Trabalhar a questão da
liberdade é muito complexo, pois é algo que pode ser observado por vários
aspectos e de várias concepções diferentes. Importante refletir sobre o
conceito trazido pelo dicionário que adota como sinônimo do verbete Liberdade
as palavras autonomia e independência, embasado nessa sentença que o texto
subsequente decorrerá.
Frente a esse conceito prévio
de liberdade e tendo uma leve reflexão sobre ele é possível observar que o
mundo atual vive escravizado e não somente o presente, mas desde sempre a
humanidade se enraizou na impossibilidade de realizar as suas próprias vontades
a seu bel-prazer. Não importa a forma de governo sempre haverá condições que
proíbam o cumprimento do querer em sua completude.
Costuma-se observar de uma
maneira mais clara o veto frente a modelos ditatoriais, mas é possível refletir
sobre assuntos cotidianos e vontades que, mesmo em países "livres",
não são possíveis de se executar. Como já visto anteriormente, tem-se a
definição de liberdade como uma autonomia, mas essa não é respeitada no Brasil
quando, por exemplo, tenta-se comprar um carro, mas por questões financeiras
torna-se impossível, logo a liberdade, nesse caso, está vinculada ao um simples
conceito, o qual denomina-se capital.
Na sociedade não há
liberdade para a liberdade, o que é natural e de certa maneira preciso. Nem
tudo o que o ser humano quer ele consegue obter, porque a sua independência
está condicionada a dependência de circunstâncias, como por exemplo: se alguém
quiser ficar sem comer não pode, pois o corpo necessita de alimento; se um
outro ser quiser dirigir, mas não tem tamanho suficiente para alcançar os
controles do automóvel essa pessoa fica impossibilitada de realizar seu desejo.
O exemplo a seguir evidencia a quantia de fatores que vetam a liberdade: Um
homem que no Brasil está e sente fome, querendo matá-la em apenas uma hora e em
um café parisiense depara-se com a barreira do tempo, da distância, do
financeiro, do transporte, das suas questões trabalhistas e/ou estudantis do
cotidiano e em outras mais.
Destacando os conceitos pré-estabelecidos
no texto sobre a palavra liberdade deve-se questionar se os mesmo são intrínsecos
realmente a essa questão do poder, da liberdade em si. Por muitas vezes não se
observa a força da utopia, tal é essa que leva multidões a formularem ideias e
a questionarem qualquer tipo de influência, autoridade. O poder social é inegável,
mas até mesmo nisso pode ser notado claramente à falta de independência, pois
todo o conceito criado na cabeça dos líderes é nascido dos pensamentos de
outros filósofos mais.
Se com calma for analisado
notório se fará a infidelidade ao real do conceito permeante na mente popular
sobre a questão da liberdade, logo que esta está vinculada a dependência de
variados fatores que fogem ao domínio do próprio ser humano. A autonomia pode
ser conquistada em setores separados e até mesmo isolados, mas nunca haverá
alguém que goze do conceito pleno, incondicional, da tão sonhada e requerida
liberdade.
