domingo, 3 de fevereiro de 2013

Liberdade utópica



 Trabalhar a questão da liberdade é muito complexo, pois é algo que pode ser observado por vários aspectos e de várias concepções diferentes. Importante refletir sobre o conceito trazido pelo dicionário que adota como sinônimo do verbete Liberdade as palavras autonomia e independência, embasado nessa sentença que o texto subsequente decorrerá.
Frente a esse conceito prévio de liberdade e tendo uma leve reflexão sobre ele é possível observar que o mundo atual vive escravizado e não somente o presente, mas desde sempre a humanidade se enraizou na impossibilidade de realizar as suas próprias vontades a seu bel-prazer. Não importa a forma de governo sempre haverá condições que proíbam o cumprimento do querer em sua completude.
Costuma-se observar de uma maneira mais clara o veto frente a modelos ditatoriais, mas é possível refletir sobre assuntos cotidianos e vontades que, mesmo em países "livres", não são possíveis de se executar. Como já visto anteriormente, tem-se a definição de liberdade como uma autonomia, mas essa não é respeitada no Brasil quando, por exemplo, tenta-se comprar um carro, mas por questões financeiras torna-se impossível, logo a liberdade, nesse caso, está vinculada ao um simples conceito, o qual denomina-se capital.
Na sociedade não há liberdade para a liberdade, o que é natural e de certa maneira preciso. Nem tudo o que o ser humano quer ele consegue obter, porque a sua independência está condicionada a dependência de circunstâncias, como por exemplo: se alguém quiser ficar sem comer não pode, pois o corpo necessita de alimento; se um outro ser quiser dirigir, mas não tem tamanho suficiente para alcançar os controles do automóvel essa pessoa fica impossibilitada de realizar seu desejo. O exemplo a seguir evidencia a quantia de fatores que vetam a liberdade: Um homem que no Brasil está e sente fome, querendo matá-la em apenas uma hora e em um café parisiense depara-se com a barreira do tempo, da distância, do financeiro, do transporte, das suas questões trabalhistas e/ou estudantis do cotidiano e em outras mais.
 Destacando os conceitos pré-estabelecidos no texto sobre a palavra liberdade deve-se questionar se os mesmo são intrínsecos realmente a essa questão do poder, da liberdade em si. Por muitas vezes não se observa a força da utopia, tal é essa que leva multidões a formularem ideias e a questionarem qualquer tipo de influência, autoridade. O poder social é inegável, mas até mesmo nisso pode ser notado claramente à falta de independência, pois todo o conceito criado na cabeça dos líderes é nascido dos pensamentos de outros filósofos mais.
Se com calma for analisado notório se fará a infidelidade ao real do conceito permeante na mente popular sobre a questão da liberdade, logo que esta está vinculada a dependência de variados fatores que fogem ao domínio do próprio ser humano. A autonomia pode ser conquistada em setores separados e até mesmo isolados, mas nunca haverá alguém que goze do conceito pleno, incondicional, da tão sonhada e requerida liberdade.