A sociedade atual vive uma aceleração da tecnologia
robótica. Atualmente há máquinas para quase todas as funções que anteriormente
seriam executadas pelos seres humanos, essa modificação na estrutura da mão de
obra existente no mundo gera reflexos econômicos e, consequentemente, na
própria estrutura social. Existem discussões, há algum tempo, sobre a
complexidade que essa maquinização
traz e as suas consequências, deixando o homem em segundo plano, entretanto
esquecem-se da parte principal que diferencia o ser humano da máquina:
consciência.
A preocupação das máquinas tomarem conta do mercado de
trabalho, gerando, desta forma, o desemprego é factual, uma vez que a sociedade
atual empurra o próprio ser humano para uma robotização. Isso é muito límpido
na área educacional, quando nota-se um sistema, como o próprio vestibular, de
provas dentro da maioria das escolas nacionais que fazem com que o aluno decore
o conteúdo pelo próprio conteúdo, sem que o mesmo seja capaz de fazer a
transposição para a realidade daquilo que estuda como teoria científica dentro
da escola.
Uma máquina é incapaz de fazer arte, seja ela do tipo que
for, ela pode executar uma música, mas nunca interpretá-la, pode jogar tinta
num quadro, mas é impossível que o utilize como expressão e assim é com a área
educacional, também. Uma máquina pode calcular com maior exatidão que o homem e
até mesmo bem mais rápido, mas não é capaz de interpretar um problema, não é
capaz de trazer para o campo prático, não tem consciência e não reflete, logo
não consegue fazer a valorização das datas e nomes históricos para os dias
atuais, e assim por diante. Infelizmente vive-se atualmente uma robotização
extrema da sociedade, onde tudo aquilo que há de mais humanos não tem sido
valorizado, infelizmente. Desse modo, sim, deve-se temer a competição com as
máquinas, já que o que nos faz superiores tem sido renegado ao descaso e a
inutilidade.
As propostas educacionais contidas nos PCNs (Parâmetros
Curriculares Nacionais) são claras quanto ao que se deve ser ensinado na escola:
a compreensão do mundo que cerca os estudantes e, também, prepara-lo para o
mercado de trabalho. Todas as ciências devem estar preparadas para que levem ao
sujeito a visão de sociedade que ele precisa ter para saber viver em
comunidade, para que o mesmo seja capaz de fortalecer o meio que vive como
cidadão e não que simplesmente decore teoria por teoria sem utilizar isso em
nada, já que não consegue tornar aquele saber prático porque nunca foi levado a
refletir sobre isso.
O mundo passa por essa maquinização
há tempo, mas o que se deve ter em mente é que o homem não compete com a máquina,
não deveria ao menos, porque o ser humano tem consciência e sentimentos o que o
torna ímpar, insubstituível frente a tudo que precisa de tomada de decisão,
reflexão e tudo que envolve capacidade de escolha. As máquinas são produzidas
para servirem ao homem e se o mundo mantiver essa mentalidade de que devemos
nos igualar as mesmas, fatalmente os papéis se inverterão.
Matheus Cruz
Acadêmico de Licenciatura em História – UnC