Vive-se hoje no país uma
sequência de protesto que varrem todo o território, desde os grandes centros
urbanos a cidades menores. É notório que o povo está tentando politizar-se e
isso é importante para uma sociedade “democrática”, porém é necessário que haja
um embasamento sócio-histórico para uma compreensão crítica dos fatos e se
possa chegar a proposições plausíveis em prol de uma melhora na qualidade
nacional em quaisquer âmbitos.
Importante destacar nessa
onda de protestos a aversão às instituições, principalmente aos partidos
políticos, dando um caráter totalmente popular. A força está na mão do povo e a
história prova isto com as ditaduras de Getúlio Vargas e a Civil-Militar. Durante
o golpe e instauração do último despotismo teve-se o apoio em massa da
população contra a “ameaça comunista”. É fato que movimentos civis, como a
“Passeata contra a Guitarra Elétrica” e a “Marcha da Família com Deus pela
Liberdade”, que deram total força a tomada do poder dos militares para a
salvação da ameaça cultural estrangeira e a do governo de Jango, a vermelha.
A luta contra o Comunismo
foi de claro cunho popular e anti-institucional, também, desaguando em anos de
Ditadura. Mas o porquê isto aconteceu? Essas manifestações foram totalmente
teleguiadas pelas elites militares que há tempo tentavam assumir o poder, desde
a época de Getúlio, sob a influência estadunidense, entretanto só conseguiram
alcançar seu objetivo de fato após modificarem o imaginário popular, lhes
incutindo a ideologia que, mesmo Jango mantendo o país não alinhado a nenhum
eixo político-econômico da Guerra Fria, a ameaça da desgraça vermelha era iminente.
A sociedade civil saiu às ruas e, em protestos e manifestações, deram a
abertura suficiente para os militares assumirem o poder, justamente por não
haver direção nem mesmo proposições plausíveis para o direcionamento do país.
Durante os protestos dos
dias atuais a falta de foco, falta de liderança e, principalmente, a falta de
solução de fato para os problemas causam preocupação. Já foi visto a
consequência, há anos, de uma politização alienada e não há glória nisso. Sair
às ruas requer uma preparação intelectual, aonde conceitos devem ser
trabalhados, soluções estudadas para que o grito não seja apenas de reclamação,
mas de propostas que levem a uma mudança, uma evolução no modo de agir e
governar. Discussões devem ser estabelecidas e os manifestantes elegerem uma
liderança que tenha propostas eficazes para haver outra forma de autoridade
administrativa, do contrário o desgoverno abrirá espaço para figuras já
conhecidas no nosso cenário político-ditatorial.
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