Essa semana comemorou-se o dia da Independência do Brasil. A
História dos nossos livros didáticos, repleta de ideologia, nos pinta, como o
quadro de Pedro Américo, um imponente momento, um D. Pedro viril e libertador,
um herói de verdade. Perpassaram-se durante anos, continuando ainda hoje, em
muitas mentes o sentimento patriótico regado de um endeusamento de personagens
tidos como principais por aqueles que contam a história da nação.
Existem fatores dentro do processo de independência que não
são levados em consideração e o senso comum desconhece, não tendo uma ideia
mais ampla sobre aquilo que foi a realidade do Brasil durante os anos,
principalmente, entre 1808 e 1822. Sendo assim, não percebem que o dia 7 de
setembro foi apenas o ápice de toda uma trama que vinha sendo desenhada há
anos, mais em voga com a chegada da família real no Brasil (1808),
Dentro de todo esse processo é importante que seja
ressaltado o aspecto popular, ou a falta do mesmo. O Brasil fora colônia
portuguesa desde 1494, com o Tratado de Tordesilhas, sendo tomada posse da nova
terra em 1500 e o começo da sua efetiva colonização em 1530. Essa colonização
foi totalmente de exploração, fazendo com que os colonos, em sua maioria, vissem
no Brasil o El Dourado, apenas uma
fonte de riquezas para que pudessem solidificar melhor sua vida na Europa, sem
contar os que pra cá vieram como forma de punição por crimes, ou seja, a
sociedade brasílica foi formada por uma população que em nada se comprometia
com a formação do novo país. Com essa formação social básica seria difícil que
a história tivesse outro destino que não fosse a submissão do povo às vontades
de uma elite ligada aos interesses portugueses e comerciais.
O processo que culminou no dia 7 de setembro teve justamente
essa marca, foi dirigido apenas pelos interesses da elite que comandava o
Brasil. Esta que estava crescendo economicamente com as relações com os
ingleses e nada tinha a ganhar com a volta da submissão extrema a Portugal. Por
sua vez a coroa portuguesa tinha consciência de que o processo de metropolização do Brasil em 1808 seria
irreversível, por isso D. João deixa o seu filho, D. Pedro para que as mudanças
políticas que estavam por vir fossem feitas sob sua tutela e, desse modo, não
se afastando dos interesses portugueses.
A sociedade brasileira ao ver as descrições feitas em
quadros e a que comumente é feita sobre essa parte importante da história do
país renega esses detalhes que são de importância ímpar, uma vez que demonstram
a maneira que o Brasil foi criado, sem brasileiros lutando pelo mesmo. A
diferença entre o processo de independência da América portuguesa para a
espanhola é gritante, uma vez que as ex-colônias da Espanha criaram seus
respectivos países com o sentimento de pertencimento ao local, as terras
brasílicas ganharam a independência sem ter, de fato, brasileiros.
Atualmente ouvem-se queixas constantes sobre a postura do
povo brasileiro sobre vários aspectos, um deles é o político. Nessa semana que se
denomina Semana da Pátria deveria haver uma profunda reflexão de como esse fato,
processo de independência, foi e ainda é o retrato da formação do povo
brasílico. Formação esta que o torna descompromissado e não o permite sentir-se
parte de um todo, sentir-se o próprio Brasil.
Matheus M. Cruz
Acadêmico de Licenciatura em História – UnC, Campus Mafra.
