segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Nostalgia, Adeus Ano Novo!

“Adeus ano Velho, feliz ano novo”!
Como é de costume nos vemos cercado por canções típicas dessa época festiva de fim de ano em que as pessoas se sentem mais sensíveis e esperançosas de fazerem um ano melhor.
Esse ano não parece ter sido muito bom, pelo contrário, vivenciamos as mais variadas tragédias. Uma das que mais nos afeta cotidianamente é a tragédia política que estamos presenciando. Nosso governo não consegue governar, a oposição, sem moral, pede pelo impeachment, a base aliada não parece tão aliada assim, o líder do PT na câmara ameaçou bater em manifestantes, em contrapartida há quem não apoie o governo, mas não julgue que esse caminho, impeachment, seja o correto, pois é uma ameaça à democracia e à legitimidade das urnas.
Lendo esses dias alguns livros, me vi envolto em uma nostalgia de um tempo que eu não vivi. As instituições nacionais estão se digladiando e perdendo, a cada batalha, a confiança da população brasileira. Em todos os lados vemos corrupção, em todos os lados vemos as dores de uma política suja e enterrada na lama. São poucos os partidos e personalidades do nosso meio político que se destacam por suas posições firmes e coerentes.
Ahh que saudades da última metade da década de 1980...
A editora Brasiliense publicou uma coleção chamada O que é?, coleção que visa debater os mais variados temas. Alguns dos temas abordados sãos políticos, como nos títulos O que é Deputado? e O que é Parlamentarismo?. Lendo esses livros, escritos para debater a Constituinte, e assistindo documentários sobre a mesma vejo uma confiança em um Brasil melhor, em uma política limpa e coerente, de discussões sobre ideias que levariam o Brasil a um lugar melhor, a uma sociedade mais justa.
Parece que realmente havia esperança de fazer diferente. Depois de 21 anos sob o governo Civil-Militar havia uma linda festa para a democracia, as instituições estavam sendo construídas para funcionarem com credibilidade e longevidade, debatia-se que rumo o Brasil deveria tomar, qual deveria ser o esqueleto do Estado, tínhamos um deputado índio!
Aonde será que perdemos essa fé?

Que os ventos de liberdade soprem sobre o nosso país esse ano! Espero que o espírito natalino e o ano novo possam trazer a nossa política mais transparência e de fato uma reestruturação que poderá levar-nos a um país melhor, a construir um Brasil que seja nosso de fato, que as discussões possam ter ecos e que a vontade do povo possa ser legitimada, que de uma vez por todas deixemos de ser reféns de quem tem mais, que tenhamos, de fato, como a nossa presidente prometeu para esse mandato, uma “Pátria Educadora”, do contrário bastará apenas a nostalgia e a angústia de viver um tempo em que não vemos saídas, não enxergamos esperança e não temos mais fé nas instituições que deveriam nos representar. Vamos fazer um ano diferente, do contrário, se esse ano novo for como 2015... Adeus Ano Novo!

Artigo Publicado no Jornal da Manhã, 06/01/2016.