sexta-feira, 5 de julho de 2013

Protesto e Ditadura


Vive-se hoje no país uma sequência de protesto que varrem todo o território, desde os grandes centros urbanos a cidades menores. É notório que o povo está tentando politizar-se e isso é importante para uma sociedade “democrática”, porém é necessário que haja um embasamento sócio-histórico para uma compreensão crítica dos fatos e se possa chegar a proposições plausíveis em prol de uma melhora na qualidade nacional em quaisquer âmbitos.
Importante destacar nessa onda de protestos a aversão às instituições, principalmente aos partidos políticos, dando um caráter totalmente popular. A força está na mão do povo e a história prova isto com as ditaduras de Getúlio Vargas e a Civil-Militar. Durante o golpe e instauração do último despotismo teve-se o apoio em massa da população contra a “ameaça comunista”. É fato que movimentos civis, como a “Passeata contra a Guitarra Elétrica” e a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que deram total força a tomada do poder dos militares para a salvação da ameaça cultural estrangeira e a do governo de Jango, a vermelha.
A luta contra o Comunismo foi de claro cunho popular e anti-institucional, também, desaguando em anos de Ditadura. Mas o porquê isto aconteceu? Essas manifestações foram totalmente teleguiadas pelas elites militares que há tempo tentavam assumir o poder, desde a época de Getúlio, sob a influência estadunidense, entretanto só conseguiram alcançar seu objetivo de fato após modificarem o imaginário popular, lhes incutindo a ideologia que, mesmo Jango mantendo o país não alinhado a nenhum eixo político-econômico da Guerra Fria, a ameaça da desgraça vermelha era iminente. A sociedade civil saiu às ruas e, em protestos e manifestações, deram a abertura suficiente para os militares assumirem o poder, justamente por não haver direção nem mesmo proposições plausíveis para o direcionamento do país.
Durante os protestos dos dias atuais a falta de foco, falta de liderança e, principalmente, a falta de solução de fato para os problemas causam preocupação. Já foi visto a consequência, há anos, de uma politização alienada e não há glória nisso. Sair às ruas requer uma preparação intelectual, aonde conceitos devem ser trabalhados, soluções estudadas para que o grito não seja apenas de reclamação, mas de propostas que levem a uma mudança, uma evolução no modo de agir e governar. Discussões devem ser estabelecidas e os manifestantes elegerem uma liderança que tenha propostas eficazes para haver outra forma de autoridade administrativa, do contrário o desgoverno abrirá espaço para figuras já conhecidas no nosso cenário político-ditatorial.