_vkNoticia#.WE3f1NylzIU

domingo, 4 de dezembro de 2016

Que semana!

No texto dessa semana quero começar falando de um evento ocorrido na semana passada, mas a coluna já estava pronta não deu para incluir como assunto: Fidel morreu.
Não me lembro de muitas, mas ao menos uma comparação eu li sobre a morte de Fidel e o avanço do conservadorismo. Enquanto Trump vence nos Estados Unidos, o maior símbolo socialista ainda vivo na América falece no Caribe. Nas redes sociais muitas pessoas se colocaram a favor do governo que o barbudo exerceu sobre a ilha, exaltando seus projetos na saúde e educação, principalmente. Entretanto muitos outros, de certa, forma comemoraram a sua morte trazendo à tona as atrocidades e o caráter ditatorial exercido pelo chefe cubano.
Não creio que comemorar seja ideal, muito menos humano. E esse é o problema que vivemos hoje na nossa sociedade, infelizmente perdemos a nossa humanidade, a capacidade de se compadecer por pessoas que diferem de nós.
Falando em compadecimento, tivemos ainda essa semana o desastre com o voo da Chapecoense que comoveu o Brasil e demais países também. Ver o adversário ceder o título de um campeonato internacional e clubes se mobilizando para ajudar o time catarinense mostra a cumplicidade que o esporte deve propiciar. Entretanto é do esporte também o posicionamento negativo tomado por um dos dirigentes colorado ao lamentar o acidente não pelas perdas humanas, mas pelo calendário de jogos e a luta contra o rebaixamento do time gaúcho.
Nessa mesma noite não lamentamos apenas as mortes da Chape, mas vimos o tamanho do descrédito que o nosso congresso está atraindo para si ao votar praticamente às escondidas um pacote que vem sendo discutido por toda a sociedade.
Confesso que a política nacional tem me deixado meio temeroso, pois estamos a cada dia mais vivenciando a morte moral das instituições que deveriam nos governar e inspirar confiança, mas o que temos acompanhado é a cada notícia a perda da confiança nos pilares da democracia representativa.
Vivemos uma crise política e precisamos urgentemente de uma reforma política, mas quem a fará? Quem está se aproveitando do caos no qual construímos? Necessitamos urgente de medidas que possibilitem a reorganização do país. Talvez uma assembleia sem reeleições, ou uma assembleia provisória para votação de pacotes como estes votados essa semana sem que estes deputados possam se recandidatar. Não sei como, mas precisamos nos mover para uma reorganização nacional.

Texto Publicado em -4/12/2016 no na Coluna "Resenha de Domingo": http://www.culturaplural.com.br/que-semana/view_vkNoticia#.WESkHdylzIU